35ª Reunião Brasileira de Antropologia — Campus Samambaia, UFG, Goiânia — 13 a 17 julho 2026

Grupos de Trabalho — 35ª RBA

GT 001 - A Antropologia e os Estudos Ciganos: perspectivas teóricas e etnográficas sobre identidades, território e fronteiras culturais em tono dos ciganos/Rom no Brasil.

Coordenação
Maria Patrícia Lopes Goldfarb (UFPB), Igor Shimura (INSTITUTO PLURIBRASIL)

Pessoa debatedora
Mercia Rejane Rangel Batista (UFCG)

Muitas áreas de estudos, especialmente nas chamadas Ciências Sociais, tem realizado pesquisas sobre Ciganos/Roma no Brasil. Neste sentido, a antropologia tem se voltado a realização de estudos etnográficos, históricos ou documentais sobre os grupos Ciganos/Romani em diversas regiões e estados do país. Observamos a produção de pesquisas etnográficas que muito nos informam sobre as situações sociais que vivem tais grupos, bem como a criação de políticas públicas, relações de gênero, demandas por direitos, território e as relações entre ciganos e não ciganos em diferentes contextos. Apesar da crescente quantidade e qualidade das produções antropológicas, nota-se uma escassez de informações sobre estes grupos ou famílias na região Centro-Oeste, cujos estados possuem forte presença de Ciganos, como é o caso de Goiás, Brasília, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Neste sentido, é necessário diálogos entre pesquisadores de diferentes regiões e formações, priorizando o exercício comparativo entre grupos, comunidades ou famílias de Ciganos no Brasil. Deste modo, este Grupo propõe a criação de um espaço de debates e diálogos, onde pesquisadores possam ampliar e aprofundar as discussões teóricas e metodológicas; refletindo, ainda, sobre o papel da antropologia na mediação entre grupos Ciganos/Romani e as esferas públicas.

Títulos e Resumos

  • "Nós vamos cuidar dos ciganos": Direitos Humanos, família, infância e a gestão da diferença em Camaçari (BA)
    — Cleiton Machado Maia
  • Representações dos Ciganos de Carneiros-AL no cinema: relação do real com o imaginado e autorreconhecimento identitário
    — Edluza Maria Soares de Oliveira
  • ENTRE REDES E RITOS: uma etnografia sobre jovens ciganos criadores de conteúdo
    — José Aclecio Dantas, Maria Patrícia Lopes Goldfarb
  • Quem fala pelos ciganos? Redes sociais, terreiros e os limites da fala autorizada sobre cultura cigana
    — Maria Cristina Marques
  • "Nosso jeito": traços particulares de culturas Calon como elementos de identificação étnica
    — Mário Igor Shimura
  • Propondo e Implementando: Reflexões sobre o Plano Nacional de Políticas para Povos Ciganos (PNPPC) do Ministério da Igualdade Racial (MIR) e seus Desdobramentos nas Políticas Públicas
    — Mércia Rejane Rangel Batista, José Gabriel Silveira Corrêa

GT 002 - A antropologia na correnteza do rio: políticas culturais e direitos sociais de culturas populares, povos e comunidades tradicionais

Coordenação
Joana Ramalho Ortigão Corrêa (Coletivo Florescer Cerrado), Ana Carolina Carvalho de Almeida Nascimento (CNFCP)

Pessoa debatedora
Patricia Martins (SGPR)

O fazer antropológico tem se organizado também no campo da cultura, para além da academia, também em instituições públicas e do terceiro setor que atuam na construção de políticas culturais no campo das culturas populares, do patrimônio imaterial e do acesso a direitos sociais de povos e comunidades tradicionais. Desde a estruturação dos estudos de folclore no Brasil, especialmente a partir da primeira metade do século XX, intelectuais da antropologia e das ciências sociais, ao lado de agentes do campo das culturas populares e das matrizes tradicionais, têm se dedicado a criar de estratégias de valorização e participação social destes segmentos em uma república pautada pelo racismo e pela exclusão social. As políticas de patrimônio imaterial, ao lado daquelas voltadas aos povos e comunidades tradicionais constituíram novos caminhos políticos de inclusão e reconhecimento consolidados pela Constituição Federativa de 1988. As pautas afirmativas e da diversidade têm avançado em novos modelos de construção de políticas reparatórias. Trataremos mais sobre as políticas de cultura nestes cenários de reparação e inclusão, por meio da atuação de agentes sociais diversos. Serão bem vinda pesquisas sobre a antropologia em ação no campo da cultura em cenários ampliação da efetividade e da capilaridade das políticas sociais e de enfrentamento de conflitos de territórios de povos e comunidades tradicionais.

Títulos e Resumos

  • Cartografias da Salvaguarda: o Inventário da Capoeira em Mato Grosso entre a Norma Institucional e a Potência dos Territórios
    — Luciana Monteiro de Campos, Patricia Silva Osorio
  • Identidade, Narrativas e Território: A construção do pertencimento no Baixo-Onça, Belo Horizonte.
    — Yuri Kaique Valadão Ambrozio

GT 003 - A ANTROPOLOGIA PARA ALÉM DA ACADEMIA: pesquisas aplicadas, metodologias criativas e desenvolvimento profissional

Coordenação
Patricia Trindade Maranhão Costa (UNB), Ana Rocha (UFRGS)

A partir do olhar disciplinado adquirido na formação em Antropologia, avançamos em uma postura crítica e reflexiva para além da academia. Isso resultou em estudos estratégicos que expandiram os saberes disciplinares na interação com metodologias criativas em diferentes espaços. Para ampliar tais reflexões queremos estimular a troca de experiências e trajetórias de antropólogas cujas atuações profissionais resultaram em diferentes modos de olhar a Antropologia brasileira no século 21. Foram conquistados novos espaços para práticas antropológicas delineadas em projetos implementados a partir de instituições públicas, privadas, organismos internacionais e organizações da sociedade civil, alocados de forma fixa ou flexível, permitindo o acompanhamento estratégico de temáticas cruciais para o desenvolvimento social. Neste GT, estamos abertas a artigos, ensaios, mostras de experimentos e dispositivos criativos que nos permitam entender como os horizontes da Antropologia têm sido ampliados para além da academia. Buscamos identificar caminhos a serem trilhados criando uma oportunidade de reflexão sobre a atuações profissionais que partem da etnografia, e que primam pelos critérios éticos e epistemológicos da Antropologia, resultando em novos conceitos e categorias que ajudam a construir novas práticas sociais em diferentes contextos e divulgados em espaços diversos.

Títulos e Resumos

  • Antropologia aplicada e patrimônio imaterial: uma análise da trajetória do CEFOL em Caxias (MA)
    — Cayo Cruz
  • Entre encantarias, desenhos e pinturas: uso da arte como ferramenta etnográfica e afetiva em comunidades de várzea amazônica (Pará-Brasil).
    — Emilly Yasmim Lopes Cardoso
  • Acervos Etnográficos e Repositórios Digitais: cidade, memória ambiental e tempo em formas pluriversas e diferentes linguagens.
    — Flávia Maria Silva Rieth, Elisa Algayer Casagrande
  • Vendo o Estado por dentro: pesquisa aplicada e participação social no Conselho Nacional de Segurança Pública e Defesa Social
    — Haydée Caruso, Luciane Patricio Barbosa Martins, Marcelle Gomes Figueira
  • Da crítica Kaingang, à construção de uma loja online de artesanato: alguns registros de uma etnografia dita colaborativa
    — Luis Felipe de Oliveira Bernardy
  • Antropologia aplicada e políticas públicas: a experiência das Estações Tech no Maranhão
    — Nicole Pinheiro Bezerra, Laís Rabêlo
  • Karênhpo Apinajé é cultura cannábica ancestral: relatos de uma oficina "ready made" de introdução ao audiovisual com jovens indígenas da aldeia Cipozal
    — Rafael de Almeida Ávila Lobo
  • Antropologia para além da academia: coprodução de tecnologias sociais digitais em contexto amazônico
    — Raul da Silva Ventura Neto, Nírvia Ravena, Uriens Maximiliano Ravena Cañete, Jússia Carvalho da Silva Ventura, Roberta Cristina de Oliveira Soares
  • O uso do GenoPro como metodologia em pesquisas antropológicas com comunidades quilombolas
    — Tâmara Ramos Coimbra, Taisa Lewitzki
  • Direitos, questão agrária e conflitos territoriais: reflexões sobre a experiência da extensão universitária e da assessoria jurídica popular no Semiárido Mineiro
    — Thais Barroso Queiroz, Clebson Souza de Almeida, Geraldo Miranda Pinto Neto

GT 004 - A imagem e o som nas etnografias das alianças interespecíficas, das ruínas e dos estudos sobre os impactos antrópicos no ambiente

Coordenação
Anelise dos Santos Gutterres (UFRJ), Viviane Vedana (UFSC)

A proposta do grupo é ampliar o debate iniciado na mesa “O papel das imagens nos estudos sobre o antropoceno, catástrofes e crise ambiental global”, ocorrida no 47º Encontro Anual da ANPOCS. Nossa meta, portanto, é compilar pesquisas que destacam a importância da imagem e do som na elaboração de estudos que investigam os vestígios dos ciclos de desenvolvimento nos biomas, os impactos de projetos de infraestrutura em comunidades e arranjos interespécie, cosmotécnicas e criações em paisagens e ruínas. Teoricamente, estamos ancoradas na reflexão da imagem como artefato tanto na análise de mutações e alianças interespecíficas como na reflexão sobre os diferentes percursos e ritmos modulados pelo mundo do trabalho e suas infraestruturas. Em nossa proposta, a imagem e o som atuam tanto como mediadores de histórias, memórias e resistências, quanto como instrumentos na geração de conhecimento e reconhecimento sobre fluxos, sistemas e paisagens em transformação. Diante dos efeitos antrópicos causados por práticas humanas que instauram formas de habitação destrutivas no contexto capitalista, como gerar conhecimentos e saberes a partir de paisagens sonoras e visuais, em meio às interferências de ecologias simplificadoras? No que diz respeito ao debate sobre o argumento proposto por este grupo, almejamos congregar etnografias, experimentos, investigações e/ou projetos elaborados de forma colaborativa em regiões e comunidades, com propostas reflexivas em relação ao tema.

Títulos e Resumos

  • Gente-planta e outras formas de natureza: curadoria e arte-contemporânea para pensar as relações humano-animais nas Amazônias
    — Emerson Silva Caldas
  • Biografias que transbordam: imagens e etnografias com rios
    — Fernando Monteiro Camargo
  • "Diga-me aonde vais, que eu te direi quantas placas há": meu despertar como pessoa atingida por barragens em Congonhas/MG.
    — Gabriela Guimarães Gouvêa de Oliveira
  • As sociabilidades mais que humanas do cultivo da espécie Nicotiana tabacum em Guarani, Minas Gerais - documentar para manter viva a memória biocultural
    — Giovanna Vieira Casarin Henriques
  • Mundos em Ruínas: Narrativas Audiovisuais e Sobrevivência no Antropoceno do Baixo São Francisco, em Pão de Açúcar/AL.
    — Igor Luiz Rodrigues da Silva

GT 005 - Agronegócio e as lutas pela terra: coexistências, resistências e outras políticas inimagináveis

Coordenação
Lauriene Seraguza Olegário e Souza (UFGD), John Cunha Comerford (UFRJ)

Pessoa debatedora
Graziele Dainese (UFF)

Neste GT discutiremos como se relacionam distintas políticas e éticas da terra descritas a partir da convivência tensa entre o agronegócio e modos indígenas, quilombolas, camponeses de habitar o território. O objetivo é mapear composições e confrontações entre formas de coexistência e resistência praticadas pelos povos em contextos marcadamente orientados pelas dinâmicas do agro. Nesse sentido, nos interessa conhecer trabalhos que pensam as relações entre a fazenda (entendida como forma paradigmática da plantation) e modos minoritários da vida na terra, vistas desde diferentes entradas: arrendamentos e parcerias agrícolas, trabalho, política (eleições, mesas de conciliações e demais espaços de negociação). Problematizaremos as relacionalidades que participam do mundo organizado pela plantation, com destaque para os contrapontos vividos em variadas formas e direções, partindo de pontos de vista distintos e muitas vezes antagônicos, inclusive em termos raciais/étnicos, porém conectados em combinações ambivalentes e nem sempre opostas: tanto mobilizações políticas e institucionalmente organizadas quanto expressões de repúdio ao modelo monocultor manifestadas em práticas e processos mais sutis, menos estruturados e mais dispersos. Neste ponto, nos interessamos pelas políticas inimagináveis (seguindo De la Cadena) criadas nas brechas do convívio, postas em curso em variados projetos de colaboração e recusa à plantation e sua dinâmica anti-negra, anti-indígena e anti-camponesa.

Títulos e Resumos

  • Memória e permanência territorial: coexistências e resistências ao agronegócio no Norte de Minas Gerais e Vale do Jequitinhonha
    — Ana Flávia Rocha de Araújo, Andrea Maria Narciso Rocha de Paula
  • “...E o que é a resistência? É a permanência na terra": a constante luta pela terra no quilombo Grotão-TO
    — Bruno dos Santos Hammes
  • Impactos do agronegócio na comunidade indígena Gamela Vão do Vico no sudoeste do estado do Piauí
    — Cristhyan Kaline Soares Mineiro
  • Terras-territórios sociobiodiversos e a soja no Oeste do Pará
    — Diego Amoedo Martinez
  • Insurgências vazanteiras e quilombolas: conflitos territoriais, agronegócio e mediações envolvendo as terras marginais do rio São Francisco
    — Elisa Cotta de Araújo, Claudia Luz de Oliveira, Felisa Cançado Anaya
  • As forças de reprodução da vida e as atividades predatórias do agronegócio da soja no Baixo Tapajós e no Planalto Santareno, Pará
    — Emília Pietrafesa de Godoi
  • A cultura do agronegócio em Viçosa - MG: uma abordagem antropológica
    — Fabiane Ferreira Neiva
  • Economias-políticas indígenas e não indígenas em tempos de soja: alianças, acumulações e diferenciações
    — Lucas Cimbaluk
  • Entre agrotóxicos e ofensivas da Polícia Militar: A (re)existência Kaiowá e Guarani em Guyraroka e as dimensões psicossociais da violência/resistência
    — Lucas Luis de Faria
  • Prefigurações ecológicas: agroecologia, heterotopias e experimentação política no Assentamento Marielle Vive (leste paulista)
    — Lucas Rocha Salgado
  • "Aqui a gente cria tudo solto e deixa comer livre": boiadeiros e garrotes entre roças e fazendas de Vão da Horta e Vão das Calçadinhas (GO)
    — Luiza Letícia Mendes de Alcântara
  • Relatos do fim do mundo: agronegócio e movimento veredeiro no Norte de Minas Gerais
    — Luzimar Paulo Pereira
  • Territórios em Movimento: as migrações como resistência entre comunidades Vazanteiras do Médio São Francisco frente ao agronegócio
    — Maria Cecília Cordeiro Pires
  • Agroecologia e Extrativismo da Castanha de Baru pelo Cerrado: formas produtivas sincréticas para um desenvolvimento sustentável frente ao avanço do agronegócio
    — Mariana Pesce Ribeiro
  • Comércio transnacional de grãos e a "containerização" da Amazônia
    — Matthew Abel, Katiane Silva
  • Andanças, movimentos e luta quilombola no Norte de Minas Gerais
    — Pedro Henrique Mourthé de Araújo Costa
  • Festas de peão e parcerias: coexistências inesperadas em Terras Indígenas do baixo Tibagi (PR)
    — Roberta de Queiroz Hesse
  • Sitiantes e agronegócio canavieiro no interior paulista: coexistências, transformações e dinâmicas territoriais locais.
    — Rosemeire Salata
  • A Genealogia do Capital Político: O Estado de Goiás como propriedade da Família Caiado
    — Vittor Andrade Vieira de Melo

GT 006 - Alfabetização intercultural e materiais didáticos para povos indígenas: relatos, práticas e desafios institucionais

Coordenação
Antonio Carlos Seizer da Silva (UCDB), Felipe Bruno Martins Fernandes (UFBA)

O GT reúne estudos e experiências sobre a alfabetização de povos indígenas no Brasil, vinculando a produção de materiais didáticos, a crítica ao letramento e ao numeramento, e à avaliação crítica da relação das secretarias estaduais de educação na aplicação de políticas específicas e diferenciadas na Educação Escolar Indígena. Procura-se refletir sobre a fragilidade da alfabetização em comparação com outros níveis de ensino, a vivência da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em contextos indígenas e as oportunidades de práticas pedagógicas contracoloniais que combatam desigualdades linguísticas, territoriais e institucionais. O GT dará prioridade a vozes indígenas e de educadoras/es que criam materiais e metodologias interculturais, estabelecendo um diálogo entre investigações acadêmicas e ações comunitárias para fortalecer processos de letramento que sejam contextualizados e autônomos. A coordenação do GT também estimula a submissão de trabalhos de membros de redes ligadas ao programa do Ministério da Educação "Saberes Indígenas na Escola", que são fundamentais na criação de reflexões e práticas pedagógicas interculturais.

Títulos e Resumos

  • Boe Edugo
    — Claudineia Borobo Kiakia, Ana Paula Purcina Baumann
  • Qual(is) língua(s) você fala? A revisão da ortografia da língua parikwaki como prática social situada
    — Elissandra Barros da Silva, Lenise Felicio Batista, Aldiere Orlando, Carina Santos de Almeida

GT 007 - Alimentar trajetórias: antropologia da alimentação na pluridiversidade

Coordenação
Talita Prado Barbosa Roim (UFG), Rogéria Campos A. Dutra (UFJF)

Pessoa debatedora
Carolina Cadima Fernandes Nazareth (UNILA)

Para a 35ª RBA, alinhado ao tema “Antirracismo e Pluridiversidade”, o GT convoca pesquisas que explorem as trajetórias que a comida percorre — do plantio ao preparo, do corpo ao território — e as trajetórias das pessoas que a produzem, transportam, transformam e consomem. Comida e pessoas se movem juntas, produzindo vínculos, afetos, pertencimentos e fronteiras. Esses percursos revelam fluxos de poder marcados por racismo, colonialismo e patriarcado, que atravessam sistemas alimentares, redefinem possibilidades de vida e organizam desigualdades. A proposta busca fortalecer análises que articulem memória, mobilidade, território e futuro, destacando os modos pelos quais povos indígenas, comunidades negras, quilombolas, populações tradicionais e grupos urbanos periféricos constroem conhecimentos, práticas de resistência e reinvenções cotidianas. Ao acompanhar trajetórias alimentares — sementes, receitas, mercados, rituais, políticas públicas, migrações, diásporas — torna-se possível compreender como a comida atua como campo de disputa material e simbólica, envolvendo terra, território, mudanças climáticas, agronegócio e direitos coletivos. Assim, o GT reafirma seu compromisso com uma antropologia que reconhece a pluridiversidade e o bem viver, entendendo a alimentação como espaço de luta por justiça social, autonomia e dignidade, e como ponto de encontro entre histórias, corpos e mundos em relação.

Títulos e Resumos

  • Ouro de Minas: a quitanda como elemento de resistência frente aos impactos ambientais da mineração em Minas Gerais
    — Carolina Cadima Fernandes Nazareth, Amilton Rosa de Lima
  • Entre trajetos e temperos: a circulação dos alimentos nas cozinhas coletivas
    — Fabiola Paulino da Silva, Rogéria Campos A. Dutra
  • Trajetórias de vida e circuitos de sementes: a preservação das sementes crioulas como um projeto de alimentação
    — Juliana Ribeiro Buzanello
  • Comida de rua: uma etnografia na praça gastronômica da Cidade 2000
    — Karina Fernandes de Alcantara
  • "A Piracaia é assim né...": Comensalidade, Memória e Relações Socioambientais em Vídeos na Web
    — Leiliane Moreira de Araújo Pacheco
  • Trajetos de comensalidade em Mossoró-RN
    — Libia Amaral Corrêa
  • Entre o "Saudável" e o Tradicional: Trajetórias, Mercados e Disputas de Poder no Patrimônio Alimentar do Caminho de Cora.
    — Marlon Henrique Costa de Castro
  • Comida e memória: Uma etnografia com estudantes africanos na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
    — Medilanda Eliseu Amós Tubento Sanca, Jamiro Paulo Sanca
  • O circuito de alimentos orgânicos em Campo Grande (MS): trajetórias da agricultura familiar entre o campo e a cidade
    — Tiago Eloi de Lima

GT 008 - Antropoceno, Colonialismo e Agriculturas: resistências indígenas, quilombolas e camponesas diante das mutações climáticas

Coordenação
João Daniel Dorneles Ramos (UFPEL), Josiane Wedig (UTFPR)

Pessoa debatedora
Simone Alves de Almeida (UNIFESP), Stella Maris Nunes Pieve (Grupo de Pesquisa - Resistências indígenas, quilombolas e camponesas diante do Antropoceno/Plantationoceno)

Este grupo de trabalho acolhe pesquisas que abordam relações multiespécies e resistências de povos indígenas, quilombolas, camponeses e de outros coletivos, na contracolonização do Antropoceno/Plantationoceno. Partimos da análise do colonialismo e da plantation como violências que expropriam territórios destruindo as condições de habitabilidade e acentuando as mutações climáticas de escala planetária, que afetam, distintamente, as comunidades. O modo de existência moderno-colonial-ocidental sustenta a dicotomia entre natureza e cultura, reduzindo os ecossistemas à condição de recursos exploráveis, rompendo vínculos vitais e erodindo a sociobiodiversidade. Contudo, a vida depende da relacionalidade entre diferentes espécies e das socialidades que possibilitem ressurgências. Em contraposição ao avanço do capital – materializado em monoculturas, mineração, construção de grandes obras de desenvolvimento, entre outros empreendimentos que têm provocado catástrofes – diversos povos realizam resistências, (r)existências e retomadas para cuidar de seus corpos-territórios. Tais experiências são constituídas por práticas e saberes cotidianos e territoriais, que estabelecem relações cosmopolíticas para compor mundos. Portanto, este GT objetiva criar um espaço coletivo de compartilhamento de pesquisas e ações realizadas por e em colaboração com coletivos indígenas, quilombolas, camponeses e outros povos ligados à terra e às agriculturas.

Títulos e Resumos

  • Fratura Animal: raça, espécie e a crítica antiespecista
    — Akuenda Translésbicha
  • O recrudescimento onírico em meio às ruínas coloniais
    — Alany Mariana Kardec do Nascimento de Oliveira
  • Resistências humanas e extra-humanas Kaingang na Aldeia Alto Pinhal (PR): a floresta (nen) e as águas (gój)
    — Carlos Frederico Branco, Josiane Carine Wedig, João Daniel Dorneles Ramos
  • Mulheres Kaiowa e Guarani: contra o veneno, pelo futuro.
    — Graciela Pereira Vilela Alencar
  • Uma reforma agrária urbana: habitar a cidade em um gesto de reparação das fraturas ecológicas
    — Igor Artur de Freitas Martins
  • Encontro de saberes em uma experiência de recuperação florestal
    — Joaquim Augusto de Araujo
  • Guarani e Kaingang no Planalto Ocidental Paulista: Arqueologia x Agronegócio
    — Neide Barrocá Faccio
  • O avanço do agronegócio no entorno da TI Vanuíre (SP): análise da evolução do uso e cobertura do solo e percepções locais sobre os impactos socioambientais
    — Rafael Kenisley de Oliveira, Neide Barrocá Faccio, Paulo Eduardo Valerio Barbulho, Júlia Araújo Carvalho, Dirce Jorge Pereira, Susilene Elias de Melo, Elizeu Caetano
  • Agroecologia como cuidado do corpo território
    — Sofia Silva Lemos

GT 009 - Antropologia (Audio)Visual do analógico ao digital: práticas etnográficas e estratégias teórico-metodológicas com/por imagens

Coordenação
Alexsânder Nakaóka Elias (UNIMONTES), Daniele Borges Bezerra (UFPEL)

A Antropologia percorreu longo caminho desde as suas primeiras preocupações com as imagens, assim como com as implicações da mediação tecnológica no trabalho de campo. Com efeito, foi a partir das experimentações iniciais em Antropologia (Audio)visual que surgiram reflexões pioneiras sobre as fronteiras difusas entre ciência e arte, realidade e representação, objetividade e subjetividade. Essas experiências também destacaram a centralidade das emoções, da multissensorialidade e da dimensão narrativa da etnografia, em todas as suas linguagens. Nesse sentido, este GT colocará em diálogo as múltiplas práticas etnográficas e perspectivas teórico-metodológicas que envolvam a produção, recepção e reflexão acerca das imagens na Antropologia, sejam elas fotos, desenhos, filmes, mídia social, grafites, arte corporal, montagens, imagens geradas com IA, entre outras. O intuito não é o de criar um dualismo ou ruptura com a escrita, tampouco acionar as imagens em pesquisa como meras coadjuvantes do processo de conhecimento. Trata-se, antes, de ponderar sobre narrativas multimodais surgidas da convergência dessas distintas e potentes linguagens, bem como das diversas formas de relação, apreensão e reapresentação do campo. Assim, serão aceitas contribuições que reflitam sobre os regimes de produção (audio)visual no campo etnográfico, enfatizando o caráter dialógico e compartilhado; assim como aportes que ressaltem os aspectos teóricos-metodológicos das produções imagéticas na Antropologia.

Títulos e Resumos

  • APÃNJEKRÁ, MEMORTUM’RÉ: OS CANELA NA HISTÓRIA Análise de um filme etnográfico entre dois povos Timbira
    — Adalberto Luiz Rizzo de Oliveira
  • Laboratório Multiuso Audiovisual de Pesquisa Etnográfica: uma experiência de pesquisa, ensino e extensão
    — Alexsânder Nakaóka Elias, Felisa Cançado Anaya
  • Filmar a espera: aprendendo a ver com os pescadores do Campeche, Florianópolis (SC)
    — Artur Hugo da Rosa
  • Do digital ao material: processos de montagem e edição de uma pesquisa com fotografias de arquivo
    — Bruna Triana
  • Mutações climáticas e o imaginário das IAs: Quando memórias e novas tecnologias se encontram
    — Daniele Borges Bezerra, Juliane Conceição Primon Serres, Isadora de Leon Torres
  • Os Modos de Fazer Imagem entre os Pataxó da Aldeia Imbiruçu (MG) e Os Desafios Teórico-metodológicos em Pesquisa
    — Fabiano José Alves de Souza, Alexsânder Nakaóka Elias, Carlos Caixeta de Queiroz
  • Palimpsestos fotográficos e memória ambiental: etnografia das paisagens de Porto Alegre/RS
    — Felipe da Silva Rodrigues
  • Alimentados de quê? Opções de alimentos aos motoristas de caminhão de longa distância nos pontos de parada e descanso
    — Fernanda Lise, Flávia Lise Garcia, Claudia Turra Magni, Daniele Borges Bezerra, Wilson Teixeira de Ávila, Marina Longaray, Ana Paula do Nascimento de Andrade, Herison de Carvalho Silva, Mona Shattell
  • A cidade-imagem de Claudia Andujar: uma etnografia de sobrevoos e sobreposições de São Paulo
    — Gabriel Lopes Franco de Godoi
  • Além dos sonhos: A construção da paisagem Yanomami na fotografia de Cláudia Andujar.
    — João Piuzana Rosa
  • Arquitetura, antropologia urbana e etnografia da acessibilidade na co-criação do Memorial Ferroviário de Pelotas: jogo de tabuleiro e educação patrimonial no Simões Lopes
    — Juliana Aidê Bortolotti, Isadora de Leon Torres, Claudia Turra Magni, Adriane Borda
  • O que a Traça Tese: Processos visuais a partir de andanças entre o Norte da Argentina e o Sul do Rio Grande do Sul
    — Katiane Ferreira, Flor Wienke Tavares
  • Imagens em relação: constelações a partir de uma pesquisa com filmes de horror
    — Marianna Knothe Sanfelicio
  • Serra, família e sangue: a serra elétrica, o fazer-família e o fazer-sangue na franquia O Massacre da Serra Elétrica (1974-2022)
    — Mário Ferreira da Silva
  • Legado em Movimento: as imagens na pesquisa sobre performances e corporeidades na dança tradicionalista gaúcha
    — Olavo Marques
  • Análise Fílmica: "Oeste Outra Vez" (Erico Rassi, 2025)
    — Rebecca Temes Evangelista
  • Cinematografia dos Dispositivos: Da Representação à Operatividade
    — Yunna Lima Cherubini

GT 010 - Antropologia Biológica e suas conexões: abordagens bioculturais e biossociais sobre o fenômeno humano

Coordenação
Verlan Valle Gaspar Neto (UFRRJ), Pedro da Glória (UFPA)

A compartimentação do fenômeno humano em dimensões supostamente independentes tem se revelado cientificamente insatisfatória, assim como a ausência de diálogo entre os diversos subcampos da Antropologia. Por um lado, a Antropologia Biológica em particular, outrora marcada por um determinismo biológico de cunho racialista, caracteriza-se hoje por uma profusão de temas e abordagens que, em certa medida, pretendem a superação dessa compartimentação e uma maior aproximação com os demais subcampos antropológicos (Antropologia Sociocultural, Linguística e Arqueologia), além do diálogo com outras ciências. Por outro lado, são escassos os espaços reservados, no campo antropológico brasileiro, para pesquisas e discussões realizadas em Etnobiologia, Antropologia Ecológica, evolução biocultural, Antropologia Forense, Bioarqueologia, Antropologia Genética, Socioecologia da Saúde, Primatologia, entre outras especialidades correlatas, muitas delas marcadas por abordagens bioculturais e biossociais. Isso exposto, este GT, nesta 4ª edição, segue com o propósito de se consolidar como um espaço aberto, dentro das RBAs, a investigações, teóricas e/ou baseadas em trabalho de campo, na interface biologia e cultura. Está, portanto, em consonância com as recentes discussões em torno de uma Antropologia Integrada, que veem no diálogo entre perspectivas teórico-metodológicas de mais de um campo antropológico e áreas afins como incontornável para o avanço científico da Antropologia.

Títulos e Resumos

  • Um ensaio sobre raça, genômica populacional e narrativa nacional no Projeto DNA do Brasil
    — Jadhe Santana Azevedo Mineiro
  • Notas de aprendiz sobre cultura, comunicação e aprendizado.
    — João Miguel Manzolillo Sautchuk
  • O caso do Homem de Piltdown: A prévia e a persistência do Racismo (dito) Científico Contemporâneo
    — Leonardo Jacques de Castro Alves
  • De Darwin e Durkheim até Dunbar: Experimentos da Hipótese do Cérebro Social em Rituais Religiosos e Seculares
    — Miguel Farias
  • Patrimônio biocultural afrodiaspórico: ensaiando uma conceituação
    — Paula Balduino
  • Confiabilidade e Precisão de Métodos Morfológicos Cranianos em uma Amostra da Colecção de Esqueletos Identificados Século XXI
    — Schneidar Barbosa Guerreiro, Renata de Castro e Silva, Francisco Curate, Maria Teresa Ferreira
  • A Inclusão da Pauta Socioambiental na Agenda Política dos Movimentos Sociais das Baixadas de Belém: uma abordagem bioantropológica
    — Uriel Melquisedeq Lopes Coelho, Hilton Pereira da Silva
  • A Antropologia Forense é antropologia? Disputas disciplinares e regimes de legitimidade científica
    — Valentina da Silva Dias Pereira
  • Onde está a Bioantropologia nos livros brasileiros de introdução à Antropologia?
    — Verlan Valle Gaspar Neto, Pedro José Tótora da Glória
  • Se não plantar, a nossa história morre: o cultivo do marmelo como processo biocultural no Quilombo Mesquita
    — Wdson Lyncon Correia de Oliveira
  • Saúde e modo de vida dos remanescentes humanos esqueletais do sambaqui de Piaçaguera (Cubatão, SP)
    — Yuri Escobar Tuermorezow

GT 011 - ANTROPOLOGIA DA ALIMENTAÇÃO, SOBERANIA ALIMENTAR E TERRITÓRIOS EM TEMPOS DE CRISE: diálogos entre saberes decoloniais, interseccionais, pluri epistêmicos e transnacionais em defesa da vida plural.

Coordenação
Ligia Amparo da Silva Santos (UFBA), Anelise Rizzolo (UNB)

Ao longo dos anos, os GTs de Antropologia da Alimentação têm contado com a participação de pessoas de distintas regiões do Brasil e de outros países, promovendo cada vez mais um debate transdisciplinar, pluri epistêmico, interseccional e transnacional profícuo para pensar as questões relativas a culturas, identidades, patrimônios, sustentabilidade, Direito Humano à Alimentação Adequada, Segurança e Soberania Alimentar e Nutricional e distintas temáticas que têm ocupado o centro das discussões, tendo a comida como objeto privilegiado também para estudos de interseccionalidades entre gênero, raça, classe, entre outras. Deste modo, este GT tem o propósito de acolher trabalhos que discutam em uma perspectiva antropológica e interdisciplinar os sistemas alimentares em suas múltiplas dimensões socioculturais, políticas, ambientais, religiosas, econômicas, étnicas e interculturais, abrangendo contextos rurais e urbanos, considerando as profundas desigualdades socioeconômicas, de gênero, raça, classe e região, bem como os significados sobre a noção de alimentação saudável, práticas culinárias e as experiências educativas, como também em agroecologia, território, memórias e patrimônios alimentares, em perspectivas críticas. Em síntese, são esperadas contribuições para traçar novas configurações aos estudos das relações entre alimentação e cultura e as vivências de diferentes sujeitos para a garantia do direito à alimentação.

Títulos e Resumos

  • Promoção da segurança e soberania alimentar dos povos e comunidades de matriz africana e de terreiros: uma articulação política em construção
    — Camila Carneiro, Luiz Antonio de Oliveira, Eloá Moraes
  • VÍSCERAS OU FILÉ: GASTRONOMIZAÇÃO, MEMÓRIA ALIMENTAR E DISPUTAS DE VALOR DA PANELADA EM TERESINA
    — Carlos Alberto Sousa Lustosa Filho
  • A demanda institucionalizada pelo bode: uma análise pela Teoria Ator-Rede
    — Celiana Nogueira Cabral dos Santos
  • "Nutricídio": um itinerário conceitual em diálogo com a antropologia brasileira
    — Daianire Carneiro Rocha
  • Alimentar-se no Sertão: memórias, saberes e práticas alimentares em comunidades rurais da Bacia do Jacuípe (BA)
    — Dulcimara Alves dos Santos Silva, Thais Penaforte
  • O que comer para não sentir dor: uma análise antropológica de manuais de alimentação para pessoas que vivem com fibromialgia
    — Eric Vinícius Fernandes Frutuoso, Francisco Cleiton Vieira Silva do Rego
  • Alimentar e punir: comida, poder e desumanização no sistema prisional brasileiro
    — Igor Souza de Abreu
  • "Canetas emagrecedoras", cultura corporal e reordenação da relação com a comida: tensões socioculturais e de saúde em tempos de magreza farmacológica
    — Isabella Bahia Dutra Rezende, Tayná Egas Costa
  • Sobre à mesa: comensalidade, consumo e as fronteiras do comestível no Mercado Municipal de São Paulo
    — João Pedro Marinho Rodrigues
  • Alimentação, territorialidades e cosmopolítica kanhgág: aspectos de um sistema alimentar em des-equilíbrio
    — Laísa Massena de Castro
  • Gestão da precariedade, fome e políticas públicas: experiências de mulheres negras e pardas na Favela do Tripé.
    — Viviane Mattar Villela Salles

GT 012 - Antropologia da Criança: Desigualdade, Poder e Transformações

Coordenação
Emilene Sousa (UFMA), Flávia Ferreira Pires (UFPB)

Pessoa debatedora
Vanessa Ponte (UNB), André Filipe Justino de Morais (UFMT)

Propomos a constituição de um Grupo de Trabalho dedicado à Antropologia da Criança com foco nas Infâncias que se posicione como espaço crítico, reflexivo e politicamente comprometido com a compreensão das múltiplas experiências infantis em seus contextos concretos, atravessados por relações de poder e desigualdade. Este GT parte de uma premissa fundamental: não existe "a infância", mas infâncias plurais, situadas, interseccionadas por classe, raça, gênero, sexualidade, (dis)capacidade, territorialidade e geração. Buscamos romper com abordagens universalizantes que abstraem a criança de suas condições materiais, simbólicas e relacionais de existência. Mais que um espaço acadêmico, o GT se constitui como agora política e epistêmica, reunindo vozes múltiplas: pesquisadores universitários, educadores de infâncias, ativistas de direitos, crianças e adolescentes pesquisadores, movimentos sociais, profissionais de diferentes campos que trabalham com crianças, e as próprias crianças como protagonistas do conhecimento sobre suas vidas. A antropologia das infâncias oferece ferramentas para documentar, compreender e transformar experiências infantis frequentemente invisibilizadas. Em um momento de crises múltiplas—negação de direitos, colonialidade persistente, deslocamentos forçados, violência estrutural —a pesquisa etnográfica rigorosa e comprometida torna-se ato de resistência, denúncia e afirmação de dignidade.

Títulos e Resumos

  • Diálogos entre educadores: uma experiência de cuidado na companhia de uma bebê com microcefalia
    — Altair Anderson Venancio Dos Santos, Emilia Juliana Correia do Nascimento
  • O menino que não conhecia a chuva e outras histórias: reflexões antropológicas sobre a construção do imaginário de crianças cabo-verdianas
    — André Filipe Justino de Morais
  • Sexualidade, moralidades e infâncias em meninas na periferia da Zona Leste de São Paulo
    — Debora Caje Yamamoto, Marina Nascimento Minarelli
  • Crianças indígenas no aldeamento urbano Badu Guajajara em Imperatriz
    — Edlene Sales Galeno, Brenda Marques Sousa
  • O acesso dos bebês indígenas às creches públicas de Imperatriz - MA
    — Emilene Leite de Sousa
  • Experiências de infâncias brasileiras migrantes em Portugal: um olhar a partir das brincadeiras
    — Karoline Cipriano dos Santos, Alex Sander da Silva
  • A Floresta de Cacau e as Crianças: Práticas Especulativas de Cuidado
    — Kássia Pedrosa
  • As crianças e suas relações no cotidiano de uma instituição de educação infantil
    — Lígia Antunes de Siqueira
  • Infâncias e políticas públicas: notas comparativas sobre o PBF entre os estados da Paraíba e Maranhão
    — Patrícia Oliveira S. dos Santos, Emilene Leite de Sousa
  • Entre o cuidar e o educar: estratégias infantis nas dinâmicas de cuidado na Educação Infantil
    — Viviana Thais Vargas Zorzi

GT 013 - Antropologia da deficiência

Coordenação
Leonardo Carbonieri Campoy (UPE)
Olivia von der Weid (UFF)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Valéria Aydos Rosário (UNIPAMPA)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Pedro Lopes (USP)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Carolina Branco de Castro Ferreira (UNICAMP)

Deficiência, uma categoria em constante disputa e reconstrução analítica e política, guarda amplo potencial para a antropologia. É o que as contribuições do campo de estudos da deficiência têm demonstrado. Por meio delas, nota-se diferentes corporeidades, linguagens, temporalidades e sensorialidades, assim como as dinâmicas das relações com políticas públicas, tecnologias, saberes médicos, escolares e jurídicos, dentre outros, na conformação de possibilidades e barreiras de acessibilidade, inclusão e acesso a direitos. Prosseguindo com os debates de edições anteriores da RBA e da RAM, este GT visa reunir pesquisas, em andamento ou concluídas, que versam sobre essas temáticas. Convidamos à submissão de investigações que tomam a deficiência como vetor determinante e que partam, mas não exclusivamente, de interpelações tais como: a) o papel dos movimentos sociais e de políticas públicas para pessoas com deficiência na construção de condições e parâmetros relativos aos direitos e cidadania em campos como os da saúde, educação, mercado de trabalho e afins; b) narrativas e práticas de pessoas com deficiência, e/ou de seus cuidadores, que organizam a presença em distintas coletividades; c) ensaios teóricos e etnográficos que problematizam a deficiência desde os diferentes aportes da antropologia; e d) considerações políticas, teóricas e ontológicas acerca do capacitismo e de suas intersecções com outras discriminações, especialmente o racismo, tema central desta edição da RBA.

Títulos e Resumos

  • Demasiado humano: aproximações entre Estudos da Deficiência e Antropologia Multiespécie
    — Amanda Dias Winter
  • O Masculino In-Interrompido: Gagueira, Performance Vocal e Normatividade da Fluência
    — Café Cafeseiro
  • Como a pessoa surda é tratada quando precisa acessar a Justiça Criminal? Análises morais sobre a jornada dos surdos para "serem ouvidos" e "terem voz".
    — Danielle Rodrigues de Oliveira
  • Entre a proteção e a liberdade: O uso da Curatela e da Tomada de Decisão Apoiada no Sistema de Justiça do DF após a Lei de Inclusão Brasileira (LIB).
    — Fernanda Medeiros Baldez
  • Eu não era vista como PCD
    — Gustavo Gomes dos Anjos
  • Por um viver com dignidade: o indígena com deficiência nas políticas públicas de saúde
    — Júlia Vilela Garcia
  • Deficiência em disputa nos debates sobre aborto na ADPF 54 e 442 do STF brasileiro.
    — Julian Simões
  • Racializar a deficiência e deficientizar a raça: perspectivas antropológicas do direito à cidade no contexto amazônico
    — Kamilla Sastre da Costa
  • “É uma questão política, né?” Uma Análise Preliminar das Visões Populares Sobre o Autismo em Quatro Pequenas Comunidades Regionalmente Dispersas
    — Micah Ellise Steinborn
  • A influência dos modelos da deficiência no cotidiano das corporalidades não normativas
    — Olga Maria Tavares de Souza
  • Por uma universidade acessível: Estudantes que tencionam o conhecer normativo
    — Pedro Vieira de Souza Melo Pereira
  • "No meio da montanha, deslizantes corpos": Narrativas etnográficas de pessoas com deficiência e/ou cuidadores em espaços rurais.
    — Yeison Andres Rojas Ramirez

GT 014 - Antropologia da morte e do morrer: um campo em diálogo multidisciplinar.

Coordenação
Hippolyte Brice Sogbossi (UFS)
Alexandre Magno de Aquino (UFRGS)

Pessoa debatedora
César Iván Bondar (CONICET)
Alexandre Magno de Aquino (UFRGS)

As discussões sobre vida e morte continuam sendo das mais importantes e pertinentes na atualidade, inclusive em várias áreas de conhecimento, embora não abordadas devidamente. Evita-se, muitas vezes, discutir a questão que se torna marco de definição e afirmação de identidades. Na literatura antropológica, tendem a ser consagradas posturas hegemônicas consistentes em discutir, de uma forma ou outra, questões da finitude, do vir-a-ser, da existência, articulando corpo e alma: alucinações, dualismo cérebro-mente, morte física, experiências de quase morte e perspectiva escatológica. Esta proposta objetiva, primo, analisar, ampliar e questionar, na medida do possível, posturas de cunho antropológico; secundo, problematizar as abordagens da temática da morte em contextos específicos relatados como sendo clássicos; tertio, para esse fim, pretendemos acolher trabalhos consolidados ou em desenvolvimento, tanto no Brasil, na América Latina e Caribe, quanto no resto do mundo, sobre a temática da morte em suas múltiplas dimensões, isto é, filosóficas, médicas, forenses, teológicas, históricas, psicológicas, sociolinguísticas e antropológicas. Terão prioridade as discussões teórico-metodológicas sobre a questão.

Títulos e Resumos

  • Habitar o mundo após a morte: existências partilhadas entre vivos, mortos e coisas
    — Caroline Pereira Dias
  • A cidade de Belém (PA) e seus mortos: imaginário(s) urbano(s) e interagências mais-que-humanas no Cemitério Santa Izabel
    — Elisa Gonçalves Rodrigues
  • SUTURA: contribuições teórico-metodológicas sobre a morte e o morrer a partir da vida social dos mortos no Brasil.
    — Flora Nina Silva Arrais
  • Entre a Burocracia e o Ritual: A morte e o luto como campo político no entorno do IML de Santo Amaro (Recife/PE)
    — Hellen Conceição da Silva
  • Afinidades teórico-metodológicas entre a antropologia de Gregory Shushan e a sociologia transpessoal nos estudos sobre experiências de quase morte (EQM)
    — Marcos Augusto de Castro Peres, Caíne Nascimento Santos, Tiffany Matos de Jesus (Pendente)
  • Quando a festa convoca os mortos: ritual e sociabilidade na Festa das Almas em Ocara (CE)
    — Maria Caroline Franco Valentim
  • Vidas matáveis e corpos inabitáveis: a estigmatização dos corpos em trajetória de rua.
    — Nayra de Oliveira Martins
  • Cemitérios como espaço de pesquisa: reflexões e perspectivas na antropologia
    — Rafael Machado Menezes
  • Entre a Luta e o Cuidado: Uma revisão sobre a interdição da morte e o sofrimento de profissionais da saúde em contextos de pronto-socorro
    — Ravi Passos Vianna

GT 015 - Antropologia da Técnica

Coordenação
Carlos Sautchuk (UNB), Fabio Mura (UFPB)

Pessoa debatedora
Fabiano Campelo Bechelany (Ministério da Igualdade Racial), Guilherme Moura Fagundes (USP)

A 7a edição deste GT, iniciado na RBA de 2014, busca dar continuidade à configuração e ao fortalecimento do campo da antropologia da técnica no Brasil. Nesse sentido, mantém o interesse central nas alternativas metodológicas oferecidas pela antropologia da técnica para perceber, descrever e analisar os processos de operação, manipulação, coordenação e correspondência implicadas nas variadas interações entre humanos e não-humanos (objetos, plantas, animais, minerais, máquinas e ambientes de modo geral), que configuram sistemas sociotécnicos e definem relações de poder. Portanto, terão prioridade abordagens etnográficas capazes de tratar de processos técnicos, considerados em escalas e temporalidades diversas. A este escopo, já consolidado nas edições anteriores do GT, são adicionadas duas outras perspectivas. Serão bem recebidas propostas que apontem mais explicitamente para a articulação com outros campos de pesquisa (em antropologia ou outras disciplinas), buscando sublinhar o potencial metodológico ou conceitual da antropologia da técnica em diálogos mais amplos. Também serão acolhidas propostas que promovam reflexões críticas e/ou debates conceituais sobre o campo da antropologia da técnica, com especial ênfase para a produção brasileira e latino-americana. Pretende-se assim prosseguir estimulando pesquisas etnográficas e, ao mesmo tempo, promover um balanço que viabilize o diálogo, a renovação e o estímulo para novas gerações de pesquisas antropológicas sobre a técnica.

Títulos e Resumos

  • O circuito do trabalho na pesca com botos
    — Bruno Guth Oliveira
  • Compor com o fogo: criação e memória contra um incêndio
    — Caio de Oliveira Lima Alves
  • Entre o Gesto e a Correspondência: Práticas Transdutivas no Museo Parque de las Esculturas
    — Fabio Luiz Silva de Oliveira
  • Itinerários da antropogenia: contribuições da antropologia da técnica para pensar as (agro)florestas amazônicas.
    — Israel Martins Araujo
  • A costura do capim dourado: design, aprendizagem e criação
    — Jéssica Cardoso Carvalho
  • Ao Longo e Através: sobre cercas e suas propriedades técnicas no meio rural cearense
    — Jorge Luan Rodrigues Teixeira
  • Pirarucu selvagem de manejo: aspectos da domesticação de peixes em lagos de várzea amazônica
    — José Cândido Lopes Ferreira
  • Técnicas e dinâmicas das ocupações indígenas nos sítios arqueológicos da Cidade de Pedra (Mato Grosso)
    — Juliana de Resende Machado
  • Processos técnicos, corpo e ambiente na produção da louça entre mulheres Kariri-Xocó
    — Karina Rachel Guerra Braga
  • Antropologia da Técnica e Antropologia das Mudanças Climáticas: um diálogo possível
    — Larissa Brito Ribeiro
  • Plantar de bolso: técnica de plantio de araucária e de construção de território nos campos de Campos de Altitude do Planalto das Araucárias.
    — Larissa Mattos da Fonseca
  • Máquinas cibernéticas, guerra e fantasia: pensando ecologias de crise com Bateson e Marx
    — Letícia Maria Costa da Nóbrega Cesarino
  • Dados, "evidências" e formas de visibilizar na gestão pública e na antropologia: uma reflexão entre painéis de visualização de dados e cadeias operatórias
    — Maria Fernanda Valeriano Benevides Viana
  • A malhadeira, o peixe e a farinha: pescadores quilombolas de Arapucu - PA
    — Matheus Pereira de Andrade
  • Por uma antropologia de possibilidades: Materiais, corpos, e técnicas nos processos de ontogênese empreendedora
    — Pedro Branco
  • Tecendo Conexões: Uma Perspectiva Waiwai na Antropologia da Energia Amazônica
    — Sandro Maia Freire Junior

GT 016 - Antropologia das Aprendizagens: etnografar processos de transformação

Coordenação
Mylene Mizrahi (PUC-RIO)
Maximiliano Rúa (Facultad de Filosofia y Letras Universidad de Buenos Aires)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Mylene Mizrahi (PUC-RIO)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Chantal Medaets (Unicamp)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Eduardo Di Deus (UNB)

A antropologia tem proposto contribuições originais para um campo majoritariamente explorado pela psicologia e pela educação. Com este GT, visamos reunir pesquisas etnográficas sobre processos de aprendizagem que envolvem a transformação de pessoas, coisas e ambientes, bem como a dinâmica relacional estabelecida entre eles. Desejamos contribuir para uma abordagem antropológica das aprendizagens, destacando o lugar que a prática ocupa nas estéticas e nas poéticas do aprender, trazendo para o centro de nossos interesses o engajamento do corpo, a ordem do sensível e a consideração da vida material. Focalizamos processos criativos que produzem mudanças que impactam nossa cognição, nosso corpo e nossa atenção, ao mesmo tempo que produz efeitos nos seres e coisas que compõem nossa rede de relações. Como captar essas mudanças? Quais as especificidades de uma etnografia interessada nas transformações da aprendizagem? Que práticas possibilitam esses processos de transformação? Acolheremos investigações que tomem a aprendizagem como problema de pesquisa ou revisitem pesquisas para repensar a aprendizagem das práticas e da etnografia. Temas de interesse incluem práticas artísticas, desportivas, de aquisição de ofícios e em ambientes escolarizados, explorando aspectos como artefatualidade, técnica, trabalho, artesania, escola e educação intercultural e indígena, considerando as coisas – plantas, sons, cabelos, vestuário, rios, mares – e o ambiente: natural, rural, urbano, arquitetônico.

Títulos e Resumos

  • Produção artesanal de canoas em miniatura. Um estudo etnográfico sobre a Oficina Escola Naval Mestre Harildo, Arraial do Cabo, RJ.
    — Daniel Bitter
  • Transformação da masculinidade no tatame: aprendizagens e práticas sociais em uma academia de Jiu-Jitsu
    — Gian Claude de Lima Araújo, Elcimar Dantas Peretra, Matheus Moisés Araújo da Silva
  • Olhamos a mesma coisa e vemos coisas diferentes: os muitos significados de uma árvore no Centro Acadêmico do Agreste.
    — Joaquim Izidro do Nascimento Junior
  • "A Jurema é uma ciência fina": pensando novas abordagens epistemológicas a partir de velhos saberes e práticas
    — Lucas Gomes de Medeiros
  • Um salão de possibilidades: Cabelos de Angel Braids
    — Maria Eduarda f de Oliveira
  • El quehacer científico en Antártida: relaciones intergeneracionales y heterogéneas valoraciones en torno a los diversos saberes y a la "experiencia antártica"
    — María Laura Fabrizio
  • Aprendiendo a comunar en la pista de longboard
    — Maximiliano Rúa
  • FestPraRua: políticas culturais, aporofobia e vulnerabilidades no centro de São Paulo
    — Nayara Alvim Machado
  • Educação Ambiental em Espaços Não Formais: uma etnografia das práticas educativas no Aquário Amazônico da UFPA
    — Pedro Henrique Coelho da Cruz
  • O Corpo com Deficiência como Pedagogia: Interseccionalidade e Transversalidade no Movimento Brasileiro de Mulheres Cegas e com baixa visão (MBMC)
    — Priscilla Isabel Menezes Dantas
  • É NÓIS NA PESQUISA: Possibilidades de (trans)formação por meio da inserção no audiovisual
    — Rodrigo Pereira de Camargo Junior, Otavio Silva de oliveira
  • Quilombo do Grotão e suas formas de aprendizagem através do Samba
    — Rosa Maria Dias de Oliveira
  • Educação viva e transatrevimentos pedagógicos: aprendizados, gênero e escuta na escola
    — Sicarú Mar Pereira da Silva
  • "Eu disse coisas que doem mais que um soco": experiências de dois grupos reflexivos com homens que descumpriram medida protetiva
    — Victor Siqueira Serra

GT 017 - Antropologia das ciências, tecnologias e outras ancestralidades

Coordenação
Guilherme José da Silva e Sá (UNB)
Daniel Alves de Jesus Figueiredo (UFMG)

Pessoa debatedora
Flora Rodrigues Gonçalves (Fiocruz)
Rafael Antunes Almeida (UNILAB)

Nos últimos 25 anos, o campo da antropologia da ciência no Brasil se destacou pela realização de etnografias em contextos de laboratórios e outros ambientes onde as práticas científicas se constituíam. Na esteira desses trabalhos, desenvolveram-se estudos sobre controvérsias sociotécnicas, conduzidos a partir da descrição das redes que as constituem, os estudos multiespécie, as abordagens críticas da relação entre gênero e ciência, as análises sobre o Antropoceno e, mais recentemente, as etnografias do negacionismo. A Antropologia, por sua vez, desde a virada do século XX para o XXI, tem assistido ao progressivo “derretimento” de grandes objetivações estanques que tradicionalmente estruturaram a disciplina, como a “religião”, a “política”, o “corpo”, o “rural” e o “urbano” e, por que não dizer, a “Ciência”. Na antropologia da ciência, esse processo se faz sentir no aumento da diversidade das abordagens e na emergência de novas tentativas de problematizar as relações entre os conhecimentos indígenas, quilombolas e a produção de saberes científicos. Este Grupo de Trabalho reafirma o interesse por etnografias, estudos de caso e análises teóricas sobre os temas mais comumente visitados pelo campo, mas amplia seu escopo para propostas comprometidas com a pluridiversidade e que nos ajudem a responder à seguinte questão: o que pode uma antropologia das ciências antirracista e diversa frente a um campo marcado por exclusões e assimetrias de raça, gênero e região?

Títulos e Resumos

  • Mudanças climáticas e saberes tradicionais indígenas: uma leitura crítica sobre o tema.
    — Andressa Pereira Mouro
  • De quem observa quem no Brasil quando "eu sou uma das suas nativas": pesquisando pesquisadores em situação de alteridade mínima para cima
    — Cleyton Gerhardt
  • Distinções regulatórias e a produção sociotécnica da Cannabis como uma tecnologia de saúde no Brasil
    — Hellen Monique dos Santos Caetano
  • De Imhotep aos Pretos Velhos: A Medicina Egípcia chegou aos Terreiros de Umbanda
    — Maria Sampaio do Nascimento
  • A filósofa da ciência, a bruxa (neo)pagã e as "linhas de fuga" de uma co-autoria improvável
    — Milena dos Reis Rabelo
  • Reflexões etnográficas sobre práticas de co-produção de conhecimento entre pesquisadores em ciências da conservação da sociobiodiversidade e comunidades pesqueiras e marisqueiras
    — Nina Garcia de Almeida Prado
  • Modos de fazer Aparição: processo de criação e tecnologia ancestral
    — Rnld Nogueira
  • O destino da coisa: processos de reconfiguração do lixo tecnológico
    — Vitória Sousa

GT 018 - Antropologia das Emoções

Coordenação
Maria Claudia Pereira Coelho (UERJ)
Raphael Bispo dos Santos (UFJF)

Sessão 1 - Moralidades, educação e cuidados

Pessoa debatedora
Túlio Maia Franco (UFSJ)

Sessão 2 - Saúde, instituições e sofrimentos

Pessoa debatedora
Claudia Barcellos Rezende (UERJ)

Sessão 3 - Discursos emocionais, lazer e sociabilidades

Pessoa debatedora
Rodolfo Ferreira da Silva (UERJ)

As pesquisas em Antropologia das Emoções se consolidaram no Brasil nas últimas duas décadas problematizando oposições centrais no pensamento antropológico, tais como indivíduo versus sociedade, natureza versus cultura, micro versus macro, mente versus corpo, privado versus público, entre outras. Este grupo de trabalho se propõe a reunir pesquisas que tenham como foco a compreensão da maneira como as dimensões emocionais integram a vida social e dão sentido às experiências dos sujeitos. Espera-se enriquecer a discussão em duas direções. A primeira, de base empírica, busca refletir sobre a vinculação entre emoção e produção de subjetividades e interações, perguntando-se sobre o papel da emocionalidade na construção de identificações, diferenças, alteridade e relações de sociabilidade. A segunda, de caráter metodológico, propõe-se a discutir o papel das emoções do etnógrafo na investigação, partindo do princípio de que a implicação emocional, além das múltiplas relações que compõem o campo, é também um ingrediente substantivo do processo de compreensão de um grupo social. O debate aqui proposto sobre emoções tem dois focos principais: a) sua capacidade micropolítica e b) a dimensão moral da vida emocional. As principais temáticas a serem contempladas são: a) emoções, gênero e sexualidade; b) emoções e religiosidades; c) emoções, instituições e política; e) emoções e coletivos sociais; f) emoção, violência e controle social; g) emoções, sofrimentos e adoecimentos.

Títulos e Resumos

  • A Onda Coreana e seus desdobramentos em um mercado globalizado das emoções
    — Agatha Elias Andrade dos Santos
  • Histórias na prostituição: emoções, moralidades e produção de subjetividades
    — Ana Carolina Braga Azevedo
  • Itinerâncias afetivas e a experiência emocional de crianças com câncer
    — Ayra Hannah Heleno Cabral da Silva
  • Em nome da honra, e do amor: relações de violência de gênero no norte do Tocantins
    — Danler Garcia Silva
  • A socialização do medo na cultura militar: processos e efeitos na construção do sujeito militar
    — Daví Mariano Maia
  • Quando ver dói: uma etnografia da gramática emocional e moral do viver com ceratocone no Brasil
    — Francisco Cleiton Vieira Silva do Rego, Vinicius Costa de Oliveira
  • Percepção dos limiares subjetivos em fenômenos socioculturais de uma feira na Amazônia: evidenciando as ambiências na Feira do Açaí, Belém-PA
    — Leticia Martel Kuwahara, Aimê Rocha da Silva Leite, Luiz de Jesus Dias da Silva, Juliane Oliveira Santa Brígida
  • Religião, humor e emoções: reflexões sobre a atuação de comediantes evangélicos nas redes sociodigitais
    — Lucas Ribeiro Rocha
  • Entre sentir e ser: experiências universitárias de mulheres negras para além do racismo
    — Luiza Costa de Souza
  • Emoções e saúde cardiovascular: análises preliminares sobre a ação da raiva e do perdão em pessoas hipertensas segundo pesquisas cardiológicas
    — María Florencia Chapini
  • Cantando com Emoção: a música coral entrelaçando gerações
    — Patrícia Cristina Perote do Nascimento
  • Quando escrevo deixo marcas e quando deixo de escrever deixo-as também: emoções, escrita confessional e subjetividades
    — Rafaela Machado Pacheco Pereira
  • "Quando o espírito toma a casa": emoções e moralidades no fenômeno do marido espiritual
    — Rhuann Fernandes
  • Redução de Danos e Emoções: teias de vínculo e acolhimento aos usuários problemáticos de drogas
    — Rodolfo Ferreira da Silva
  • O "denunciante": uma análise etnográfica do estilo paranóico
    — Túlio Maia Franco
  • A Política dos Sentimentos: as emoções no cotidiano da Assistência Social a pessoas em situação de rua
    — Yan Tavares Carvalho

GT 019 - Antropologia das relações humanos-animais

Coordenação
Ana Paula Perrota (UFRRJ)
Felipe Ferreira Vander Velden (UFSCAR)

Humanos e animais são companheiros a pelo menos cem mil anos – ou seja, desde que humanos aparecem na Terra como humanos (modernos). Portanto não é novidade, que nos ambientes urbanos ou rurais, em todos os continentes, humanos e animais conformem múltiplos arranjos sociais. A Antropologia, desde o seu início, não ignorou essa convivialidade, a exemplo do trabalho de L. H. Morgan sobre os feitos do castor norte-americano. Contudo, a reflexão sobre animais na Antropologia usualmente relacionou-se aos esforços de definição da diferença entre humanos e animais, ou entre natureza e cultura, e ao desafio de compreender os aspectos simbólicos das relações humano-animais. Estes debates nunca se encerraram, mas, nas últimas décadas, os animais adquiriram um interesse renovado na disciplina, conforme passou-se a questionar a exclusividade dos humanos como constituintes dos mundos sociais. A problemática relação entre humanos e animais (e entre natureza e cultura) é colocada para pensar agora como esses domínios se constituem a partir de aproximações e semelhanças. Esse campo analítico e investigativo cresce de forma consistente nos últimos anos e, dentro desse renovado escopo, animais aparecem em pesquisas que tratam de questões epistemológicas e metodológicas diversas, além de oferecer novas aberturas temáticas e chaves analíticas que abarcam uma multiplicidade de campos empíricos e de espécies animais. Esta variedade que não para de se expandir propomos trazer para este GT.

Títulos e Resumos

  • A figuração de roedores em um laboratório experimental de Psicologia: pistas sobre uma animalidade da ciência.
    — Cassiel Nikolaou Renó Machado
  • Entre a presa e a planta: agência compartilhada e a diplomacia das afecções entre os Xikrin (Mebêngôkre)
    — Duvan Escobar
  • O fim da missão: morte e luto nas relações entre bombeiros, policiais e seus cães de trabalho
    — Edi Alves de Oliveira Neto
  • “VOCÊ NÃO PESCA ESSE PEIXE”: artes de notar nas relações pescador-peixe-rio no São Francisco, em Januária-MG
    — Gleydson Vicente Mota
  • Novas lidas do agronegócio e a simplificação da vida multiespécie no Pampa
    — Jonathan Madeira, Jean Segata
  • Do campo à pista: relações humano-animais na produção do sucesso em feiras agropecuárias do setor leiteiro
    — Leandra Holz
  • Jacarés vira-latas, tilápias mutantes e sucuris fantasmas: alianças improváveis no Igarapé do Gigante em Manaus (AM)
    — Pedro Paulo de Miranda Araújo Soares, Amanda Arruda Araújo
  • O corpo que desobedece à espécie: existência therian e as fronteiras do humano
    — Rafael Lins Corrêa
  • A construção da abelha africanizada como sujeito governável: um estudo do boletim Zum-zum (1967-1978)
    — Rebeca Hennemann Vergara de Souza
  • Fazer mundo numa ética do florescimento: um estudo sobre visitas turísticas num arquipélago onde há reprodução de aves marinhas
    — Rejane Valvano Corrêa da Silva, Patricia Luciano Mancini, Tatiane Pereira Xavier Nascimento
  • Vírus e transdução: notas para uma antropologia transdutiva da Influenza Aviária
    — Sthevson Lourran de Melo Santos
  • Psitacídeos em diáspora: ecologias (neo)coloniais em movimento
    — Taynã Tagliati

GT 020 - Antropologia digital e Políticas etnográficas: abordagens sociotécnicas sobre poder e diferença

Coordenação
Lorena Mochel (UFRRJ)
Maria Elisa Maximo (UDESC)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Stephanie Lima (Internetlab)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Letícia Maria Costa da Nóbrega Cesarino (UFSC)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Bruno Mafra Ney Reinhardt (UFSC)

Este GT tem como objetivo reunir pessoas pesquisadoras interessadas na investigação de fenômenos, dinâmicas, práticas, mediações e interações produzidas em face da expansão e presença pervasiva das tecnologias digitais. Buscamos provocar debates sobre a agenda teórica e metodológica da Antropologia a partir de pesquisas que, em comum, considerem o potencial da etnografia de posicionar os múltiplos eventos compreendidos no âmbito da cultura digital, a partir de lugares onde eles são produzidos e significados cotidianamente. Nossa ênfase nas políticas etnográficas busca ampliar os limites do campo da Antropologia Digital, acolhendo pesquisas sobre interações e processos sociais atravessados e/ou reconfigurados por elementos e mediações técnicas. Consideramos bem-vindas apostas em experimentações etnográficas, debates sobre ética e posicionalidade, além de análises atentas às relações raciais, de gênero, religião, classe e outras diferenças que moldam usos tecnológicos. Nesta chave, pretende-se dar lugar às abordagens sociotécnicas que considerem a digitalização da produção, circulação e consumo de bens culturais, bem como o surgimento de movimentos, práticas e de novos sujeitos públicos na cena contemporânea. Pretende-se, assim, estimular olhares que reconheçam os múltiplos elementos e agências que conformam os fenômenos na era digital, sejam eles artísticos, políticos, interacionais ou com outros enfoques.

Títulos e Resumos

  • Usos e (contra)usos do WhatsApp em relações atravessadas pela prisão.
    — Alana Barros
  • A vida em cena: narrativas sobre Família, performance e produção de conteúdo LGBTIA+ no Instagram
    — Ana Carolina Vieira da Silva Pereira
  • "Se está com tanta pressa assim, que compre uma pizza de micro-ondas!": gerações, afetos e fricções na sociabilidade digital do Grindr em contextos interioranos
    — Daniel da Silva Stack
  • Mulheres Conexão entre as “terras” e as telas: O fazer político e epistemológico da Associação das Mulheres Indígenas em Mutirão (AMIM) sob o olhar da produção digital no Instagram.
    — Edilene Batista Mastub
  • Espíritos do digital: interseccionalidades e agência divina no WhatsApp
    — Lorena Mochel
  • Política do bem-viver: a atuação do grupo novas narrativas evangélicas na internet
    — Louise Tavares
  • Os "produtos" registrados no "sistema câmara": a regulação dos fluxos de trabalho e do direito à saúde a partir de um software
    — Lucas de Magalhães Freire
  • Desejo, Homoerotismo e Subjetividades em Ambientes Virtuais: Uma Análise Antropológica
    — Lucas Mateus do Nascimento Patuci
  • Onde o tradicional e moderno se encontram: uma análise das narrativas míticas amazônicas no podcast Pavulagem
    — Natacha Rodrigues Portal
  • Influenciadores religiosos nas redes sociais: agência dos usuários e poder das plataformas digitais
    — Olívia Bandeira de Melo Carvalho
  • Interseccionalidades na exposição do adoecimento: análise socioantropológica das narrativas de mulheres em assistência paliativa no Instagram
    — Paula Tavares Vigilato, Rachel Aisengart
  • Mentoria com Exu: umbanda digital e o discurso da prosperidade em Exu do Ouro
    — Tainá Silva Dias

GT 021 - Antropologia digital: debates teóricos, metodológicos, éticos e políticos

Coordenação
Carolina Parreiras (USP)
Patricia Pereira Pavesi (UFES)

Sessão 1

Pessoa debatedora
David Nemer (University of Virginia)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Laura Graziela Gomes (UFF)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Carolina Parreiras (USP)

O objetivo deste GT é trazer discussões pertinentes à área da Antropologia Digital a partir de debates teóricos, metodológicos e éticos. Assim, o interesse está em trabalhos que, de algum modo, lidem com o digital - seja como campo, como contexto ou como ferramenta de pesquisa. Nos últimos anos, temos visto um crescente interesse por temáticas que envolvem a internet e as tecnologias digitais, que coincide tanto com a popularização de dispositivos como os smartphones, o crescimentos da conectividade no Brasil como a popularização de discussões como plataformização e inteligência artificial. Por este motivo, é necessário não deixar de lado o viés crítico e político presente no desenvolvimento e no uso destas tecnologias, marcadas por sua não neutralidade e pela opacidade. Neste sentido, convidamos trabalhos que discutam questão tais como (mas não apenas): plataformas digitais, etnografia digital e outras técnicas metodológicas, inteligência artificial, influencers, economia da atenção, big techs, ética para o digital, trabalho plataformizado, desinformação, violência digital, extrema-direita, redes sociais, histórias da internet, criptografia, segurança e privacidade; controle e vigilância, dentre outros.

Títulos e Resumos

  • Redes, plataformas e associações: a construção da regulação do mercado adulto a partir do ECA Digital
    — Analice Paron de Silva
  • "Seja um homem na sua melhor versão": plataformas digitais, algoritmos e a produção sociotécnica de masculinidades em comunidades red pill brasileiras
    — Carolina Bianchini Bonini
  • A efemeridade como forma relacional: os status do WhatsApp e a lógica da plataformização
    — Carolina Parreiras
  • Plataformas, conspiração e violência política: um estudo comparativo entre Brasil e Estados Unidos
    — Edson Mendes Nunes Junior
  • Violências digitais plataformizadas: Considerações sobre imagens e dinâmicas criminais na Baixada Fluminense
    — João Calebe Vidal Sampaio
  • Do gabinete ao ChatGPT: uma análise sobre o uso de novas tecnologias na pesquisa etnográfica com documentos
    — Juliana Coelho de Almeida
  • “We do not support or condone this person’s action”: notas etnográficas sobre os sentidos atribuídos à violência por comunidades de celibatários involuntários (incels)
    — Kayah Nicholas de Souza
  • Aplicativos de monitoramento do cliclo menstrual, o robô e eu - um ensaio feminista sobre metodologia de pesquisa com uso de IA
    — Larissa Pelúcio
  • Os usos da IA e a plataformização da vida privada e doméstica: "folhetins digitais" e a retomada da "ética romântica"
    — Laura Graziela Gomes
  • O "ser criativo" na era da inteligência artificial: contribuições da antropologia para a agenda de pesquisa em "cibercriatividade"
    — Liliane Moreira Ramos
  • Consumo gamer: estética, construção de si e troca de "valores" em um grupo de Facebook.
    — Lucas Paulino Marinho
  • Consentimento na palma da mão: relato sobre procedimentos éticos no registro de consentimento livre esclarecido em uma etnografia digital
    — Matheus Madson Lima Avelino, Maria Angela Fernandes Ferreira
  • Campo em 3 atos - feed, casa e rua: "como fazer" experimentações em Antropologia Computacional para rastrear agenciamentos das novas direitas
    — Patricia Pereira Pavesi, Julio Cesar de Oliveira Valentim, Caren Alexssa Machado Ferreira
  • "Não falo nada, só observo": ponderações ético-teórico-metodológicas sobre o lurking em pesquisas digitais
    — Steyce Dayane Lopes, Giovanna Gabriela Moreira de Oliveira
  • Entre a TV e o Digital: Transformações das Transmissões Esportivas na Plataforma YouTube
    — Thais Farias Lassali

GT 022 - Antropologia do Direito: produção de provas e narrativas judiciais, processos decisórios, igualdade jurídica e de tratamento

Coordenação
Ana Lúcia Pastore Schritzmeyer (USP)
Regina Lúcia Teixeira Mendes (INEAC/ UnB)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Regina Lúcia Teixeira Mendes (INEAC/ UnB)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Ana Lúcia Pastore Schritzmeyer (USP)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Theophilos Rifiotis (UFSC)

Este GT privilegiará trabalhos, preferencialmente etnográficos, voltados para a descrição densa de práticas e concepções de atores sociais engajados em dinâmicas que envolvam: 1) a produção de provas judiciais, 2) narrativas de fatos e seu registro em peças judiciais, 3) a formação da convicção de juízes(as) e/ou jurados(as), 4) disputas argumentativas em que sentidos e juízos morais compõem decisões judiciais, 5) práticas judiciais e extrajudiciais operantes em diferentes instâncias do sistema de justiça. O GT também pretende acolher pesquisas em que haja discussões teórico-metodológicas voltadas para concepções de igualdade jurídica e de tratamento no sistema brasileiro de administração de conflitos, com destaque para o sistema judicial. A utilização do método comparativo em análises de diferentes sistemas nacionais e/ou internacionais será bem-vinda. Por fim, serão acolhidas pesquisas que identifiquem, principalmente em tribunais, a utilização de distintos critérios na condução de procedimentos semelhantes e instabilidades semânticas relativas a aspectos processuais centrais, ou seja, trabalhos que analisem confrontos entre diferentes concepções de igualdade e constatem arbitrariedades nos desfechos das causas, de modo que o sistema de justiça seja questionado ao apresentar e impor seus resultados.

Títulos e Resumos

  • A Violação do Território Sagrado e a Formação da Convicção Judicial: Um Estudo de Caso sobre Intolerância Religiosa e Direitos Culturais
    — Antônio Carlos da Silva Costa de Souza, Yuri Tomaz dos Santos, Iuri Rodrigues da Silva Xavier
  • Quem tem direito à herança? Pluralismo jurídico e conflitos sucessórios entre os Pepel de Biombo (Guiné-Bissau)
    — Balakov Miranda Indi
  • SAVIGNY NÃO CONHECE O IFÁ: conflitos sucessórios e fundiários nos candomblés do território da Terra Vermelha - Cachoeira/BA
    — Cláudio Fonseca de Oliveira
  • A letalidade policial no Estado de Goiás: uma análise da chacina do Solar Bougainville
    — Ingrind de Andrade Pinheiro
  • Dilemas dos profissionais psicólogos na assistência à vítimas de violência de gênero doméstica: etnografia no juizado de violência doméstica no interior do RS/BR
    — Iris Fátima Alves Campos
  • O TRATAMENTO DISPENSADO AOS POVOS INDÍGENAS NO JUDICIÁRIO: cidadania, reconhecimento e a luta por direitos
    — Larissa Carvalho Furtado Braga Silva
  • Interpretar e julgar: Ensaio sobre a produção da decisão judicial na administração de conflitos em perspectiva comparada
    — Pedro Heitor Barros Geraldo
  • "Desculpabilização" e Inquisitorialidade: uma etnografia dos procedimentos investigatórios da Polícia Militar do Rio de Janeiro
    — Rian Ramalho Diniz
  • Guerra de Espadas: o conflito de direitos e a resolução de casos complexos envolvendo manifestação da cultura popular.
    — Rodrigo Gomes Wanderley

GT 023 - Antropologia dos Esportes: questões clássicas e contemporâneas

Coordenação
Leonardo Turchi Pacheco (UNIFAL-MG)
Wagner Xavier de Camargo (UFSCAR)

Este grupo de trabalho (GT) tem como objetivo reunir antropólogas(os, es) e demais cientistas sociais que realizam pesquisas no campo do estudo de esportes, em específico com o desenvolvimento de etnografias, mas não necessariamente. Além disso, visa ampliar espaços de debate e diálogo sobre a “antropologia dos esportes”, subárea do conhecimento que vem se consolidando nos últimos anos, em distintos contextos regionais no Brasil e mesmo na América Latina. Dada a proximidade das Copas do Mundo de Futebol, de homens em 2026 e de mulheres em 2027, este GT privilegiará estudos críticos sobre futebol em suas dimensões hegemônica e plural – os diversos “futebóis”. Neste sentido, serão aceitas pesquisas que abordem as origens da antropologia do futebol, a relação entre futebol hegemônico e “futebóis” plurais, e destas expressões com os marcadores sociais da diferença (gênero, raça, etnia, idade, classe social), a produção de afetos e emoções, as sociabilidades do torcer, a questão dos megaeventos esportivos, as relações políticas e as resistências/coexistências nos diversos espaços deste campo esportivo. Desta forma, este GT tem como propósito contribuir com as reflexões estabelecidas em reuniões pregressas da RBA e RAM, acolhendo trabalhos que abordem os estudos clássicos e contemporâneos da antropologia do esporte/do futebol, em suas múltiplas dimensões temáticas, inter-relacionadas às vivências em torno da modalidade.

Títulos e Resumos

  • A hora delas: gênero e pertencimento em uma torcida chopp carioca
    — Ana Caroline Lessa de Oliveira
  • O torcer na Universidade de Brasília: um levantamento analítico do campus Darcy Ribeiro
    — Bárbara Ribeiro Perotto, Débora da Cruz Almeida, Yohannes de Mesquita Soares, Maria Fernanda Alves Eduardo, Lucas Cardoso dos Santos
  • Mulheres no apito: relações de poder e trajetórias de árbitras de futebol no Pará
    — Carolline Oliveira Palheta
  • "Cazá!" Entre o campo e o simbolismo: reflexões metodológicas a partir de uma etnografia das arquibancadas do Sport Club do Recife.
    — Ezequiel Fernandes Rosa de Santana, Eliane Anselmo da Silva, Matheus Moisés Araújo da Silva
  • Santa Cruz FC sob a perspectiva da Antropologia do Esporte: tradição, raça, identidade e resistência do movimento cultural futebolístico de Pernambuco
    — Jullia Alves de Almeida, João Victor Souza de Azevêdo
  • "O Brasil hoje é o centro do mundo": Copa do Mundo de 2014 e os discursos de parlamentares do Partido dos Trabalhadores
    — Leonardo Turchi Pacheco, Gleyton Trindade, Thiago Rodrigues Silame
  • Da Antropologia do Futebol à Antropologia das Práticas Esportivas: tensionamentos na institucionalização de um campo
    — Wagner Xavier de Camargo
  • "Negro tem que ter nome e sobrenome...": relações jocosas e a tecnologia do riso na racialização do futebol brasileiro- caso Nega Brechó.
    — Yordanna Lara Rego

GT 024 - Antropologia dos Povos Tradicionais Costeiros: Práticas Sociais, Disputas Identitárias e Conflitos

Coordenação
Luceni Hellebrandt (UFS)
Márcio De Paula Filgueiras (IFES)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Voyner Ravena Cañete (UFPA)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Marco Antonio da Silva Mello (UFF & UFRJ)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Jose Colaco Dias Neto (UFF)

Diversos grupos sociais que vivem do extrativismo e da agricultura, entre outras atividades – tais como pescadores artesanais e ribeirinhos em geral – foram ou são habitantes de regiões costeiras e historicamente têm sido impactados por diversos fenômenos. A expansão metropolitana, os desastres ambientais de grandes proporções, o turismo em pequena e larga escala, as formas de controle oficial em áreas de interesse ecológico, são alguns processos que vem reconfigurando o uso e a ocupação de territórios costeiros e ribeirinhos no Brasil. Este Grupo de Trabalho tem reunido, de modo bem sucedido, nos últimos anos, pesquisas empíricas e de caráter etnográfico de pesquisadores profissionais e estudantes em diferentes níveis de suas formações que colocam em evidência tensões, disputas e conflitos entre os povos e comunidades tradicionais e os vários modelos de uso e ocupação de territórios ribeirinhos e costeiros. Neste sentido, são aspectos de interesse para discussão as relações sociais, ambientais e estruturas econômicas das populações tradicionais costeiras, e temáticas como invisibilidade e papéis das mulheres nas comunidades, experiências no manejo de ecossistemas, formas de organização política, estratégias de resistência e organizações coletivas para o enfrentamento aos modelos hegemônicos de exploração ambiental, conflitos suscitados por diferentes processos e agentes sociais – sobretudo agências estatais, políticas costeiras, organizações não governamentais e empresas.

Títulos e Resumos

  • Entre a memória e o esquecimento: gestão das águas e tessituras solidárias no enfrentamento da escassez hídrica
    — Amanda Brenda Santos Macedo
  • Da Lagoa Feia à Lagoa Fea: 25 anos depois do início do trabalho de campo, o retorno de antigas questões
    — Carlos Abraão Moura Valpassos, Jose Colaco Dias Neto
  • Entre Redes e Memórias: um estudo com pescadores tradicionais de Arraial do Cabo/RJ e suas percepções das mudanças climáticas
    — Gabriel de Leles Batista Chaves, Marisa Barbosa araujo
  • Muruadas são boas para pensar: um circuito aberto de modos relacionais guiado por agenciamentos entre humanos e não humanos.
    — Jerônimo Amaral de Carvalho, Eliana Santos Junqueira Creado
  • Onde está o Morro do Careca? Relato de experiência da comunidade da Vila de Ponta Negra frente à especulação imobiliária
    — Lia Pereira de Araújo e Silva
  • Marisqueiras, rainhas do mangue e guerreiras: contribuições sobre o que é ser marisqueira, a partir de vivências junto a mulheres marisqueiras do Litoral Sul de Sergipe no âmbito do PEAC
    — Luceni Hellebrandt, Karoline Coelho Ferreira, Amanda Santos Moura, Brenda dos Santos Jesus, Elienaide Cardoso das Flores
  • Educação escolar e luta pelo território na comunidade quilombola do Cumbe
    — Ozaias da Silva Rodrigues
  • Da "Zona De Sacrifício" ao Território Governado: Resex Marinhas, Co-Produção e Resistência da Pesca Artesanal no Parque Nacional do Cabo Orange (AP)
    — Uriens Maximiliano Ravena Cañete, Voyner Ravena Cañete
  • Movências interculturais e transnacionalização de saberes na fronteira Brasil-Guiana Francesa
    — Vanda Aparecida da Silva, José Guilherme dos Santos Fernandes

GT 025 - Antropologia dos Vícios

Coordenação
Camilo Braz (UFG)
Taniele Cristina Rui (UNICAMP)

Pessoa debatedora
Carolina Branco de Castro Ferreira (UNICAMP)

Este GT visa reunir pesquisas antropológicas sobre experiências classificadas como "vícios", "adicções", "compulsões" ou "dependências", com foco em socialidades, práticas, agenciamentos, controvérsias, conflitos, fluxos e disputas de sentido. Nos interessam etnografias do particular sobre tais comportamentos em distintos contextos, que revelem como são significados por meio de repertórios simbólicos, conhecimentos, saberes e moralidades, e que problematizem interseccionalidades entre variados marcadores sociais da diferença. Queremos reunir pesquisas críticas de práticas e saberes locais ou tradicionais, e de perspectivas científicas e/ou de profissionais de saúde a respeito dos chamados "vícios", baseadas muitas vezes em nosografias e itinerários terapêuticos que reforçam a patologização e medicalização de comportamentos, alinhando-se a ideais como “força de vontade” e estilo de “vida saudável”. Nos interessa debater categorias classificatórias que dão sentido a tais experiências, tais como “fissura”, “abstinência”, “fundo do poço”, “doença” etc.. E reunir perspectivas que desnaturalizem essas dimensões e as relacionem a contextos de práticas, socialidades, reivindicação de direitos, políticas públicas de cuidado e saberes diversos, incluindo grupos de ajuda mútua, mobilizações sociais, redes de apoio, usos heterogêneos e terapias relacionadas seja a comportamentos classificados como "vícios", seja ao consumo de distintas substâncias em suas mais variadas classificações.

Títulos e Resumos

  • Entre o jogo e o cuidado: apostas online, moralidade e gestão do risco em Campo Grande (MS)
    — Aline Correia Antonini
  • Manaus nas margens: repressão e cuidado aos usuários de oxi nas ruas do Centro
    — Bruno Tadeu Magalhães Moraes
  • Modelos de assistência em disputa: a produção de cuidado nos CAPS Ad e nas Comunidades terapêuticas a partir dos relatos de usuários de substâncias psicoativas
    — Camila Pimentel, Elis Cavalcanti de Almeida Monteiro, Keila Silene de Brito e Silva
  • Memórias da rua: registros etnográficos de feitiço e cura
    — Camilla Gomes Nascimento
  • Nervos Arriados: a micro-temporalidade do decreto de morte na gestão da vida de uma família periférica teresinense
    — Cleiane Pereira Souza dos Santos, Ana Isabela Sousa Oliveira
  • Relato autoetnográfico de um discente adicto em perspectiva interseccional
    — Felipe Carlos Damasceno e Silva
  • A maternidade no acolhimento de mulheres em comunidades terapêuticas religiosas
    — Janine Targino da Silva
  • O campo das Bets em disputa: mapeamento de abordagens e o lugar da Antropologia Digital
    — João Ribeiro Kaufmanner
  • "Pé-inchado" e as entrelinhas de uma cidade amazônica no encontro com a diferença
    — Luciana Corrêa de Sena Cajado
  • Cognição 4E, vícios e modos de produzir sujeitos
    — Marlene Souza dos Santos
  • “É drogado salvando drogado”: o cuidado com a dependência química em uma Comunidade Terapêutica
    — Roberta Custodio Cavedini

GT 026 - Antropologia dos/nos Gerais

Coordenação
Breno Trindade da Silva (IEPHA-MG)
Mônica Nogueira (UNB)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Claudia Luz de Oliveira (UNIMONTES)

O termo Gerais, usado desde o período colonial, refere-se às amplas paisagens campestres que se estendem de norte a sul do país, coincidindo com áreas do Cerrado e Caatinga. Polissêmico, assume sentidos ambientais, históricos, políticos e existenciais. Construído como espaço “sem gente” e de natureza rústica, o Gerais foi interpretado como território a ser convertido aos padrões do mundo dito civilizado, marginalizando epistemologias locais e modos específicos de manejo dos ecossistemas, historicamente submetidos ao colonialismo. Essas percepções ainda estruturam teorias e políticas sobre a região. O deflorestamento para exploração de madeira, agricultura industrial, silvicultura, mineração e energias renováveis intensifica a degradação, levando pesquisadores a alertarem para o risco de extinção do bioma. Convertido em área estratégica de projetos neoextrativistas, o território testemunha a insurgência de grupos nativos que formulam epistemologias próprias e projetam futuros alternativos diante de um modelo civilizatório em crise. A proposta de criar um espaço permanente de diálogo sobre experiências acadêmicas, nativas e existenciais nos Gerais surge em 2024 no VII Colóquio Internacional de Povos Tradicionais e se consolida como Grupo de Trabalho na 34ª RBA. O GT busca articular distintas vertentes epistêmicas presentes no sertão, explorando confluências, tensões e possibilidades de transformação do fazer acadêmico em interação com os sujeitos dos/nos Gerais.

Títulos e Resumos

  • Povos vacarianos em Minas Gerais: identificação, mobilização e conflitos ambientais
    — Breno Trindade da Silva
  • O SISTEMA AGROPASTORILEXTRATIVISTA GERAIZEIRO: comunidades tradicionais na Serra do Espinhaço Setentrional, Brasil.
    — Carlos Alberto Dayrell, Rômulo Soares Barbosa, João Batista de Almeida Costa
  • Múltiplas identidades que se configuram sobre um território de uso em comum
    — Clebson Souza de Almeida, Aderval Costa Filho
  • A construção discursiva dos "vazios" territoriais durante a Marcha para o Oeste varguista: investigação documental no arquivo da Fundação Brasil Central.
    — Leandro Barbosa de Lima
  • "Matronas " "cerradeiras": como as raizeiras do Cerrado constroem "relacionalidade"
    — Mayra Nascimento Fonseca

GT 027 - Antropologia e Demografia em Diálogo: a produção de dados sobre e com Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs)

Coordenação
Rodrigo Oliveira Braga Reis (UFAM)
José Maurício Paiva Andion Arruti (UNICAMP)

Pessoa debatedora
Ricardo Ventura Santos (Fiocruz)

O grupo de trabalho busca explorar as interseções entre antropologia e demografia, destacando como abordagens qualitativas e quantitativas podem ser mutuamente enriquecedoras na análise de populações humanas, com foco especial sobre indígenas, quilombolas e outros PCTs. Esperamos com este GT discutir os múltiplos papéis das categorias censitárias. De um lado, construídas tanto como dispositivos de governamentalidade biopolítica, quanto por demandas dos próprios movimentos sociais, na luta por reconhecimento. De outro, constituintes tanto das políticas de Estado quanto, em via de mão-dupla, alterando e conformando as identidades e movimentos sociais. Estimulamos a inscrição de trabalhos: (a) que examinem fenômenos como fecundidade, mobilidade, mortalidade e composição etária em contextos etnográficos e diante dos desafios específicos de mensuração de territórios indígenas, quilombolas e PCTs; (b) que reflitam criticamente as estatísticas oficiais, suas categorias e metodologias; (c) que apresentem experiências de metodologias mistas para iluminar desigualdades, migrações e transformações populacionais e territoriais; (d) que reflitam sobre experiências de recenseamentos colaborativos ou realizados por organizações ou comunidades, auto-censos. O GT pretende articular pesquisas empíricas e reflexões conceituais, fomentando uma agenda interdisciplinar, atenta à multiescalaridade e às estratégias de pesquisa multimétodos.

Títulos e Resumos

  • Mobilidades Climáticas entre Populações Tradicionais na Amazônia Ocidental Brasileira: Uma Abordagem de Métodos Mistos
    — Alisson Flavio Barbieri, Rodrigo Oliveira Braga Reis, Pedro Henrique Dias Marques
  • Análise do impacto das políticas educacionais e do acesso à formação de nível médio e superior na renda das famílias de comunidades quilombolas do Nordeste do Pará.
    — Carlos Sérgio de Brito Moreira Júnior, Vinícius Silva de Oliveira
  • Entre números e pertenças: a autoidentificação Indígena nas estatísticas oficiais
    — João Batista Alves Neto
  • Do censo ao senso de comunidade: trajetórias indígenas, registros admistrativos e transformações sociais em São Gabriel da Cachoeira (Amazonas, Brasil)
    — Rafael Moreira Serra da Silva
  • Como trabalhar raça/cor em questionários e entrevistas de Ciências Sociais?
    — Samuel Vicente Dias de Freitas
  • Puru'a, membyha ary, kunha nhenhongatu, mboery ha jari rembiapo Sassoró pegua: rituais e práticas das parteiras kaiowá de Sassoró
    — Waneide Garay Duarte, Edilaine Castelão Duarte, Rosa Sebastiana Colman

GT 028 - Antropologia e indigenismo: história, modos de fazer e reflexões

Coordenação
Daniela Fernandes Alarcon (UFRJ)
Jurema Machado de Andrade Souza (UFRB)

O objetivo deste grupo de trabalho é discutir a atualidade da prática indigenista a partir da atuação de indígenas e não indígenas, sobretudo antropólogos, no Estado e além. Em nossa definição de indigenismo, recuperamos sua acepção como um conjunto de ideologias, práticas administrativas e tecnologias de poder por meio das quais o Estado brasileiro representa, regula e controla os povos indígenas (Souza Lima, 1995, 2002; Pacheco de Oliveira, 2016; Ramos, 1998), mas também como formas de atuação engendradas por indígenas e não indígenas no enfrentamento de um poder colonial continuado e que se reinventa em diferentes contextos (e.g. Souza, 2019; Alarcon, 2019; Amado, 2020). A intenção é reunir trabalhos de pesquisa que revisitem o indigenismo, considerando distintos modos de pensar e fazer história e política indigenista, com atenção às transformações na virada para o século 21. Destacamos como alguns focos de interesse: eventos mobilizadores das políticas indigenistas nas últimas décadas; os papéis de indígenas e não indígenas no Estado e em organizações não governamentais que acessam recursos governamentais ou da cooperação internacional; a atuação indígena em âmbitos de controle e participação social; o histórico de atuação de mulheres no indigenismo; a emergência da advocacia indígena; iniciativas no campo da gestão de territórios e da segurança, a exemplo da constituição de grupos de guardiões indígenas; e as articulações entre atuação institucional e ação direta.

Títulos e Resumos

  • "Estamos sendo atingidos duas vezes": Gerú Tucunã e os impactos do rompimento da barragem de Mariana
    — Antonio Augusto Oliveira Gonçalves
  • Políticas indigenistas contemporâneas e cenários de conflito agudo: reflexões iniciais sobre o mapeamento efetuado pelo Gabinete de Crise Guarani Kaiowa, do Ministério dos Povos Indígenas
    — Daniela Fernandes Alarcon, Marlise Rosa
  • Territorialização e Acesso à Justiça: caminhos de autonomia da Aldeia Katurãma após o rompimento da barragem da Vale S.A em Brumadinho
    — Isadora Ribeiro Lopes
  • Etnicidade, mediação e indigenismo: Um olhar sobre os Potiguara Ibirapi de Aningas (RN)
    — João Lucas Medeiros Dantas
  • Narrativas indígenas e indigenismo em disputa: memória, ação direta e luta territorial dos Pataxó Hãhãhãi no sul da Bahia
    — Jurema Machado de Andrade Souza
  • Energia, desigualdade e cotidiano indígena: uma etnografia histórica da eletrificação entre os Arukwayene no rio Urukauá
    — Leonardo Pedroso Vallin Rodrigues, Artionka Capiberibe, Vitória Sousa
  • Corpo-território e indigenismo em disputa: a atuação política das mulheres indígenas no Brasil contemporâneo
    — Luana Pereira Falcão
  • O grande cerco do capital: Direito, direitos e os povos Tikmũ'ũn
    — Rodrigo Arthuso Arantes Faria
  • A DESPEITO DA PNGATI, POR QUE AINDA NÃO EXISTE UMA POLÍTICA INDIGENISTA NOS ÓRGÃOS AMBIENTAIS (MMA, Ibama e ICMBio)? Entre aprendizados e descontinuidades notas para uma avaliação institucional
    — Rodrigo Augusto Lima de Medeiros
  • O filme Xingu como ponto de partida para a análise de um capítulo da história do indigenismo brasileiro
    — Victor Ferri Mauro

GT 029 - Antropologia e Tecnologias socais: Diálogos de Saberes e Territórios Tradicionais

Coordenação
Claudina Azevedo Maximiano (IFAM)
Vânia Rocha Fialho de Paiva e Souza (PPGCSPA/UEMA)

Pessoa debatedora
Thereza Cristina Cardoso Menezes (UFRRJ)
Maria Helena Ortolan (UFAM)

Este GT propõe discutir as interfaces entre antropologia e tecnologias sociais, refletindo os seus desdobramentos em temas relacionasos à educação, saúde, economia e sustentabilidade dos povos e comunidades tradicionais. Interessa-nos etnografias e trabalhos que abordem a atuação dos antropólogos em diferentes campos, para além da pesquisa, como na efetivação de políticas públicas e outras intervenções sociais. Com isto, pretendemos trazer o debate sobre as demandas contemporâneas do trabalho antropológico e o lugar das tecnologias no conjunto das ciências humanas (Haudricourt,1987). Estes esforços partem de uma reflexão mais ampla sobre os desafios da formação profissional, a partir da proposição do Mestrado profissional em Antropologia Rural e Tecnologias Sociais aprovado pelo Instituto Federal do Amazonas.

Títulos e Resumos

  • Cuidado em Saúde Mental entre os Boe Bororo
    — Ana Paula Arosi
  • A pesquisa-ação aproximando o fazer antropológico da realidade de uma comunidade tradicional de pesca: construção de saberes e métodos a partir do encontro com os interlocutores
    — Janine Azevedo do Nascimento
  • Tecendo Matapi e Memórias: Uma Prática familiar no Rio Campompema
    — Matheus Silva Azevedo, Bárbara Faciola Pessoa Baleixe da Costa
  • Centro de Ciências e Saberes, dissonâncias e inflexões
    — Patricia Portela
  • Mulheres, saberes tradicionais e tecnologias sociais de cuidado no cerrado norte-mineiro
    — Virgínia Marinely Almeida e Pessoa

GT 030 - Antropologia em Movimento: Políticas Institucionais, Pesquisas Indígenas e Transformações Epistemológicas

Coordenação
Alexandre Herbetta (PPGAS UFG)
Vilmar Martins Moura Guarany (FUNAI)

Este Grupo de Trabalho propõe discutir o atual contexto de ingresso, permanência e produção de conhecimento de estudantes indígenas nos Programas de Pós-Graduação em Antropologia no Brasil. A presença crescente de pesquisadoras e pesquisadores indígenas têm provocado deslocamentos importantes nos modos de pesquisa, na escrita acadêmica e nas relações entre universidade, território e comunidade. A experiência do PPGAS/UFG, que desde 2015 recebe estudantes indígenas — muitos vinculados, direta ou indiretamente, ao Curso de Educação Intercultural da instituição — impulsionou a criação da primeira política de ações afirmativas na pós-graduação em uma universidade federal, inaugurando um marco nacional e intensificando a presença de estudantes indígenas no mestrado e doutorado. A partir dessa experiência, o GT busca refletir sobre políticas de acesso, desafios institucionais, metodologias próprias, a relação entre oralidade e escrita, vínculos comunitários, limites institucionais e os desejos que levam estudantes indígenas à antropologia. Inspirado na proposição de egressos indígenas do PPGAS/UFG, que inauguraram um podcast dedicado ao tema, o GT convida reflexões que evidenciem tensões, inovações e os modos pelos quais a antropologia tem sido transformada pelas pesquisas indígenas, reafirmando o campo como espaço de diálogo, disputa e criação epistêmica.

Títulos e Resumos

  • Metodologias de Pesquisa Indígenas e Quilombolas – Apresentação de um projeto de pesquisa em desenvolvimento
    — Camila Mainardi, Antonio Carlos Benites/Ava Vera Rendy Ju, Kiga Boe, Paula Guajajara, Rosenilda Trindade da Costa
  • Encreehr: Política, Estética, Linguagem E Epistemologia
    — José Cohxyj Krikati
  • Wýhtý: considerações sobre modos de conhecer e pesquisar indígena
    — José Cuxy Krahô
  • Educação Indígena. Um diálogo interepistêmico entre os Saberes dos Povos Originários e o Conhecimento Formal das Políticas Públicas do Estado.
    — Mariana Cunha Pereira, Teddy Keyari Njaya
  • A presença indígena na pós-graduação em Educação: desafios e potências de uma política de ação afirmativa
    — Mariana Paladino

GT 031 - Antropologia Feminista no Brasil: entre modos de fazer inventivos, saberes engajados e desafios políticos

Coordenação
Alinne de Lima Bonetti (UFSC)
Elisete Schwade (UFRN)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Susana Rostagnol (udelar)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Miriam Steffen Vieira (UFRGS)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Elisete Schwade (UFRN)

Desde meados dos anos 2000, temos buscado mobilizar reflexões sobre o fazer antropológico feminista no Brasil bem como reunir pesquisadoras que compartilhem deste modo de fazer engajado que se materializou, em 2006, na Rede Brasileira de Antropologia Feminista. Na rede nos conectamos e debatemos sobre o então incipiente campo antropológico feminista brasileiro em uma lista de discussão virtual, que se desdobrou em comunidade numa rede social. Desde então, nos reunimos na 26ª Reunião Brasileira de Antropologia, no Fazendo Gênero 10, no Fazendo Gênero 13 e na XV Reunião de Antropologia do Mercosul. De lá para cá a antropologia feminista brasileira se ampliou, se multiplicou, se disseminou e se fortaleceu no diálogo com redes internacionais. No marco da 35ª. RBA, aos vinte anos daquele momento inicial, gostaríamos de celebrar e dar continuidade aos encontros. Nossa proposta é a de reunir trabalhos que abordem o fazer antropológico feminista, suas diferentes possibilidades e formas de concepção, desafios e inovações metodológicas e éticas diante de cenários etnográficos contemporâneos, formas de resistência ao avanço do neoliberalismo e ao retrocesso na agenda de gênero entre outras temáticas de interesse antropológico feminista. Nossa proposta é a de recobrirmos de maneira ampla as diferentes possibilidades e questões que podem emergir do diálogo entre a antropologia e os feminismos contemporâneos como formas criativas e imaginativas de produção de conhecimento.

Títulos e Resumos

  • Autoetnpgrafia feminista
    — Aline Mandelli
  • Tecituras de Insubmissão: Agências Femininas, Redes de Cuidado e a Produção do Viver no Assentamento Denis Gonçalves (MG).
    — Andréa Gesteira
  • Redes, feminismos e tecnociência: um panorama da experiência de consolidação da Rede Latinoamericana de Antropologia Feminista das Ciências e da Tecnologias (RAFeCT)
    — Clarissa Reche Nunes da Costa
  • Entre linhas e agulhas: uma etnografia sobre mulheres com câncer de mama.
    — Cláudia Cristine Moro
  • Fazer campo nos puteiros autobiográficos: as grafias de vida em diálogo com a Antropologia Feminista
    — Diadorim Maria de Oliveira Chagas
  • Direito à dignidade de pessoas trans no pós-morte: a violência do poder absoluto da família nas decisões funerais
    — Duda Téo
  • Por uma antropologia de enfrentamento ao feminicídio: rodas de conversa e ação comunitária
    — Flávia Valéria Cassimiro Braga Melo, Mayra Caiado Paranhos, Fernanda da Costa Gomes de Souza, Isabela Costa Cândido dos Reis
  • Etnografando as negociações entre duas organizações feministas, no Brasil e em Cabo Verde, em torno de uma agenda de combate à violência de gênero
    — Janaína Perez Reis, Miriam Steffen Vieira
  • Fazer antropológico, fazer desabafo: por uma escuta etnográfica com mulheres negras cuidadoras
    — Laura Marques Lopes
  • Sentir para resistir: a escrevivência das emoções femininas como forma de transcendência e liberdade
    — Natasha Hevelyn, Célia Soares, Maria Elizandra Santos de Oliveira
  • Arquivo lésbico e suas grafias: relato de uma curadoria artística-antropológica
    — Ralyanara Moreira Freire
  • Feminismo, docência e pesquisa: uma experiência de etnografia colaborativa com estudantes mães na Educação do Campo
    — Suzana Cavalheiro de Jesus
  • Prazer, gênero e leitura: uma abordagem feminista sobre mulheres leitoras de literatura erótica
    — Thainara Pereira de Souza
  • Entre a dor e o cuidado: emoções, acolhimento e resistência de mulheres periféricas em uma etnografia sobre violência de gênero em São Gonçalo
    — Vanessa Teixeira de Moraes
  • Tarot, Trabalho e Mulher: uma etnografia em circuitos esotéricos na cidade do Recife (PE)
    — Vinícius Yeshua Lira de Lima, Jucy Monteiro de Melo

GT 032 - Antropologia(s) Contemporânea(s) e Sofrimento Psíquico

Coordenação
Anaxsuell Fernando da Silva (UNILA)
Lilian Leite Chaves (UFRR)

Pessoa debatedora
Fellipe Coelho Lima (UFRN)
Jainara Oliveira (UFGD)
Carolina Cadima Fernandes Nazareth (UNILA)

Nossa proposta de GT parte do pressuposto de que a Antropologia, de longa data, tem contribuído significativamente para a compreensão dos fenômenos associados aos processos de saúde e adoecimento. Parte ainda da constatação de que os fenômenos da loucura, doença mental, sofrimento psíquico fazem parte das reflexões que fundam e consolidam a Antropologia Brasileira desde o final do século XIX. Nosso entendimento é de que as mudanças ocorridas nas últimas décadas na ordem social, política, econômica e tecnológica têm impactado diferentes âmbitos da vida. Nesse escopo, desejamos constituir um espaço de diálogo com diferentes áreas disciplinares interessadas na compreensão e desnaturalização dos mecanismos de opressão contemporâneos produtores de sofrimento psíquico, cujas causas e efeitos estão longe se esgotarem em um debate biologizante e/ou medicalizante. A premissa aqui adotada é de que a saúde mental é um campo pluridisciplinar e de caráter psicossocial, e, portanto, não circunscrita apenas aos campos psis (psicologia, psiquiatria e/ou psicanálise) e/ou biomédico. Deste modo, serão bem-vindas investigações etnográficas e reflexões teórico-analíticas que estejam interessadas nas contribuições da Antropologia para o campo da saúde mental e no diálogo entre as Teorias Antropológicas contemporâneas e o campo Psi que estejam comprometidas com uma concepção de saúde mental e sofrimento psíquico como um fenômeno complexo, multifatorial e histórica e culturalmente situados.

Títulos e Resumos

  • Entre a antropologia e a psicanálise: sofrimento psíquico, indivíduo moderno e diferença na clínica contemporânea
    — César Augusto de Assis Silva
  • Gênero e geração: compreendendo a relação entre adultez e medicalização da vida feminina.
    — Daiany Cris Silva
  • Inteligência Artificial na saúde mental: Promessas tecnossolucionistas, desafios éticos e a crítica antropológica.
    — Icaro Ferraz Vidal Junior
  • Neoliberalismo e sofrimento psíquico: responsabilização individual e privatização do cuidado
    — Jainara Gomes de Oliveira
  • "Todo mundo precisa de psicólogo": intersecções entre subjetividades neoliberais e perspectivas de saúde mental entre jovens
    — Jamile Guimarães, Laura Galassi de Moraes, Raissa Netto, Geovanna Garibalde da Silva Serpa
  • ARQUITETURA DA ANSIEDADE? Estudo de percepções e impactos do prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFPA em discentes com transtorno de ansiedade.
    — Juliane Oliveira Santa Brígida, Luiz de Jesus Dias da Silva
  • Dilemas da saúde mental entre os Maxakali, depressão, suicídio e alcoolismo
    — Leonardo Leocádio da Silva
  • Vivendo com a Autismo: um olhar antropológico sobre as experiências de familiares na cidade de Boa Vista - Roraima
    — Mykaelle das Dores de Souza Costa, Madiana Valéria de Almeida Rodrigues
  • Construção da Subjetividade e identidade: Uma Etnografia Digital da Linguagem e do Conceito de Pessoa em sites Pró-Ana e Pró-Mia
    — Sofia Acácia Santos Keller

GT 033 - Antropologia, arquivos e fabulações críticas: novos usos documentais para futuros passados

Coordenação
Rita de Cássia Melo Santos (UFPB)
Pablo Antunha Barbosa (ufsb)

Nas últimas décadas temos assistido a um renovado interesse da Antropologia pelos arquivos. Muito embora esses artefatos sejam um recurso de trabalho antigo para as humanidades em geral, nelas incluso a Antropologia, podemos dizer que eles tem sido cada vez mais revistados a partir de novas interrogações, sendo compreendidos como importantes artefatos de construção de memórias e de produção de reconhecimento de direitos. Esse interesse e novos usos vem sendo acompanhado de um crescimento cada vez maior da participação no interior da própria disciplina de pessoas pertencentes a grupos historicamente silenciados das narrativas oficiais, tais como indígenas e negros, agora entendidos não mais como meros “objetos de pesquisa”, mas, como reconhecidos produtores de conhecimento. Esse movimento, longe de ser restrito à Antropologia, tem dialogado com diferentes áreas do conhecimento, como as artes, os estudos históricos, a ciência da informação, a arquitetura, as letras, entre outros. Nesse sentido, interessa-nos refletir sobre como os arquivos em suas diferentes naturezas (privados, públicos, familiares, populares, compostos por documentos, objetos, imateriais etc.) tem sido utilizado por pesquisas de cunho etnográfico em diálogo com novas conceituações teórico-metodológicas, a exemplo das fabulações críticas (Saidiya Hartman), produzindo efeitos de memória e de reconhecimento fundamentais à construção de outros futuros passados.

Títulos e Resumos

  • Memórias de si, dos outros e das coisas: percursos de Edna Luísa de Melo Taveira por seu arquivo pessoal
    — Ana Cristina de Menezes Santoro
  • Imaginando a Amazônia: fabulações críticas na conformação da identidade beradêra em Porto Velho-RO
    — Betânia Maria Zarzuela Alves de Avelar
  • O Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade e as minorias étnicas de Goiás: Uma análise antropológica dos limites da memória, verdade e reparação
    — Carlos Eduardo da Silva Colins
  • Frentes, versos, fabulações e remontagens: Algumas interrogações sobre o acervo Lux Vidal de desenhos Xikrin
    — Flávio Bellomi-Menezes
  • Presença guarani em São Vicente/SP no século XX: perspectivas a partir de memórias e documentos
    — Hugo Salustiano Santos
  • Imperialismo Epistemico e o Instituto de Cinema Científico Alemão: Intervenções decoloniais no Arquivo e cinema found-footage
    — Igor Karim
  • O parentesco entre imagens: acervos fotográficos Xetá como álbuns de famílias
    — Izabel Yanca Vieira da Silva
  • Gênero e migrações no médio-São Francisco: os arquivos das mulheres na terra de baianos
    — Jordhanna Neris Sampaio Cavalcante
  • Digitalização de documentos como ferramenta de Fabulação: Materialidade arquivísticas e sua translação para o digital.
    — Kaléo de Oliveira Tomaz
  • "Arquivo vivo", Memória e Identidade Negra na Capela de Nossa Senhora Aparecida em Fortaleza - CE: Um Entrelaçamento de Biografias.
    — Karina de Lima Lopes
  • Futuros passados dos Xetá no Centro de Documentação da História de Umuarama (PR)
    — Leticia Zaniol Kayamori
  • A borduna do Imperador: coleções Iny-Karajá, Amazônia e as fronteiras da nação no século XIX.
    — Rafael Santana Gonçalves de Andrade
  • Eu vi meu quilombo cair: parentesco e pertencimento entre famílias negras
    — Rayssa Marrayne César de Sousa
  • Memória travesti e fabulação crítica: Xica Manicongo entre arquivos coloniais, arte e políticas da memória
    — Sol Alves de Lima
  • O acervo de Henri Ballot: Velhos arquivos, novos debates
    — Veronique Ballot, Leandro Teixeira da Silva

GT 034 - Antropologia, Carnavais e F(r)estas Culturais: Ritos, Performances e Sociabilidades

Coordenação
Clark Mangabeira Macedo (UFMT)
Alvatir Carolino da Silva (IFAM)

Dando continuidade ao GT 044: Antropologia, Carnavais e F(r)estas Culturais, apresentado na XV Reunião de Antropologia do Mercosul (2025), este Grupo de Trabalho reúne pesquisas teóricas e etnográficas sobre festas, carnavais e celebrações, compreendidas como expressões de valor, corporalidade, temporalidade, política e de patrimônios materiais e imateriais. Interessa-nos discutir dinâmicas rituais e performativas que constituem esses eventos como espaços de produção de sentidos e negociações identitárias atravessadas por tensões de raça, gênero, classe, religiosidade e território. Em sintonia com o tema da 35ª Reunião Brasileira de Antropologia — Antirracismo e Pluridiversidade —, o GT acolhe trabalhos comprometidos com um fazer antropológico atento às assimetrias históricas e epistêmicas que moldaram o conhecimento sobre festas no Brasil. Incentivamos pesquisas que descentrem o eixo sudestino, ampliando o repertório etnográfico nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul, bem como entre povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. O GT propõe refletir sobre etnografia em contextos festivos, reconhecendo corpo, escuta e convivência como dimensões do campo social amplo. Ao articular ritos, performances, efeitos pedagógicos e patrimônios culturais, buscamos compreender as festas como arenas de invenção estética e política, onde se afirmam modos plurais de existir e resistir, acionando práticas de reparação e bem viver.

Títulos e Resumos

  • Festa, devoção e conflitos: os mastros e a identidade da festividade de São Sebastião em Cachoeira do Arari, Marajó
    — Cintia Nayara Ribeiro de Sousa
  • Hoje, eu acordei de bem com a vida sonhei que estava na avenida de azul e rosa a desfilar: Escola de samba e mulheres da velha guarda
    — Isabella Salles
  • Memória em movimento: representações carnavalescas de Chica da Silva e Rosa Maria Egipcíaca no carnaval do Rio de Janeiro
    — Julio D' Angelo Davies
  • O Carnaval de rua frente a uma cidade em disputa: o caso do Recife
    — Leonardo Leal Esteves
  • A reinvenção de saberes através do Aiué
    — Marcos Alan Costa Farias
  • O desfile dos filhos de Gandhy: fluxos da masculinidade hegemônica experimentando a fluidez dos gêneros e das sexualidades ao som afirmativo do candomblé baiano
    — Marlon Marcos Vieira Passos
  • 'Carnaval Experience': turistificação dos bastidores, dupla extração e agência negra na produção do espetáculo carnavalesco carioca
    — Mauro Cordeiro de Oliveira Junior
  • Os ritos tradicionais do Boi-bumbá Garantido de Parintins-AM: Alvorada, Santo Antônio, São João, São Pedro e a Matança do Boi
    — Socorro de Souza Batalha, Alvatir Carolino da Silva
  • Quem ganha visibilidade? São Benedito, festas e poder simbólico no Pará.
    — Sônia Cristina de Albuquerque Vieira, Luiz Fernando de Assunção Corrêa
  • Folguedos de Boi no Sul do Brasil: Memória, Identidade e Resistência
    — Stefania Johnson Colombo
  • Energia no carnaval carioca: uma etnografia do manejo do sagrado na produção dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro
    — Sthefanye Silva Paz
  • Barracão de Carnaval: reflexão sobre os trabalhadores da folia.
    — Yasmin Jardim Moreira

GT 035 - Antropologias do trabalho: desafios contemporâneos

Coordenação
Guillermo Stefano Rosa Gómez (UFSM)
Luísa Maria Silva Dantas (UFPA)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Jaime Santos Júnior (UFPR)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Aline Gama de Almeida (PPCIS)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Virgínia Squizani Rodrigues (UFSC)

O trabalho – em suas práticas, sentidos, organizações e regulamentações – constitui um tema clássico nas Ciências Sociais, com uma tradição singular na Antropologia. Este GT tem como objetivo congregar pesquisas antropológicas que abordem um conceito ampliado de "trabalho" em suas múltiplas facetas e expressões, a partir de quadros teórico-metodológicos diversos. A constituição de uma "antropologia do trabalho" reafirma a centralidade analítica da classe social, articulando-a de forma interseccional com outras matrizes de opressão, como racismo, sexismo, etarismo, xenofobia e capacitismo. Serão bem-vindas propostas de estudos etnográficos que dialoguem com os debates contemporâneos da disciplina. Entre eles, incluem-se o questionamento de dualidades clássicas (como natureza e cultura), os estudos sobre ontologia, as abordagens da globalização e dos circuitos transnacionais, os aportes da virada material e as análises sobre a crise climática. Tais perspectivas são fundamentais para compreender as transformações, os impactos e os antagonismos inerentes ao sistema capitalista. Por fim, este GT visa não apenas manter ativa a tradição de discutir antropologias do trabalho na Reunião Brasileira de Antropologia, como também se constitui como uma expressão da Rede Latino-Americana de Antropologia do Trabalho (RELAT). Desse modo, busca fomentar as relações entre a antropologia brasileira e as antropologias internacionais.

Títulos e Resumos

  • O mito de origem dos entregadores de aplicativos
    — Aline Gama de Almeida, Larissa do Espírito Santo Alvim
  • Fios de autonomia: o ofício do crochê como prática de resistência e construção de independência financeira entre jovens mulheres
    — Anna Julia Reis de Brito
  • Trabalho acadêmico e cuidado: recorte documental sobre dispositivos de produtividade em universidades públicas
    — Bianca Cristina Piassava Bonassi Barros
  • Autonomia, informalidade e ilegalidade: uma etnografia comparativa do trabalho por aplicativo entre Rio de Janeiro e Paris
    — Carlos Eduardo Pereira Viana
  • Da desregulação estatal à regulação privatizada: um estudo de caso sobre a plataforma Bem Acompanhadas
    — Cristiane Vilma de Melo
  • Extrativistas e as mudanças climáticas no Alto Rio Atuá, Muaná, Ilha de Marajó - PA
    — Euzalina da Silva Ferrão
  • Nas entranhas da precarização: a experiência de trabalhadoras e trabalhadores de limpeza doméstica sob o modelo uberizado na cidade de Pelotas (RS)
    — Flor Wienke Tavares, Daniele Borges Bezerra
  • Memória, pertencimento e cultura organizacional em uma empresa familiar da Zona da Mata mineira: uma abordagem antropológica
    — João Pedro Santos Pereira, Marisa Barbosa araujo
  • Trabalho doméstico remunerado e as perspectivas patronais: uma aproximação ao universo patronal na cidade de São Paulo-SP
    — Júlia Vargas Batista
  • A viagem dos mineiros: mobilidade geográfica e trabalho mineiro no século XXI.
    — Lautaro Clemenceau
  • Tubarões, Golfinhos e Peixes-Dourados: A Experiência de um Trader entre Niterói e Londres
    — Lucas Vieira
  • O mal-estar na pós graduação: uma análise dos efeitos psicossociais em jovens adultos egressos dos cursos de Pós-Graduação em Sociologia da UFC e da UECE de 2020 a 2025
    — Mário Fellipe
  • Trabalhar a favela, trabalhar na favela: mediações, moralidades e negócios de impacto no trabalho periférico em São Paulo
    — Silvio Rogério dos Santos
  • Quem trabalha nas startups? Classe, raça, gênero e os limites das políticas de Diversidade e Inclusão no setor tecnológico
    — Virgínia Squizani Rodrigues
  • Decolonizar o trabalho: uma teoria etnográfica de estudantes
    — Wecisley Ribeiro do Espírito Santo

GT 036 - Antropologias em "antropólogos" de outrora, que se encontravam distantes da academia

Coordenação
Sérgio Ivan Gil Braga (UFAM)
Alicia Norma González de Castells (UFSC)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Alicia Norma González de Castells (UFSC)

Convidamos estudiosos e pesquisadores, que estejam interessados em relatar e debater sobre diferentes contribuições antropológicas produzidas por “antropólogos” de outrora, de décadas passadas, que se encontravam distantes do meio acadêmico e de alguma maneira, contribuíram para a história da antropologia brasileira. Verificar o “ofício de antropólogo”, entre folcloristas, historiadores, escritores e “pesquisadores” oriundos de outras áreas de conhecimento, que praticaram antropologia, embora não se intitulassem “antropólogos”. Assim, sem pretensão de delimitar a proposta em temas específicos, reconhecemos que tais contribuições têm relevância para estudos de expressões locais, regionais e nacionais de patrimônios culturais, identidades étnicas e culturais, questões sobre dinâmicas de cidades e vidas urbanas, contextualizações históricas para grupos sociais, referências cronotópicas em produções textuais, aspectos teóricos e metodológicos no âmbito da antropologia brasileira etc. Trata-se de etnologias, etnografias que contribuíram de modo significativo para registros e testemunhos originais ou mesmo inéditos. Pode-se apresentar como material de pesquisa, consultas a produções bibliográficas, livros, artigos, catálogos, entre outras publicações. Levantamentos sobre trajetórias de vida pessoal e acadêmica, em arquivos pessoais, envolvendo correspondências, diários de viagem, fotografias, recortes de jornais e outras fontes.

Títulos e Resumos

  • Antonio Carlos Simoens da Silva, o cientista smart
    — Cecilia de Oliveira Ewbank
  • Um arquivo de Cultura Popular: O projeto Veredas Sociais (1978-2000) entre a Antropologia e a Literatura
    — Maria Alice da Conceição Silva, Daianire Carneiro Rocha
  • Folclore e folcloristas hoje: trajetórias de vida e antropologia em Mário Ypiranga Monteiro e Moacir Andrade
    — Sérgio Ivan Gil Braga

GT 037 - Bad Sex nas Redes: Espaços Virtuais e Mercados Sexuais na Terceira Década do Século XXI

Coordenação
Thaddeus Gregory Blanchette (PPGAS)
Adriana Graça Piscitelli (UNICAMP)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Tita - Letizia Patriarca (USP)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Tita - Letizia Patriarca (USP)

Esse GT pretende acolher pesquisas sobre as diversas formas em que os mercados do sexo e suas economias foram se transformando, ou não, através de práticas digitais. A pandemia de COVID-19 acelerou um processo já em curso desde o início do século: a migração para a internet dos territórios morais cuja marca característica é aquilo denominado pelo Gayle Rubin como Bad Sex (i.e sexo não heterossexual, não monogâmico,não reprodutivo). Antigas áreas de “pegação”, “cabarés” e “zonas de prostituição” tem sido re/de-estruturadas através da incorporação dos recursos digitais nas rotinas das pessoas que buscam vender, comprar, ou trocar sexo. Enquanto isto, a crescente democratização de tecnologias digitais tem aberto novas possibilidades para visibilidade, ganho de capital e celebridade para pessoas envolvidas nos mercados sexuais. Como resultado, os mercados sexuais e suas economias subjacentes estão passando por uma extrema re-organização. Esse GT privilegiará trabalhos que exploram como práticas digitais estão sendo incorporados nos mercados sexuais e, em particular, como essas têm transformado as geografias do desejo. Estamos interessados em tópicos como: influenciadories sexuais e celebridades virtuais do trabalho sexual, a venda de sexo virtual através de plataformas digitais, o impacto da “uberização” do sexo nas tradicionais zonas de prostituição, e práticas de segurança e/ou violência e criminalização decorrentes das tecnologias digitais, e temas semelhantes.

Títulos e Resumos

  • O desejo em exposição: performatividades eróticas em plataformas digitais e a reconfiguração da intimidade
    — Ana Carolina Fiori
  • "Todo homem quer uma virgem que seja boa de cama": perspectivas masculinas acerca de plataformas para "relações sugar"
    — Bruno Henrique Benichio Alves Barbosa
  • Plataformização do trabalho sexual: a Fatal Model e a reorganização do mercado do sexo no Brasil
    — Cinthya Bastos Ferreira
  • Do olhar furtivo ao toque do pixel: tecnologia, corpo e espaço na pegação contemporânea
    — João Elioberg da Silva Oliveira
  • Algoritmo e mecanismos de busca: um estudo exploratório a partir da categoria "disabled" em uma plataforma de conteúdo adulto
    — Mirian Borges da Silva
  • Da conexão emocional ao afeto automatizado: camming, inteligência artificial e economias sexuais digitais no Brasil
    — Núbia Sena dos Sants Ramalho

GT 038 - Bruxaria, rumores, conflitos e violência: feituras da política em contextos africanos

Coordenação
Denise Pimenta (Unifesp)
Paulo Ricardo Müller (UFFS)

Pessoa debatedora
Melvina Afra Mendes de Araújo (UNIFESP)

Regimes políticos africanos parecem estar sempre na corda-bamba sob ameaça de guerras civis e conflitos internos. Um exemplo recente disso vem das eleições na Tanzânia, durante a qual se estima que cerca de quinhentos opositores do partido vencedor tenham sido assassinados. Entretanto, entre as reações públicas a tal situação, circula nas mídias digitais a acusação de bruxaria à presidenta eleita. Por outro lado, em sua tese de livre docência (USP, 2018), Laura Moutinho aponta para o caráter mágico atribuído às comissões de reparação pós-apartheid na África do Sul por conciliarem parte da minoria branca ultrarracista com tal política de Estado. Assim, a feitura da política em contextos africanos, seja no agenciamento da violência ou na resolução de conflitos, é frequentemente atravessada por rumores, como sugere Wilson Trajano Filho (UnB), que colocam em circulação e interação atores sociais humanos e não-humanos, tais como espíritos, bruxas(os), ancestrais, animais, algoritmos, etc. Este GT se propõe a discutir essas questões a partir de pesquisas e reflexões que articulem evidências etnográficas e conceituais sobre violência e conflitos em torno de processos eleitorais, dinâmicas entre Estado e sociedade civil, novos ativismos políticos, circulação de rumores e acusações nos meios digitais, controvérsias públicas envolvendo bruxaria/feitiçaria, prolongamentos políticos do colonialismo, entre outros.

Títulos e Resumos

  • Perseguição espiritual e refúgio: limites epistemológicos da proteção internacional no Brasil
    — Carolina Becker Peçanha
  • Noite em que te Chamam Azetô: rito, acusação e perigo
    — Christopher Souza da Rocha
  • Entre hienas e crocodilos: zoomorfismo e "feitiçaria" como linguagem e as controvérsias balantas na política da Guiné-Bissau
    — Érico de Souza Brito
  • Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática na África do Sul: reflexões a partir da literatura e do trabalho de campo
    — Glauber Carvalho da Silva
  • How can we educate our children without spanking them? Economias Morais, Parentalidade e Governança da Intimidade
    — Laura Moutinho
  • Bênçãos e estigmas: discursos em circulação, tutela e moralizações sobre mulheres em "relacionamentos abençoados" na África do Sul
    — Thais Henriques Tiriba

GT 039 - Capitaloceno, Políticas Públicas & Cosmopolíticas: perspectivas dos territórios

Coordenação
Alicia Ferreira Gonçalves (UFPB)
Alcides Fernando Gussi (UFC)

Desde 2005, o Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Cultura, Sociedade e Ambiente (Gipcsa) tem se dedicado à reflexão crítica sobre as interfaces entre antropologia e políticas públicas, participando ativamente das reuniões da ABA e da RAM. Nosso foco tem sido o papel da antropologia no desenho, formulação e avaliação de políticas que, muitas vezes, são construídas a partir de bases generalistas, ignorando as alteridades enraizadas nos territórios. A Constituição de 1988, fruto da mobilização dos movimentos sociais, reconheceu direitos ambientais, indígenas e de comunidades tradicionais. Contudo, tais direitos têm sido sistematicamente distorcidos por mediadores não discursivos como o poder e o dinheiro — marcas profundas do capitaloceno. Nesta edição, propomos ampliar o debate incorporando os contextos do capitaloceno, em que a ação humana se configura como força motriz da crise socioambiental. Corporações capitalistas transnacionais têm causado danos irreversíveis ao planeta: aquecimento global, poluição hídrica, desmatamento, queimadas, entre outros. Diante desse cenário, convidamos pesquisadorxs a refletirem sobre o papel da etnografia e das políticas públicas e cosmopolíticas (Strenger, 1997) como formas de enfrentamento às crises contemporâneas. Interessa-nos especialmente abordagens que reconheçam a natureza como ser vivo, os sinais diacríticos dos territórios e as cosmovisões de comunidades indígenas, ribeirinhas, quilombolas, fundos de pasto, entre outras.

Títulos e Resumos

  • Idioma da percepção e bifurcação da natureza: fundamentos epistêmicos do negacionismo da ciência corporativa
    — Ana Flávia Moreira Santos
  • Das coisas que não-acontecem no Estado
    — Gê Figueiredo
  • A atuação do INCRA e os entraves na regularização fundiária dos territórios quilombolas no Brasil
    — José Adélcio da Silva Júnior, Michelly Ferreira Monteiro Elias
  • Notícia urgente, política ausente: quem chora pelas vidas indígenas LGBTQIA+?
    — José Marcos Nascimento Pontes
  • Cosmopolíticas contracoloniais na Caatinga: entre esquecimentos e retomadas da memória indígena no Cariri e Sertão Paraibano
    — Luan Gomes dos Santos de Oliveira
  • O Balanço Ético Global 2025 e o descompasso entre evidências e compromissos na governança ambiental
    — Luana Marques Figueira
  • Cactos como companheiros etnográficos: especulações sobre as relações multiespécies na Caatinga
    — Maria Luiza Teixeira Salgado
  • Cartografias para Adiar o Fim do Mundo: Os Desafios para Política Nacional de Gestão Ambiental em Terras Indígenas Potiguara
    — Matheus Ramos Araújo de Sousa, Alicia Ferreira Gonçalves
  • Construir em comum, contrariar o fracasso: com mulheres Sem-Terra do Ceará
    — Paula Godinho
  • O mito da localidade do "frango britânico": sobre cadeias transnacionais e local-washing
    — Raisa Ramos de Pina
  • Antropologia das Mudanças Climáticas: Racismo Ambiental na Cidade do Natal - RN
    — Wilen Ivinen Lopes Ferreira

GT 040 - Casas, cozinhas, quintais e suas agências em coletivos quilombolas, sertanejos, pescadores, indígenas e camponeses

Coordenação
André Dumans Guedes (UFF)
Ana Carneiro Cerqueira (UFESBA)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Yara de Cássia Alves (UEMG)

Sessão 2

Pessoa debatedora
André Dumans Guedes (UFF)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Laenia Silva (UFRJ)

Buscamos neste GT investigar os poderes e agências das casas, cozinhas e quintais situados em coletivos quilombolas, sertanejos, pescadores, camponeses, indígenas - em suma, entre diferentes povos da terra, da floresta e das águas. A partir da singularidade dos arranjos, modos e sistemas que os ativam como dispositivos ou técnicas, queremos pensar como tais entidades se articulam a territórios, e o que fazem: criando (filhos, bichos e plantas, misturas e mexidas, alianças e desafetos, corpos, novas possibilidades de vida); transformando (o cru e o cozido, substâncias, ingredientes e receitas, estórias e histórias, prosa e comida); ou reunindo (vizinhos na prosa cotidiana, conhecidos em torno do café, quem está junto na política ou numa mesma luta, os filhos quando de sua volta à terra natal). Interessa-nos examinar como tais poderes e agências atuam no “mundo”, e em relação às forças a ele associadas. Ao tomarmos “mundo” enquanto categoria nativa, queremos considerar como esses quintais, cozinhas e casas se constituem e operam sob uma perspectiva cosmopolítica, em relação com perigos, alteridades e potências de ordens diversas - por exemplo, aqueles relacionados à vizinhança de monoculturas, plantations, cativeiros e empreendimentos que encurralam povos e territórios; ou os que se vinculam às vicissitudes das famílias que têm seus membros esparramados mundo afora, ganhando a vida “no trecho” ou se aventurando em terras distantes e cidades grandes.

Títulos e Resumos

  • Território na mesa: identidade, cozinha e resistência no quilombo de São Lourenço - PE.
    — Daniel Lucas Carneiro dos Santos, Sérgio Henrique Ferreira da Silva
  • Uma UHE no quintal de casa: os equívocos do desenvolvimento e seus efeitos para os Juruna (Yudjá) da Volta Grande do Xingu, Altamira-PA
    — Edimilson Rodrigues de Souza
  • As cozinhas de dentro do Atalho: notas sobre uma socialidade Quilombola.
    — Felipe de Melo Gomes Feitosa
  • Onde mangues são quintais: espaços de cura na pesca artesanal em contextos de catástrofes socioambientais no sul da Bahia
    — Jaiana de Sousa Meneses
  • Pensar com as casas Xakriabá: construções como dispositivos de retomada
    — Lucas Carvalho de Jesus
  • Onde a vida se cozinha: cozinhas que reúnem e quintais que criam, uma etnografia da interface de gênero na produção social no Quilombo Vão da Horta
    — Luisa de Negreiros Pinto Gomes
  • Agenciamentos de cura em território de afetos: socialidades e composição de mundos por meio do manuseio de plantas por parte de uma benzedeira da comunidade quilombola Nicanor da Luz (RS)
    — Rosane Aparecida Rubert
  • Casa, terreiro de umbanda, sede do congado, quilombo: A comunidade dos Jerônimos (Passos-MG) e suas domesticidades
    — Yara de Cássia Alves

GT 041 - Cidade, bairro e casa. As múltiplas escalas do habitar.

Coordenação
Priscila Tavares (UVA)
Urpi Montoya Uriarte (UFBA)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Rolf Malungo de Souza (UFF)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Shirley Alves Torquato (UEMG)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Michelle Lima Domingues (UFF)

Este GT tem como propósito reunir pesquisas que investiguem as múltiplas escalas de habitar o espaço urbano: desde o nível mais geral da cidade, até o menor, da casa, passando pela escala intermediária do bairro. Trata-se de refletir sobre estas escalas e o movimento ou passagem contínua entre elas e sobre os fatores que tornam possível o habitar em cada uma delas. Priorizar-se-ão os trabalhos etnográficos que apresentem a perspectiva dos habitantes – sejam eles movimentos, coletivos, famílias ou indivíduos –, deixando evidentes os meios e estratégias e/ou táticas que estes desenvolvem no processo de habitar. Ao propormos escalas variadas, tencionamos alimentar a discussão sobre os fragmentos e passagens que permitem, impedem ou limitam a construção de imagens do conjunto da cidade.

Títulos e Resumos

  • Entre aterros e margens: percepções e modos de habitar no rio Poxim, Aracaju (SE)
    — Ana Caroline da Paz Santos
  • Quando a água sobe: ajuda, resposta emergencial e o mundo da política
    — Ana Elisa de Figueiredo Bersani, Inácio de Carvalho Dias de Andrade
  • Escalas do habitar: cartografias da mobilidade e imaginários urbanos de jovens periféricos de Salvador (Ladeira da Preguiça e Alto das Pombas)
    — Anderson Carvalho dos Santos, Urpi Montoya Uriarte
  • Quando a casa vira rua: moralidades e regimes de violência no mundo doméstico em Barbacena
    — Eliane da Silva, Shirley Torquato
  • Ilhas e Ilhadas: famílias e casas em dois bairros afetados pela Enchente de 2024 na Grande Porto Alegre
    — Gabriel Mazur
  • A casa da Vó Maria como microlugar do habitar em Bela Vista de Goiás
    — Lorrany dos Santos Ferreira, Ema Pires
  • Entre a rua e a mata: construção de territorialidades e a luta por moradia na comunidade São Geraldo, em João Pessoa/PB
    — Marco Aurélio Paz Tella
  • A constituição de uma "casa de verdade": conexões entre o habitar, sujeites LGBTQIAPN+ e suas relacionalidades
    — Mariana Paschoiotto Soares
  • Entre a vila e a rua: modos de habitar e conflitos urbanos na Lapa carioca.
    — Ramon de Abreu Guimarães Silva
  • Tradição, espaço urbano e desigualdade: notas sobre a periferização da moradia social em Barbacena
    — Shirley Torquato, Mary Cristina da Silva
  • "Aqui é a calçada do oi": a calçada e a rua como elementos intrínsecos no habitar a Comunidade do Timbó (João Pessoa-PB)
    — Williane Juvencio Pontes

GT 042 - Cidades e citadinidades: questões de Antropologia Urbana

Coordenação
Alexandre Barbosa Pereira (UNIFESP)
Giancarlo Marques Carraro Machado (UNIMONTES)

A proposta deste grupo de trabalho é discutir as múltiplas dimensões do urbano a partir da análise das maneiras astuciosas de se fazer cidades em distintos contextos. Nesse sentido, serão valorizadas pesquisas que apreendam as especificidades das múltiplas experiências do urbano em variadas escalas de cidade, a fim de diversificar o debate sobre as contradições da citadinidade. O objetivo é tentar compreender os modos distintos pelos quais citadinos, grupos e instituições são agentes ativos na construção das cidades contemporâneas, situando-se de forma controversa entre táticas e estratégias, legalidades e ilegalidades e acessibilidades e desigualdades. Este GT convida, portanto, à apresentação de trabalhos que abordem, entre outras questões, as múltiplas formas de habitar as cidades, por meio de seus usos e contra-usos dos espaços públicos. Dessa maneira, ressaltam-se as diversas relações e tensões entre mobilidades e imobilidades, as experiências de gestão urbana, os ativismos urbanos, as redes de sociabilidade etc. Trata-se, assim, de agregar o maior número de pesquisas com a perspectiva de constituir um panorama que transcenda a dicotomia “na” ou “da” cidade, visto que se trata de compreender que cada processo social, por mais micro que se apresente, diz respeito às maneiras de se fazer cidades ou produzir novas experiências urbanas. Da mesma forma, como os macroprocessos de gestão das cidades contribuem para o entendimento das ações táticas dos citadinos.

Títulos e Resumos

  • Do pico à pista: Memória e identidade na trajetória da Trinda Times
    — Amanda de Oliveira Gabinio
  • "Aqui o movimento é bom": uma etnografia sobre o comércio de rua no Centro Histórico de São Luís (MA)
    — Ana Beatriz Silva Ferro Sousa
  • Do mosaico ao cromático: contraste de paradigmas na antropologia urbana
    — André Rocha Rodrigues
  • Centralidades do Centro em perspectivas citadinas: uma análise bibliográfica
    — Davi Silva Duarte
  • "Muita aventura e vento na cara!": transformações geracionais e percepções conflitantes sobre uma periferia paulistana
    — Inácio de Carvalho Dias de Andrade, Debora Caje Yamamoto
  • Cartografias culturais e citadinidades: práticas culturais, projetos de vida e modos de fazer cidade no sul do Brasil
    — José Luís Abalos Júnior, Schelen Scherer de Freitas
  • Entre grades e manobras: citadinidade, skate de rua e disputas pelo espaço público no Vale do Anhangabaú
    — José Vitor Carignato David, Giancarlo Marques Carraro Machado
  • Contradições da citadinidade: gestão urbana, população em situação de rua e políticas de cuidado
    — Luana Lima Godinho
  • Experiências de jovens mais jovens em relação à escola e à cidade: uma etnografia de projetos do contraturno escolar sob uma perspectiva interseccional
    — Maria Eduarda de Moraes Torres
  • Coletivos culturais, práticas de mobilização social e grupos armados na Zona Oeste do Rio de Janeiro
    — Monique Batista Carvalho
  • Ocupações e resistências moleculares: a conversão nos enunciados entre jovens e adultos em uma ocupação urbana no interior do Estado de São Paulo
    — Thaisa da Silva Ferreira

GT 043 - Ciência, educação e tecnologias indígenas: experiências escolares e reflexões práticas em torno da interculturalidade

Coordenação
João Francisco Kleba Lisboa (Instituto Egon Schaden)
Eriki Aleixo de Melo (CEFORR)

Interessa-nos pensar tanto as escolas indígenas quanto a “temática indígena nas [demais] escolas” – geralmente a cargo das disciplinas de humanidades e/ou artes – para além de episódios esparsos no currículo e imagens superficiais. Ainda que a legislação brasileira, como estabelece a Lei nº 11.645, de 2008, determine a obrigatoriedade do estudo da história e cultura indígena (e afro-brasileira) nos ensinos fundamental e médio, permanece a questão: o quanto os conhecimentos indígenas podem contribuir em matérias escolares como matemática, biologia, química, e ciências em geral? Se as tecnologias indígenas, cada vez mais, comprovam sua eficácia e capacidade de confrontar a crise sistêmica do capitalismo, seria ingênuo tentar universalizar ou transportar tais conhecimentos, desenraizando-os de suas dinâmicas locais, cosmologias e relações intra e interespécie. Este GT tem o propósito de reunir reflexões e experiências em torno das seguintes questões: Quais seriam os métodos mais apropriados para a transmissão de conhecimento tradicional no contexto escolar? A mera inclusão de alguns exemplos do saber indígena sob o prefixo “etno” é suficiente para sua validação enquanto ciência? Como as escolas indígenas lidam com as exigências curriculares, as demandas das comunidades e as pressões por avaliação e rankings nacionais? Propomos uma discussão geral a partir de experiências concretas em torno dessa pauta, o que inclui dinâmicas não escolares de aprendizado e formação tecnológica.

Títulos e Resumos

  • Entre Línguas, Territórios e Avaliações: desafios e possibilidades nos processos de alfabetização e letramentos em escolas indígenas de Roraima
    — Eriki Aleixo de Melo
  • Para além do acesso: apoio acadêmico e desafios da permanência de estudantes indígenas no ensino superior
    — Jamilie Santos de Souza, Carolina Monteiro Pereira, Ravena Soares Carvalho

GT 044 - Cinema Indígena no Brasil: produções, pesquisas e perspectivas

Coordenação
Alessandro Campos (UFPA)
Edgar Teodoro da Cunha (UNESP)

Este Grupo de Trabalho propõe reunir pesquisadoras(es), estudantes e realizadoras(es) indígenas e não indígenas para discutir o cinema indígena no Brasil como um campo central da Antropologia Visual contemporânea. A produção audiovisual indígena tem se expandido nas últimas décadas, principalmente a partir do projeto Vídeo nas Aldeias, afirmando narrativas próprias e redefinindo modos de colaboração tensionando práticas etnográficas tradicionais. Esses processos envolvem formação de cineastas, políticas de circulação, novas estéticas, fortalecimento de coletivos, estratégias de memória e usos políticos da imagem, reafirmando o protagonismo indígena. O GT busca debater pesquisas recentes, experiências de coautoria, metodologias colaborativas, trajetórias de realizadores e realizadoras indígenas e os impactos da circulação audiovisual em aldeias, cidades, festivais e redes digitais. Também pretende refletir sobre desafios emergentes, como preservação, políticas públicas, acesso à novas tecnologias e perspectivas de futuro para este campo. Serão acolhidas comunicações que abordem linguagens e estéticas do cinema indígena; processos formativos; usos políticos do audiovisual; antropologia visual; acervos e memória; tecnologias emergentes e análises de obras ou experiências de produção. Nosso GT visa, sobretudo, fortalecer o diálogo entre Antropologia e Cinema Indígena, ampliando redes de pesquisa e valorizando epistemologias e modos de ver e narrar próprios dos povos indígenas.

Títulos e Resumos

  • Antropologia, Cinema e Educação: Investigando o Imaginário em filmes de temáticas indígenas na Amazônia brasileira (Roraima).
    — Madiana Valéria de Almeida Rodrigues
  • "Cacique viu isso?!" Mekukradjà Abikàrà (cultura contaminada) e a Produção Midiática Mebêngôkre-Kayapó em Transição
    — Richard Brown Pace
  • Aquilo que é sonhado muda a estrutura das coisas: sentir, pensar e agir para reencantar e perturbar o cinema com mulheres originárias
    — Sophia Pinheiro

GT 045 - Coleções etnográficas, museus, saberes e fazeres: reconectando pessoas às suas coisas

Coordenação
Adriana Russi T. Mello (UFF)
Lucia Hussak van Velthem (Museu Paraense Emilio Goeldi)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Renata Curcio Valente (SEE/MN)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Renata Curcio Valente (SEE/MN)

As "coleções etnográficas", historicamente concebidas sob uma perspectiva eurocêntrica e associadas a contextos coloniais, estão sendo profundamente reavaliadas. Da formação original, marcada pela apropriação cultural, até as problemáticas de representação e restituição, emergem novos horizontes que impulsionam trabalhos colaborativos e transdisciplinares, reunindo antropólogos (as), museólogos (as), povos tradicionais e artistas. A decolonização dos museus é central nessa reorientação, e não se limita ao rearranjo de exposições, mas busca desmantelar narrativas hegemônicas, questionar a autoria do conhecimento e promover a partilha de poder. As coleções são compreendidas de forma multissensorial e holística, de dimensões espiritual, emocional, evocativa. A reconexão das pessoas às suas coisas é parte do processo de revitalização cultural e de conexão com o passado. Esse GT visa reunir trabalhos sobre saberes e fazeres nos museus que valorizem conhecimentos das populações tradicionais, ações de museologia colaborativa, reinvenção das práticas expositivas. Interessam relatos sobre a superação de resistências institucionais e a garantia da sustentabilidade dessas mudanças, bem como sobre as possibilidades do trabalho em rede entre instituições e comunidades, na tentativa de ampliar o alcance e a eficácia dessas iniciativas, evidenciando o potencial dos museus como espaços de (re) encontros, de diálogos e de construção de futuros mais inclusivos e justos.

Títulos e Resumos

  • Visitando museus e nos reconectando às nossas coisas: o Txama txama e os saberes e fazeres Katxuyana e Kahyana
    — Adriana Russi, Neide Imaya Wara Kaxuyana, Namofo Léo Kaxuyana Tiriyo
  • Mapeamento das coleções Katxuyana-Kahyana no Brasil: Sistematização e acesso à informação como um meio para a preservação das tradições dos povos indígenas
    — Ana Gaspar Motta, Adriana Russi
  • Materialidades diaspóricas: construção de coleções palestinas no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal do Paraná (MAE-UFPR)
    — Bárbara Caramuru Teles
  • Entrelaçando memórias e arqueologia Jê na região abrangida pelo médio e baixo rio Iguaçu, Paraná: ressignificando acervos musealizados, bens arqueológicos, aldeias e territorialidades
    — Claudia Inês Parellada
  • A retomada das coisas ejiwajegi: o Museu dos Povos Indígenas como território kadiwéu
    — Gabriela de Carvalho Freire
  • Entrelaçando imagens, objetos e memórias: uma experiência colaborativa com coleções etnográficas na Europa
    — Igor Morais Mariano Rodrigues, Lesly Garcia Soto, Leandro Matthews Cascon, Jaime Xamen Wai Wai, Carla Jaimes Betancourt
  • Memórias visuais fotográficas nas histórias da antropologia
    — João Martinho Braga de Mendonça
  • Memórias e presenças negras em um museu afro-digital
    — Judit Gomes da Silva
  • Documentário Sonoro do Folclore Brasileiro: reflexões sobre formas de restituição dos fonogramas a seus detentores
    — Juliana Lima Ribeiro
  • Coleções etnográficas: indagações ao conceito de semióforo
    — Lígia Maria Silva Macêdo, Adriana Russi
  • A Decolonialidade no sistema das artes visuais contemporâneas pela perspectiva de gênero e corpos dissidentes: Complexidades e contradições entre Brasil, Colômbia e Peru
    — Maria Cristina Simões Viviani
  • Coleção Arthur Ramos: trânsitos e desafios contemporâneos
    — Mariana Ramos de Morais
  • "Abanos do clima": os kòri Iny (Karajá) circulando entre aldeias, museus e a COP30
    — Marilia Caetano Rodrigues Morais, Tuinaki Koixaru França Karajá
  • Encontrando Mestre Vitalino - artefatos etnográficos, saberes tradicionais e arte na reconstrução do Museu Nacional
    — Renata de Castro Menezes
  • Projeto Presença Karajá: estado da arte e perspectivas
    — Renata de Sousa e Dias, Bárbara Freire Ribeiro Rocha, Tuinaki Koixaru França Karajá, Vitória Oliveira de Faria Souza, Marilia Caetano Rodrigues Morais, Manuelina Maria Duarte Cândido
  • Museus indígenas, memória e autorrepresentação: o acervo do Museu Eyêê Kafuba e a construção de uma agenda de pesquisa Karão Jaguaribaras do Ceará
    — Rhuan Carlos dos Santos Lopes, Gleidison Karão Jaguaribaras (Francisco Gleidison Cordeiro Lima), Merremii Karão Jaguaribaras
  • Austríacos no Brasil, objetos brasileiros na Áustria: um estudo sobre seis vestes mascaradas brasileiras e descolonização em museus etnográficos
    — Samuel Abner Fernandes Pinheiro
  • Potes, bilhas e panelas: um reencontro com as cerâmicas das bisavós Yepá Mahsã
    — Tatiane Vesch

GT 046 - Coletivos Urbanos, Comunidades Tradicionais e Patrimônio: perspectivas antropológicas sobre meio ambiente, paisagens e pertencimentos ao territorio

Coordenação
Ana Cristina Rodrigues Guimarães (Advocacia Geral da União)
Camila Sissa Antunes (UNIPAMPA)

Este grupo de trabalho se constitui como um espaço de diálogo interdisciplinar e aprofundamento teórico-metodológico sobre as múltiplas relações entre grupos sociais, seus territórios, práticas patrimoniais e os desafios socioambientais atuais. Reconhece-se que comunidades tradicionais e coletivos urbanos, em diferentes escalas e contextos, apresentam processos comuns de construção de identidade, luta por reconhecimento, estratégias de resistência, além de modos próprios de apropriação, uso e atribuição de significado ao território e ao patrimônio. A antropologia contemporânea tem se interessado em pensar articulações e relações entre sujeitos, coletivos e o espaço, especialmente no contexto urbano e dos territórios em disputa. Desta forma, considera-se que conceitos como território, paisagem e patrimônio cultural são centrais para compreender dinâmicas de pertencimento, resistência, transformação e produção de sentidos em sociedades marcadas por desigualdades, mobilidades e múltiplas formas de engajamento político e cultural. Propomos pensar essas conexões de maneira a construir um olhar que contemple perspectivas plurais de perceber e experienciar os territórios. A proposta é a interlocução entre pesquisas que abordem dinâmicas de patrimonialização, conflitos e negociações territoriais, gestão compartilhada de bens comuns, experiências de resistência, práticas de sustentabilidade, movimentos sociais, bem como disputas por direitos socioambientais, culturais e territoriais.

Títulos e Resumos

  • Comunidades tradicionais de origem açoriana em Santa Catarina: estratégias de resistência e luta por reconhecimento
    — Ana Cristina Rodrigues Guimarães
  • Progresso para quem? Uma Análise Etnográfica sobre a Avenida Liberdade e a Comunidade Maria Petronília, Belém/PA.
    — Calina Ramos de Brito Souto, Tatiana de Lima Pedrosa Santos
  • O projeto da compra assistida na Ilha da Pintada, no Bairro Arquipélago de Porto Alegre: O desabitar de populações tradicionais das suas casas e as mudanças no relacionamento com o território
    — Cristian Camilo Polania Quijano
  • Patrimônio, território e performance: o Marabaixo do Amapá entre políticas públicas, pertencimento e resistência negra
    — Daniel Oliveira Terto
  • Mapas e territórios ativos: uma leitura do território a partir de Capivari (MG)
    — Gustavo Fiorini Marques
  • Memória e ressignificação de território: de complexo da FEBEM a Parque Estadual do Belém
    — Iara Silva Miranda de Oliveira
  • Patrimonialização e o reinado em Minas Gerais: um estudo de caso do Quilombo Nossa Senhora do Rosário frente às políticas do IEPHA/MG
    — Karina Landa da Silva, Steffane Pereira Santos, Gabriel Henrique Gomes da Silva, Rayssa Marrayne César de Sousa
  • Quando o asfalto sobe a serra: infraestruturas, conflitos e governo do território em Praia Grande (SC)
    — Luana Paulino Luiz
  • Assentando o Axé desse Chão": carnaval, identidade e sociabilidade numa escola de samba do sul do Brasil
    — Maria Caetana Ribeiro Da Silva, Camila Sissa Antunes
  • Quando as plantas brotam na arena patrimonial: saberes das/os raizeiras/os do Cerrado
    — Marilia Amaral
  • Onde os rios se encontram: vidas e saberes dos pescadores da Barra do Longá (PI)
    — Mylena Karine dos Santos Malheiros
  • Proposta de Chancela da Paisagem Cultural do rio Uruguai
    — Silvana Terezinha Winckler, Arlene Renk, Guilherme Augusto De Toni, Reginaldo Pereira
  • Articulação institucional no processo de regularização fundiária em contexto urbano da Comunidade Quilombola dos Arturos-MG
    — Vanessa Costa Cançado Silva, Breno Trindade da Silva

GT 047 - Conflitos ambientais e violações de direitos: commoditização da natureza e projetos de desenvolvimento

Coordenação
Fernanda Oliveira Silva (IFMT / UFMT)
Jordeanes do Nascimento Araújo (UFAM)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Mariana Vieira Galuch (UFAM)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Paula Stolerman Araujo (UNIR)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Maria Audirene de Souza Cordeiro (UFAM)

Este GT, iniciado na VIII Reunião Equatorial de Antropologia, tem como objetivo reunir e ampliar discussões sobre projetos que se atualizam no ideário desenvolvimentista. Tais projetos, em geral, envolvem a apropriação de territórios tradicionalmente ocupados, como os de povos indígenas e comunidades tradicionais, ou incidem sobre áreas visadas pela lógica da exploração capitalista, desconsiderando outras formas de territorialidade nelas existentes. Partindo do pressuposto de que a questão ambiental é conflitiva, devido aos diferentes usos e sentidos atribuídos à natureza, observamos que o cenário político-econômico do capitalismo contemporâneo tem aprofundado estratégias agro-hidro-minerais, intensificando processos de exploração e de commoditização da natureza. Interessa-nos, portanto, reunir trabalhos que abordem temas como “territorialidade”, “políticas de gestão territorial”, “conflitos (sócio) ambientais”, “conflitos territoriais” e “violações de direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais”. São igualmente bem-vindas propostas que analisem atos de Estado que atualizam ou produzem conflitos no “campo do desenvolvimento”. Também integram o escopo deste GT investigações sobre projetos vinculados ao mercado de carbono, como Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA), iniciativas de REDD+ e outros modelos de créditos de carbono associados à redução do desmatamento, compreendidos como novas arenas de disputa (sócio) ambiental.

Títulos e Resumos

  • Entre capturas e alianças: o processo de concessão-privatização do caso do Parque Estadual de Itaúnas-ES
    — Amanda Kapiche Brito
  • O conflito sob o signo da paz: desenvolvimento, desterritorialização e resistência em Itaparica-PE
    — Ana Carolina Jatobá de Souza
  • Desenvolvimento, Colonialidade E Expropriação: O "Governar Pela Espera" Como Tecnologia Política Nos Megaprojetos Do Maranhão
    — Anna Carollina da Silveira Frazão, Mayra Portela Silva Matteucci, Horácio Antunes de Sant'Ana Júnior
  • Imaginários sociotécnicos das políticas energéticas no Brasil e Chile: o hidrogênio verde e a transição energética na América Latina
    — Denise Pistilli Rodrigues
  • A Abstração Financeira da Floresta: Colonialidade, Grilagem Verde e os Conflitos de Territorialidade em Portel (Marajó/PA)
    — Ione Missae da Silva Nakamura, Lílian Regina Furtado Braga, Maria Audirene de Souza Cordeiro
  • Florestas sob contrato: comoditização da natureza, poder e coerção em projetos REDD+ no Marajó/PA
    — Laura Carolina Vieira
  • A produção jurídica da provisoriedade: judicialização, efeitos de poder e administração do conflito no Quilombo da Lapinha (MG)
    — Marcus Vinicius dos Santos Souza, Felisa Cançado Anaya, Alexsânder Nakaóka Elias
  • Racismo ambiental e violação de direitos: impactos subjetivos e institucionais das enchentes em territórios amazônicos
    — Mariana Arinana Canuto Pereira, Jordeanes do Nascimento Araújo
  • Processo de Ambientalização em uma Situação de Grilagem de Terras no Estado de Rondônia
    — Paula Stolerman Araujo
  • O deserto em disputa: lítio e extrativismo verde no Imperial Valley, Califórnia
    — Viviane Kraieski de Assunção

GT 048 - Contornos e desdobramentos da Governança Reprodutiva contemporânea

Coordenação
Fernanda Cruz Rifiotis (UFPEL)
Andréa de Souza Lobo (UNB)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Claudia Fonseca (UFRGS)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Alessandra Rinaldi (UFRRJ)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Fernanda Bittencourt Ribeiro (PUCRS)

O GT objetiva discutir os contornos e os desdobramentos da governança reprodutiva na contemporaneidade, particularmente no Brasil e na América Latina, contextos fortemente marcados por desigualdades de classe, raça e gênero. Nesses cenários, a governança reprodutiva tem operado simultaneamente como mecanismo de controle estatal e arena de resistência, onde estratégias femininas de solidariedade e redes intergeracionais de cuidado emergem diante da ausência histórica de um Estado de bem-estar social consolidado. Nessas condições, a reprodução humana, longe de se mostrar restrita a uma esfera “doméstica” delimitada, revela-se como um processo inevitavelmente entrelaçado com valores morais, interesses institucionais e forças políticas que perpassam o tecido social. Nos últimos anos, a problematização da governança reprodutiva tem ganho novas dimensões através das noções tais como justiça reprodutiva e parentalidades, as quais têm iluminado “zonas de sombra” nesse campo. Assim, tal perspectiva tem revelado como as dimensões reprodutivas atravessam e estruturam não apenas as relações familiares e de parentesco, mas também as diversas configurações do poder público, do panorama econômico e das políticas sociais. Dessa forma, nesse GT, buscamos reunir trabalhos que pensem nas articulações possíveis da governança reprodutiva com parentalidades, economias morais, emoções, regulações estatais e éticas do cuidado, relações intergeracionais, mobilidades, catástrofes climáticas, etc.

Títulos e Resumos

  • Parentalização da vida social e as políticas voltadas para a primeira infância
    — Aline Marques da Costa, Alessandra de Andrade Rinaldi, Maria Cristina Corrêa dos Reis, Luma Fortunato Laurindo, Bianca Brito dos Santos
  • Colocar a cara para bater: a mobilização de mulheres vítimas do Essure por justiça reprodutiva no Distrito Federal
    — Ana Carolina Lessa Dantas
  • Adoção inter-racial e reconfiguração de moralidades na África do Sul pós-apartheid: considerações sobre o trabalho de campo com famílias multirraciais
    — Ana Luísa Della Coletta, Laura Moutinho
  • Moralidades maternas em processos de restituição de identidade na Argentina pós ditadura: a gestação como gatilho da pergunta pela própria origem
    — Jimena Maria Massa
  • Governança reprodutiva em contextos emergências sanitárias: experimentações teórico-etnográficas
    — Jonatan Jackson Sacramento
  • Governança reprodutiva, parentalidades e economias morais do cuidado nas políticas de primeira infância
    — Kálita Taques de Brito
  • Redes de cuidado e resistência frente as maternidades destituídas: a luta pelo exercício de maternidades dignas a partir de uma etnografia entre a Coletiva em apoio às Mães Órfãs
    — Laura Machado Tameirão
  • Governança reprodutiva e judicialização do cuidado: disputas e controvérsias a partir da Lei da Alienação Parental
    — Raquel Vieira de Castro Braga
  • Negociando o âmbito doméstico: casa como política reprodutiva em um caso de retirada compulsória na Cidade de Deus
    — Tássia Áquila Vieira
  • "Por mim não tinha nem esses" governança reprodutiva sob as mulheres Warao: um estudo no cenário de Natal-RN
    — Waleska Maria Lopes Farias

GT 049 - Corpo, reprodução e moralidades: disputas de direitos e resistência à onda conservadora

Coordenação
Naara Luna (UFRRJ)
Rozeli Maria Porto (UFRN)

O país segue impactado pelo avanço do conservadorismo no Estado e na sociedade. Mesmo com a vitória de Lula em 2022 e o início do seu 3º governo – que sinalizou uma recomposição institucional e a retomada de agendas progressistas-, o discurso da defesa da família heterossexual permanece central, articulada a noção de liberdades individuais, especialmente a liberdade religiosa. Após o desmonte de políticas públicas voltadas ao segmento LGBT e a direitos reprodutivos no governo anterior, observa-se a reorganização de grupos conservadores que buscam cercear o debate público sobre gênero e sexualidades sob acusação de “ideologia de gênero”. Agentes religiosos atuando no Estado e no Legislativo, além de empreendedores morais do campo religioso, buscam influir na opinião pública e nas políticas de governo. O valor da liberdade individual é acionado para defender o direito da liberdade religiosa a fim de impor posições LGBTfóbicas contrárias aos direitos das mulheres, alegando a defesa da família. O GT dá continuidade ao debate iniciado em anos anteriores na RBA, acolhendo trabalhos que problematizam as articulações entre diferentes moralidades, discursos religiosos e pânicos morais. Aborto, reprodução assistida, adoção por casais de mesmo sexo, transgeneridade, reconhecimento do nome social, parto humanizado, são questões de interesse. Busca-se analisar percepções de sexo, gênero e família, produzidas nessas tensões e seus impactos sobre o acesso a direitos e às políticas públicas.

Títulos e Resumos

  • Aborto em caso de estupro no Código Penal brasileiro: uma análise semiótica do deslocamento do discurso médico-legal entre 1915 e 1940.
    — Carolina Nicoletti Ramos da Silva
  • Autoridade médica e disputas morais: a atuação do CFM na campanha antiaborto no Brasil
    — Gabriela Cortez Campos
  • Considerações sobre o exercício parental nas narrativas de homens trans parturientes: intersecções entre gênero, parentalidade e famílias
    — Letícia Carolina Boffi, Manoel Antônio dos Santos
  • Governança reprodutiva, moralidades e práticas profissionais: o cuidado à violência sexual e ao aborto legal na APS
    — Rozeli Porto, Maria Eduarda Benevides Rodrigues
  • A agenda legislativa federal brasileira e a pauta dos direitos reprodutivos de mulheres lésbicas de 2003 a 2025
    — Vitória Dreide Xavier Araújo Silva, Hayeska Costa Barroso

GT 050 - Corpos em Ato: Performance, Ritual e Decolonialidade

Coordenação
Giovanni Cirino (UEL)
Rubens Silva (UFMG)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Mayara Amaral dos Santos (USP)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Pâmilla Vilas Boas Costa Ribeiro (USP)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Fernanda Marcon (UFFS)

Este GT propõe debater as teorias da performance na antropologia e suas interlocuções com perspectivas interseccionais e decoloniais provenientes da América Latina, do Caribe, da África e de diásporas diversas. Discute-se performance como prática social, estética e política; corpo, ritual, teatralidade, representação e agência; performance como método, como episteme e como crítica das formas hegemônicas de produção de conhecimento. Ao estabelecer o diálogo das abordagens da performance com perspectivas do debate sobre de(s)colonialidade, o grupo pretende problematizar as formas hegemônicas de representação e interpretação antropológica, interrogando as condições coloniais que moldaram a disciplina e as possibilidades de sua reconfiguração. Serão discutidas etnografias que evidenciam práticas performativas como estratégias de resistência, reinvenção identitária, insurgência estética, epistêmica e produção de mundos. Interessam-nos especialmente as contribuições de povos indígenas, afro-diaspóricos, coletivos feministas, queer e movimentos sociais, que mobilizam a performance como tecnologia de vida, método de crítica e instrumento de reexistência. O GT convida, assim, pesquisadores que articulem teoria e prática em seus trabalhos, ampliando o diálogo entre antropologia, artes da performance e epistemologias decoloniais.

Títulos e Resumos

  • Tragédia na Amazônia: uma reflexão antropológica sobre tragédia, ativismo e ética em projetos teatrais colaborativos
    — Fernanda Marcon
  • Corpo-Território e Ancestralidade: Mediunidade como Prática Política Afrocentrada
    — Jove Fagundes, Daniela Lima Macchione, Osvaldo Martins de Oliveira
  • Epistemologias Encarnadas: Ballroom e Transfeminismo Contra o Regime de Verdade do Gênero
    — Laryssa Kethellen Paiva da Silva
  • O corpo insurJente como uma habitação depois do fim: a performance de Olinda Tupinambá na e da luta
    — Leandro Teixeira da Silva
  • O que sustenta um processo de criação coletiva com o corpo? Uma etnografia sobre o Grupo Experimental de Dança de Porto Alegre de 2025.
    — Maria Eugênia Nunes Ferreira
  • Escrevivências de mulheres negras faveladas
    — Mayara Amaral dos Santos
  • Performances, feitiços e fabulações na produção historiográfica do território das marakanãs
    — Zwanga Adjoa Nyack Mesquita Xavier

GT 051 - Corpos em cena: trabalho de campo, corporeidades e produção etnográfica

Coordenação
Gilson Rodrigues Jr (IFRN)
Yérsia Souza de Assis (UFRB)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Ana Clara Sousa Damásio dos Santos (UNB)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Vinícius Venancio de Sousa (Universität Leipzig)

Na antropologia, brasileira e internacional, o corpo ocupa lugar de destaque e constitui hoje um campo consolidado de reflexão. Ainda assim, o corpo de quem pesquisa carece de maiores aprofundamentos teórico-metodológicos. Interessa-nos explorar como relações de poder, saberes, afetos e posicionalidades, pensadas em chave interseccional, atravessam os encontros de campo e produzem acessos, aproximações, conflitos, violências e deslocamentos na própria prática antropológica. Este GT propõe discutir a centralidade do corpo na produção do conhecimento antropológico, tomando a posicionalidade e a corporeidade de antropólogas, antropólogos e antropologues – articuladas à intersubjetividade que estrutura os encontros que atravessam nossa existência – como elementos que incidem diretamente sobre o trabalho de campo. São bem-vindos trabalhos situados em contextos brasileiros e de outras regiões do mundo, com atenção especial às diásporas africanas e ao continente africano em suas múltiplas realidades, bem como pesquisas de temáticas diversas que tomem o corpo – do/a pesquisador/a e de seus interlocutores – como eixo privilegiado de reflexão e de invenção de modos de atuação profissional.

Títulos e Resumos

  • Quando o corpo entra em campo: apontamentos sobre a experiência de um antropólogo negro em diferentes contextos urbanos
    — Cassio Oliveira dos Santos
  • "Puta que não cobra": corpos, afetos e desafios de pesquisa na cena do trabalho sexual
    — Débora Antonieta Silva Barcellos Teodoro
  • Quem representa a antropologia brasileira?: pacto narcisico da branquitude, trabalho de campo e produção etnográfica
    — Gilson José Rodrigues Junior
  • Quando o cuidado é político: corpo em campo e experiência etnográfica em comunidades de matriz africana
    — Jaqueline Cristina Mendes Bonifácio Bonne, Claudia de Oliveira Darede (Pendente)
  • Corpo-território: por uma epistemologia do retorno, uma etnografia encarnada
    — José Lidomar Nepomuceno de Sousa
  • Performance Chegadas e Partidas: Violência de gênero e fluxos migratórios de mulheres nos estados do RN e PB
    — Júlia de Freitas Motta
  • Corpos soropositivos em cena: diagnóstico, escrita de si, posicionalidade e produção etnográfica no viver com HIV
    — Marco Antonio Gatti Junior
  • Espelho D'água: O olhar mãe-filha-avó (re)construindo memórias durante a gestação.
    — Maria Clicia de Almeida
  • Nada é explícito, Tudo é entendido: Gramáticas corporais e produção etnográfica em contextos de cruising
    — Marx Peçanha Freitas
  • O corpo como campo: uma etnografia no pole dance.
    — Míriam Soares Dias
  • Anthropological Blues or an unsuitable body for an ethnographer
    — Natália Maria Alves Machado, Bruno Araújo Lopes
  • Programas para Desprogramar Corpos em uma Visita à Feira: trânsitos etnográficos de reinscrição da experiência na Feira de São Joaquim, em Salvador, Bahia
    — Victor Gargiulo
  • Etnografia dos slams em São Paulo: Corpos performáticos na diáspora da periferia ao centro
    — Victoria Maria Baulé Gebara Cândido
  • "Trabalho não rima com armário": negociando marcadores sociais no trabalho de campo em Cabo Verde
    — Vinícius Venancio de Sousa

GT 052 - Cosmologias atravessadas: guerras ontológicas, acordos cosmopolíticos e a coexistências em mundos possíveis

Coordenação
Diógenes Egidio Cariaga (UEMS)
Jozileia Kaingang (UFSC)

Pessoa debatedora
Ana Maria Ramo Affonso (UFSC)
Gabriel Ozorio de Almeida Soares (UFES)
Suzane de Alencar Vieira (UFG)

A escalada das violências estatais e do capital extrativista agroindustrial têm marcado as experiências de vida de povos indígenas, comunidades quilombolas e de outros povos e comunidades tradicionais, produzindo desarticulações nos modos como estes coletivos agenciam suas coexistências com entes humanos e não humanos. Neste grupo de trabalho, pretendemos reunir descrições sobre mundos fraturados, invadidos, aquecidos pelo habitar colonial. Nos interessa discutir presente e futuro, seus confrontos, mediações e negociações frente aos artefatos e personagens que recriam a imaginação conceitual-politica destes povos, por vezes reativando arranjos e entes ancestrais. A especulação e criatividade dos povos da terra tem evidenciado os riscos e pressões exercidas pelo metal das balas e bombas, pelos agrotóxicos, pelas espécies invasoras, pela burocracia estatal, pela mineração e por novos entes trazidos por projetos de sustentabilidade e mitigação climática. A análise da temporalidade e da colonização que afetam os entes sobrenaturais aliados a esses povos e a etnografia dos entes ferais surgidos na zona de fricção dos projetos coloniais fazem parte do que pretendemos agregar, propostas que articulem as formas de agência, insurgências e confluências mais que humanas, mobilizando fazeres, conhecimentos e práticas, acordos e guerras ontológicas que sigam a provocação de Mark Fischer em imaginar antes o fim do capitalismo que o fim do mundo, por meio das recusas contra-coloniais.

Títulos e Resumos

  • As retomadas Kaiowá e Guarani: estratégias para viver nas ruínas de um mundo possível na Grande Dourados, Mato Grosso do Sul.
    — Ana Clara Ribeiro Prado
  • Alianças cotidianas e seus possíveis.
    — Ana Maria Ramo Affonso
  • O encantamento que não fortalece: karai reko vai ojepota e o desequilíbrio radical das economias cosmológicas Kaiowá e Guarani
    — Guilherme Zanardo Costa, Antonio Carlos Benites/Ava Vera Rendy Ju, Celuniel Aquino Valiente, Makiel Aquino Valiente
  • Entre espíritos e forças armadas: guerra ontológica e mundos possíveis no Noroeste Amazônico
    — João Jackson Bezerra Vianna
  • Cosmopoéticas ribeirinhas: criações estéticas, políticas e etnográficas entre os mundos do São Francisco
    — Leon Patrick Afonso de Souza
  • Pássaros que cantam, pessoas que agem: Narrativas sobre a ausência em duas aldeias Guarani no Sudeste
    — Matheus Giacomin Sian
  • Não apenas recursos: encantaria e projetos de desenvolvimento na Amazônia
    — Sariza Oliveira Caetano Venâncio, Dernival Ramos
  • Cartografias dos refúgios - imagens-testemunhos dos modos indígenas de recuperar mundos
    — Thiago Mota Cardoso

GT 053 - Cozinhas tradicionais e diaspóricas: identidades e negociações em contextos religiosos, multiétnicos e pluriculturais

Coordenação
Patrício Carneiro Araújo (UNILAB)
Vilson Caetano de Sousa Júnior (UFBA)

Segundo Sidney W. Mintz (2003), quando as vemos pelo ponto de vista de quem se interessam pelo tema da comida, uma cozinha nunca se refere estritamente à comida de um país e sim de um lugar. Assim, a frase de Brillat-Savarin de que “A cozinha é a mais antiga das artes” adquire um sentido mais amplo, já que toda forma de arte convive com as condições do lugar no qual toma forma e adquire sentido. Para além de qualquer especulação ou triângulo culinário, todo qualificativo de cozinha se refere às experiências vividas por sujeitos em interação com alteridades próximas ou distantes, humanas, não-humanas ou mais-que-humanas. Dessas interações resultam as marcas e sentidos que se vão imprimindo na arte de transformar alimentos em comida. Práticas locais e forâneas, estabelecidas e outsiders vão se mesclando, em relações de acomodação, rechaço ou hibridação, enquanto vão dando forma àquilo que se vai considerar tradicional, diaspórica, mestiça, ancestral, regional, nacional, étnica, de quilombo, de terreiro, indígena, italiana, baiana. Este Grupo de Trabalho propõe, portanto, encontros e intercâmbios entre pesquisadores(as) do campo da Antropologia e afins, que desejem interagir a partir do tema da alimentação e das cozinhas. São bem-vindos trabalhos resultantes de estudos realizados ou em desenvolvimento, em Português ou Espanhol, abordando questões antigas e/ou contemporâneas sobre o universo das cozinhas e da comida.

Títulos e Resumos

  • O que faz uma cozinha ser tradicional? Trajetórias alimentares, negociações e pertencimentos
    — Bárbara Sofia Cardoso dos Santos
  • Agências de Quintais e Ribeirinidade Urbana: Usos, Apropriações e Memórias na Várzea do Igarapé Sapucajuba (Belém-PA)
    — Cintia Sousa, Bárbara Faciola Pessoa Baleixe da Costa, Luiz de Jesus Dias da Silva
  • Cozinha, política e soberania alimentar: a atuação da Associação de Mulheres Ticuna Mapana na alimentação escolar
    — Edson Tosta Matarezio Filho
  • Arepas, cachapas e hallacas: A comida como mediação de venezuelanos no Cone Sul
    — Jesus Marin Morales
  • Ajeumbó: Os de comer, a etnografia contracolonial e o surgimento de epistemologias dissidentes a partir do chão de terreiro.
    — Lina Dèlé Nunes, Evelyn Marcele, Cláudio Fonseca de Oliveira
  • A mandicuera: mingau ritual, em memória dos mortos, no nordeste paraense
    — Miguel de Nazaré Brito Picanço
  • Quando a cozinha depende de doações: pensando o menu na Obra Social Casa de San Martín de Porres, Lima, Perú
    — Patrício Carneiro Araújo

GT 054 - Desafios ético-metodológicos em estudos sobre policiamentos entre o legal-ilegal

Coordenação
Eduardo de Oliveira Rodrigues (Colégio Pedro II / Programa de Pós-Graduação em Justiça e Segurança (PPGJS-UFF))
Elizabete Albernaz (Wits University)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Lucia Eilbaum (UFF)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Leonardo Brama (Università degli Studi di Perugia | UFF)

A etnografia se baseia na co-presença e na mútua implicação, em que a pesquisa se torna inseparável das relações que a tornam possível. Nesse sentido, a pesquisa etnográfica sobre policiamentos empreendidos por grupos armados traz uma série de desafios e limites de natureza ética, afetiva e política. A presença em campo exige expor-se a riscos, negociar acessos e aceitar a incerteza como parte constitutiva da produção do conhecimento. Implica o diálogo com alteridades desconfortáveis, o contato com práticas consideradas ilegais e formas de violência material e simbólica em suas diferentes manifestações. Dessa forma, a presente proposta recepcionará trabalhos que se aproximem dos múltiplos desafios envolvendo o estudo sobre formas de policiamento de grupos armados como as polícias, o tráfico varejista, grupos paramilitares, agentes de segurança privada e situações mais gerais de “vigilantismo”. Nos interessa sobretudo refletir acerca: 1) dos dilemas éticos e/ou metodológicos envolvidos no tocante ao “fazer etnográfico” no âmbito dessas pesquisas; 2) das diferentes estratégias e formas de lidar (e eventualmente superar, ou reformular o desenho de pesquisa de acordo) com tais limitações; 3) do papel político dos resultados das pesquisas não apenas para os atores sociais em campo, mas também para as instituições envolvidas nesse processo como universidades, comitês de ética em pesquisa, órgãos ligados ao sistema de segurança pública, grupos armados ilegais, etc.).

Títulos e Resumos

  • "Matar tem mérito, morre teve merecimento": Operações policiais e os rendimentos políticos, econômicos e midiáticos da "guerra contra o crime" no Rio de Janeiro
    — Fatima Cecchetto, Jacqueline de Oliveira Muniz
  • "Se você tomar um tiro, vou colocar uma arma na sua mão": matabilidada, ética e pesquisa etnográfica com policiais
    — Flavia Medeiros Santos
  • Campo em tensão: dilemas metodológicos da pesquisa em territórios de controle armado
    — Jocenei Rosa da Costa
  • A metodologia da paciência: saber estar e calar na etnografia do policiamento no Paraguai
    — Juan A. Martens
  • Tensões, recusas e negociações: o fazer etnográfico em uma delegacia de polícia em Santa Catarina.
    — Luís Augusto de Souza Bevacqua
  • "SEM CONDIÇÃO" A relação civil x militar no ambiente universitário do Curso de Bacharelado em Segurança Pública - UFF
    — Thayná Moreira Cardoso de Carvalho Grandin
  • O impacto da regulamentação da maconha no Brasil nas percepções, narrativas e práticas dos agentes de segurança pública do estado do Rio de Janeiro
    — Yuri José de Paula Motta

GT 055 - Desenvolvimento, autoritarismos e perspectivas de transformação social: antropologia do Estado e das lutas sociais

Coordenação
Antonio Carlos de Souza Lima (UFRJ e UFF)
Leonardo Francisco de Azevedo (UFJF)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Leonardo Francisco de Azevedo (UFJF)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Antonio Carlos de Souza Lima (UFRJ e UFF)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Deborah Bronz (UFF)

A partir dos anos de 1950, o desenvolvimento consolidou-se como paradigma central nos debates políticos e intelectuais, orientando a criação de agências estatais e justificando intervenções técnico-políticas. Seu discurso oficial prometia combater a pobreza via crescimento econômico e avanço tecnológico, priorizando métricas como o PIB em detrimento de possibilidades redistributivas. Desde então, antropólogos e cientistas sociais latino-americanos analisam os efeitos dessas transformações em sociedades de origem agrária, marcadas por legados coloniais e escravistas. A industrialização, urbanização acelerada e projetos de “integração nacional” – como a ocupação estatal de biomas sensíveis – produziram soluções autoritárias, afetando drasticamente populações tradicionais. Apesar da transição para democracias e do reconhecimento parcial de direitos étnicos, o século XXI testemunhou a reprimarização econômica, a desindustrialização e as crises socioambientais. A atual emergência climática reacendeu críticas aos modelos ultraneoliberais e extrativistas, baseados na exploração de recursos finitos. Propõe-se aqui, portanto, um exame histórico-antropológico do desenvolvimento, seu substrato autoritário e alternativas futuras, acolhendo trabalhos sobre práticas de poder que conformam elites e instituem organizações estatais bem como aqueles dedicados a compreender formas de luta de coletividades frente a Estados, empreendimentos e corporações.

Títulos e Resumos

  • Uma etnografia do Projeto Agrícola da Lavoura Mecanizada dos Haliti (Paresi)
    — Carolina Delgado de Carvalho
  • "Argila lavada é rejeito": uma análise sobre a participação social no processo de licenciamento ambiental estadual dos empreendimentos de terras raras no Sul de Minas Gerais
    — Coral Veloso de Oliveira
  • Petróleo, desenvolvimento e práticas de poder: efeitos socioambientais da indústria petrolífera sobre comunidades quilombolas no estado do Rio de Janeiro
    — Deborah Bronz
  • Uma etnografia às redes de fomento à inovação regional do Paraná
    — Laísla Dantas Chagas
  • Estratégias estatais de silenciamento dos Povos de Terreiro: a atuação das redes de mobilização dos terreiros nos conflitos de natureza étnico-racial-religioso.
    — Leonardo Vieira Silva
  • Racismo institucional e produção legislativa: branquitude, cidadania e políticas raciais na Câmara dos Deputados (1945–2024)
    — Luciane Patricio Barbosa Martins, Jacqueline de Oliveira Muniz, Juliana Lencina da Silva, Andréia Soares Pinto, Cyntia Cristina de Carvalho e Silva
  • Apontamentos sobre formas atualizadas de exercício de poder tutelar na política patrimonial brasileira
    — Maicon Fernando Marcante
  • As piracemas contra a hidrelétrica: estratégias indígenas e ribeirinhas na Volta Grande do Xingu frente a UHE Belo Monte
    — Marcus Antonio Schifino Wittmann
  • ArpinSudeste na COP 30: O movimento indígena organizado frente às disputas pelo “desenvolvimento”
    — Maria Clara Oliveira Bellotti
  • Produzir vazios para demarcá-los: o nonsoeil, a Lei do Marco Temporal e a acumulação primitiva do capital
    — Mariana Vilas Bôas Mendes
  • Instituições Participativas e ativismo institucional: a luta do movimento de Economia Solidária no e pelo Estado
    — Marina Puzzilli Comin
  • Políticas para o governo das águas, ideologias do desenvolvimento e processos constantes de formação do Estado no Brasil
    — Natália Morais Gaspar
  • Bioeconomia e restauração ecológica: novas estratégias de desenvolvimento e controvérsias sobre a conservação da Amazônia
    — Thereza Cristina Cardoso Menezes

GT 056 - Diálogos entre as perspectivas teóricas feministas negras e decolonial com a antropologia

Coordenação
Angela Figueiredo (UFRB)
Luciana de Oliveira Dias (UFG)

Pessoa debatedora
Luciene de Oliveira Dias (UFG)
Cristiane Santos Souza (UNILAB)

Sabemos que a antropologia surgiu com o propósito de produzir conhecimento sobre os povos diferentes, distantes e longínquos durante a invasão colonial. A maior parte dos estudos esteve ancorada em uma perspectiva evolucionista. Mas do estudo do outro distante, passamos para o estudo do nós, nós negros, nós mulheres e tantos outros nós que constituem as comunidades periféricas e racializadas. A política de cotas implementada desde 2002 ampliou o número de estudantes negros, negras e indígenas nas universidades, e esse aumento está sendo acompanhado de importantes transformações na produção do conhecimento, nas perspectiva teórica, metodológica e epistemológica. Para a maioria dos pesquisadores e pesquisadoras negras, a experiência é o ponto de partida para a escolha de seus temas de pesquisa. A ideia do distanciamento que caracterizou os primeiros trabalhos da antropologia no Brasil, a sugestão para estranhar o familiar ao realizar pesquisas em um universo sociocultural próximo ao nosso tem sido substituída por uma urgente e necessária reflexão sobre o próximo, sobre o nós, ou seja, estamos atuando dentro do contexto em que a alteridade é mínima. Nesse sentido, a demanda pela autoetnografia e escrevivência como métodos não podem ser ignorados pela disciplina. O objetivo desse GT é estabelecer um diálogo entre pesquisadores que problematizem tais questões à luz de trabalhos empíricos, buscando entender quais são os desafios e contribuições para o fazer antropológico.

Títulos e Resumos

  • As contribuições das Okinkas e Mindjer Ika Tambur na emancipação feminina na sociedade guineense
    — Adenauer Marcos da Costa, Domiciano Marciano Lopes De Oliveira, Policarpo Gomes Caomique
  • Rasurando imagens de controle: mulheres negras, memória e etnografia implicada no Sul do Brasil
    — Ana Júlia Pereira da Silva Santos
  • Uma autoetnografia da encruzilhada epistêmica: o feminismo negro como prática antropológica
    — Bruna Ribeiro Troitinho
  • Marcha, memória e futuro: A marcha como estratégia política do movimento de Mulheres Negras de Pelotas/RS
    — Elisângela dos Santos Bandeira
  • Memórias de um Terraço: a "redenção pelo detalhe" e a recusa à antropologia da dor
    — Joana Dias Barros
  • O Caribe na obra de Lélia Gonzalez: diálogos transatlânticos e a formulação dos conceitos de pretuguês e amefricanidade
    — Luiza Moreira Cabral
  • Entre universidades e periferias: autoetnografias, memórias e feminismos periféricos
    — Milena Mateuzi Carmo

GT 057 - Dilemas éticos e metodológicos nos estudos sobre psicoativos

Coordenação
Edward MacRae (UFBA)
Sandra Lucia Goulart (FCL)

Nos últimos anos, o estudo do uso de substâncias psicoativas passou a ser foco de antropólogos/as e cientistas sociais, indo além das áreas tradicionais de saúde e direito. Esse interesse traz desafios teóricos, metodológicos, políticos e éticos, como a relação do pesquisador/a com ambientes de práticas ilegais ou estigmatizadas e o cuidado com a segurança e dignidade dos participantes. Pesquisadores/as enfrentam riscos pessoais, podendo ser acusados de envolvimento com o crime, e mulheres pesquisadoras são especialmente vulneráveis a assédio e violência, inclusive por parte de autoridades. O sigilo dos dados coletados é outro ponto crítico, já que cientistas sociais não têm garantias legais para proteger suas fontes. Além disso, discute-se a responsabilidade ética de retornar os resultados às populações estudadas e as dificuldades provocadas por exigências burocráticas da academia, como prazos rígidos para conclusão de pesquisas. Tais condições limitam o que pode ser estudado, revelando dilemas centrais para o campo.

Títulos e Resumos

  • CIRANDA DE MALUCA: Uma investigação antropológica sobre o uso de maconha por mães das camadas médias urbanas.
    — Ana Catarina Souza Regis Moreira
  • Educação patrimonial, renascença psicodélica e cultura mazateca
    — Danilo Melo de Morais Carvalho
  • Cultivar Plantas e Colher a Infância: Uma Etnografia com Crianças Mapienses e seus Vínculos com a Floresta
    — Matheus Lopes Hengles
  • Atalhos para a investigação psicodélica: Reflexões a partir de um estudo sobre o peiote no México
    — Paula Bizzi Junqueira
  • Conselhos de ética e pesquisas com pessoas que usam drogas
    — Wagner Coutinho Alves

GT 058 - Dimensões sócio-antropológicas da confiança e da desconfiança: o artesanato do social em mutação

Coordenação
Mariana Pitasse Fragoso (UFF)
Fabio Reis Mota (UNB)

A proposta do GT é reunir pesquisas etnográficas que analisem as práticas e repertórios discursivos que envolvam o exercício de julgamento e qualificação de grupos, pessoas e /ou fenômenos sociais a partir das categorias da confiança, da desconfiança, da cisma e de suas possíveis variações. Serão aceitas comunicações que abordem tais temáticas: 1) no campo da política ordinária e institucional; 2) no domínio dos movimentos sociais; 3) nos processos de produção da verdade na ciência, justiça e segurança pública; 4) no universo da internet e das redes sociais; 5) nas políticas de reconhecimento de direitos e cidadania; 6) no campo da informação e produção de notícias nas mídias tradicionais, entre outros. O binômio confiança/desconfiança faz parte de processos históricos modernos, tais como o capitalismo (trust), o individualismo (confiar em si) e o reconhecimento da dignidade e igualdade (confiar no outro). Todavia, na virada do século XXI esses fundamentos entram em crise com a profusão de novas tecnologias que alteram a relação entre os seres humanos, face aos novos formatos de discriminação, diante da transformação de uma ordem política, institucional e cotidiana marcada não mais pela oposição, mas pela polarização. Portanto, desenvolver pesquisas etnográficas sobre essas mutações colabora para compreender e diagnosticar os percursos desses processos em curso em escala global e local.

Títulos e Resumos

  • A economia da confiança: fraudes e tecnologia nos leilões digitais
    — Luiz Gustavo Simão Pereira
  • Entre o cuidado e a pesquisa: um ensaio sobre as economias morais do recrutamento na epidemia do vírus Zika em Recife
    — Mariana Esteves Petruceli
  • É a ética da verdade o "espírito" da comédia? Sobre crise da expertise, bolsonarismo e humor
    — Matheus Alysson Cunha

GT 059 - Economias do Sagrado: práticas religiosas frente às lógicas neoliberais

Coordenação
Tatiane dos Santos Duarte (UNB)
Marilande Martins Abreu (UFMA)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Ana Carolina de Oliveira Costa (UFSCAR)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Chirley Mendes (UFNT)

O GT debaterá sobre as complexas e multifacetadas interseções entre religiões, espiritualidades e capitalismos. A proposta parte da constatação de que práticas religiosas têm interagido profundamente com lógicas capitalistas, dinâmicas de mercado, consumo e formas mercantilizadas das relações. Com a expansão do neoliberalismo global, o sagrado é incorporado a novos registros de significado, valor e performance, reconfigurando o empreendimento religioso e suas dinâmicas. Os debates sobre neoliberalismo e religião têm focado prioritariamente nos pentecostalismos — cristianismos, cristianismos proféticos, cristianismos negros, etc. — relegando, ainda hoje, as outras religiões a uma marginalização nos debates sobre economia religiosa. Este GT pretende ampliar o debate, incorporando uma diversidade religiosa — Islã, religiões indígenas, afro-brasileiras, endógenas africanas, judaísmos, festividades religiosas populares, etc. — e suas relações com as dinâmicas do capitalismo. O GT acolherá reflexões sobre como estas diferentes tradições religiosas interagem com lógicas neoliberais, comércio e espetacularização; sobre o crescente movimento de “consumo religioso” através de mídias digitalizadas. Será igualmente acolhido trabalhos que reflitam sobre formas de resistências religiosas ao neoliberalismo; comunidades religiosas e lutas pelo meio ambiente, pela terra e por direitos sociais — raça, gênero e sexualidade — como resistências aos neoliberalismos.

Títulos e Resumos

  • Ciganos do ouro: entidades, novos léxicos on line e a construção da vida próspera à venda
    — Joana D´Arc do Valle Bahia
  • A inscrição das formas econômicas no caso IURD em Angola
    — João Baptista Manuel
  • Quanto vale meu Axé? Entre o sagrado e o neoliberalismo
    — Larissa Ramos da Silva, Sharles Robert Mendes da Silveira Santos, Yasmin Avelar Alves
  • Sagrado em linha de montagem: o "muçulmano desejado" e a economia moral no Rio Grande do Sul
    — Laura Ferrari Cambraia
  • Resistência às Lógicas Neoliberais no Santuário do Bom Jesus Da Lapa (Ba): A Romaria da Terra e das Águas
    — Luciano Ventura de Souza Júnior, Ana Paula Glinfskoi Thé

GT 060 - Economias, políticas e territorialidades indígenas e negras: cenários de conflito e mudança social na América Latina

Coordenação
Bruno de Oliveira Rodrigues (UFAM)
Sidnei Clemente Peres (UFF)

Pessoa debatedora
Ismatonio de Castro Sousa Sarmento (UFF)

A proposta deste GT é reunir o conjunto de estudos e pesquisas sobre os cenários de conflito e mudança social, na América Latina, que implicam mobilizações coletivas, dinâmicas territoriais e demandas de reconhecimento étnico que confrontam grupos indígenas e comunidades negras com agencias estatais, atores econômicos e empreendimentos capitalistas. O enfoque incidirá sobre contextos de antagonismo entre modalidades distintas de uso dos recursos naturais, estratégias de reprodução social e processos de reorganização econômica e política. Serão privilegiados trabalhos oriundos de etnografias e/ou reflexão teórica sobre os contextos contemporâneos dos conflitos étnicos, das dinâmicas territoriais e suas formas de organização econômica e expressão política. Os regimes de dominação social, expropriação/controle fundiários e (i)mobilização da força de trabalho são diversos, constituindo uma área de estudos antropológicos que produziram etnografias e um rico arsenal conceitual e analítico que permitem uma base sólida para formulação de reflexões em nível comparativo sobre as situações diversas de reorganização social, econômica e política em que povos e comunidades tradicionais lutam pela manutenção de suas identidades e modos de vida.

Títulos e Resumos

  • Máquina de Moer História: Marco Temporal, movimento indígena e tempo
    — Gabriel Hardt Gomes
  • Caminhando com as pedras: lutas, saberes e memórias indígenas nos semiáridos Brasil-México
    — Humberto Bismark Silva Dantas
  • Gestão Territorial e Indigenismo Ambiental: processos de mudança e disputas em torno da ação, participação e representação, dos indígenas Memõrtumré Canela, no Maranhão
    — Ismatonio de Castro Sousa Sarmento
  • O associativismo de base étnica no Leste de Minas Gerais: o idioma do direito no processo de construção da identidade quilombola
    — João Vitor de Freitas Moreira, Kayo Almeida Guimarães de Sousa
  • Disputas territoriais, conflitos interétnicos e mobilizações indígenas transfronteiriças no Alto Juruá (Amazônia ocidental)
    — José Antonio Vieira Pimenta
  • Custos da garantia de direitos e autonomia comunitária entre povos e comunidades tradicionais
    — Nathalie Le Bouler Pavelic
  • Estrutura versus conhecimento no universo não branco: Uma breve revisão histórico antropológico da negação do racismo e conhecimento.
    — Wilson Sanca

GT 061 - Ensinar e aprender Antropologia

Coordenação
Guillermo Vega Sanabria (UFBA)
Ceres Karam Brum (UFSM)

Nas últimas duas décadas, a Antropologia passou por uma expansão significativa no Brasil: cresceram os cursos de graduação e pós-graduação, ampliou-se a presença da disciplina em diferentes níveis de ensino e multiplicaram-se seus usos em contextos profissionais diversos. Ao mesmo tempo, a expansão do ensino superior — marcada pelo aumento de vagas na rede privada e pela intensificação da Educação a Distância — deu origem a novas modalidades de formação, nem sempre claramente identificadas ou reguladas. Esse cenário exige uma reflexão atualizada sobre como temos ensinado e aprendido Antropologia no país, especialmente no que tange a nossas práticas pedagógicas e didáticas, mas também aos fundamentos epistemológicos, éticos e a articulação entre teoria, método e história da disciplina. O objetivo deste GT é reunir pesquisas que busquem compreender os rumos da Antropologia como disciplina acadêmica e como prática profissional, a partir da análise de seus processos formativos. Serão bem-vindos trabalhos que abordem desafios e inovações no ensino da Antropologia, seus fundamentos históricos e epistemológicos, bem como experiências de formação em diferentes contextos — da universidade à educação básica, passando por espaços não escolares e ambientes profissionais em transformação. Convidamos colegas de todas as regiões e instituições a contribuir com reflexões, diagnósticos, estudos de caso e propostas que ajudem a pensar o futuro da formação antropológica no Brasil.

Títulos e Resumos

  • O Museu, o Laboratório e a Universidade - práticas de campo na disciplina Teoria Antropológica 3 na Ufac
    — Ana Letícia de Fiori
  • Extensão Universitária à luz da Antropologia: ainda necessárias ações antirracistas.
    — Ana Margarida Andrade dos Santos, Marco Aurélio Paz Tella
  • A Antropologia na educação científico-tecnológica: um olhar sobre os currículos da área de Ciência e Tecnologia de Alimentos
    — André Gondim do Rego
  • Caderno de artesanato intelectual, crônicas antropológicas e outras experimentações de ensino e escrita em ciências sociais
    — Hermes de Sousa Veras
  • Antropologia e Interdisciplinaridade: Articulação de processos formativos e o exercício profissional no mundo contemporâneo
    — Juan Felipe Villamizar Vivas
  • A disciplina de Antropologia Política como ferramenta contra a lógica da colonialidade nos cursos de Ciências Sociais
    — Jucy Monteiro de Melo, Vinícius Yeshua Lira de Lima
  • Juventude e Trabalho: a reforma do ensino médio e a perspectiva de futuro na escola pública
    — Letícia Freitas de Carvalho
  • Todo Adoecimento Conta Uma História: O Olhar Antropológico na Formação de Profissionais da Saúde
    — Millena Pessanha do Nascimento
  • Racializando a discussão - a raça dentro das disciplinas de antropologia
    — Rennan Pires da Silva Porto

GT 062 - Ensino e Aprendizagem da antropologia na educação básica: práticas decoloniais e saberes plurais

Coordenação
Gekbede Dantas Targino (IFPB)
Breno Rodrigo de Oliveira Alencar (IFPA)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Tatiana Bukowitz (Colégio Pedro II)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Andréa Lúcia da Silva de Paiva (UFF)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Andréa Lúcia da Silva de Paiva (UFF)

O Grupo de Trabalho propõe atualizar e aprofundar o debate iniciado pelo Grupo de Pesquisa em Antropologia na Educação Básica, em 2020. Esteve presente em encontros posteriores da Associação Brasileira de Antropologia, reunindo docentes e pesquisadores/as que atuam no ensino fundamental e médio, em diferentes redes de ensino, para compartilhar experiências de inserção da Antropologia no currículo escolar, através da discussão de materiais didáticos, metodologias e políticas educacionais, além da reflexão sobre o lugar dos saberes antropológicos na escola. Esse movimento consolidou-se como um fórum de interlocução permanente em eventos nacionais e internacionais e por meio de publicações de artigos e coletâneas. O GT convida docentes, pesquisadores/as e estudantes a apresentarem trabalhos que discutam a atuação de antropólogos/as na educação básica, as possibilidades de construção de currículos plurais, as práticas pedagógicas de inspiração etnográfica e as experiências de extensão e divulgação científica voltadas para a escola. Interessa-nos especialmente refletir sobre como práticas de ensino-aprendizagem podem promover valorização de saberes locais, protagonismo estudantil e circulação de epistemologias indígenas, afro-diaspóricas, quilombolas e periféricas, contribuindo para uma Antropologia escolar comprometida com a transformação social. Palavras-chave: Antropologia; Educação Básica; Ensino-aprendizagem; Justiça epistêmica; Decolonialidade.

Títulos e Resumos

  • LEPIC uma tecnologia social
    — Alice Magalhães Ribeiro, Yuri José de Paula Motta
  • Uma disciplina, muitas descobertas: a formação docente e sua contribuição prática para a Antropologia na educação básica
    — Andréa Lúcia da Silva de Paiva
  • Roteiro de documentário na educação para as relações étnico-raciais
    — Bárbara Duarte Casseb
  • Entre a caneta na mão e a bola no pé: reflexões sobre estudantes-atletas em um clube de futebol de Alfenas em Minas Gerais.
    — Bruno José Samonetto
  • Entre o ritual e o calendário escolar: experiências formativas de jovens indígenas em circulação entre aldeia e cidade.
    — Cassiana Oliveira da Silva Kamikiawa
  • Um ensaio sobre a rede estadual de educação de Goiás
    — Emília Guimarães Mota
  • Caboclos na escola: resistências e aberturas
    — Helena Assunção, Ana Luíza Duarte de Brito Drummond
  • CONEXÃO COM ADOLESCENTES: rastreando tecnologias e produzindo um podcast sobre educação digital
    — Irene do Planalto Chemin
  • Contribuições antropológicas para o Ensino Médio: formação de professores da área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas na temática indígena.
    — Joice Milenna Feitosa Bezerra
  • Representações sociais sobre o racismo entre estudantes da educação profissional e tecnológica em Belém/PA
    — Kirla Korina Anderson Ferreira
  • A presença de estudantes indígenas no Instituto Federal de Rondônia: possíveis caminhos para a promoção de justiça epistêmica.
    — Lediane Fani Felzke, Thiago Rodrigues da Rocha
  • "Esse garoto precisa de laudo": algumas considerações sobre o tratamento da neurodiversidade na rede pública de ensino (RJ)
    — Marcos Alexandre Verissimo da Silva
  • Educar para a diferença: as possibilidades de uma educação intercultural mediada por TDICs para a diversidade religiosa no ensino básico
    — Rodrigo dos Santos Mendonça
  • INCT-InEAC vai à Escola: reflexões sobre uma metodologia de trabalho com/para a Educação Básica
    — Talitha Mirian do Amaral Rocha
  • Abraço afrodiaspórico: narrativas, caminhos y escolhas para praticar a antropologia decolonial na escola básica
    — Tatiana Bukowitz
  • Onde estão os estudantes indígenas? Escola, cidade e invisibilização no Distrito Federal.
    — Thais Nogueira Brayner

GT 063 - Entre arte e política: articulações contemporâneas em pesquisas antropológicas

Coordenação
Glauco Batista Ferreira (UFG)
Vi Grunvald (USP)

Em continuidade às reflexões desenvolvidas em Grupos de Trabalho da RBA e da RAM e em Simpósios Temáticos do Encontro Anual da ANPOCS, esta proposta tem como foco práticas e sujeitos sociais que operam nos interstícios entre arte e política. No cenário antropológico contemporâneo, são constantes as investigações que buscam analisar ações sociais que se processam através de imagens, sons, materialidades, objetos, performances e formas expressivas que, não raro, se coadunam em processos de organização coletiva e mobilizações sociais que apontam o rico potencial transformativo de agências que são, simultaneamente, artísticas e políticas. Por outro lado, pelo menos desde os anos 2000, tem se intensificado, em nossa disciplina, o que podemos caracterizar como “virada artística” e que aponta para uma aproximação entre arte e antropologia do ponto de vista de suas práticas e fazeres, enfatizando novos caminhos etnográficos possíveis para exprimir os resultados de nossas pesquisas, bem como atentando para outras possibilidades metodológicas de construção das mesmas. Nesse sentido, buscamos acolher tanto pesquisas que, ao se debruçarem sobre o campo artístico, enfatizam suas potencialidades políticas (e vice-versa) quanto aquelas nas quais o fazer etnográfico opera a partir de produções que mesclam antropologia e práticas artísticas.

Títulos e Resumos

  • K-Pop e Negritude: Dance-Covers, Conflitos e Novas Estéticas afrodiaspóricas no Brasil
    — Aymara Montezuma
  • Desviando o Gênero, Reimaginando a Terra: Performances Monstruosas e Ecologias Decoloniais na Arte Drag Queen de Salvador
    — Guadalupe do Nascimento Ferreira
  • Arte contemporânea yanomami e sua influência em debates sobre mudanças climáticas, direitos indígenas e questões de gênero
    — Helena Barsted Young
  • "Exu te ama": quando o fazer antropológico gira com o fazer artístico
    — Jean Souza dos Anjos
  • Antes o mundo não existia - agenciamentos de artistas indígenas no sistema de artes: entre branding e uma ética decolonial.
    — Jeremias Silva Cavalcanti
  • Fazer política e ocupar a cidade: o acesso aos direitos das profissionais do sexo por meio de criações artísticas e práticas cotidianas do Coletivo Por Elas Empoderadas
    — Marcella Cristyna Morena Sousa Lima
  • Entre armários e arquivos: etnografia da cena transformista em Porto Alegre
    — Pâmela de Souza Costa
  • É cabaré ou não é?: como o cabaré-selvático (re)molda a capital paranaense
    — Paula Melo Alves
  • Barulho sem arquivo: Fabulações e ficções para uma etnografia do que não foi guardado
    — Steffane Pereira Santos, Nora Dalva Arantes Lima
  • Fricções gráficas: desenho, cartografia e invenção de territórios na prática etnográfica.
    — Stephanie Virginio
  • Tecendo práticas feministas : um (re) encontro com o acervo audiovisual da Mostra Rosa Teatral (CEART/UDESC)
    — Suzana Morelo Vergara Martins Costa, Miriam Pillar Grossi

GT 064 - Entre museus e aldeias: práticas colaborativas, relações e reflexões críticas a partir de coleções indígenas

Coordenação
Sonia Regina Lourenço (UFMT)
Elizabeth de Paula Pissolato (UFJF)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Anna Bottesi (Università di Torino)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Ana Guggenheim Nunes Coutinho (CEBRAP/USP)

Nos últimos cinquenta anos, mudanças significativas na antropologia e na museologia levaram ao crescente envolvimento de povos indígenas nos processos de documentação, e curadorias de coleções etnográficas. A partir disso, multiplicaram-se experiências de pesquisa colaborativa e curadoria compartilhada, criando outras narrativas e ampliando os sentidos e significados entre pessoas, objetos, sociabilidades, políticas e territórios. Nesse cenário, por um lado, vêm ganhando visibilidade a criação de museus locais que, fundados e geridos por representantes indígenas, criam parcerias de diversas naturezas entre as comunidades e instituições universitárias e museais. Por outro, destacam-se as iniciativas de digitalização de acervos, por meio das quais museus, universidades e coletivos indígenas vêm desenvolvendo diversos projetos para a criação de arquivos digitais acessíveis ao público. Neste GT pretendemos reunir experiências e reflexões críticas sobre tais processos, enfatizando seus potenciais, limites e riscos, e afirmando o protagonismo de pesquisadoras(es) indígenas como condição central para a construção de práticas efetivamente descolonizadoras de saberes sobre acervos, experiências de curadorias colaborativas com e de povos indígenas no Brasil.

Títulos e Resumos

  • Prática arqueológica e experiência antropológica com o povo Iny-Karajá no Médio-Alto Araguaia: tensionando a ideia de "colaboração"
    — Camila Azevedo de Moraes Wichers
  • INY HANA RITI: Do grafismo dos antigos Karajá , ao grafismo Karajá contemporâneo. Analisando objetos no Grassi Museum of Applied Arts, LEIPIZIG, (ALEMANHA) e no Museu Antropologico da UFG.
    — Frederico Elias Barbosa Silva
  • Oficina de Musealização do Território do Povo Apyãwa/Tapirapé: a participação dos Comunicadores Apyãwa na elaboração de um museu na aldeia
    — Koria Valdvane Tapirapé
  • Entre dois tempos: a pesquisa indígena do Arquivo Kamayurá e a reflexão sobre os desafios do presente
    — Luísa Valentini, Rodrigo Lacerda Fernandes, Auakamu Kamayurá, Kanawayuri Marcello Kamaiurá
  • Trançados, cosmologias e museus: uma etnografia sobre as artes do trançado no Museu de Etnologia e Arqueologia da UFMT
    — Viviane Sara Contareli de Oliveira

GT 065 - Epistemologias e metodologias da antropologia das práticas esportivas

Coordenação
Mariane da Silva Pisani (UFPI)
Luiz Fernando Rojo (UFF)

Este GT reúne trabalhos dedicados à reflexão sobre os fundamentos epistemológicos e metodológicos da Antropologia dos Esportes. O grupo vem se consolidando nos principais encontros da área — RBA, RAM e ALA — onde tradicionalmente organizamos um GT amplo e outro temático; para esta edição, optamos por concentrar o debate na dimensão epistemológica e metodológica. Interessa-nos compreender como o esporte se tornou objeto legítimo da disciplina, quais tradições teóricas o moldaram e como abordagens contemporâneas — feministas, interseccionais, decoloniais, queer, anticapacitistas e perspectivas de “objetos para cima” (studying up) — têm reconfigurado esse campo. Serão acolhidos trabalhos sobre etnografia em ambientes esportivos, desafios éticos, relações de campo, métodos audiovisuais, análise de performance, pesquisa colaborativa e escrita antropológica. Também incentivamos investigações voltadas a instituições e agentes detentores de poder — como CBF, FIFA, COI, dirigentes e gestores — examinando como suas práticas e discursos estruturam políticas e experiências esportivas. O GT acolhe reflexões sobre categorias nativas, regimes de verdade, produção de conhecimento e circulação de saberes entre academia, mídia e instituições esportivas. A proposta é fortalecer debates sobre como pesquisamos, interpretamos e representamos práticas esportivas, contribuindo para consolidar um campo teórico-metodológico plural, crítico e inovador na antropologia.

Títulos e Resumos

  • Mulheres e Futebol em contextos de proibição: censura e resistências no Brasil
    — Caroline Soarrs de Almeida
  • De quebrada em quebrada: futebol de várzea e as várzeas da cidade
    — Evandro Lima dos Santos
  • Desafios metodológicos na Antropologia do Esporte: quais os limites da relação entre a pesquisadora e sua interlocução com crianças atletas?
    — Maíra Tura Pereira
  • Conhecimento situado em campo: contribuições das epistemologias feministas para a Antropologia das práticas esportivas
    — Mariane Pisani
  • Saídas etnográficas coletivas em ambientes esportivos: alternativas para a observação de campo
    — Marina Falcão, Emanuel de Abreu Soares, Paolla Suhett, Yohannes de Mesquita Soares, Débora da Cruz Almeida
  • Instituto Meninos Bons de Bola: uma leitura etnográfica de uma experiência futebolística transcentrada
    — Maurício Rodrigues Pinto
  • Entre picos e aldeias: disputas conceituais em torno da categoria "esporte"
    — Pedro Diniz Vieira, João Pedro de Oliveira Medeiros
  • Etnografia audiovisual e processos multimodais nas pesquisas com Torcidas Organizadas
    — Roberto Souza Junior
  • O campo também nos atravessa: desafios de ser mulher e pesquisadora nas arquibancadas de futebol
    — Thaís Rodrigues de Almeida, Franciane Maria Araldi
  • O ensino da ancestralidade em Russas (CE): Diálogos com contramestre Grilo
    — Victor Emanuel da Silva Bandeira, Elcimar Dantas Peretra

GT 066 - Estéticas sensoriais e emotivas: mediações religiosas e seculares na vida social

Coordenação
Bruno Ferraz Bartel (UFPI)
Mirian Alves de Souza (UFF)

O GT visa discutir como a categoria estética atua como forma de mediação em contextos religiosos e seculares, contribuindo para a produção de experiências, socialidades e modos de subjetivação. Parte-se da noção de formas sensoriais proposta por Birgit Meyer, entendidas como modos relativamente estabilizados de organizar sensações, afetos e acessos ao transcendental, estruturando a participação dos sujeitos em comunidades morais. Essas formas, ao orientar maneiras de ver, ouvir e sentir, estabelecem padrões de repetição que sustentam conexões sociais e a eficácia simbólica de práticas devocionais. Os contextos seculares também mobilizam estéticas sensoriais e emotivas capazes de produzir efeitos similares aos observados em práticas devocionais. Atos cívicos, eventos públicos, performances políticas e objetos que circulam no espaço urbano ativam modos de sentir e interpretar o mundo que operam como dispositivos de subjetivação, ainda que não ancorados em tradições religiosas específicas. Esperamos que a análise proposta permita compreender como materialidades, imagens, sonoridades e corporalidades presentes no cotidiano tornam-se centrais na produção de sujeitos. Ao observar essas mediações, torna-se possível captar como mundos religiosos e seculares são continuamente configurados por modos de existência que unem não somente sensações e emoções, mas também formas de vida.

Títulos e Resumos

  • Estética ecológica: árvores, painéis solares e composteiras
    — Adriano Santos Godoy
  • Seguindo matérias, pessoas e coisas: as vidas das cerâmicas do Vale do Jequitinhonha
    — André Leandro Gonçalves Silva
  • "Manto de mistério": as sendas hierofânicas da experiência negra pentecostal na igreja Assembleia de Deus (Adesal) Cosme de Farias
    — Bruno de Araujo Conceição
  • Além da igreja: materialidades mobilizadas em cultos evangélicos domésticos.
    — Jéssica da Silva Pinheiro
  • Produções culturais LGBTQIAPN+ como mediações entre religião, identidade e pertencimento no Brasil contemporâneo.
    — Lucas de Melo
  • O lixo sagrado das velas: como resíduos de parafina influenciam a expressão da espiritualidade
    — Luiza Lince Jesus dos Santos
  • Pedagogias de feminilidade, estética e consumo em conferência religiosa para mulheres
    — Magnólia Oliveira de Almeida Santos

GT 067 - Estilos de antropologia junto a povos indígenas em contextos nacionais diversos e o ingresso de indígenas antropólogos(as) na disciplina

Coordenação
Stephen Grant Baines (UNB)
Lara Erendira Almeida de Andrade (UFPE)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Stephen Grant Baines (UNB)

O GT pretende dar continuidade a e avançar nos debates iniciados em GT na última RBA, realizada em Belo Horizonte, que reuniu pesquisas sobre a interface entre a Antropologia Social e os povos indígenas em diferentes contextos de Estados nacionais, com base na proposta de estudar “estilos de antropologia”, formulada no Brasil pelo professor Roberto Cardoso de Oliveira (1988, 1998), a partir de propostas anteriores e contemporâneas de Gerholm & Hannerz (1982), Stocking Jr (1982), Peirano (1981), Ramos (1990), entre outros. Neste GT, buscaremos observar de forma mais detida o papel de indígenas antropólogos(as) na transformação e revitalização da disciplina em distintos contextos nacionais. Pretende-se examinar, a partir do caso brasileiro — onde o ingresso de indígenas na antropologia vem ocorrendo ao longo das últimas duas décadas —, países como como Canadá, Austrália e Argentina — onde a presença de indígenas antropólogos(as) se consolidou há várias décadas —, além de outros países da América Latina. O GT pretende estimular debates desde perspectivas internacionais que comparam os estilos de antropologia em contextos de diversos países, como se refletem ideologias da construção da nação na disciplina (Peirano 1981) e as diversas maneiras em que os povos indígenas estão transformando a antropologia

Títulos e Resumos

  • Patrimônio Indígena e Fronteiras Étnicas: debates a partir da pesquisa indígena do povo Karão Jaguaribaras (Ceará)
    — Gleidison Karão Jaguaribaras (Francisco Gleidison Cordeiro Lima)
  • Antropologia de indígenas do Piauí: etnografias de nós mesmos
    — Hélder Ferreira de Sousa
  • A ritualidade do Menino de Rancho como expressão de identidade, resistência e cosmovisão do povo Jiripankó: contexto de visibilidade e (re)configuração do sagrado.
    — Rogério Rodrigues dos Santos
  • O Ingresso de Indígenas na antropologia e seu impacto sobre a disciplina: Brasil, Argentina, Canadá, Austrália.
    — Stephen Grant Baines

GT 069 - Etnografia em instituições e políticas de saúde

Coordenação
Sabrina Melo Del Sarto (UFRJ)
Cristina Dias da Silva (UFJF)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Sara Vieira Sabatini Antunes (ENS Lyon)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Cristina Dias da Silva (UFJF)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Túlio Maia Franco (UFSJ)

Este GT pretende reunir trabalhos que discutam as formas pelas quais cuidado e abandono, tratamento e controle, integração e confinamento se entrelaçam nas vidas de pessoas e instituições atravessadas pelos processos de saúde e doença - nas relações entre familiares, profissionais e usuários de serviços de saúde. Serão valorizadas etnografias que abordem os agenciamentos de pessoas e instituições de saúde, seja nos contextos da atenção básica, seja nas experiências de internação. Trata-se de refletir sobre como trabalhadores e pacientes habitam as normas e vivenciam o cotidiano das políticas públicas de saúde. Ademais, gostaríamos de refletir sobre os desafios antropológicos e metodológicos de conduzir pesquisas em espaços institucionais, incluindo certa perspectiva sobre a produção de documentos como artefatos culturais que não apenas informam, mas performam relações. São bem-vindas pesquisas em diversos estágios de desenvolvimento e em diferentes campos/instituições de saúde.

Títulos e Resumos

  • Atenção diferenciada, hospital e cuidado: tecendo sentidos com indígenas Tupinambá de Olivença
    — Amanda Silva Rodrigues
  • Recém-nascido e entre-fios: notas sobre trabalho de campo em maternidades
    — André Luiz Coutinho Vicente
  • Gênero e relações étnico-raciais no cotidiano dos Agentes Comunitários de Saúde.
    — Francisca Alves do Nascimento, Francisca Alves do Nascimento
  • Habitar as "normas" e os "cuidados": etnografia em um serviço de saúde com profissionais, crianças e adolescentes trans
    — Francisco Janis Borges Xavier de Gouveia
  • Entre ruínas institucionais e futuros em disputa: a implementação da Resolução CNJ nº 487/2023 no campo da saúde mental e da justiça
    — Isabela Eduarda Guedes
  • Estruturas que produzem vulnerabilidade: racismo institucional e HIV entre mulheres negras
    — Luiza Tavares Maciel Rodrigues Brasil
  • Casa, Território e Cuidado em Saúde Mental: Uma etnografia do CAPSI Monteiro Lobato
    — Maria Emília Almeida de Sousa
  • Oralizar para existir: uma autoetnografia sobre interseccionalidades e violências epistêmicas na saúde pública
    — Marjorie Manuela Viana Sancho Marques Paiva de Oliveira
  • Corpos que permanecem: memórias, cuidados e hanseníase em um bairro de Pernambuco
    — Mateus Souza Araujo
  • Entre cuidado e controle: sofrimento psíquico, medicalização e agência em um hospital psiquiátrico em Campo Grande/MS
    — Patrick de Almeida Trindade Braga, Giulia Villa Alves
  • O filho de Helena e a oferta de saúde em serviços especializados em HIV/aids
    — Wertton Luís de Pontes Matias
  • Traços do tempo: notas sobre os entrelaçamentos entre diferença, cuidado e cronicidade
    — William Paulino Rosa

GT 070 - Etnografias do Sistema de Justiça Criminal e da Punição

Coordenação
Welliton Caixeta Maciel (UNB)
Luana Almeida Martins (UFRJ)

Pessoa debatedora
Jania Perla Diógenes de Aquino (UFC)
Juliana Melo (ufrn)
Roberta Fernandes Santos (PUC MINAS)

Este Grupo de Trabalho se propõe a reunir estudos empíricos baseados em pesquisas etnográficas desenvolvidas em diferentes espaços e práticas dos Sistemas de Justiça Criminal e Penitenciário – desde as audiências judiciais e a persecução penal, até o cumprimento de medidas restritivas de direitos e medidas privativas de liberdade (em ambientes prisionais, socioeducativos ou de restrição em meio aberto). A ideia é fomentar o diálogo entre investigações que analisem processos, práticas, rotinas, representações e moralidades que atravessam a justiça criminal e suas instituições. Serão bem-vindas contribuições que explorem as circulações e fluxos de pessoas e objetos, documentos e decisões, bem como as relações entre sujeitos sancionados, agentes estatais e demais atores envolvidos nesses contextos. A discussão em torno de metodologias relacionadas ao trabalho de campo será aceita quando permitirem discussões mais amplas sobre os desafios éticos da pesquisa etnográfica considerando as particularidades desses contextos, os quais são marcados pela coerção, pelo segredo institucional e por complexas dinâmicas de poder. Assim, busca-se, com este Grupo de Trabalho, constituir um espaço de troca interdisciplinar, reunindo pesquisadoras e pesquisadores das Ciências Sociais, da Antropologia, da Sociologia, do Direito e áreas afins, interessadas/os em compreender o funcionamento cotidiano dos sistemas mencionados.

Títulos e Resumos

  • Queima de Arquivo: Da Escravidão ao Cárcere Feminino e o Apagamento Documental da História Negra no Brasil
    — Amanda Gonçalves Prado Quaresma
  • Audiência de custódia nos casos da Lei Maria da Penha: uma análise a partir dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da cidade de Goiânia-GO
    — Caroline Ramos Bacic
  • A Assistência Religiosa como Mecanismo de Controle e (Re)Significação: Um Estudo sobre as Crisálidas do Presídio Feminino Nilza da Silva Santos
    — Danielle Henrique
  • "Esses aí vão sair pra Papuda": os discursos de perigo no sistema de justiça juvenil do Distrito Federal
    — Flávia de Freitas Cabral
  • "Lá fora perde força porque não é uma facção de rua": O lugar do Povo de Israel no debate acadêmico sobre coletivos criminais
    — Jaider dos Santos Costa
  • Entre a suspeição e a sentença: perfilamento racial e a produção do sujeito criminoso no sistema de justiça brasileiro
    — Jéssica de Oliveira Ferreira, Thiago dos Santos Martins Fidelis
  • Cultivando o Salvo-conduto: coleta e análise dos Habeas Corpus para o cultivo de maconha com fins medicinais
    — João Luiz Rodrigues Bastos Pinto, Mário José Bani Valente, Frederico Policarpo, Gabriel Seixas Silva
  • Dignidade e sentidos de justiça em contextos prisionais franceses e brasileiros: um panorama
    — Juliana Melo
  • Perfil dos profissionais da socioeducação no Rio de Janeiro: uma pesquisa coletiva da Escola Estadual de Socioeducação - RJ
    — Luana Almeida Martins, João Vitor Duarte Travassos, Isabelle Cardoso Varanda, Davi França Rodrigues
  • Da expectativa à realidade: Representações sociais da monitoração eletrônica no Distrito Federal
    — Marcos Aurélio Sloniak
  • A Justiça Juvenil e a Recomendação 62 do Conselho Nacional de Justiça na vida dos adolescentes ou "menores infratores" .
    — Raymundo Nonato de Almeida Santos
  • Entre grades e direitos: quando a universidade aprende a entrar na prisão
    — Rodrigo Martins Azevedo
  • Punição eletronicamente monitorada: percursos etnográficos multissituados em movimento, entre Brasil e França
    — Welliton Caixeta Maciel

GT 071 - Etnografias em contextos de violência, criminalização e encarceramento

Coordenação
Natália Lago (UNIRIO)
Vanessa Sander (UFMG)

Pessoa debatedora
Roberto Efrem Filho (UFPE)
Juliana Farias (UERJ)

Este Grupo de Trabalho objetiva reunir etnografias realizadas em contextos de violência, criminalização e encarceramento. Para tanto, toma "violência" como categoria densamente plurívoca e produtiva, que alude a práticas, experiências, linguagens, razão de denúncia e contextos, servindo como relevante vetor analítico e político. Além disso, divisa "crime" não apenas como o resultado da previsão normativa estatal, mas sobretudo como relação social e razão de governo, processo de criminalização constituinte de sujeitos, corpos e territórios. Por sua vez, compreende "encarceramento" considerando as abordagens que discutem os modos pelos quais a prisão se infiltra em territórios e relações para além daquelas circunscritas pelas unidades penitenciárias. Tendo em vista a crescente proeminência dessas etnografias na antropologia brasileira, este GT se propõe a aglutinar trabalhos que tematizem, por exemplo: a) os desafios, potencialidades e limites metodológicos de empreender pesquisas etnográficas nesses contextos, levando em conta especialmente a cumplicidade entre a escrita da violência e a sua incitação; b) os efeitos dos contextos de pesquisa em mobilizações sociais, lutas por direitos e justiça e a produção ou negação de sujeitos de direitos; c) as imbricações entre experiências de violência, criminalização e/ou encarceramento e categorias de diferença como gênero, sexualidade, raça, classe, geração e territorialidade.

Títulos e Resumos

  • Pânico moral e violência discursiva na recepção e repercussão no meio digital de políticas socioeducativas no Rio Grande do Norte
    — Daizio Lopes Bezerra Neto, Eliane Anselmo da Silva, Elcimar Dantas Peretra
  • Escrever da prisão: artivismo feminista no Centro de Readaptação Social (CERESO) de Atlacholoaya
    — Kamilla Santos da Silva
  • "Isso só tem na cadeia dos homens": notas sobre uma prisão não faccionada
    — Karina Biondi
  • Cuidado em liberdade e produção de dignidade para pessoas que fazem uso de substâncias psicoativas: uma etnografia coletiva em uma organização da Sociedade Civil
    — Keila Silene de Brito e Silva, Camila Pimentel
  • DINÂMICAS DE APROXIMAÇÃO: tipologia da inserção e permanência das mulheres no tráfico de drogas em Brasília e na Cidade do México.
    — Ludmila Gaudad Sardinha Carneiro
  • O controle policial em relação: uma análise das dinâmicas relacionais no controle externo da polícia pelo Ministério Público de São Paulo
    — Marina de Oliveira Ribeiro
  • Gestão estatal da forma miliciana
    — Roberto Efrem Filho
  • Justiça que mede, justiça que apaga: indígenas encarcerados no Amazonas
    — Sued Felix Ruiz
  • Quando o corpo vira papel: etnografia dos laudos periciais de necropsia nos RPMs do BOPE (2023-2024)
    — Thales Santos da Cruz, Amanda Gonçalves Prado Quaresma

GT 072 - Etnografias hospitalares

Coordenação
Soraya Fleischer (UNB)
Marcia Reis Longhi (UFPB)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Raquel Lustosa da Costa Alves (UFPE)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Tatiane Vieira Barros (IFCE)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Elaine Reis Brandão (UFRJ)

A antropologia da saúde sempre esteve nas instituições de saúde. Em geral, estas instituições têm sido descritas como repletas de gates e gatekeepers que, depois de alguma negociação e autorização, permitem nossa entrada, circulação e permanência. Com frequência, estes espaços são mencionados instrumental e rapidamente nos capítulos ou seções metodológicos. Depois, os serviços de saúde oferecidos se tornam, sobretudo, o foco de atenção da disciplina. E muitas pesquisas priorizam os conteúdos das conversas e vivências ali dentro, enquanto as interpelações recebidas das próprias instituições de saúde figuram como curtas descrições, notas de rodapé ou sequer são mencionadas. O espaço hospitalar é desafio, é passagem, é contexto, mas também história, relações e gestão, bem como formação e produção científica também podem ser tomadas como temas de pesquisas antropológicas. Este GT deseja conhecer etnografias produzidas dentro e também sobre e com os diversos tipos e escalas de hospital. E se interessa por reunir papers sobre: a) Estratégias e desafios éticos, políticos e metodológicos de fazer pesquisas nos espaços hospitalares; b) Histórias de construção, institucionalização e memória destas instituições de saúde; c) Diálogos e ruídos entre serviços de saúde, de formação e de pesquisa que acontecem especialmente nos hospitais universitários; d) Participação da antropologia em programas de estágio, residência, projetos de pesquisa e extensão nessas instituições.

Títulos e Resumos

  • Ensaio sobre a performance do Palhaço Cuidador no espaço hospitalar: trazendo a teoria do Drama Social de Victor Turner para a escrita de uma etnografia de doutorado.
    — Aldenildo Araujo de Moraes Fernandes Costeira
  • Pessoas e crachás, protocolos e sofrimentos: trabalho de campo no contexto de diálogos e práticas interdisciplinares num grupo do Programa de Educação Tutorial em Saúde Digital da UFSM
    — Daniel Alves, Francis Moraes de Almeida
  • "A composição da identidade institucional do Hospital Universitário de Brasília": a visão de seus diretores/superintendentes ao longo de sua história
    — Isadora Carvalho
  • "A história sou eu": conhecendo o olhar de crianças e adolescentes em acompanhamento oncológico por meio de oficinas de histórias em quadrinhos.
    — Karleyla Fassarella Firmino, Rachel Paterman
  • "O HUB é um laboratório a céu aberto": memórias, saberes e experiências de pioneiros de um hospital universitário
    — Kelven Tavares
  • A plataforma Bahia e as comissões locais de pesquisa: reflexões sobre a ética em pesquisas sobre saúde e em serviços de saúde
    — Matheus Felipe Oliveira Costa
  • "Um hospital de ensino é uma dádiva para a residência": Notas antropológicas sobre práticas de ensino no HUB
    — Soraya Fleischer
  • O hospital múltiplo como objeto de pesquisa: desafios de/para uma etnografia plural do hospital no contexto do SUS carioca.
    — Zoé Richard Rusunan

GT 073 - Existências negras: entre a sujeição e a fuga

Coordenação
Maria Elvira Díaz Benítez (PPGAS/MN/UFRJ)
Osmundo Santos de Araujo Pinho (UFRB)

Este GT teve sua primeira versão na RAM de 2025 e a sua apresentação novamente, no marco da RBA, visa consolidar um debates que interessa a diversos antropólogos e antropólogas no Brasil. O GT tem como objetivo qualificar analiticamente a reprodução contínua e diferencial do racismo em diferentes contextos sociais (casa, refúgio, família, prisão, emprego, ascensão etc.), sem dispensar a reflexão sistemática sobre os modos através dos quais se tecem vidas (im)possíveis (apostas na ancestralidade, escolarização, fuga, empreendedorismo etc.). Se a vida negra é constantemente assombrada pela morte (quando não física, social), o que na prática requer a busca por uma vida que seja passível de ser considerada “boa”? Como os sujeitos racializados que ocupam diferentes posições na estrutura social de distintos países lidam com processos históricos e/ou contemporâneos (escravização, dívida, perda de direitos, precarização, mobilidade, etc.)? Incentivamos a inscrição de propostas que levem em consideração as ligações entre os modos de opressão e de existência criativa das coletividades negras. Visando a multiplicação das abordagens que tratam da oscilação entre as formas de vida e morte negra, buscamos por etnografias que levem a sério em sua composição ao menos uma das muitas proposições teórico-políticas existentes sobre raça e racismo (feminismos negros, pensamento negro radical, afropessimismo, quilombismo, capitalismo racial, plantatioceno etc.).

Títulos e Resumos

  • "O futuro acaba/começa aqui": performances fugitivas na cidade "Heroica".
    — Danrlei De Oliveira Moreira
  • "TRAVESTIS EXPERIENTES": Etnografia do envelhecimento de travestis em Fortaleza - Ce.
    — Dediane Souza
  • Empreendedorismo negro no Brasil: três décadas de luta pelas vidas negras
    — Filipe Romão Juliano
  • Saberes em confluência: o terreiro e a criação de outros mundos possíveis
    — Humberto Manoel dde Santana Júnior
  • Desejados, Temidos, Exibidos: a fabricação visual do corpo negro jovem
    — Jorge Wilton da Silva Santos Junior
  • Necropolítica e tranfake : (de) codificando as assimetrias discursivas sobre representatividade trans.
    — Keo Silva
  • Reescrever o Brasil através da Arte Negra: O Teatro Experimental do Negro e o Terreiro Contemporâneo
    — Mariana Gomes Coelho
  • Protestos Negros no Brasil: Os Movimentos Negros na Pandemia de Covid - 19
    — Paulo Henrique Ferreira de Freitas, Brenna de Araújo Vilanova
  • O peso do silêncio: sobrevivências de mulheres negras em famílias brancas
    — Roberta Freitas
  • Existir apesar dos retratos (mal)ditos: experimentações estéticas fugitivas e imaginação radical das negritudes
    — Samara Almeida Lima Santos
  • Fugitividade, Branquitude/Racismo e Performatividade de Raça: reflexões a partir de análises etnográficas em uma escola branquíssima
    — Thais Regina Santos Borges
  • O amor como experiência racializada: corpos, afetos e narrativas negras
    — Thaynara Kelly dos Santos Pereira
  • ANTROPOLOGIA DE CRIA: Desenhando Sonhos e Identidades na Favela Tororó através da Coletividade do Terreiro
    — Vinicius Pereira
  • Partilhar uma mesma existência
    — Yohana Cristina dos Santos Rosa

GT 074 - Extrema-direita, bolsonarismo e radicalização política no Brasil: abordagens etnográficas, desafios metodológicos e (novos) enquadramentos possíveis

Coordenação
Telma de Sousa Bemerguy (cebrap)
Renata Barbosa Lacerda (UFRJ)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Letícia Maria Costa da Nóbrega Cesarino (UFSC)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Katerina Hatzikidi (Universidade de Tuebingen)

As posições defendidas por sujeitos de extrema-direita devem ser analisadas a partir de seus próprios elementos conceituais, independentemente de nossa avaliação sobre sua razoabilidade ou aceitabilidade moral. Formulações que qualifiquem as percepções desses sujeitos como irracionais, delirantes ou meramente manipuladas comprometem a elaboração de registros etnográficos densos sobre visões de mundo mobilizadas em processos de radicalização política. Esse tipo de enquadramento configura um obstáculo epistemológico para a compreensão da lógica que sustenta as ações e posições defendidas por esses sujeitos na esfera pública. A etnografia é um meio potente para enfrentar os desafios metodológicos envolvidos na construção de enquadramentos para o estudo das visões de mundo de sujeitos de extrema-direita, mas diferentes enquadramentos podem ser mobilizados. Nesse marco, o grupo de trabalho buscará reunir pesquisas com enquadramentos analíticos e metodológicos diversos, que abordem crenças, valores e moralidades mobilizados pelo campo da extrema-direita brasileira, bem como narrativas etnográficas sobre a visão de mundo de atores autoidentificados como bolsonaristas em diferentes regiões brasileiras, análises de processos históricos relacionados ao fortalecimento da extrema-direita no Brasil e discussões sobre os desafios metodológicos envolvidos no estudo de atores/eventos relacionados a processos de radicalização política.

Títulos e Resumos

  • Do portão ao púlpito: uma etnografia de longa duração da radicalização política do culto de uma igreja pentecostal durante o Governo Bolsonaro
    — Adriel Torres Ferreira
  • A potência feminina do conservadorismo: o caso de vereadoras do Nordeste
    — Emanuel Freitas da Silva
  • Classes médias e bolsonarismo
    — Glauber Franco de Oliveira
  • Estetização, cliques e performance: Uma análise sobre a "Caminhada pela liberdade"
    — Juliana Antunes
  • Civismo agrário e colonialismo em dois redutos bolsonaristas
    — Luciana Schleder Almeida, Carla Craice da Silva
  • Moral, família e política: uma etnografia das pedagogias anti-gênero no Brasil contemporâneo
    — Maria Andoyiki
  • UM FEITIÇO POLÍTICO: Extrema Direita, Fantasias de Conspiração e Mobilização Social
    — Naê Della'Parma Prieto Salatim
  • Possessão demoníaca e batalhas espirituais no Brasil contemporâneo: Investigação sobre o ponto de vista de católicos conservadores
    — Ricardo Correia Carramillo Caetano
  • A Autodeterminação Reconfigurada: Um esforço etnográfico sobre a captura de lutas emancipatórias pela direita radical, e inserção de terras Indígenas demarcadas em cadeias de commodities no Brasil.
    — Rodrigo Souza Silva

GT 075 - Filmes, fotografias, desenhos e outras poéticas. Antropologia multimodal que transcende a colonialidade da escrita.

Coordenação
Gabriel O. Alvarez (PPGAS/UFAL)
Renato Athias (UFPE)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Renata do Amaral Mesquita (UFPE)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Ana Lúcia Ferraz (UFF)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Carlos Caroso (UFBA)

Resumo: A antropologia multimodal interpela a antropologia escrita ao deslocar os eixos, da pretensão de científica para a sensibilidade artística, da palavra para a performance, da colonialidade da escrita para outras formas de expressão simbólica com a fotografia, vídeo e desenho; outras poéticas, e a incorporação da dimensão estética. Uma antropologia que se desloca do antropólogo omnisciente para uma perspectiva compartilhada, criando narrativas que transcendem o público antropológico. O GT propõe discutir experiências de trabalhar com antropologia multimodal, priorizando a discussão da metodologia participativa envolvida nestes empreendimentos antropológicos. Com um olhar sensível respeitando as memórias, histórias e relações envolvidas, bem como o processo de construção, busca-se refletir sobre outras poéticas que incorporam uma dimensão estética, desenhos, documentários, fotografias e suas potencialidades envolvidas, sobretudo a partir dos saberes e fazeres antropológicos e etnográficos. O GT convoca pensadoras/es e suas respectivas produções para apresentar seus trabalhos a partir de uma abordagem contracolonial, afro-indígena, diaspórica e amefricana.

Títulos e Resumos

  • Modos de existência do vídeo e da Terra: cenas e presenças entre os A’uwé Xavante
    — Ana Lúcia Ferraz
  • Desenhar etnografias: como pensar/ensinar Antropologia com estudantes indígenas Guarani-Kaiowá em Amambai/ Mato Grosso do Sul
    — Anna Carolina Horstmann Amorim
  • Antropologia Multimodal - Artes, Linguística e Transdisciplinaridade Participativa
    — Bruno Karasiaki Filene
  • Entre as raízes de novos universos: ensaio imagético sobre a construção de uma cultura ballroom em Natal/rn
    — Clistenes Emanuel da Silva Costa
  • Desenhar o arquivo: etnografando as resistências de gênero na corpografia de Maria Antônia Soares
    — Dandara Vieira Luigi
  • O Círculo Cultural (Círculo das Imagens) como proposta de educação crítica voltada a populações em situação de vulnerabilidade social.
    — Emiliano Dantas, Daniel Dutra de Barros, Rhavi Ravenna de Almeida Pereira
  • Às voltas do opérculo: contra a representação do real.
    — Geslline Giovana Braga
  • O contrafactum como colonizador? Pesquisando e refletando sobre ética com uma canção indígena
    — Judith Cohen
  • Montando antropologias expandidas: artistas híbridos em Sergipe e práticas estético-políticas
    — Layla Bomfim
  • Cangira de Exú e Pombagira. Encantos imagéticos no Norte de Minas Gerais.
    — Ravena Gomes Teixeira de Souza, Felisa Cançado Anaya, Alexsânder Nakaóka Elias
  • Quando o baile vira campo: uma etnografia audiovisual no Clube das Pás, no Recife (PE)
    — Suzan Regis, Flora Maria
  • MoviMentar das Estéticas Periféricas: Colaboração e Multimodalidade na produção e divulgação do/no Movimento Brega, PE
    — Tarsila Chiara Albino da Silva Santana

GT 076 - Formação em Educação Intercultural: desafios atuais para o fortalecimento de práticas educativas e reconhecimento da diversidade humana

Coordenação
Maxim Repetto (Universidade Federal do Delta do Parnaíba)
Rosani Kamury Kaingang (UFRGS)

O presente GT se propõe gerar um espaço de trocas e interaprendizagens entre profissionais, pesquisadores, educadores e estudantes que atuem nos sistemas educativos formais ou comunitários, em busca de um diálogo antropológico e interdisciplinar para a ampliação dos estudos sobre educação e formação intercultural. Dessa forma, queremos debater sobre os grandes desafios da formação para a educação intercultural, na perspectiva de buscar caminhos para superação da exclusão, da desigualdade e do racismo. Buscamos evidenciar os processos educativos que fortalecem a construção de sujeitos históricos e pedagógicos desde comunidades indígenas, quilombolas ou afrodescendentes, tradicionais, migratórias, assim como desde outros espações de convivência, sejam rurais ou urbanos, a partir das quais os sujeitos, seus conhecimentos e saberes fortalecem lutas e movimentos sociais que questionam os modelos educativos e de sociedade dominante. Nesse sentido buscamos promover uma troca e um diálogo entre pesquisas que abordem desde uma perspectiva crítica, inovadora e colaborativa experiências construídas desde processos históricos e pedagógicos comunitários, refletindo sobre o papel da diversidade social, cultural e linguística, nos currículos escolares e universitários e os desafios existentes para ampliar o reconhecimento da diversidade humana na educação e no convívio na sociedade contemporânea.

Títulos e Resumos

  • Areme Boe (Mulheres Boe)
    — Ana Paula Parikokurereudo Apo, Ana Paula Purcina Baumann
  • Autorreconhecimento Indígena: Reflexão sobre a formação de professores no PARFOR/UFPI
    — Ariana Vaz de Sousa, Raimundo Nonato Ferreira do Nascimento
  • Educação, Movimentos e Encruzilhadas: Interculturalidade e Formação Docente em uma Universidade Pública no Maranhão
    — Daniel Bergue Pinheiro Conceição, Felisa Cançado Anaya
  • Ensino Superior e Educação Escolar Indígena: trajetórias formativas de professores Potiguara do Catu (RN)
    — Eric Araujo da Silva, Eric Araujo da Silva
  • A educação quilombola entre a escalabilidade sintética e a circularidade orgânica no semiárido nordestino
    — Fernando Henrique Pires Mamédio, Patrícia dos Santos Pinheiro
  • Educação superior e diálogo intercultural: Permanência na Universidade de Estudantes Indígenas no Sudeste do Pará
    — Jessica Alejandra Solórzano Orellana, Edma Silva Moreira
  • Educação diferenciada: limites e potencialidades na "abertura para o outro" na escola Ñandejara, Caarapó-MS
    — Jhemerson da Silva e Neto
  • “Baixar as bandeira e subir o cocar": pedagogia territorial e autonomia na terra indígena Maró
    — Laise Lopes Diniz, Adenilson alves de Sousa, Juliene Pereira dos Santos
  • Os Laboratórios Socionaturais Vivos como Alternativa Curricular para uma Nova Educação Transformadora
    — Maxim Repetto
  • Currículo, diferenças e direitos humanos nos espaços lusófonos: notas etnográficas desde a UNILAB
    — Pedro Rosas Magrini
  • A presença indígena na educação profissional e tecnológica: dinâmicas interculturais no Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT)
    — Renata Cristina dos Santos
  • Educação inclusiva e interculturalidade: capacitismo institucional e desigualdades na escolarização de pessoas com deficiência em Roraima
    — Rhanderson Hugo de Oliveira Vieira, Márcia Maria de Oliveira
  • Contra-Colonizando a Universidade: a Encontro de Saberes e o Notório Saber como Confluência de Mundos
    — Valéria Viana Labrea, Rumi Regina Kubo, Marília Raquel Albornoz Stein, Eráclito Pereira
  • O PODHE e a Amefricanidade no corpo (escolar): Jogos do Teatro do Oprimido como ferramenta de Educação em Direitos Humanos e fortalecimento da convivência escolar
    — Wallesandra Souza Rodrigues, Fernanda Roberta Lemos Silva Marques

GT 077 - Formas da restituição: cultura, direito e reparação.

Coordenação
Edmundo Pereira (UFRJ)
Manuel Ferreira Lima Filho (UFG)

Os processos de restituição voltaram à ordem do dia, envolvendo bens culturais, remanescentes humanos, arquivos documentais, dados e registros de pesquisa. Alguns casos e ritos se tornaram referenciais, moldados, por um lado, pelas demandas anglo-saxãs por remanescentes humanos e bens sagrados, em torno da categoria de ‘repatriamento’; e, por outro, pelas europeias, que envolvem relações pós-coloniais — como as com as Áfricas — e noções como ‘arte’ e ‘etnografia’ sendo utilizadas para lavar situações de colecionamento sujas e garantir direitos de posse e uso patrimonial, em torno da categoria de ‘restituição’. Além disso, de norte a sul dos mundos científico-humanistas, tanto ‘arquivos’ de investigação têm sido restituídos e contribuído para processos de memória e reativação cultural, quanto jurisprudências de direitos autorais e de propriedade têm incidido sobre a salvaguarda e difusão de ‘dados’ de pesquisa. As últimas edições do GT revelaram tal vitalidade em casos latino-americanos — como os brasileiro, argentino e colombiano —, em quadros de demandas nacionais e internacionais. Nesta edição, focaremos em casos etnográficos e historiográficos atentos à relação entre os dispositivos expressos nas Convenções da UNESCO (que coíbem o tráfico de objetos e concedem imunidade ao patrimônio cultural) e suas repercussões e traduções em contextos locais de reparação e justiça de transição.

Títulos e Resumos

  • Experiências Apyãwa-Tapirapé sobre os destinos de artefatos e as possibilidades de retornos digitais (1966-2026)
    — Ana Guggenheim Nunes Coutinho
  • Restituir, mas em quais termos? Colonialidade, direito e os entraves na busca pela repatriação
    — Mariane Aparecida do Nascimento Vieira

GT 078 - Gênero e raça em práticas artísticas em arquivos: perspectivas e pesquisas antropológicas contemporâneas

Coordenação
Fabiene Gama (UFRGS)
Rosamaria Giatti Carneiro (UNB)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Paulo Victor Santos Dias (UFRRJ)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Ester Paixão Corrêa (UFRN)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Fernanda Rechenberg (UFRGS)

Este grupo de trabalho visa reunir pesquisas antropológicas que abordem práticas artísticas em e com arquivos. No Brasil, diversas iniciativas têm revisitado arquivos - coloniais, contemporâneos, públicos e privados -, apresentando novas perguntas e perspectivas, assim como novas práticas discursivas e visuais para pensar o passado e imaginar o futuro. Vistos como espaços para construção de memórias, versões da história, justiças epistêmicas, processos de subjetivação e produção de conhecimento, os arquivos deixaram de ser vistos como meros repositórios de documentos e registros, e tornaram-se importantes locais de debate e de interesse para várias areas artísticas e acadêmicas. São espaços onde histórias são preservadas, mas também interpretadas, criadas e silenciadas; onde experiências são valorizadas, invisibilizadas e revisitadas. O processo de re-imaginar e reinterpretar arquivos têm trazido à luz histórias obliteradas das narrativas dominantes e acerca de si mesmo. Coleções e arquivos tornaram-se, assim, meios de resistência e disputa de poder — espaços onde se pode questionar uma história única e seus perigos. Diante disso, neste GT, desejamos explorar diferentes estratégias metodológicas de pesquisa e práticas artísticas em/com arquivos dedicadas a pensar os marcadores sociais, em especial gênero, geração e raça. Trabalhos que explorem tensões entre o visível e o invisível e novas perspectivas sobre espaços, estéticas, pessoas e histórias serão mais do que bem-vindos.

Títulos e Resumos

  • Limiar: práticas artísticas com arquivos familiares, gênero e memória na elaboração do luto
    — Débora Mano de Faria
  • Reimaginar Futuros com Hurston: Arte e Arquivo em Eatonville
    — Débora Wobeto
  • Cianotipia em arquivos de campo para reimaginar as Marujas de São Benedito
    — Ester Paixão Corrêa
  • Experimentar com as marcas de um trauma em acervos pessoais: reflexões éticas, políticas e metodológicas
    — Fabiene Gama, Luana Bohrer Krob
  • Estou aqui: desaparições, intrusão e correspondências no arquivo da antropóloga
    — Fernanda Rechenberg
  • Eu também sou feito de arquivos borrados
    — Guilherme Viana
  • "De cor: ______"
    — Maria Victória Venâncio Romero, Rosamaria Giatti Carneiro
  • Gestos etnográficos e artísticos em arquivo: retratos, experiência e posicionalidade na pesquisa haitiana de Maya Deren
    — Nicole Faria Batista
  • Reapropriações em disputa no campo artístico: imagens, rasuras e circulação.
    — Paulo Victor Santos Dias
  • (Re) encontros com Sá Biquinha: etnografia dos/nos arquivos (im) possíveis reconstruindo a trajetória de uma mulher negra.
    — Rafaela Rodrigues de Paula
  • Ponto Folha: (re)encontrando Tempo no cuidado ordinário
    — Raquel Silva dos Santos
  • Os livros das Partilhas de Reflexões sobre as Artes, as Lutas, os Saberes e os Sabores da Comunidade Quilombola de Conceição das Crioulas como arquivos vivos.
    — Robson Xavier da Costa, Marcio Soares dos Santos
  • Rosana Paulino e práticas arquivo-artísticas de famílias negras brasileiras
    — Rosamaria Giatti Carneiro
  • Presentes, ausentes! As performances de gênero nas revistas de capoeira dos anos 2000.
    — Suelen Cristina Marcelino de Campos

GT 079 - Gênero, gravidez e parto: tecnologias e políticas reprodutivas

Coordenação
Stephania Gonçalves Klujsza (UFF)
Débora Allebrandt (UFAL)

Dando continuidade as discussões iniciadas nos Colóquio da Rede Anthera, este GT busca reunir pesquisas que explorem etnograficamente as temáticas da gravidez e do parto, em interseção com as discussões sobre gênero, tecnologias e políticas reprodutivas. Visando contemplar a diversidade das experiências sociais relacionadas à reprodução, bem como as diferenças que lhes caracterizam a partir dos marcadores sociais. A partir da última década do séc XX, observa-se a ampliação do conjunto de temas abarcados pelas pesquisas antropológicas que tomam a gravidez e o parto como eventos-chave. As análises sobre justiça reprodutiva e direitos sexuais e reprodutivos, a humanização do parto, o desenvolvimento de tecnologias reprodutivas e seus efeitos, as políticas de assistência, os ativismos em torno das práticas de cuidado nas cenas de parto, os saberes tradicionais e a emergência de novos atores, a categoria violência obstétrica e seus desdobramentos e, mais recentemente, os contextos da epidemia do zika vírus e da pandemia de covid 19, evidenciam a relevância cultural e a dimensão política destes eventos e do próprio interesse temático. Neste GT, visamos dar continuidade a estes diálogos com ênfase nas práticas relativas aos corpos e seus agenciamentos em termos individuais/biográficos, coletivos ou institucionais. Também serão bem-vindas pesquisas que interroguem o lugar da própria antropologia e da prática etnográfica na produção e análise de tecnologias e políticas reprodutivas.

Títulos e Resumos

  • Resistências a uma "política de (des)cuidado": doulas e o ativismo contra a violência e o racismo obstétrico
    — Ariene Almeida Gomes
  • Entre a juventude e a maternidade: gênero e experiências juvenis em uma análise etnográfica em Beneditinos (PI).
    — Izabela dos Santos Silva
  • Maternar com Deficiência: Produção Científica, Estigmas e Experiências de Cuidado
    — Juliana Cavilha
  • Vergonha: parir sob o legado da escravidão no Brasil rural negro Racismo obstétrico e abandono estrutural na atenção materna
    — Laura Caballe Climent
  • Dignidade menstrual, políticas públicas e disputas de sentido: uma etnografia sobre o Programa de Distribuição de Absorventes de Santa Catarina
    — Marina Dutra Soncini
  • Quem pode engravidar "tardiamente" no Brasil? Entre expectativas sociais e tecnologias e políticas reprodutivas
    — Miria Cássia Oliveira Aragão, Susana Silva, Débora Allebrandt
  • Entre pontos e contrapontos: hierarquias e dilemas técnico-emocionais na formação em obstetrícia na Bahia
    — Naiara Maria Santana dos Santos Neves
  • Gestação, parto e amamentação na experiência de um casal transcentrado, preto e periférico
    — Olivia Nogueira Hirsch, Paulo Renato Flores Duran
  • A violência obstétrica como dispositivo de imposição das normas de gênero, raça e classe
    — Ruhana França

GT 080 - Gênero, poder e política: formas de mobilização social em interface com Estado e políticas governamentais

Coordenação
Paulo Victor Leite Lopes (UFRN)
Paula Lacerda (UERJ)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Sérgio Carrara (Instituto de Medicina Social da UERJ)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Jacqueline Moraes Teixeira (USP)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Andrea Moraes Alves (UFRJ)

A proposta do GT consiste em reunir pesquisas em diferentes fases de desenvolvimento a respeito da relação entre gênero, poder e política. Compreendemos que tais categorias são efeitos de práticas e disputas experimentadas pelos sujeitos de forma cotidiana, atravessadas pelas institucionalidades e por diferentes formas de agenciamentos. O GT pretende reunir reflexões que enfatizem o modo como esses ‘três campos’ são mutuamente elaborados, evidenciando processos que envolvem a produção de sujeitos (d)e direitos, embates em torno de diferenças, desigualdades e formas de exclusão, como também a conformação de saberes locais-técnicos-científicos, moralidades e gramáticas emocionais. Nesse sentido, buscaremos debater as distintas configurações que ocorrem quando são observadas etnograficamente instituições, políticas públicas e seus serviços, pensando a gestão, controle e administração de grupos sociais na confluência entre Estado e políticas governamentais. Pretende-se, ainda, acolher propostas que produzam abordagens sobre formas de organização, mobilização e luta política conduzidas por movimentos sociais e outros ativismos, trajetórias e biografias de militantes e políticas/os, observando como gênero e Estado emergem como aspectos relevantes para compreender percursos, trajetórias e conflitos. São ainda bem-vindas reflexões teórico-metodológicas a respeito dos desafios e potencialidades ao conduzir etnografias tendo por objeto a co-produção entre gênero, Estado e política.

Títulos e Resumos

  • Estado e diversidade: documentos, afetos e políticas públicas para população LGBTI+
    — Amadeu Cardoso do Nascimento
  • O gênero da rua e a Universidade: a construção de uma pesquisa militante com mulheres em situação de rua
    — Caroline Silveira Sarmento
  • "Você pode sair da rua, mas ela não sai de você": Pessoas LGBTQIA+ desabrigadas e articulação da vida como "causa"
    — Fabricio Campos Longo da Silva
  • Maternagem ativista indígena: enfrentamentos à letalidade branca
    — Francine Pereira Rebelo
  • Intersecções entre arte, política e religião no Brasil: reflexões a partir de um recorte de gênero e sexualidade
    — Giovanna Mazzamboni Colussi
  • Corpos generificados e práticas de Estado: a atuação das lideranças comunitárias no enfrentamento à violência contra as mulheres em um bairro periférico de Porto Alegre/RS
    — Helena Patini Lancellotti
  • "A gente não faz venda, aqui a gente faz luta": Estado, coletividades e política cotidiana em torno da circulação de cestas básicas durante a pandemia da Covid-19
    — Isabelle Caroline Damião Chagas
  • Construir a si mesmo e ao Estado pelas bordas: mediação, disputa e circuitos de aborto legal entre agentes estatais
    — Jade Novaes de Figueiredo
  • Mais "sexo biológico", menos "identidade de gênero": a controvérsia pública sobre as estatísticas LGBTI+
    — João Otávio Galbieri
  • A produção de verdades jurídicas em apelações criminais de estupro envolvendo corpos masculinos e vulneráveis.
    — João Victor Rossi
  • Saúde por emendas: notas sobre algumas das táticas políticas do "movimento feminino" (PL Mulher) em torno do SUS
    — Júlia Freire de Alencastro, Elaine Reis Brandão
  • O cuidado na construção da paternidade e a paternidade na legitimação da luta política: "direitos humanos masculinos" no Brasil
    — Júlia Viana Palucci
  • Mediações, saberes e práticas: a assessoria técnico-academia na institucionalização de uma política pública LGBTI+ no Estado do Rio de Janeiro.
    — Marcela Virgilio Vendramini de Souza, Viviane Mattar Villela Salles
  • O que o movimento anti-woke estadunidense tem a ver com Diversidade e Transgeneridade no Brasil e na Espanha? A construção de uma perspectiva etnográfica sobre o mundo laboral
    — Nina Acacio
  • Tem ovelha colorida na família: a categoria “família” em disputa e sua apropriação pelo Estado
    — Paula Esteves Pinto
  • Pela reparação e bem viver: o direito a justiça reprodutiva de mulheres negras.
    — Priscilla Pereira dos Santos

GT 081 - Gênero, sexualidade, raça e localização social: produção de diferenças e desigualdades na cidade

Coordenação
Ramon Pereira dos Reis (UEPA)
Roberto Marques (URCA)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Milton Ribeiro (UEPA)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Dediane Souza (UFRN)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Isadora Lins França (UNICAMP)

A aproximação entre antropologia e estudos urbanos no Brasil tem ressaltado a relevância das noções de território e territorialidades nos processos de constituição dos espaços, na produção de sujeitos, suas interações e relações. A articulação com as temáticas de gênero, sexualidade, raça e localização social evidencia como processos de produção citadina correspondem a marcações sociais heterogêneas, em que dinâmicas sociais locais de ocupação dos territórios produzem ranhuras, traduzindo-se por vezes em “periferias” e “centros”, facilitando ou impossibilitando fluxos e circulações, perfazendo mobilidades e zonas fronteiriças. A descrição dessas dinâmicas evidencia manejos, burlas e agenciamentos de diferentes sujeitos, a partir de marcadores específicos, demonstrando relações de pertencimento, denegação e, quem sabe, confluências. Nesse sentido, a co-produção de marcadores de gênero, sexualidade, raça e localização social em diferentes escalas é constituinte dos três eixos que norteiam o GT: as espacialidades, mobilidades e territorialidades. O nosso objetivo é receber trabalhos que aproximem os debates sobre cidades e marcadores sociais da diferença na tentativa de refinar reflexões teóricas e empíricas que nos auxiliem a questionar estatutos citadinos em relação à produção de diferenças e desigualdades, complexificando modos de ser/estar nas cidades desde a proposição de reflexões sobre pertencimento e uso democrático do espaço público.

Títulos e Resumos

  • Gênero e Sexualidade: uma análise sob pesrpectivas sociocultural, Guiné-Bissau
    — António João Franco, Marianna Agnes de Almeida Soares
  • GÊNERO E RESISTÊNCIA: Identidade Das Mulheres Bideiras No Mercado Da Guiné-Bissau
    — Calado Sanhá
  • As diferentes formas de "fazer família" nas e a partir das ruas: parentesco situacional, cuidado e pertencimento entre mulheres trans e travestis em contextos de prostituição
    — Emilly Costa Carvalho Souza
  • "Tatuagem de piranha": o que isso quer dizer sobre raça, classe, gênero e corpo na sociedade brasileira
    — Flávia Cunha da Silva
  • O outro lado do "sonho europeu" de um escort brasileiro em uma cidade brasileira não autorreferente
    — Guilherme Rodrigues Passamani
  • Memória bissexual no Brasil: negociando registros históricos e roteiros urbanos
    — Inácio Saldanha
  • "Movimento Junino sem corpo LGBT, não é movimento Junino": Corpos LGBTQIAPN+ nas juninas de Tocantinópolis-TO
    — Larissa Alves dos Santos Lima
  • "Não, não sou daqui": Reflexões etnográficas sobre lugar de origem, interior e processos migratórios de jovens interioranos, LGBTQI+, negros em Natal-RN.
    — Lucas do Nascimento Santos
  • Transnecropolítica e Morte Estatística: Cartografias da Violência e Territorialidades de Travestis e Mulheres Transexuais em Mato Grosso
    — Luís Antonio Bitante Fernandes
  • Cartografias da resistência: memória LGBTQIAPN+ e direito à cidade em Belém (PA).
    — Ramon Pereira dos Reis, Nicolas Ravi Tourinho Cruz Filomeno, Thiago Cabral da Silva, Iran Santos Da Conceição
  • Produção científica sobre pessoas trans e bissexuais: relações com a política e regionalidade (Brasil, 1970-2023)
    — Regina Facchini, Clarice Santana, Nick Nagari
  • Produção do espaço urbano a partir de processos de mobilidade: gênero, sexualidade geração e nacionalidade em Ressano Garcia, cidade-fronteira moçambicana.
    — Yssyssay Divina Rodrigues

GT 083 - Governo da terra: políticas e tecnologias estatais e contra-estatais de produção, predação e proteção em terras-territórios

Coordenação
Igor Rolemberg (UFRRJ)
Nashieli Cecilia Rangel Loera (UNICAMP)

Pessoa debatedora
Maiara Dourado (Oceana)
Igor Rolemberg (UFRRJ)
Nashieli Cecilia Rangel Loera (UNICAMP)

Este GT é um convite à apresentação de pesquisas que abordem tanto modos não-estatais do “governo da terra” (Loera e Rolemberg, 2025), como também as novas políticas fundiárias, agrícolas e ambientais (de monitoramento, registro, cadastro, discriminação, demarcação, regularização, produção, dentre outras) que têm se transformado bastante nas últimas décadas (em seus métodos, justificações, objetivos, públicos destinatários), não só no Brasil, mas em outros países, e têm recebido pouca atenção etnográfica. Nesse sentido, estimulamos trabalhos voltados para as diversas tecnologias (biológicas, químicas, satelitais, cartográficas, financeiras, jurídicas, comunicacionais, comunitárias, dentre outras) utilizadas por esses modos de governo (estatais, paraestatais ou contra-estatais) para múltiplos fins: produção, reprodução, predação, proteção. A empreitada dessas pesquisas é ainda mais desafiadora, dado o crescente acaparamento de terras (land grabbing) em curso em diversos biomas e regiões, afetando os “múltiplos regimes camponeses de uso da terra” (Almeida, 2023). Direcionamos também o olhar para terras que estão, em muitos sentidos, na “fronteira” (onde diversos modos de conceber o que seja “terra” se chocam) ou ainda “nas margens”, como as terras-territórios moventes, instáveis, indivisíveis, dificilmente apropriáveis, a exemplo das faixas de areia/praias ou os manguezais.

Títulos e Resumos

  • Fazendo muvuca, fazendo floresta: A Rede Terra do Meio e a circulação de sementes para restauração florestal
    — Bruno Campelo Pereira
  • Tecnologias de estado e validação epistêmica: Terras, cartografias e regimes de verdade.
    — Byron Ospina Florido
  • Economia dos ecossistemas? notas antropológicas sobre os agenciamentos econômicos da terra na Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais
    — Ivis Fabiano Chagas Lima
  • Agenciamentos da terra e práticas de saúde: sustentação da vida no acampamento Marielle Vive (Valinhos, SP)
    — Luciana Cavalcanti Alvarez
  • A produção da verdade fundiária: regularização, tecnologias e disputas territoriais em Roraima
    — Marisa Barbosa araujo
  • Políticas de restauração e imaginários sociotécnicos de produção da natureza: o caso do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg)
    — Solana Irene Loch Zandonai, Salomão Alves Pereira
  • Quando o cultivo vira ativo: da tropicalização da soja à financeirização da agricultura
    — Vanessa Parreira Perin

GT 084 - Guerras, Territórios e Autonomias: Entre as violências de cima e as resistências de Abaixo pela Construção do Comum

Coordenação
Júnia Marúsia Trigueiro de Lima (UFCG)
Andrey Cordeiro Ferreira (UFRRJ)

Sessão 1

Pessoa debatedora
José Vicente Mertz (CAPP)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Sebastián Granda Henao (UFGD)

Segundo Clausewitz (2010), “a guerra é a continuação da atividade política por outros meios”. É dessa forma que comumente se pensa a guerra como o epifenômeno, como o conflito armado em larga escala, sendo através da ação bélica que se faz dobrar a vontade de um adversário. Mas desde Clausewitz, a teoria e o fenômeno da Guerra transformaram-se em: guerras irregulares, guerras insurrecionais e populares; guerra irregular de contrainsurgência ou baixa intensidade; guerra ao terror; guerra às drogas; guerras híbridas. Essas são guerras quase invisíveis. Por isso Foucault inverteu a proposição e definiu a política “como a guerra por outros meios”. Um “estado de guerra” se coloca condicionando os sistemas políticos, territórios e culturas: paramilitarismo, narcotráfico, militarização da questão agrária e ambiental. E essa política cotidiana passa a ser, também, a guerra por outros meios; da destruição do tecido social; do desgaste cotidiano, no silenciamento que impacta corpos, coletivos e subjetividades. Todavia, esses sujeitos (povos, territórios, comunidades) não são apenas vítimas passivas do poder. Elas desenvolvem projetos de vida coletiva pela autonomia e construção do comum de forma heterogênea. Convidamos propostas que, a partir desse olhar de um “estado de guerra”, ressaltem resistências frente às violências e ideologias e políticas hegemônicas; que expressem a diversidade dos gêneros e sexualidades, classe, raça e etnicidade, e geografias plurais.

Títulos e Resumos

  • A "Guerra contra os Indesejáveis Urbanos": Entre os jogos de poder e redes de resistência nos mercados populares em São Paulo
    — Ana Lídia O. Aguiar
  • O problema do conjunto: aquilombamento, fuga e outros temas das pessoas livres.
    — Bernardo Curvelano Freire
  • Agências outras-que-humanas nas lutas sociais anarco-autonomistas: anarquismo, antropologia e revisão crítica da bibliografia
    — Evelyn Raissa Lobão, Evelyn Raissa Lobão
  • Mãos pequenas: doulas de guerrilha e cuidado além-Estado ao aborto no Brasil.
    — Luana Rodrigues de Moraes
  • Rojava: a resistência curda e criação do Confederalismo Democrático, o autogoverno dos povos do Oriente Médio.
    — Marina Nobel Pinheiro Maia
  • Guerra e Economia Política: Reflexões sobre o conflito ontológico, entre o esbulho e a recuperação territorial junto aos Guarani e Kaiowá
    — Sebastián Granda Henao
  • O ronco surdo das batalhas: as narrativas visuais da vida na Favela do Moinho
    — Yamin Ho Renaudeau

GT 085 - Hip Hop e Antropologia: Construindo conhecimentos na Cena Social, Acadêmica e Política Brasileira!

Coordenação
Diogo Raul Zanini (UFRGS)
Guilhermo Aderaldo (UNESP)

Nos anos 1970, as juventudes afrodescentes no Atlântico Negro (Gilroy, 2001) criaram expressões culturais autênticas, influenciadas pelos bailes e sociabilidades culturais negras. Nos EUA, influenciados pelo Sound System Jamaicano, entre outras referências Afro-diaspóricas, surgiu a Cultura Hip Hop e seus Cinco Elementos (Breaking, DJ, Graffiti, MC e o Conhecimento). No Brasil a Cultura Hip Hop se manifestou nos Bailes Blacks e espaços públicos das grandes, médias e pequenas cidades brasileiras. Atualmente a Cultura Hip Hop se transversaliza e se intersecciona com diversas frentes de ação, notadamente as políticas públicas, e pautas sócio-identitárias ligadas à raça, gênero orientação sexual, território, juventudes, entre outras. A Antropologia, em suas diversas áreas, têm analisado a Cultura Hip Hop como um cenário de produção e disputa de espaços de expressão, educação, sociabilidade, arte, cultura, sustentabilidade e cidadania nas ruas, espaços públicos e instituições. Serão acolhidos trabalhos envolvendo estudos etnográficos, bibliográficos, qualitativos e quantitativos, práticas de atuação profissional na academia e para além dela, relacionados aos Cinco Elementos da Cultura Hip Hop (Breaking, DJ, MC, Graffiti, Conhecimento) Slam, batalhas, coletivos, campeonatos, Casas de Hip Hop, Museus do Hip Hop, feiras, exposições, acervos e patrimonialização da Cultura Hip Hop, articulações com o Estado e outros setores e dimensões imersas na sociedade, nas ruas e nas instituições.

Títulos e Resumos

  • A Batalha do Tanque: ressignificação simbólica e apropriação do espaço público em São Gonçalo (RJ)
    — Chrystian Melon Marins
  • Corpo, Câmera e Ritual: Uma etnografia "de dentro" das batalhas de Hip Hop Dance no Sul do Brasil.
    — Deivid Garcia Viegas, Daniele Borges Bezerra
  • Ilha da magia: Costurando narrativas de liberdade de mulheres negras da cena Hip Hop.
    — Diennifer Eloísa Campos Cardozo
  • O Hip Hop moçambicano e a (re)invenção intercultural da identidade nacional: uma abordagem socioantropofilosófica
    — Dulcídio Manuel Albuquerque Cossa
  • Vozes que desafiam: mulheres nas batalhas de rima e o protagonismo na cena hip hop de Goiânia
    — Emiliana Pereira dos Santos
  • As articulações de mulheres e as ondas do feminismo no Hip Hop
    — Harumi Laini Agata da Rocha
  • Estudos Hip Hop- contexto e perspectivas
    — Jefferson de Assis Fleming, Diogo Raul Zanini
  • Um bom malandro: adaptabilidade e sociabilidade em eventos de graffiti (DF)
    — Lucas Yuri Fernandes Silva
  • Patrimonialização do Hip-Hop a partir do projeto Sementes do Hip-Hop nas Escolas
    — Nathan Anderson Menezes Pacheco
  • Hip Hop na Amazônia: território como ontologia relacional no enfrentamento às mudanças climáticas
    — Patrícia Patrocínio
  • Batalha do Crematório: História, violência policial e a circulação da economia através do movimento Hip Hop que acontece na Praça Dalcídio Jurandir, bairro da Cremação - periferia de Belém do Pará.
    — Rafael Sales Chaves, Luísa Maria Silva Dantas
  • A cultura hip-hop como linguagem pedagógica: um relato etnográfico no ensino de Sociologia.
    — Sabrina Royer Stragliotto Brito
  • A cena das b-girls em São Paulo: trajetórias, fortalecimento e desafios
    — Sofia Vieira Corrêa
  • Casa "Escola" Ruína: o território como instância de saber no Hip Hop em Teresina, Piauí
    — Vanessa Nunes Soares

GT 086 - Islã, Palestina e Diásporas: Etnografias de contextos locais e transnacionais

Coordenação
Francirosy Campos Barbosa (USP)
Silvia Montenegro (Conicet)

O presente GT busca reunir antropólogos(as) que investigam práticas sociais, religiosas e políticas vinculadas ao Islã em sociedades de maioria muçulmana ou comunidades diaspóricas. Diante do genocídio em Gaza, trabalhos etnográficos sobre os contextos de ocupação e resistência na Palestina e na diáspora são bem-vindos. Ao reunir pesquisas que dialogam com campos como antropologia da religião, antropologia política, antropologia das migrações, estudos pós-coloniais/decoloniais e etnografias de conflitos, o GT pretende reunir trabalhos representativos do estado atual do campo de estudos antropológicos sobre o mundo muçulmanos feitos no Brasil e no exterior 1. Etnografias do Islã no Brasil e na América Latina 2. Diásporas árabes, africanas e palestinas 3. Islamofobia, racismo religioso e securitização

Títulos e Resumos

  • A resistência das mulheres palestinas na defesa da sua Terra
    — Daniella Borges
  • Islamofobia no Contexto Brasileiro e Estratégias para Enfrentá-la, a partir dos Relatórios Produzidos pelo Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicos e Árabes (GRACIAS)
    — Francirosy Campos Barbosa, Luiz Felipe Dias Pereira
  • Deus provê e prevê: notas sobre a morte e o morrer em comunidades muçulmanas no Brasil
    — Gisele Fonseca Chagas
  • Exílio e resistência: diásporas muçulmanas entre o Sul do Líbano e o interior paulista
    — Luís Augusto Meinberg Garcia
  • Trajetórias de Mulheres Muçulmanas na Política Institucional no Brasil: Islamofobia, Gênero e Representatividade
    — Natalia Augustini
  • Comidas, memórias, invenções e éticas muçulmanas a partir da trajetória de uma curda em São Paulo.
    — Natália Neme Carvalhosa
  • Entre Missão e Testemunho: A Ahmadiyya no Brasil e em Suriname
    — Paulo Gabriel Hilu da Rocha Pinto
  • "Quem poderá interceder junto a Ele, sem a Sua permissão?" Intercessão e mediação espiritual no sufismo Naqshbandi-Haqqani
    — Rafael Magalhães Vasconcelos Maron
  • Educação para a paz: reflexões sobre estratégias didático-pedagógicas com Islã na formação inicial de professoras
    — Rosenilton Silva de Oliveira
  • "Quando você viaja, você é diáspora": uma análise comparativa das mobilidades haitianas e palestinas
    — Rosiane Trabuco de Oliveira
  • Do Mascate ao Influenciador: A Transformação da Imagem Árabe e a Luta pela Narrativa Palestina na Mídia
    — Vitor Emanuel Weissheimer de Souza

GT 087 - Juventudes, Educação e Diversidades

Coordenação
Geovana Tabachi Silva (UFF)
Adiles Savoldi (UFFS)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Raquel Brum Fernandes (UFF)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Fábio Carminati (docente)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Adiles Savoldi (UFFS)

O GT propõe um espaço de diálogo voltado à análise das múltiplas experiências juvenis na contemporaneidade, articulando marcadores sociais como raça, gênero, classe, território, sexualidade e geração às práticas culturais e educativas formais e não formais. Partindo de uma perspectiva antropológica, buscamos problematizar como os jovens, especialmente no Brasil e na América Latina, constroem sentidos sobre si, produzem pertencimentos e negociam projetos de vida em contextos atravessados por desigualdades e disputas simbólicas. Acolheremos pesquisas concluídas ou em andamento, estudos de caso, etnografias escolares e experiências articuladas à Lei 11.645/08, práticas pedagógicas inovadoras e reflexões teóricas que examinem os modos pelos quais a escola, a universidade e outros espaços educativos se tornam ambientes de produção de identidades, conflitos, resistências e invenções juvenis. Serão bem-vindas contribuições que valorizem olhares interseccionais na abordagem de temas como culturas juvenis, letramento racial, políticas de diversidade, formação docente, tecnologias e mídias digitais, juventudes indígenas, quilombolas e periféricas, interseções entre arte e educação, processos de vulnerabilização, práticas decoloniais e os impactos das reformas educacionais recentes. O GT pretende consolidar um campo de debate plural e crítico, compreendendo a juventude como categoria social fundamental para pensar a educação contemporânea.

Títulos e Resumos

  • Projeto interações: nas trilhas do conhecimento
    — Adiles Savoldi, Fábio Carminati, Júlia Samily Kich
  • Escrita e intervenção: o que cidade nos fala.
    — Bruna Raquel Fontes Santana
  • A contra colonização no Ensino Médio: experimentando a oralidade entre jovens em Campos dos Goytacazes
    — Douglas Costa de Sousa, Geovana Tabachi Silva
  • Juventudes indígenas e a construção do GEPSIN como prática intercultural na Universidade Federal de Goiás
    — Isabela de Oliveira Rosa, Elina Guajajara, Maluá Silva Kuady Karajá, Camila Nogueira do Nascimento, Gardenia de Souza Furtado Lemos, Pedro Caixeta Frota
  • Em busca de pertencer: espaço acadêmico, religiosidade e vida pública
    — Leandro de Paula
  • Para além do Projeto de Vida: As perspectivas de futuro de jovens de uma escola rural de Campos dos Goytacazes - RJ
    — Maria Eduarda Emrich do Amaral, Raquel Brum Fernandes
  • Novo ensino médio: uma análise a partir da categoria interseccionalidade em uma escola pública em Natal/RN
    — Maria Iria Mabele Elias da Cunha, Elisete Schwade
  • Juventudes escolares urbanas amazônidas: sociabilidades on e off por meio das brincadeiras e conflitualidades em uma escola de ensino médio de Belém - Pa.
    — Mário Jorge Brasil Xavier
  • Escola, território e memória ambiental: uma etnografia na Colônia de Pescadores Z3
    — Milena Rodrigues Estevão, Milena Rodrigues Estevão
  • Construção da autonomia e fluidez de categorias: sexualidade e gênero entre jovens egressas do ensino médio
    — Sasha Cruz Alves Pereira

GT 088 - Lugares de Poder e Decisão? O que fazem as mulheres negras, quilombolas e indígenas na recente paisagem institucional brasileira?

Coordenação
Lucybeth Camargo de Arruda (UFOPA)
Carla Ramos (Universidade do Texas)

Nos últimos anos, a participação de mulheres negras, quilombolas e indígenas no debate público institucional tem influenciado agendas políticas em diversos países, inclusive no Brasil. Essas lideranças, pensadoras e gestoras ocupam e disputam espaços nos setores público e privado, atuando em diferentes áreas. Este GT tem como objetivo reunir pesquisas que investiguem a inserção dessas mulheres em órgãos públicos e outros espaços de “poder e decisão”, onde se destacam como articuladoras, pensadoras e gestoras. Buscamos compreender de que forma elas desafiam normas e padrões estabelecidos, oferecendo novas perspectivas para analisar dinâmicas de poder e possibilidades concretas de transformação social; o papel de suas memórias e trajetórias de luta, frequentemente utilizadas como força motriz e referência de conteúdo para a formulação de políticas públicas; e, por fim, as estratégias mobilizadas para atuar em ambientes historicamente refratários aos seus corpos, saberes e experiências sociopolíticas. Nosso foco é, sobretudo, o período mais recente, considerando marcos institucionais como a criação da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial e da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, em 2003, e, mais recentemente, em 2023, a criação do Ministério da Igualdade Racial, do Ministério dos Povos Indígenas e do Ministério das Mulheres.

Títulos e Resumos

  • Atuação, fortalecimento étnico e articulação: um panorama sobre o protagonismo feminino no quilombo de Coqueiros/RN
    — Ana Alice Galdino Cavalcante
  • Corpos Indígenas Mulheres no espaço de poder
    — Braulina Baniwa
  • Mulheres Negras na Política: O que pautar, o que representar, quais temas a visibilizar
    — Maria Railma, Claudia Luz de Oliveira

GT 089 - Masculinos em relação: pessoas, mundos sociais e etnografias da complexidade

Coordenação
Marco Julián Martínez-Moreno (UFRGS)
Asher Brum (UFMS)

Este GT propõe discutir o masculino a partir da noção de pessoa como forma relacional, produzida em interações concretas e não como identidade fixa. Em distintos mundos sociais, a pessoa emerge na circulação de afetos, substâncias, obrigações, moralidades e vínculos; é nesse entrelaçar que o masculino ganha valor e inteligibilidade. Ao privilegiar pessoas em relação, buscamos entender como práticas de cuidado, trabalho, conflito, silêncio, presença e reciprocidade produzem modos plurais de “ser homem”, evitando essencializações e reduções moralizantes. Em casas rurais e urbanas, coletivos juvenis, instituições estatais, comunidades indígenas, territórios populares, contextos religiosos, políticas públicas e arenas jurídicas, o masculino assume contornos diversos: ora vinculado à agência individual moderna, ora imbricado em regimes de interdependência, dádiva, tutela, vigilância ou afeto. A tensão entre indivíduo e pessoa relacional é central para compreender como masculinidades se tornam inteligíveis, disputadas ou contestadas em sociedades marcadas por desigualdades diversas. Sem desconsiderar o enfoque interseccional, buscamos mostrar como antropologias da pessoa problematizam a formação, responsabilização e reconhecimento das pessoas masculinas. Convidamos pesquisas que explorem, via etnografia, as relações que constituem o masculino em contextos domésticos, comunitários, legais, religiosos, institucionais e políticos, articulando gênero, pessoa e complexidade relacional.

Títulos e Resumos

  • "Não sou e não curto": satisfação e frustração de expectativas sobre performances masculinas em aplicativos de encontro
    — André Henrique dos Santos Francisco
  • De Exu à Oxum: masculinidade negra gay no texto poético HomoAfroErótico de Jordan
    — André Luiz de Souza Filgueira
  • Lobos em pele de meninos: a masculinidade ressentida e a socialização da juventude perante as redes sociais
    — Bruna de Oliveira Martins, Matheus da Rocha Viana
  • "Trajado, cabelo na régua e posturado, vou para qualquer lugar": produção das masculinidades em barbearias na zona oeste do Rio de Janeiro
    — Carlos Gonçaves da Fonseca
  • Diálogos sobre Masculinidades Indígenas na comunidade Taxi da terra Raposa Serra do Sol em Pacaraima-RR
    — Gilmara Pinheiro de Andrade
  • Masculinidades, trabajo de intervención y afectividad: exploraciones a través del archivo de los cuerpos penitenciarios
    — Jose Ricardo Gurtierrez Vargas
  • O que eles têm na cabeça? Barbearia, masculinidades, juventudes negras e periféricas do Distrito Federal
    — Laisa Fernanda Alves da Silva
  • Masculinidades como operador moral: conversão, reciprocidade e inteligibilidade
    — Marco Julián Martínez-Moreno
  • E quando o homem é a vítima de um estupro?
    — Renê Bastos Ventura

GT 090 - Memórias sensíveis, contramemórias e patrimônios incômodos: políticas, suportes e narrativas

Coordenação
Lilian Alves Gomes (UCAM)
Hugo Menezes Neto (UFPE)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Glauber de Lima (UFG)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Milton Ribeiro (UEPA)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Larissa Maria de Almeida Guimarães (IPHAN)

O conceito de patrimônio de matriz eurocêntrica frequentemente reitera narrativas conciliatórias a respeito do que é digno de lembrança. A denúncia do caráter estrutural da violência, protagonizada pelas populações silenciadas pelo colonialismo nos países da Améfrica Ladina (Gonzales, 1987), vai de encontro a essa perspectiva, trazendo à tona outras agências e protagonistas na dinâmica de preservação e esquecimento. Situações traumáticas, apagadas da história oficial e da memória coletiva, têm sido cada vez mais levadas ao debate público. Os meios para tanto são diversos, como, por exemplo, as intervenções sobre monumentos legitimados; a criação de memoriais e de museus comunitários; a elaboração de antimonumentos e ações de contramemória; a releitura/reconfiguração de exposições e acervos por agentes invisibilizados ou historicamente retratados de forma estereotipada. É pertinente analisar as estratégias de contestação de narrativas supostamente estabelecidas, frequentemente povoadas por personagens brancos, cisheterossexuais, fardados e masculinos. O GT, portanto, propõe discutir: quais são os objetos, corpos, narrativas e gestos mobilizados em estratégias de contestação de narrativas patrimoniais hegemônicas? Como as questões de raça, gênero, classe e/ou sexualidade são agenciadas na disputa pela maquinaria patrimonial? Como a interpelação mútua entre a rua e a arte movimenta processos de luta pela descolonização do espaço urbano?

Títulos e Resumos

  • Coleções particulares de parteiras tradicionais: de lembranças sensíveis a políticas de reconhecimento
    — Elaine Müller, Júlia Morim
  • Direitos Humanos em Biografia: memórias sensíveis, territorialidades e agências nas margens do Estado
    — Francisco Sá Barreto dos Santos
  • Projeto de Memória Corredor do Mundo Inteiro: Acervo encantado e memórias juremeiras
    — Henrique Falcão Nunes de Lima
  • Cidade das Mestras: arte, encantamento e memória na Jurema Sagrada
    — Izabella Barbosa da Silva
  • Memórias em disputa e patrimônios incômodos: o caso Renildo
    — Jinx Vilhas Mauricio da Silva
  • A estátua de Sarah Baartman na UCT: disputas ao redor de gênero, raça, memória e arte
    — Luana Piveta de Moura Luz
  • A COLHEITA DE DAN - Instalação de Gê Viana: Assentamentos de Memórias Negras na 36ª Bienal de São Paulo
    — Luzia Gomes Ferreira
  • Regimes de verdade e disputas pelo passado: A cidade como texto em Laranjeiras/SE.
    — Mesalas Ferreira Santos
  • Bordar memória, fazer política
    — Milena de Oliveira Silva
  • Candomblé em Silêncio? Etnografia de Arquivo e a Resistência da Dinastia Padre Nosso em Maceió (1885-1940)
    — Ulisses Neves Rafael
  • Casa Grande do Marinheiro no Quilombo-Indígena Tiririca dos Crioulos/PE ou: patrimônio, memória e identidades não autorizadas
    — Vy Motta Ferreira

GT 091 - Memórias sensíveis, violência estatal e fragmentos narrativos: reflexões metodológicas e desafios etnográficos

Coordenação
Roberta Sampaio Guimarães (UFRJ)
Adriana dos Santos Fernandes (UNIFESP)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Patrícia Birman (UERJ)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Edson Miagusko (UFRRJ)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Cibele Rizek (US)

Este GT visa estimular o debate em torno das metodologias de pesquisa sobre “memórias sensíveis”. Como memórias sensíveis, denominamos as elaborações conscientes sobre os eventos violentos ou críticos autorizados ou impetrados por agentes estatais – como os referentes à invasão e exploração de terras indígenas; às formas de segregação racial; à repressão, tortura e assassinato cometidos por forças da ordem; às expulsões e deslocamentos habitacionais forçados; aos crimes ambientais, entre outros. Trata-se de memórias que, além de marcadas por dor, sofrimento, raiva e vergonha, são forjadas, moduladas e negociadas por indivíduos e coletividades que clamam pelo engajamento público, pela identificação de culpados e por reparações no tempo presente. Com esta proposta, buscamos reunir trabalhos que reflitam sobre a investigação de arquivos oficiais, acervos pessoais, portais de notícias, falas testemunhais, expressões artísticas e demais fontes fragmentadas de registro e seus usos na elaboração etnográfica. Mais do que entrecruzar experiências individuais e coletivas, nos interessam reflexões dedicadas a compreender as ambiguidades, lacunas e imprecisões narrativas, os posicionamentos discursivos, os regimes de verdade, os dilemas éticos e políticos e as estratégias de enunciação para lidar com as ambivalências dos sentidos e ações.

Títulos e Resumos

  • Nos rastros de um acervo sobre moradores de rua: memórias e disputas nos anos da redemocratização
    — Adriana dos Santos Fernandes, Joana Barros
  • Privatização da vida: mercadorização, finança, violência nos conjuntos habitacionais da capital paulista
    — Ana Luiza Vieira Gonçalves, Cibele Saliva Rizek
  • Dor, luto e estigma: os desafios etnográficos de uma pesquisa com camelôs
    — Ana Paula Potengy Grabois
  • Entre Memória e Esquecimento: Políticas da Aids, Testemunhos e Memoriais
    — Carlos Guilherme Octaviano do Valle
  • Narrar a partir dos ruídos: cotidiano, Estado e violência em uma favela carioca
    — Caroline Laya de Menezes
  • Entre o “velho oeste" e a ordem do crime: memórias sensíveis e desafios metodológicos numa favela da grande São Paulo
    — Edson Miagusko
  • Arquivos da suspeita: vigilância estatal, cultura e violência cotidiana
    — Emanuelle Garcia
  • Para Além do Componente Emocional: A trajetória das mulheres do MST na constante luta contra a repressão Estatal
    — Gabriel Amaral de Carvalho
  • "Seguimos..., mas sem jamais esquecer! 15/02": Petrópolis, as chuvas de 2022 e registros de memória de uma tragédia coletiva
    — Gabriela Almeida Kronemberger
  • Mortes e Além: Etnografia da Violência Estatal e das Mobilizações por Justiça nas Operações Escudo e Verão
    — Isabela Vianna Pinho, Evandro Cruz Silva, Anna Clara Pereira Soares
  • Ruínas do passado: luto e melancolia na construção da memória pública sobre a experiência da ditadura civil-militar (1964-1985)
    — João Paulo Castro
  • Um escarafunchar não exato entre visitar e criar guardados: consulta ao arquivo morto e organização de um acervo de um hospital geriátrico
    — Natalia Negretti
  • Os discursos que emergem da lama: reparação simbólica e memória do rompimento da barragem de Brumadinho
    — Nina Avila
  • Dramas, Campos e "Verde e Amarelo": o 8 de Janeiro como Drama Social do Brasil Democrático
    — Raquel Bouillet
  • O silêncio dos vivos: registro, modulação e arquivo da memória pública das 28 mortes na favela do Jacarezinho, Rio de Janeiro
    — Roberta Sampaio Guimarães
  • Pelos fios de narrativas: a investigação dos arquivos na elaboração etnográfica
    — Sylvia Teixeira Soares Bomtempo

GT 092 - Migrações, mobilidades e deslocamentos: quando as diversidades se encontram

Coordenação
Gláucia de Oliveira Assis (UNIVALE)
Maria Catarina Chitolina Zanini (UFSM)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Igor José de Renó Machado (UFSCAR)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Diana Patricia Bolaños Erazo (UFSM)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Luciana Hartmann (UNB)

Este GT, ativo na ABA desde 2006, tem almejado continuadamente refletir e analisar diferentes contextos das dinâmicas de deslocamento/mobilidade, tanto nas dimensões históricas, como contemporâneas, nacionais e internacionais. Observa-se, nos cenários atuais, muitas vezes tensionados pela rigidez das legislações e das políticas de acolhimento nos países de destino, o quanto os encontros de diversidades tem gerado formas rígidas de interpelação. Violentas algumas, como tem se manifestado nos embates nos EUA, por exemplo. Pensamos que muitas destas questões devem ser estudadas e analisadas com a potência da Antropologia, inclusive quanto ao número crescente de crianças entre a população que se desloca. Em contextos de instabilidade e de incertezas, em que deportações, xenofobia, inflam e aumentam a percepção das discriminações, o objetivo deste GT é refletir acerca do diverso em espaços comuns e suas possibilidades de negociação. Neste GT agregaremos propostas que objetivam refletir e analisar as dinâmicas, processos e políticas migratórias, considerando que raça, gênero, classe, geração, etnia, religiosidade e outros marcadores influenciam nas vivências cotidianas dos sujeitos em mobilidade, bem como as formas de acolhida e de interações interculturais. A partir do diálogo interdisciplinar da Antropologia com outras áreas visamos, também, ampliar as trocas metodológicas, teóricas e partilha de estudos promovendo intercâmbio de experiências e de resultados de pesquisa.

Títulos e Resumos

  • A reconstrução da vida como categoria de análise: experiências de pesquisa com mulheres migrantes no México e em Honduras
    — Barbara Marciano Marques, Tuila Botega
  • Mobilidades e continuidade transnacional de normas morais confucionistas: experiências migratórias de chineses LGBTQIAPN+ no Brasil
    — Bingzhang Wang
  • (i)mobilidades de migrantes brasileiros LGBT em Nova York diante do recrudescimento das políticas anti-imigração e antigênero
    — Bruno Nzinga Ribeiro
  • Racialização em movimento: subjetividades "pardas" nos fluxos migratórios internos no Brasil
    — Carolina Abreu dos Santos
  • Ativismos de newcomers queer africanos em Toronto
    — Francisco Paolo Vieira Miguel
  • Influencers da migração: o caso brasileiro na Irlanda
    — Guilherme de Lima, Igor José de Renó Machado
  • Nem Legal, Nem Ilegal, De Qualquer Maneira Pague Seus Impostos: a inserção de indocumentados brasileiros no aparato legal de Massachussetts/EUA
    — Heron Cristiano Mairink Volpi
  • Epistemicídios nas experiências de mulheres haitianas e suas descendentes na República Dominicana
    — Igor Borges Cunha, Susana Martínez Martínez, Delia Dutra da Silveira
  • Internacionalização do Ensino Superior e "migração estudantil" face à ascensão da extrema direita em Portugal
    — Jamiro Paulo Sanca, Medilanda Eliseu Amós Tubento Sanca
  • Vidas em Tela: Etnografia Digital da Migração Brasileira em Londres, Redes de Apoio e os Impactos do Pós-Brexit
    — Letícia de Luca Torres
  • Etnografia performativa: uma proposta poética e política para a realização de pesquisas com infâncias migrantes
    — Luciana Hartmann
  • Reflexões sobre fazer famílias ao caminhar: três casos na fronteira do Brasil-Venezuela
    — Ludmila Balanin Almeida Mello
  • Maternidades em trânsito: mulheres migrantes e os caminhos do cuidado entre a doença e a esperança
    — María de los Milagros Camacho de la Cruz, Luciene de Oliveira Dias
  • De uma ilha para outra: a construção de redes de afetos por migrantes cubanas em Florianópolis
    — Priscilla Gusmão Pinto Pereira

GT 093 - Mulheres e grupos dissidentes na história da antropologia

Coordenação
Miriam Pillar Grossi (UFSC)
Christiano Key Tambascia (UNICAMP)

Trajetórias singulares de pesquisadoras/es e de grupos de pesquisa na história da antropologia brasileira — marcadas por apagamentos e desqualificações de gênero, raça, região e, pela inovação etnográfica, em diferentes momentos históricos — compõem o mosaico de dissidências que orienta este GT. Nosso objetivo é rastrear contribuições individuais e coletivas pouco (re)conhecidas na história da disciplina. Os debates contemporâneos sobre a história da antropologia confundem-se com reflexões críticas sobre a própria disciplina. Mais do que dar visibilidade a mulheres e sujeitos esquecidos/es, este GT é motivado por desejos de transformação da antropologia, seja em termos teóricos, metodológicos, epistemológicos ou políticos. Este GT visa recuperar e reconhecer trajetórias e a contribuição intelectual de pesquisadoras/es e coletivos marginalizadas/os e refletir sobre as razões e os efeitos desse apagamento/silenciamento, problematizando e valorizando as posições sociais de quem produziu e vem produzindo conhecimentos antropológicos, a partir de margens e marcadores sociais como gênero, classe, raça, sexualidade, deficiência, terrritórios, entre outros. Convidamos pesquisadoras/es que estudam mulheres e grupos subalternizados na história da disciplina a integrar este GT, de forma a estimular o diálogo e renovar criticamente a historiografia da antropologia brasileira.

Títulos e Resumos

  • Mariza Corrêa e as mulheres nas histórias das antropologias portuguesa e brasileira: notas a partir de um projeto transatlântico inacabado
    — Amanda Gonçalves Serafim
  • Reflexo de Invisibilidade: Cadê as mulheres no campo?
    — Barbara Albues Campos
  • Antropólogos contra antropólogos: reflexões sobre o conflito nos contextos universitários de ontem e de hoje
    — Candice Vidal e Souza
  • Reescrever o campo e deslocar o olhar: mulheres na reconstrução da antropologia em Cabo Verde
    — Carmelita Silva
  • Etnografias do Invisível: as lesbianidades na história da antropologia brasileira
    — Gabriela Pedroni
  • A Trajetória de Berta Gleizer Ribeiro na Antropologia brasileira: repensando margem e centro
    — Isabella Trevine
  • Maternagem como transgressão no saber antropológico: cuidado, escrevivência e neurodivergência.
    — Lisianne Lima de Santana, Luciane Silva de Souza Prudente
  • Quem foi Wanda Hanke?
    — Mariana Moraes de Oliveira Sombrio
  • A vocação antropológica de Egon Schaden e a preservação do seu legado
    — Tânia Welter

GT 094 - Nação, heterocolonialidade e dissidências de gênero e sexualidade

Coordenação
Fabiano de Souza Gontijo (UFPA)
Estevão Rafael Fernandes (UNIR)

Os apagamentos e enquadramentos reguladores da diversidade sexual e de gênero constituem instrumentos de um dispositivo essencializador e naturalizador sustentado pelos sistemas médico-científico e jurídico-normativo modernos que operam na produção do projeto hegemônico de nação em contextos submetidos à situação colonial. Trata-se de nacionalidades euronorcentradas, racialmente marcadas, heteronormativas e reprodutoras de múltiplos colonialismos internos que definem as fronteiras entre cidadania e abjeção, entre vidas reconhecíveis e existências apagadas. O GT propõe abordar os dispositivos de enquadramentos da diversidade sexual e de gênero no âmbito dos processos de manutenção de formas de pertencimento e ideologias nacionais em perspectiva comparada, multissituada ou global consciente dos efeitos das situações coloniais. Busca-se verificar a relação do campo de produção de conhecimentos acadêmicos com esses instrumentos e dispositivos no seio daqueles processos, reconhecendo que a heterocolonialidade organiza e fundamenta os projetos nacionais através da regulação sexual e de gênero, indissociáveis de marcadores raciais, territoriais e epistêmicos. Serão debatidos resultados de pesquisas realizadas ou em andamento, reflexões teóricas e propostas metodológicas que contribuam para a compreensão da articulação de marcadores sociais da diferença como gênero, sexualidade, raça, classe, geração e religião com os projetos nacionais e as discursividades nacionalistas.

Títulos e Resumos

  • O Estado-Nação, O Não-Soberano, e A Diversidade Sexual e de Gênero na América Latina: Os Casos da Amazônia e Porto Rico
    — Carlos Andrés Montes Jiménez
  • INDÍGENA, TRAVESTI E PESQUISADORA: primeiras percepções a partir do doutorado em antropologia social
    — Kiga Boe
  • Entrelugares Digitais e a Nação Angolana: Experiências LGBTQIAPN+ em disputas à ideia de tradição e modernidade.
    — Lucas Ribeiro da Silva
  • Quando o queer encontra o axé: limites e deslocamentos
    — Ronaldo Trindade
  • Movimentos indígenas e a formulação de políticas públicas no Brasil: etnografia da 4ª Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+
    — Tchella Fernandes Maso, Flávia Belmont

GT 096 - O Turismo e Suas Interfaces: Um Olhar Antropológico

Coordenação
Roque Pinto (UESC)
Maria Amália Silva Alves de Oliveira (UNIRIO)

O turismo se configura como um objeto de investigação dinâmico, complexo e multifoliado, exigindo um crescente esforço teórico e metodológico de cientistas sociais em geral, e em especial da antropologia, que encara o desafio de investigar o turismo a partir de várias aproximações, desde uma ampla abordagem socioeconômica até pesquisas etnográficas mais atomizadas, sempre buscando conectar aspectos sociais, culturais, patrimoniais, memoriais, econômicos, ecológicos, simbólicos e, mais recentemente, tecnológicos. Assim, este GT propõe reunir pesquisadoras e pesquisadores que venham realizando investigações ligadas ao turismo e seu entorno, abarcando temas como uso de recursos comuns, áreas protegidas, meio-ambiente, conflitos econômico-sociais, overturismo, comunidades haliêuticas, patrimônio, memória, turismo de base local, turismo e etnicidade, turismo e tecnologias de comunicação (internet e redes sociais) e temáticas contíguas e afins. Pretende-se, assim, contribuir para o incontornável e crescente debate contemporâneo em torno da temática do turismo e suas múltiplas interfaces.

Títulos e Resumos

  • O caravanismo como prática turística: modos de fazer turismo na estrada
    — Amanda Paola Alves Caldo, Álvaro Banducci Júnior
  • ENTRE O DISCURSO DA SUSTENTABILIDADE E A PRÁTICA DA MERCANTILIZAÇÃO: as múltiplas faces do turismo no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses
    — Ana Luiza Sousa Romeiro, Benedito Souza Filho
  • Conservação e turismo: uma análise da relação entre educação ambiental e o ecoturismo no caso específico da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sítio Curucutu (São Paulo-SP)
    — Carolaine Nunes Silva
  • Trabalho permanente e o descanso impossível: regimes de temporalidade e lazer de docentes na pandemia da COVID 19
    — Dan Gabriel D'Onofre Andrade Silva Cordeiro
  • Turismo, escravidão e direito à memória: práticas de memoração no Circuito Histórico da Pequena África
    — Débora Anízio Rios
  • Para quem é o desenvolvimento? Estado, turismo e desigualdade no Tren Maya
    — Estefania Santoyo Pérez
  • Estudo de base etnográfica na construção de um projeto de turismo comunitário
    — Helena Catão Henriques Ferreira
  • Indagar "o estado mais seguro do Brasil": desenho de pesquisa etnográfica entre turismo e segurança pública em Santa Catarina
    — Jo Pedro Barros Klinkerfus
  • Cultura da pesca artesanal: turismo, memória e conservação ambiental em Magé (RJ)
    — Maria Amália Silva Alves de Oliveira
  • O serrano como refúgio que pulsa vitalidade: ecoturismo e projetos de "futuro" na construção de um território
    — Matheus Piter
  • Homo figuratus: Biografias de destinos, figurações sociais e narrativas digitais no Instagram
    — Roque Pinto da Silva Santos

GT 097 - Os desafios contemporâneos da escrita etnográfica

Coordenação
Ninno Amorim da Silva (UFPB)
Simone de Oliveira Mestre (UFSCAR)

O Grupo de trabalho é um desdobramento do minicurso intitulado "Fundamentos da Escrita Etnográfica”, que foi ministrado pelos proponentes deste GT nas últimas duas edições da Reunião de Antropologia do Mercosul (2023/2025). Durante o minicurso as/os participantes compartilharam inquietações, incertezas e apontamentos em torno dos desafios da escrita etnográfica contemporânea. A etnografia é marcada pelo exercício reflexivo constante sobre estilos e formatos do registro etnográfico, constantemente em expansão, com perspectivas que vão desde o debate em torno da “descrição densa” e passam pela discussão sobre “autoridade etnográfica”, além de evidenciarem uma diversidade de estilos narrativos. Como exemplo, temos a tendência de pesquisas que adotam uma abordagem autoetnográfica ou etnografia multissituada. Dessa forma, o objetivo do GT é reunir trabalhos que promovam o debate sobre a escrita etnográfica e suas possibilidades teórico-metodológica, buscando estabelecer diálogos entre a realização do trabalho de campo, a construção de conhecimentos situados e epistemológicas plurais. Serão aceitos artigos que discutam temas como estilos de escrita, autoridade etnográfica e trabalho de campo. O GT visa a contribuir com a construção de uma comunidade dedicada a fomentar os usos da etnografia na produção do conhecimento dentro e fora do campo da antropologia.

Títulos e Resumos

  • Entre a Antropologia e a Literatura: O escritor como Antropólogo ou o Antropólogo como Escritor?
    — André Gouvêa Andrade
  • Quando a tese se torna romance: etnografia, ficção e os limites da escrita antropológica
    — Beatriz Brandão dos Santos
  • Documentos como campo: desafios da escrita etnográfica sobre protocolos antirracistas
    — Cristiane de Oliveira Rosa
  • Feras, céus e formas: novos ângulos da escrita da cultura
    — Eduardo Moura Oliveira
  • Ficções e não ficções: os espaços do real no fazer antropológico
    — Janaína Ferreira Fernandes
  • Olhar de perto e de dentro: uma Autoetnografia sobre a Educação Matemática no Currículo Infantil Boliviano
    — Joana Inês Novaes, Harryson Junio Lessa Gonçalves
  • Os desafios de etnografar vivências de crianças e adolescentes em espaços educativos: Uma reflexão sobre o trabalho de campo no Projeto Proara Araci em São Carlos-SP.
    — Letícia Firmino Abdala, Simone de Oliveira Mestre
  • Pensando a escrita etnográfica colaborativa: experiências e vivências no curso de Pedagogia.
    — Melissa Natasha dos Santos Ferreira, Letícia Coelho Honório, Cristiane de Oliveira Rosa
  • O uso de "personagens" no texto etnográfico ou como apresentar as pessoas presentes na pesquisa.
    — Ninno Amorim da Silva
  • De Paciente à Etnógrafa: a transformação da vivência com o câncer em escrita etnográfica
    — Rita de Cássia Domingues Lopes
  • A procissão de Nossa Senhora dos Navegantes em Barra de Mamanguape: um relato de experiência
    — Sérgio Henrique Ferreira da Silva
  • Quantos atravessamentos cabem na pesquisa? Pensando subjetividades, interseccionalidades e limites da escrita etnográfica
    — Simone de Oliveira Mestre

GT 098 - Patrimônios contra-hegemônicos e Museus Sociais: Novas ocupações e ressignificações do espaço público

Coordenação
Regina Maria do Rego Monteiro de Abreu (UNIRIO)
Izabela Maria Tamaso (UFG)

Pessoa debatedora
Renata de Almeida Oliveira (UNIGRANRIO)
Patricia Silva Osorio (UFMT)
Fillipe Alexandre Oliveira Alves (UFF)

Propomos reunir reflexões sobre processos de (re)construção cosmopolítica de territórios, caracterizados, especialmente, por resistências e lutas “contra-coloniais”. Visamos identificar memórias e repertórios patrimoniais em contextos contra-hegemônicos traçando novas ocupações e ressignificações do espaço público, como museus sociais, cartografias, percursos, estátuas, caminhos. O GT priorizará experiências exitosas no campo das políticas públicas patrimoniais, museais e/ou de iniciativas coletivas que lancem novos olhares sobre saberes, experiências e heranças de povos invisibilizados na retórica patrimonial hegemônica e que garantam meios de reconhecimento de contribuições culturais, especialmente as de matrizes afro-diaspóricas e indígenas. Especial interesse será conferido aos estudos etnográficos em favelas, quilombos, aldeias indígenas, ocupações e espaços territoriais de resistência. O GT pretende reunir resultados alinhados com políticas públicas para a valorização das culturas tradicionais e/ou populares. Um dos eixos ancora-se na Recomendação para a Salvaguarda do Patrimônio Imaterial gestada pela UNESCO no início dos anos 2000. Acolheremos estudos de caso, muitos deles iniciados como temas de pesquisas acadêmicas em Universidades e Centros de Pesquisa, mas também incluindo a participação de mestres, mestras e detentores de saberes e fazeres diversos, avançando na constituição de acervos e na delimitação de rotas de pesquisas comparativas e colaborativas.

Títulos e Resumos

  • Patrimônio vivo: discursos, políticas e práticas no Centro Histórico de São Luís (Maranhão)
    — Abigail Vale Rocha
  • Cortejos e Trajetórias contra-hegemônicos: o processo de renovação da inscrição do Kola San Jon de Cova da Moura no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, em Lisboa-Portugal.
    — Alcides José Delgado Lopes
  • "Senhora da Abadia, venha avoando sem ter asas": heranças afro-diaspóricas e resistência negra na devoção à Nossa Senhora da Abadia no Planalto Central
    — Artani Grangeiro da Silva Pedrosa
  • Salvaguarda, patrimônio e memória no Cavalo Marinho Raiz Cultural do Mestre Zequinha (Bayeux - PB).
    — Arthur Pereira da Costa, Alan Carlos Monteiro Junior
  • Arena Pública e Escala da Memória: O Ecomuseu como Dispositivo de Ação Coletiva no Quilombo da Dona Bilina.
    — Cláudio José Santiago Vega de Moura
  • Cidades e patrimônios: conflitos, descontinuidades do tempo e a persistência da vida social
    — Elisa Algayer Casagrande, Flávia Maria Silva Rieth
  • Distrito Cultural Pequena África: a fabricação institucional de um território e o patrimônio como técnica de governo urbano
    — Fillipe Alexandre Oliveira Alves
  • Territórios de memória e resistência: práticas patrimoniais afro-diaspóricas no centro de Cuiabá
    — Flávia Carolina da Costa, Patricia Silva Osorio
  • A Cruz do Anhanguera, 25 anos depois: repertórios patrimoniais em contexto contra colonial
    — Izabela Maria Tamaso
  • Patrimônio cultural e a construção do espaço em contextos de proteção e conflitos ambientais
    — Kalil Felix Pena, Breno Trindade da Silva, Gustavo de Oliveira Celestino, Kalil Felix Pena
  • MUUDA - patrimônio pós-antrópico não tombado
    — Luiz Carlos Rodrigues da Luz
  • Congadas, memória coletiva e disputas simbólicas
    — Marcos Guilherme Medeiros Pereira
  • Saberes ancestrais e educação patrimonial no Kilombo Manzo Ngunzo Kaiango
    — Natiele Rosa de Oliveira, Makota Kidoiale, Juliana Miranda Soares Campos

GT 099 - PESQUISAS EM ANTROPOLOGIA, ETNOGRAFIA E EDUCAÇÃO: contribuições aos desafios do antirracismo na educação escolar e não escolar na contemporaneidade.

Coordenação
Sandra Pereira Tosta (UFF)
Raimundo Nonato Ferreira do Nascimento (UFPI)

Proposto pela “Rede Argonautas de Pesquisadoras e Pesquisadores em Antropologia e Educação” este GT parte de uma concepção abrangente do fenômeno educacional como aquele que se realiza escola e/ou em tantas outras esferas da vida social. Compreende, assim, a educação como cultura que ultrapassa a formação desenvolvida nas instituições educacionais formais, configurando-se como um processo dinâmico que envolve os modos de ser, interpretar e transformar o mundo. Desse modo, o GT busca reunir e debater estudos que considerem os múltiplos modos de aprendizagem, inclusive no mundo digital, com nossa dependência cada vez maior das ferramentas virtuais sobre todas as dimensões da vida e que, não raro, tentam prescindir da mediação das culturas, subvertendo o próprio conceito de emancipação e educação. Notadamente aqueles associados ao combate ao racismo, preconceitos e discriminação de toda ordem que, na maioria das vezes, desencadeiam situações de violência no cotidiano escolar e não escolar, gerando segregação, exclusão e indiferença em relação ao outro. Para tanto, acolheremos propostas que sistematizem e reflitam sobre experiências educacionais que revelem danos causados pelo racismo, preconceito, discriminação e outros tipos de violência e/ou sejam capazes de prevenir e cuidar com vistas a reduzi-los. Finalmente, a exemplo da Rede Argonautas, este GT visa estimular a criação de redes científicas, nacionais e internacionais que ampliem os diálogos entre Antropologia e Educação.

Títulos e Resumos

  • A contribuição do Livro didático para formação da identidade étnica na educação pública
    — Antonio Andreson de Oliveira Silva, Raimundo Nonato Ferreira do Nascimento
  • Capacitismo acadêmico e racialização do mérito: uma escrevivência da formação universitária.
    — Carlos André dos Santos Oliveira, Gabriel Bertolo
  • Educação e Interculturalidade: caminhos para a inclusão escolar dos indígenas Warao
    — Eliane Anselmo da Silva
  • A Aplicabilidade da Lei 11.645/08: Um Estudo sobre o Ensino de História e Cultura Indígena dos Tapuyas Payakús em Escolas do Município de Apodi/RN
    — Eula Paula Gomes de Morais, Eliane Anselmo da Silva
  • Tec black RN: ensino e inclusão digital da juventude negra
    — Guilherme Paiva de Carvalho, Andre Rodrigo Aprigio Rosino
  • Habitar a universidade: corpos, saberes e identidades Guarani e Kaiowá no ensino superior
    — Inah Miranda Rios Serra
  • Interculturalidade como ferramenta antirracista na Educação escolar e não escolar na sociedade contemporânea
    — Maimuna Muamy Injai, Raimundo Nonato Ferreira do Nascimento
  • Estratégia de Lutas e Resistência de Mulheres Negras em Comunidades de Goiânia Através das Práticas de Educação Não Formal
    — Maria de Lourdes Fernandes Silva
  • Etnografia e Educação Quilombola: A luta pela implementação do direito à educação escolar quilombola na comunidade Mirandiba/PE
    — Maria Elizandra Santos de Oliveira
  • Aldear e aquilombar o IF Baiano: estudantes indígenas e quilombolas no Ensino Superior
    — Raphael Rodrigues, Amanda Jardim da Silva Rezende, Simone Souza Lopes
  • Entre sonhos e práticas decoloniais: memórias, afetos e pertencimentos na experiência de uma educação antirracista
    — Regiani Aparecida de Andrade

GT 100 - Plantation epistêmica, infraestruturas universitárias e as vidas nos campi

Coordenação
Martina Ahlert (UFMA)
Antonádia Monteiro Borges (UFRRJ)

Do que são feitas as universidades? Uma visão finalística reproduzida institucionalmente constantemente nos leva à produção da Ciência como razão de ser desses espaços que frequentamos. Essa visão toma por ponto de partida o “eu transparente”, de que nos fala Denise Ferreira da Silva, de um modo de conhecimento tido como universalmente válido à despeito da analítica da racialidade que ele pressupõe. Nessa perspectiva, a universidade-plantation (Borges, 2020) agrega seu valor a partir da sua capacidade produtiva: laboratórios, artigos, congressos, diplomas, títulos, recursos humanos. Porém, se perguntarmos quem realmente habita a universidade, logo percebemos que sua vitalidade depende de múltiplas agências (humanas e não-humanas) cujas presenças raramente ganham centralidade nas narrativas institucionais — servidores, equipes de limpeza e segurança, vendedores ambulantes, pequenos comerciantes, cozinheiras, motoristas, estudantes, animais, plantas, prédios. Todos compõem a infraestrutura vital do campus, na medida em que são fundamentais para que ele permaneça como um território vivo. Serão bem-vindas etnografias com aqueles que fazem a universidade acontecer no cotidiano. Também aceitamos trabalhos que tematizem a operação da plantation epistêmica e suas tentativas de aniquilamento dos modos de conhecer, saber e ser, bem como às lutas e políticas que reafirmam a imanência da vida frente a essas investidas cognitivas.

Títulos e Resumos

  • Antídotos Metodológicos
    — Aina Guimarães Azevedo, Lucas Coelho Pereira
  • Territorialização da Educação Superior Pública no Brasil
    — Antonádia Borges
  • Escrevivências, Percursos e Fronteiras: ensaio sobre a experiência da pesquisa sob a ótica da racialidade.
    — Claudiane Alves Gonçalves
  • Corpo-território em vivência acadêmica indígena
    — Joelma Boaventura da Silva, Antonio Hilario Aguilera Urquiza
  • Práticas de cuidado e conhecimentos comunitários: a recusa à monocultura universitária
    — Karine Pereira de Freitas, Yeison Andres Rojas Ramirez
  • Modos ocupar a universidade e a cidade: apontamentos a partir de São Luís (Maranhão)
    — Martina Ahlert
  • O bairro, O campus - memória ambiental de uma relação não consolidada
    — Natã Souza Lima, Pedro Paulo de Miranda Araújo Soares, André Menezes Firmino, Raíssa Helena da Silva Chaves
  • Baobás, banheiros, burocracia: ocupação e errância contra a plantation universitária
    — Stella Zagatto Paterniani, Marilia Santos (Pendente), Lígia Notariano Belizario
  • Cerzindo pontas e encontrando sentidos: uma autoetnografia dos percursos formativos em psicologia
    — Vera Rocha

GT 101 - Policrises e suas contaminações: possíveis estratégias de enfrentamento

Coordenação
Breno da Silva Carvalho (UFRN)
Luan Gomes dos Santos de Oliveira (UERN)

Pessoa debatedora
Mariana Balen Fernandes (UFRB)

A crise climática global no contexto do antropoceno desdobra-se em um sistema de policrises, seja do ponto de vista ontológico, da grande narrativa do sujeito ocidental/universal, acompanhada ainda de crises estruturais do capitalismo digital. Frente a esse cenário, urge traçar imperativos éticos, políticos e epistemológicos no que se refere ao campo de produção do conhecimento da antropologia, enquanto um espaço de contaminações (Tsing, 2019), capazes de provocar respostas e tensionamentos nas relações entre povos e comunidades tradicionais (indígenas, quilombolas, ciganos etc.). Assim, o Grupo de Trabalho dedica-se a textos que abordem as relações desses sujeitos com tais policrises, atravessadas pela ecologia política, como também pelos desafios impostos pela mediação digital. Para tanto, busca mapear análises e etnografias com perspectiva contestatória, mobilizadora, engajada e crítica praticadas por esses agentes, que visem o enfrentamento social em prol da manutenção de garantias políticas e do respeito aos direitos humanos. Os textos selecionados podem ser teóricos e/ou metodológicos, decorrentes de pesquisas (em curso e/ou finalizadas), registros etnográficos, relatos de experiência, relatórios técnicos, escrita experimental (e experiencial) entre outros formatos que possam transmitir os valores, as expectativas e as estratégias da luta cidadã comum realizada no âmbito do antropoceno – espaço complexo, ambivalente e contaminado.

Títulos e Resumos

  • "A vida no reino do cálculo político": cuidado e contaminações multiespecíficas num contexto de invasão biológica
    — Guilherme Vasconcellos Leonel

GT 102 - Políticas do sofrimento: dimensões, sentidos e experiências no âmbito da saúde mental

Coordenação
Érica Quinaglia Silva (UNB)
Sônia Weidner Maluf (UFSC)

Pessoa debatedora
Ana Paula Müller de Andrade (UNICENTRO)

Esta proposta visa reunir trabalhos sobre dimensões, sentidos e experiências de sofrimento no âmbito da saúde mental em diferentes contextos e regimes de subjetivação. As contribuições antropológicas têm apontado que as dinâmicas no âmbito da saúde mental são plurais e produzidas a partir de lógicas, configurações morais e dimensões contextuais, contrapondo-se à perspectiva universalizante e individualista dos regimes de patologização e medicalização da vida. O alcance da saúde mental adotado vai dos diagnósticos psiquiátricos e da atuação psicossocial à abordagem das emoções, das experiências subjetivas e dos regimes de subjetivação em sua dimensão social. Serão aceitos pesquisas etnográficas e/ou ensaios reflexivos e críticos que discutam: práticas, políticas e saberes locais, oficiais e/ou dissidentes de sujeitos e coletividades em relação à saúde/adoecimento/sofrimento mental; políticas públicas, serviços e ações do Estado, envolvendo redes de atendimento, dispositivos epidemiológicos, políticas e biopolíticas pretensamente universais e dissidências; os saberes científicos e especializados e as tecnologias biomédicas, psiquiátricas, psicológicas e farmacológicas, bem como os saberes tradicionais e culturais. Como parte das discussões do INCT Brasil Plural, a ideia é ampliar a compreensão dos processos sociais de sofrimento, aflição, perturbação, adoecimento e morte, e as políticas, saberes, ciências, práticas e discursos acionados em diferentes escalas e perspectivas.

Títulos e Resumos

  • Por uma Antropologia dos Autismos: examinando narrativas e ativismos de autistas adultos e de "mães atípicas"
    — Altiva Garcia de Paula, Carlos Eduardo Henning
  • Entre a dor e o sofrimento: reflexões etnográficas sobre adoecimento mental e a expressão das emoções em pacientes com fibromialgia.
    — Ana Carolina Verdicchio Rodegher
  • Políticas públicas e processos de subjetivação: reflexões a partir da interface entre gênero e saúde mental.
    — Ana Paula Müller de Andrade
  • Quando a depressão não é doença: possibilidades outras da significação das experiências
    — Gabriel Bandeira Cantu
  • Protocolos flutuantes: o sofrimento pré-menstrual em disputa
    — Maria Clara Nemer Arena
  • Entre proibicionismo e redução de danos: abordagens e preocupações no campo de saúde mental entre povos indígenas na tríplice fronteira amazônica, Brasil, Peru, Colômbia
    — María Rossi Idárraga
  • "O lugar dele é aqui em casa com a gente": cuidado, deficiência e sofrimento em contextos de precariedade
    — Pedro Francisco Guedes do Nascimento
  • Crise, sofrimento social e subjetividades contemporâneas: as contribuições da antropologia
    — Sônia Weidner Maluf

GT 103 - Por uma noção mais ampla de saúde: abordagens críticas e etnograficamente situadas sobre Saúde Indígena

Coordenação
Fabiane vinente dos Santos (Fiocruz)
Raquel Dias-Scopel (Fiocruz)

Este Grupo de Trabalho propõe reunir pesquisas antropológicas que analisem processos sociais contemporâneos que reconfiguram a vida e a saúde dos povos indígenas nos diversos biomas brasileiros. Partindo de uma perspectiva crítica, etnograficamente situada e de uma noção de saúde mais ampla do que a imposta pelo modelo médico hegemônico, o GT pretende acolher estudos sobre processos sociais e históricos que impactam sobre a saúde indígena, como por exemplo: violência estrutural e racismo; consequências das mudanças climáticas; dinâmicas das migrações; papel políticos das mulheres indígenas; participação social e as transformações no campo dos direitos indígenas; protagonismo de lideranças indígenas na interação com o Estado e; desafios persistentes da atenção à saúde em territórios marcados por desigualdades, pressões ambientais e disputas. O objetivo é fomentar a reflexão antropológica privilegiando estudos etnográficos de modo a ampliar e consolidar redes de pesquisa e aprofundar debates sobre saúde, cuidado, território e resistência em um contexto de rápidas transformações socioambientais, valorizando diálogos interinstitucionais, inter e transdisciplinares, perspectivas de pesquisadores/as indígenas, estudantes e coletivos tradicionais para compreender como os múltiplos atores sociais enfrentam os desafios contemporâneos na saúde dos Povos Indígenas.

Títulos e Resumos

  • A composição prática de corpos doentes e as tentativas de construção de práticas de cuidado através da intervenção médica sobre uma "família" Warao no Ceará
    — Arthur Felipe Lins de Souza Pontes
  • “Nós não comemos porcaria!”: Transição alimentar e os desafios da nutrição na saúde indígena a partir de um projeto de intervenção entre os Mura do rio Madeira
    — Fabiane Vinente dis Santos, Jean Ricardo Ramos Maia
  • Mobilidade guarani e políticas de saúde do estado
    — Isadora Spadoni Sguarezi
  • Agência política e cuidado diferenciado: os Karipuna, Palikur-Arukwayene, Galibi-Marowrono e Galibi Kali’na na saúde indígena do Oiapoque-AP
    — Karine Assumpção
  • Saúde, território e crença: práticas indígenas e produção da vida a partir do cuidado na comunidade indigena de Rio dos Índios/RN
    — Maria Eduarda das Neves Souza
  • "Por isso que os jovens tentam se matar": sofrimento juvenil e transformações do xamanismo no Guaporé
    — Mia Duarte Castro
  • A questão da saúde mental entre povos indígenas: reflexões a partir da etnografia Wai Wai (2018-2023)
    — Rui Massato Harayama

GT 104 - Povos e comunidades tradicionais no contexto de grandes empreendimentos econômicos

Coordenação
Sandro José da Silva (UFES)
Rita de Cassia Maria Neves (UFRN)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Franklin Plessmann de Carvalho (UFRB)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Andrea Maria Narciso Rocha de Paula (UNIMONTES)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Vânia Rocha Fialho de Paiva e Souza (PPGCSPA/UEMA)

A presente proposta tem como objetivo reunir experiências que analisem, sob a perspectiva central da Antropologia e em diálogo com outras disciplinas afins, os impactos socioambientais decorrentes da implementação de empreendimentos para produção de energia, tais como centrais eólicas, centrais solares e térmicas, agroindustriais e de infraestruturas em territórios de povos e comunidades tradicionais. Trata-se de problematizar os efeitos desses empreendimentos nas dimensões territoriais, culturais, ecológicas e sociais, que tem acarretado o deslocamentos populacionais, transformações nos modos de vida, disputas jurídicas e reconfigurações das relações comunitárias. Ao mesmo tempo, pretendemos examinar os processos de mediação, negociação e conflito instaurados entre comunidades afetadas, agentes estatais e empresas, considerando os instrumentos legais e institucionais que regulam tais dinâmicas, assim como os saberes e práticas desenvolvidas pelos comunitários nesses contextos. Será observado na seleção das propostas a diversidade regional, institucional, de gênero e étnico-racial, incluindo as contribuições de representantes de povos indígenas e tradicionais não pertencentes à academia. Para garantir a qualidade dos debates, a submissão do trabalho completo é altamente recomendável.

Títulos e Resumos

  • Sistemas agrícolas e conhecimentos ribeirinhos: estudo preliminar no contexto de reterritorialização pós-barragem de Belo Monte
    — Amália Gabriela Rocha Aguiar, Sonia Maria Simões Barbosa Magalhães Santos
  • Puerto Antioquia: conflictos socioambientales y resistencias étnico-territoriales en Urabá, Colombia.
    — Andrés García Sánchez
  • Quilombolas e assentados: conflitos socioambientais e formas de habitar na comunidade quilombola de Picadas (Ipanguaçu/RN)
    — Augusto Carlos de Oliveira Maux
  • A Estratégia de Receber: Política Quilombola e Empreendimentos Energéticos
    — Daniella Santos Alves
  • Uma análise das relações de parentesco pós deslocamento compulsório de famílias ribeirinhas no rio Xingu, município de Altamira-Pa
    — Felipe Matheus Santa Brigida Oliveira, Sonia Maria Simões Barbosa Magalhães Santos
  • Análise dos conflitos socioambientais que ameaçam as comunidades pesqueiras quilombolas de Ilha de Maré - Salvador BA .
    — Gilmar Santos, Franklin Plessmann de Carvalho
  • Território, confluência e articulação: o Quilombo Lagoa frente à expansão eólica no sertão piauiense
    — Isadora Fortes do Espírito Santo
  • Território Quilombola do Sapê do Norte: a negociação como dispositivo de adiamento do direito à terra no Espírito Santo.
    — Lucas Pacif do Prado Muniz, Sandro José da Silva
  • A corrida pelo ouro branco e seus efeitos-derrame: gênese de uma jurisdição minerária e seus dispositivos de governo
    — Raquel Oliveira Santos Teixeira
  • A monocultura da energia: Processos de implantação de Grandes Empreendimentos de Energia Renováveis em comunidades tradicionais, nos estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte.
    — Rita de Cassia Maria Neves, Josiel Ventura Alves
  • Quem é realmente dono dos ventos? Percepções e agenciamentos de uma comunidade candomblecista sobre o avanço do empreendimento eólico em Caetité (BA)
    — Yuri Tomaz dos Santos, Antônio Carlos da Silva Costa de Souza, Amanda Jardim da Silva Rezende

GT 105 - Povos indígenas e cristianismo: relações de poder e negociações interétnicas

Coordenação
Gabriel Calil Maia Tardelli (UFF)
Artionka Capiberibe (UNICAMP)

As relações entre Estado, instituições religiosas e políticas indigenistas foram duradouras e profícuas em diferentes contextos da América do Sul. A depender do perfil das organizações religiosas, das táticas e estratégias adotadas e dos relatos dos próprios missionários, a tarefa de evangelizar os indígenas poderia ser mais ou menos árdua. Por um lado, dizia-se que esses grupos continham em si a “semente” do evangelho, o que facilitaria sua transformação em “cristãos”; por outro, revelavam que o “peito de bronze” pareceria instransponível. O fato é que o encontro entre indígenas e missionário produziu resultados distintos. Este GT tem como objetivo fomentar reflexões sobre as relações de poder estabelecidas entre povos indígenas e instituições religiosas ligadas ao cristianismo em suas diferentes vertentes. Serão bem-vindos trabalhos que abordem a agência dos povos indígenas, seja em relação às cosmologias do contato e às transformações das práticas de xamanismo, seja em relação aos sentidos que atribuíram ao cristianismo ou à recusa de participarem do processo de conversão. Outro enfoque possível diz respeito à atuação de missionários em terras indígenas – incluindo como executores de políticas de saúde e educação –, as representações que eles produziram acerca das populações a serem evangelizadas, bem como a respeito dos efeitos do contato e das negociações interétnicas.

Títulos e Resumos

  • Antropologia em missão: tensões, disputas e implicações da produção acadêmica missionária
    — Ana Carolina Saviolo Moreira
  • Entre Tradições Indígenas e Religiões Cristãs: reflexões sobre os dados do Censo 2022
    — Artionka Capiberibe
  • Onde o sagrado se arranja: processos de composição cosmológica em contextos atravessados pelo cristianismo.
    — Christina Soares Carneiro
  • Conversão e Política: O Pentecostalismo entre os Guarani e Kaiowá na Reserva de Amambai Guapo'y - MS
    — Ezequiel Valiente
  • "Sus sandalias hicieron nuestras fronteras": memórias das missões dos capuchinhos entre os Warao
    — Gabriel Calil Maia Tardelli, Leany Gabriela Torres Moraleda
  • A agência dos encantados na cosmopolítica do povo Kiriri
    — Mario Spock Fernandez da Cunha

GT 106 - Produzir Mundos, Disputar Territórios: Resistências diante do Estado e do Mercado

Coordenação
Ana Beatriz Vianna Mendes (UFMG)
Eliana Creado (UFES)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Marisa Barbosa Araujo (UFV)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Gabrielly Merlo de Souza (UFES)

Diante de um mundo em ruínas, as formas de vida e de consumo dos chamados, por alguns, de recursos naturais desvelam iniquidades e projetos de sociedade em larga medida regulados pelo Mercado e pelo Estado. Diversos são os contextos em que essa regulação ocorre à margem da legalidade, da legitimidade e da justiça socioambiental. O objetivo deste GT é o de refletir sobre situações empíricas em que alianças entre Mercado, Estado e Ciência estão em disputa pela ou com a produção de mundos em territórios específicos. Quais são as estratégias mobilizadas pelas pessoas do lugar para resistir às intrusões do Estado, do Mercado e da Ciência? Como os praticantes da ciência operam, diante de financiamentos públicos escassos e de propostas e de assédios advindos de empresas? Como tem se dado o papel do Estado nesses contextos? Os praticantes da ciência têm conseguido dialogar com os coletivos e disponibilizar suas atuações e resultados para a tomada de decisões e ou a defesa de direitos? Como podemos entender os aprendizados ao longo desses processos? Quais são as dinâmicas de (re)apropriação dos conhecimentos e das práticas científicas, dentro e fora da academia?

Títulos e Resumos

  • Contra-necropolíticas trans numa fronteira amazônida: mundos possíveis e dispositivos comunitários de transição em Tabatinga
    — Brune Mantese de Souza
  • Ilha de Mercês: território, memória e a violência do desenvolvimento
    — Clara Vitória Vieira Francisco da Silva
  • Reflexões Antropoéticas sobre o Mapeamento de Povos e Comunidades Tradicionais da UFMG
    — Eco Lofego Silveira
  • Mapeando caminhos percorridos: processos de (re)produção sócio-territoral do bairro Romão dos Reis (Viçosa, Minas Gerais)
    — Luiza Rodrigues Mansur da Silva, Marisa Barbosa araujo
  • Jurema e suas agências: entre ciências indígenas, resistências à biopirataria e a criminalização da DMT
    — Maria Carolina Arruda Branco
  • Por uma etnografia dos Ribeirinhos Da RESEX Jauaperí: Conflitos entre os usos tradicionais dos recursos naturais e as novas regras de residir na Reserva.
    — Samuel Castro Lobato, Madiana Valéria de Almeida Rodrigues
  • Paradoxos do turismo em território compartilhado: o caso da Comunidade do Retiro no Parque Nacional da Serra do Cipó (MG)
    — Wesley Leandro da Silva Ferreira, Ana Beatriz Vianna Mendes, Coral Veloso de Oliveira, Douglas Neves de Oliveira, Giovanna Vieira Casarin Henriques

GT 107 - Quilombolas, Mudanças Climáticas e Conflitos no Antropoceno

Coordenação
Cintia Miller (UFBA)
Ricardo Cid Fernandes Giordano (UFPR)

De acordo com o Censo 2022 os quilombolas somam mais de 1,3 milhões de pessoas no Brasil, destas apenas 167.769 pessoas residem em territórios identificados como quilombolas. Ao longo da última década Programas de Pós-Graduação no Brasil produziram vários estudos com quilombolas, dentre os 2.399 registros para a palavra quilombo no Banco de Teses da CAPES, 696 estudos foram registrados entre os anos de 23 e 24, sendo 237 na área das Ciências Humanas (nov.25). Conflitos multiescala têm sido descritos e analisados em todas as regiões do país, através de monografias, imagens, artigos e textos periciais. A proposta deste Grupo de Trabalho é promover visibilidade e discussões que analisem conflitualidades agravadas por problemas relacionados às Mudanças Climáticas e ao Antropoceno e sua característica de gerar e acentuar perturbações já existentes junto aos quilombolas. Para discutir estas transformações, propomos um GT com três sessões: 1. Ecologias e multiespécies na composição de territorialidades em conflito; 2. O papel do estado em conflitos que produzem e agravam perturbações na paisagem e nas relações de habitabilidade nos quilombos; e 3. Cosmopolíticas e mobilização quilombola.

Títulos e Resumos

  • Sementes insurgentes: As tecnologias sociais quilombolas do Médio Vale do Ribeira através de iniciativas rurais comunitárias de luta e resistência diante da emergência climática no Antropoceno
    — Bianca Cruz Magdalena
  • Paisagem entre marés, conflitualidades e vivências multiespécie no Recôncavo da Bahia
    — Cíntia Beatriz Müller
  • Floresta Cultivada: As tecnologias sociais dos quilombos Sítio Coqueiro e Rio Verde (Guaraqueçaba-PR) como formas de arranjo ecológico e de resistência
    — Filipe Silva Ribeiro, Rodolfo Bezerra de Menezes Lobato da Costa, Paulo Roberto Homem de Góes
  • Territorialidade, identidade e resistência: uma análise antropológica da Comunidade Quilombola Visão de Águia (Tocantins, Brasil)
    — Renata de Castro e Silva, Maria Cecília g kayal, Claudia Inês Parellada, Schneidar Barbosa Guerreiro
  • Terra de Preto: cosmopolíticas quilombolas, meio ambiente e lutas no Sul do Brasil
    — Thiago da Silva Santana, Emanuel Rocha de Matos

GT 108 - Racismo Institucional, Políticas Públicas e Ações Afirmativas: o fluxo do debate antirracista e seus enfrentamentos cotidianos

Coordenação
Denise Fagundes Jardim (UFRGS)
Marcos Silva da Silveira (UFPR)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Waldemir Rosa (UNILA)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Waldemir Rosa (UNILA)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Waldemir Rosa (UNILA)

O Racismo Institucional é um fenômeno político e o Racismo Estrutural toma uma dimensão econômica e histórica. A partir dessa consideração, a proposta reúne trabalhos sobre Racismo Estrutural e Racismos Institucionais em uma perspectiva antropológica. Reuniremos pesquisadores que examinam tais conceitos nas políticas públicas e na atuação de organismos não governamentais. Esses conceitos tem alcançado um uso amplificado na sociedade brasileira contemporânea, mas ainda figuram com declinações que abarcam situações de auto justificação e banalização dos racismos que buscam denunciar. Damos continuidade ao GT realizado na RBA de 2024, em que examinamos políticas afirmativas e ações de inclusão social, através das apreciações de pessoas beneficiadas pelas mesmas. Evidenciaram-se ali outras situações de discriminação negativa e preconceitos operacionalizados e que traziam à tona novas faces do racismo e das lutas por reconhecimento. É consenso de que o racismo possui uma dimensão individual, manifestada por algumas pessoas em algumas circunstâncias, mas é urgente dar atenção às dimensões institucionais, presentes em políticas públicas universalistas ou mesmo dificultando a implementação das próprias políticas reparatórias. O GT reúne trabalhos sobre racismo institucional em dois eixos:1) A Interseccionalidade e como o preconceito racial se articula com outras exclusões sociais; 2) A noção de branquitude e os processos contemporâneos de branqueamento e ocidentalização da população.

Títulos e Resumos

  • Trajetórias quilombolas na pós-graduação: desafios e conquistas no acesso e permanência de estudantes da região nordeste do Brasil.
    — Ana Paula Comin de Carvalho
  • Itinerários legislativos da Lei do Racismo no Congresso Nacional
    — Cyntia Cristina de Carvalho e Silva
  • Labirinto interseccional: análise das desigualdades de gênero e raça no ensino superior a partir das trajetórias profissionais de docentes negras na Universidade de Brasília (UnB)
    — Érika Costa Silva
  • Qual fé pode ser fiscalizada?: racismo religioso e perseguição às religiões afro-brasileiras
    — Evelyn Marcele, Lina Dèlé Nunes
  • Do vidro ao concreto: configuração das dinâmicas de desigualdade de gênero e raça no serviço público do Distrito Federal
    — Jalisson Carvalho
  • A "(re)cientifização da raça": os manejos da antropologia e do direito no discurso anti bancas de heteroidentificação racial.
    — Mauro Anderson Baracho
  • Novos Corpos, Velhos Códigos: Diálogos Intergeracionais e Disputas de Sentido no Vestibular 60+.
    — Maysa Lannah, Marina Ribeiro Souza Santos Reis, Luciana Rika Ito
  • Mapeando a antropologia negra no/do Mato Grosso do Sul: perspectivas de discentes e egressos negros em cursos de pós-graduação
    — Milena Oliveira da Silva
  • Desestabilizando a branquitude: notas reflexivas sobre processos institucionais e ações afirmativas no campo da saúde pública
    — Nádia Heusi Silveira
  • Ação Afirmativa em perspectiva comparada: os casos do Brasil e da África do Sul
    — Paulo Sérgio da Costa Neves, Laura Moutinho
  • Nós quem? Entre silenciamentos, insubmissões e a emergência da Antropologia Negra no Brasil
    — Rodrigo dos Santos Bispo
  • Repercussões das ações afirmativas na trajetória de mulheres negras no ensino superior
    — Stefany da Silva Guimarães, Rodrigo dos Santos Bispo, Marina Tainá Santos Rêgo
  • Entre dores e resistências: experiências de pessoas com Doença Falciforme na Paraíba
    — Uliana Gomes da Silva
  • Por uma Antropologia Negra no Brasil: Documentação de agências e autorias de pessoas negras na antropologia.
    — William Douglas Ferraz De Lima, Luciana de Oliveira Dias

GT 109 - Regimes de conhecimentos indígenas: formas locais de conceitualizar e gerenciar

Coordenação
Antonella Maria Imperatriz Tassinari (UFSC)
Felipe Tuxá (UFBA)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Silvia Lopes da Silva Macedo (UPEC)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Silvia Lopes da Silva Macedo (UPEC)

Este GT pretende aprofundar a discussão sobre regimes de conhecimentos indígenas, convidando trabalhos que abordem diferentes formas de gerenciar o conhecimento na interação social, o que articula conceitualizações de “conhecimento”, relações sociais envolvidas na sua produção, obtenção, manutenção, circulação e transformação. Considera que, nas últimas décadas, a Etnologia Indígena vem se abrindo para a compreensão de diversificados modos de transações de conhecimentos, mobilizando redes locais e extra-locais, humanas e não-humanas. Estudos sobre corporalidade e produção da pessoa, sobre transações de conhecimentos através de sonhos ou estados alterados de consciência, sobre conhecimentos transmitidos através da oralidade ou de forma não verbal (por meio de sons, motivos gráficos, coreografias ou outros), a relação dos conhecimentos com a territorialidade e com o manejo ambiental, são alguns temas que vêm sendo explorados por etnografias atentas aos regimes indígenas de conhecimentos. Também interessa compreender como esses temas se articulam com experiências de escolarização indígena ou com a atuação indígena no Ensino Superior, a partir de propostas de educação intercultural que respeitem “processos próprios de aprendizagem”, como prega a legislação. As implicações políticas e os perigos cosmológicos relacionados à aquisição e circulação de conhecimentos exógenos também merecem destaque.

Títulos e Resumos

  • Saberes outros, outros donos de saberes, outros modos de conhecer: transações de conhecimentos e alteridade entre povos indígenas
    — Antonella Maria Imperatriz Tassinari
  • Vozes e Caminhos: a articulação de saberes indígenas e o protagonismo feminino na Universidade
    — Edilene Alves da Silva
  • A curricularização da História e da Cultura Indígena: reflexões sobre os dispositivos legais e da abordagem obrigatória na Educação Básica a partir da formação de professores na UFAC
    — Elcio Severino da Silva Filho Manchineri
  • Ficções e fricções: "saberes indígenas", a universidade e outras histórias
    — Felipe Sotto Maior Cruz
  • Quando o Sujeito Vira Autor: A Escrita Indígena como Mecanismo de Construção de uma Memória Viva
    — Henrique da Silva
  • Força, menstruação e conhecimentos indígenas: reflexões a partir de um processo colaborativo de investigação-criação com o povo Murui da Amazônia colombiana
    — Juana Valentina Nieto Moreno
  • "Iniciação às práticas de bahsesé": experimentando antropologias tuyuka na pós-graduação
    — Justino Tuyuka, Thiago Mota Cardoso
  • Tempo do barro, tempo da universidade: encontro entre mestres indígenas e estudantes não indígenas em territórios compartilhados
    — Marina Ribeiro Romero, Chantal Medaets
  • Interlocuções possíveis? Uma breve etnografia da jornada de apresentação das pesquisas de doutorado dos bolsistas Guatá à Paris (janeiro 2026)
    — Silvia Lopes da Silva Macedo
  • Modos de se ensinar e aprender sobre o weju no Tumucumaque Leste
    — Sofia de Carvalho Galvão
  • Ĩdze Akinhagü – A história do Pequi: a transmissão do conhecimento através de narrativas epistêmicas e suas relações ecológicas
    — Susi Leme de Moura, Tahudjani Kalapalo

GT 110 - RETOMADAS E O MOVIMENTO INDÍGENA: territorialidades, conflitos e laudos antropológicos

Coordenação
Antonio Hilario Aguilera Urquiza (UFMS)
Jorge Eremites de Oliveira (UFPEL)

Pessoa debatedora
Levi Marques Pereira (UFGD)
Rosa Sebastiana Colman (UFGD)
Joana Aparecida Fernandes Silva (UFG)

O GT trata da socialização de saberes e discussões sobre a produção de estudos antropológicos acerca dos movimentos indígenas, a luta pelos territórios ancestrais e conflitos. Os movimentos indígenas chamam de “retomada”, uma série de ações que interpelam o Estado brasileiro ao seu reconhecimento como povos com direitos originários, acolhidos pela CF/88. Porém, a recepção dos direitos territoriais não gerou os procedimentos administrativos necessários ao reconhecimento dos territórios de ocupação tradicional. A omissão do Estado levou muitos povos a buscarem ocupar seus territórios, sem o cumprimento da obrigação de realizar os laudos de reconhecimento, demarcação e desintrusão das terras indígenas. A ênfase das retomadas recai sobre a entrada em territórios reconhecidos por esses povos e dos quais foram expropriados. A retomada é precedida pelo acionamento de processos do parentesco, práticas rituais e intensificação de conexões com a ancestralidade. Acolhemos estudos que tratam dos movimentos indígenas e pesquisas acerca de configurações sociais e relações com o território ancestral, as quais remetem à ancestralidade de populações originárias e reivindicam direitos territoriais, bem como o reconhecimento de expressões culturais que demandam pesquisas e produção de laudos no campo da Antropologia. O GT estará aberto à participação de estudantes e profissionais em diferentes níveis de formação, especialmente indígenas, que possuam estudos e reflexões sobre essas realidades.

Títulos e Resumos

  • Mitã e Oguatá Porã: As crianças Guarani e Kaiowá no contexto da mobilidade e fronteira.
    — Amanda Sayuri Koba Pires
  • O Marco Temporal como "Genocídio Legislado": laudos antropológicos e resistência Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul
    — Ana Elizabete Pires Rocha Firmino
  • Mbakuku e retomada de práticas tradicionais de cultivo entre os Kaiowá de MS.
    — Arnulfo Morinigo Caballero
  • Entre a tradição e a lama – O retorno do tempo de festas do Encontro de Cultura Indígena dos Botocudos de Linhares ES e o repactuação do rompimento de Mariana
    — Daniel Luiz Arrebola
  • Recuperar o território, produzir futuros: agenciamentos kaingang na retomada Gãh Ré
    — Eduarda Heineck Fernandes
  • Uma etnografia a partir da perspectiva indígena feminina Kaiowá e Guarani em Mato Grosso do Sul
    — Maria Antônia Oliveira Miranda
  • Quando a justiça não alcança a terra: reflexões a partir da cerâmica
    — Patricia Benedita Aparecida Braga, Antonio Hilario Aguilera Urquiza
  • Retomadas silenciosas: etnografia de não contato e autodeterminação territorial de povos indígenas isolados na Amazônia brasileira
    — Rosalvo Ivarra Ortiz
  • "Queremos voltar ao Chandless, onde nascemos!": Territorialidades em disputa no Acre.
    — Sérgio Góes Telles Brissac
  • Não-lugar x Corpo-Território: retomada identitária e reterritorialização indígena em contexto urbano
    — Susan Ribeiro Eloy

GT 111 - Som, música e eventos: experimentações etnográficas

Coordenação
Raquel Sant Ana da Silva (UFF)
Thiago Cazarim (CEFET/MG)

Pessoa debatedora
Mateus Marcilio de Oliveira (USP)
Carly Barboza Machado (UFRRJ)
Thiago Cazarim (CEFET/MG)

O objetivo deste GT é reunir pesquisas que tratem da importância e dos desafios teóricos e metodológicos de tomar o som como aspecto relevante em pesquisas realizadas nos mais variados contextos etnográficos. Damos continuidade às discussões iniciadas na 35a RBA, levando em conta os debates mais recentes sobre a multissensorialidade nas pesquisas antropológicas, o reconhecimento crítico das implicações do peso dado ao olhar na tradição etnográfica, (marcado em certa ideia de observação participante), bem como as inúmeras teorizações sobre a narrativa e a escrita no trabalho antropológico. O caráter pervasivo da experiência sonora oferece desafios específicos que nem sempre são respondidos pelo recurso às categorias próprias do olhar. Dentre as explorações possíveis, interessam-nos, particularmente (mas não só), aquelas que trabalhem as especificidades epistemológicas, metodológicas, políticas, éticas e técnicas do som: paisagens sonoras; pesquisas com, sobre ou atravessadas pela música; tensionamentos classificatórios; a dimensão performativa da música e sua relação com dinâmicas urbanas; a produção e o fazer musical, suas redes, articulações entre música, religião, política, emoção, território, lugar; técnicas sonoras; epistemologias da escuta e da escrita/descrição do som; reflexões teóricas e metodológicas sobre etnografia e som. Interessam também propostas que se debruçam sobre os eventos como situação antropológica, recorrente em trabalhos que tratam de som e música.

Títulos e Resumos

  • Fazer e Tocar Viola de Buriti: música, território e saberes tradicionais na região do Jalapão (TO)
    — Amanda Sucupira Pedroza
  • Áudio e sensorialidades: (im)possibilidades de expressão em podcasts
    — Daniela Tonelli Manica, Maria Sol Anigstein
  • Corpos que escutam, rituais que vibram: paisagens sonoras da Wicca em eventos religiosos
    — Daniele de Oliveira Machado
  • Pelas ruas do centro goytacá: Circuitos de cultura alternativa, rituais desviantes e conflitos na cidade
    — Fábio da Silva Martins
  • Ressonâncias urbanas: som, corpo e experiência no carnaval de rua contemporâneo
    — Joanna Munhoz Sevaio
  • "Música é assunto do céu": Uma reflexão sobre música e voz como mediadores de uma ética corpórea na PraiseCon da Igreja Novos Começos.
    — Juliene Almeida Gomes Braga
  • Memórias, sonoridades e práticas artísticas em favelas cariocas: uma jornada com os Penitentes do Santa Marta
    — Marcelo de Medeiros Reis Filho
  • Quartas do reggae - O lugar da música, da festa e do território nas construções das relações sociais
    — Maria Vitória Melo Cordeiro
  • Um Grito De Raiva e um Suspiro De Esperança: A Orquestra Rosas Dos Ventos
    — Nayra Joseane e Silva Sousa
  • O campo escuta de volta: fonograma digital, eventos de escuta e economia da escuta como situação antropológica
    — Ollivia Maria Gonçalves
  • "Música que transforma - um olhar antropológico para projetos sociais de educação musical"
    — Paula Bessa Braz
  • "Barulho de rua": conflitos em torno da lei do silêncio e produção de público e privado no espaço urbano
    — Raquel Sant`Ana da Silva
  • Um estudo etnográfico de como a construção de memória coletiva da cena musical indie rock do Centro da Cidade do Rio de Janeiro se torna uma de suas improváveis identidades
    — Rodrigo Di Santo Pastore
  • Entre a arte e a política: a música como resistência
    — Simone Cunha
  • Gregory Bateson: passos para uma audiologia da mente?
    — Thiago Cazarim da Silva
  • Escutar o boi: experimentações etnográficas com som e paisagem sonora no bumba meu boi do litoral ocidental maranhense
    — Vitor Sampaio Soares

GT 112 - Teorias Etnográficas e Antropológicas

Coordenação
Lucas P. Álvares (UFRPE)
Sara Morais (UNB)

Pessoa debatedora
Zacarias Milisse Chambe (USP)
Tiago Guidi (UNB)
João De Regina (UNICAMP)

Como pensar “teoria” na antropologia sem reduzi-la a um cognitivismo nem a tratar como espelhamento das categorias mobilizadas pelas pessoas que participam da situação etnográfica? A atenção às formas de classificação e às práticas em que os agentes sociais se engajam, o que Lévi-Strauss chamou de “ciência social do observado”, se diferencia da teoria antropológica voltada para a parcela da “cultura que não é dita”, uma elaboração discursiva de dimensões tácitas da vida social. Essa aparente dualidade tem se dissolvido quando publicações como Ethnography e HAU enfatizam modos de articular descrição etnográfica e elaboração conceitual, ou quando Marilyn Strathern se refere aos relatos etnográficos ou antropológicos como um “gênero misto”. A dificuldade consiste em formular uma noção de “teoria” que se desloque entre essas ênfases sem perder seus ganhos. Quais as maneiras possíveis de articular as múltiplas representações da vida social, explorando como o pesquisador, em diálogo e colaboração com os agentes de sua experiência de campo, elabora pensamentos que tornam visíveis dissonâncias entre campo e escrita? O GT propõe-se a receber trabalhos que dialoguem com: 1) contribuições à teoria etnográfica; 2) historiografia de debates teóricos e metodológicos no campo da antropologia; 3) reflexões sobre a produção de ideias entre pesquisadores e interlocutores de campo; e 4) desafios de traduzir em texto situações particulares vivenciadas no fazer etnográfico.

Títulos e Resumos

  • Para além da monarquia ontológica: agência e reconhecimento em diálogo com o Perspectivismo Ameríndio
    — Andressa Lidicy Morais Lima Freitas
  • A Reflexão da imagem: o desenho como etnografia
    — Apollo Guerra
  • Colonoficialidade nos PALOP: crioulos e línguas pré-coloniais em diáspora brasileira - pretuguês como ponte unidistante
    — Jhon Alfredo Pazmiño Huapaya
  • CULTIVAR É TRANSFORMAR: caminhando por algumas ramificações teóricas
    — Joallysson Desterro Bayma, Cleiane Pereira Souza dos Santos
  • História, cultura e poder na cultura oprimida de Jean Casimir
    — Pablo Quintero
  • What goes without saying: o limite do conceito em certo contextos etnográficos
    — Tiago Guidi
  • A noção da falta de noção: desrespeito, filosofia liberal e a descrição etnográfica do insulto
    — Vinicius de Aguiar Furuie

GT 113 - Territorialidades, parentescos e outras formas de coletivização indígena no Leste e Nordeste do Brasil

Coordenação
José Glebson Vieira (UFRN)
João Roberto Bort Júnior (PPGA/UFPE)

Pessoa debatedora
Fernanda Borges Henrique (USP)

Nas últimas décadas, a antropologia demonstrou muito interesse pelos processos de reorganização social, política e territorial dos povos indígenas diante da longa história de colonização no Nordeste e no Leste do Brasil. Mais recentemente, intensificaram-se as preocupações com os processos que conectam esses povos a seres classificados como não humanos, mais-que-humanos ou outros-que-humanos. Tais processos são centrais para entender as dinâmicas relacionais desses sujeitos, mas ainda persiste certa resistência em aprofundar descrições sobre as lógicas do parentesco que os unem, conformando as suas coletividades. Parece haver uma suposição de que o parentesco desses povos teria sido tão afetado pelas transformações históricas que pouco renderia etnograficamente. Ao contrário, entendemos que há muito a investigar sobre parentesco e outras formas de coletivização indígena nessas áreas. Observamos que indígenas se organizam, segundo múltiplas lógicas, para festejar, praticar esportes, lutar por direitos etc. Assim, buscamos reunir trabalhos de pesquisadores em diferentes níveis de formação, para ampliar a compreensão das teorias, práticas e categorias indígenas que estruturam vínculos sociais, políticos e cosmológicos e outros, nos diversos contextos de produção da vida. Mais do que destacar isoladamente territorialidade ou parentesco, desejamos explorar suas articulações e outras dimensões, aproximando-nos do que significa existir como indígena no Nordeste e no Leste do Brasil.

Títulos e Resumos

  • Memória social e resistência do Povo Kaxixó em meio a disputas por direitos
    — Carlos Eduardo Reinaldo Gimenes
  • Mulheres Potiguara e a Sustança da Terra: Gênero, Circulação de Renda e Interseccionalidade nas Práticas Agrícolas do Litoral Paraibano
    — Cristina de Lima Bernardo
  • O documento e a bússola indígena: mulheres tupis e a construção de alianças com portugueses no Ceará colonial (séc. XVI-XVII)
    — David Rodrigues Stigger
  • A conquista da Terra Verde: alianças multiespécies e afincamento entre os Kiriri do Acré, no sul de Minas Gerais
    — Fernanda Borges Henrique
  • Devir-pássaro e parentesco multiespécie entre indígenas Xukuru-Kariri e Xukuru do Ororubá
    — João Roberto Bort Júnior, Edimilson Rodrigues de Souza
  • Fazer parentes, fazer território: o sistema hidrográfico como diagrama relacional entre os Potiguara
    — José Glebson Vieira
  • Quando os parentes guardam memórias: genealogia Aranã Caboclo do Médio Jequitinhonha, agências em um contexto de etnogênese
    — Pedro Henrique Ferrari de Brito
  • Linhas de urucum e jenipapo: grafismo, figuração e cosmopolítica entre os Potiguara Catu/RN
    — Tiago Santos Araújo

GT 114 - Territórios quilombolas e lutas antirracistas

Coordenação
Raquel Mombelli (UFPR)
Davi Pereira Junior (UEMA)

O Comitê Quilombos da ABA propõe neste espaço reunir pesquisas realizadas em diversas regiões do país que reflitam sobre as lutas antirracistas e os desafios enfrentados pelas comunidades quilombolas nos contextos de reinvindicação de reconhecimento territorial, sobretudo no enfretamento de conflitos territoriais, acirrados pelo avanço dos chamados megaempreendimentos de carbono, construção de energia, mineração, agronegócio, imobiliário, infraestrutura, criação ou privatização de unidades de conservação, barragens, entre outros, nos territórios quilombolas. Busca-se também analisar os processos de regularização fundiária e a aplicação da Convenção 169 da OIT quanto à consulta prévia, livre e Informada, como ferramentas de combate à violência, discriminação racial e desigualdade social. Pretende-se ainda refletir sobre os movimentos de resistência e mobilização social criada pelas comunidades quilombolas diante do racismo ambiental a aceleração das mudanças climáticas. Trabalhos que abordem a valorização da memória, saberes e a promoção da educação escolar quilombola e a importância das contribuições dos quilombos para a sociedade brasileira, são de interesse deste GT.

Títulos e Resumos

  • O Quilombo Cristininha de Caiapônia GO
    — Adailton da Silva
  • Comunidade Quilombola e Apanhadora de Flores Sempre-vivas de Raiz – Presidente Kubitscheck/MG: exclusão histórica, silenciamento, resistência e inclusão socioprodutiva e política
    — Aderval Costa Filho, Andreia Ferreira dos Santos
  • Não falta apenas o INCRA: desafios comunitários para a regularização fundiária quilombola no Sertão de Pernambuco.
    — Diego Vinícius de França Bezerra
  • Conflitos e Direitos: Quilombolas no Judiciário
    — Juliana Frassetto Moreno de Mello Sartori
  • Emersão de Memórias Coletivas do Povoado de Paracatu de Seis Dedos, Luta por Reconhecimento e Conflitos Ambientais
    — Letícia Aparecida Rocha, Bruna Monique Machado Simoes
  • Formas de fazer parentesco no Quilombo Córrego das Emas, MT
    — Luciana Magalhães de França
  • Os protocolos comunitários de consulta para comunidades quilombolas e as estratégias de resistência na luta antirracista
    — Marco Antonio Saretta Poglia
  • DO PASSADO AO PRESENTE: Um Estudo Sobre a Construção Histórica da Comunidade Remanescente Quilombola Nossa Senhora do Livramento.
    — Sara Larissa Serrão Muniz, Igo José Sampaio de Sousa
  • Racismo ambiental, desastre e emergência étnica: a mobilização quilombola da comunidade Barreto-Campinas (MG) no contexto do rompimento da Barragem de Fundão
    — Sharles Robert Mendes da Silveira Santos
  • Regularização fundiária, laudos antropológicos e lutas antirracistas em comunidades quilombolas do Sudoeste do Paraná
    — Taisa Lewitzki

GT 115 - Transições democráticas e controle social: repensando marcações temporais

Coordenação
Adalton Marques (UNIVASF)
Desirée de Lemos Azevedo (UNIFESP)

Pessoa debatedora
Fábio Araújo (Fiocruz)
Liliana Sanjurjo (UERJ)

Dando continuidade aos trabalhos ocorridos nas RBA de 2020 e 2022, o GT pretende reunir etnografias e pesquisas históricas que constroem delineamentos acerca de transições democráticas, desafiando marcações temporais convencionadas e preferindo tomá-las como problema de pesquisa. Como explicação a priori, o binômio democracia/ditadura, muitas vezes, impede-nos de pensar a respeito dos processos que ajuda a descrever e dos problemas que é capaz de ocultar em nossas pesquisas. Nesse sentido, a proposta visa colocar em debate trabalhos, de caráter conceitual e/ou empíricos, para provocar reflexões imprevistas em torno do mesmo problema teórico-político. Sem limitar os campos de investigação que poderão ser acolhidos, nos interessam trabalhos que problematizem questões como: 1) as políticas humanitárias transicionais e suas ambiguidades; 2) as implicações das leis de anistia e os silenciamentos impostos aos diferentes atores sociais que sofreram violências, assim como a recepção de suas lutas por direitos; 3) as construções de fronteiras entre crime político e crime comum, e/ou entre segurança nacional e segurança pública, como mecanismos de controle social e/ou restrição de acesso a direitos; 4) as conexões entre expansão penal/violência letal/desaparecimento e os fazeres burocráticos e/ou técnico-científicos como dispositivos de terror e governo de populações; 5) os efeitos das políticas desenvolvimentistas e dos grandes empreendimentos de infraestrutura.

Títulos e Resumos

  • Rachar os "entulhos autoritários": continuidades insuspeitas entre a Ditadura Empresarial-Militar e a Nova República no Brasil
    — Adalton Marques
  • O caso de Tutxi Ãwa: o fluxo burocrático de um desaparecimento de pessoa indígena
    — Carolina Silva Nogueira
  • O progresso como dispositivo de governo: o caso da barragem de Sobradinho
    — Erick Maddson Rodrigues Bonfim
  • Os não ditos da justiça de transição: raça, memória e silenciamento
    — Victória Smith

GT 116 - Violência e luta por direitos na convivência universitária: casos, denúncias e novas políticas de enfrentamento

Coordenação
Heloisa Buarque de Almeida (USP)
Carolina dos Santos Bezerra (UFJF)

Casos de violência ou assédio nas universidades são fenômenos de repercussão contemporânea e embora na última década a visibilidade tenha aumentado, a produção sobre o tema é recente. Este GT visa articular pesquisas sobre formas de violência e agressão, histórias silenciadas nas instituições, processos mais recentes de denúncia e apuração, a luta dos coletivos, e a crescente construção de aparatos e políticas institucionais para lidar com o tema. As definições de violência mudam ao longo do tempo e de acordo com disputas, pressões e lutas por direitos. Atos que num certo período eram naturalizados e normalizados passam a ser questionados, como vimos com a definição de assédio sexual (Almeida, 2024). Nas universidades, nos últimos anos se reconhece que pode existir por trás da aparente paquera ou desqualificação intelectual de um docente, um abuso de poder ou uma ameaça. As mudanças na percepção do que é aceito ou não na vida acadêmica gerou novas normas, como a Cartilha de Prevenção aos assédios moral e sexual da CAPES. Movimentos sociais passaram a demandar das instituições que reconheçam o problema que sequer figurava nos regulamentos ou códigos de ética. Estas formas de agressão que se tornaram ofensivas são interseccionadas por desigualdades de gênero, raça, classe social, geração, orientação sexual, território, deficiência e outros marcadores sociais da diferença, além de serem sustentadas pela hierarquia acadêmica, por seus pactos e relações de poder.

Títulos e Resumos

  • Relatos de sonhos jamais vividos: o peso da intelectualidade "engessada" nas trajetórias acadêmicas abandonadas.
    — Bernardo Cardoso de Almeida Vieira
  • Racismo estrutural, branquitude e violência simbólica: experiências de estudantes negros no curso de Direito da UFOB
    — Jéferson Oliveira Morais, Anne Gabriele Lima Sousa de Carvalho
  • Patriarcado e Violências no ambiente universitário: desnaturalizando o cotidiano.
    — Josélia Barroso Queiroz Lima, Kiria Silva Orlandi
  • Trote e subjetividade: corpo, ritual e cotidiano numa faculdade no interior de São Paulo.
    — Maria Paula Calanzani Rocha, Heloisa Buarque de Almeida
  • Pedagogia do silêncio: a cultura da não denúncia e o pacto narcísico docente como instrumentos de blindagem institucional do assédio universitário
    — Michele Campos Silva
  • A inauguração da sala Lilás Janaína Bezerra na UFPI: os avanços e as implicações do enfrentamento ao assédio e discriminações
    — Tayná Egas Costa
  • Violência, assédio e produção de políticas na universidade: a experiência da CPAPEV/UFRR em um contexto de fronteira
    — Veronica Prudente, João Paulo Roberti Junior
  • Mulheres negras na Universidade de São Paulo: violência simbólica, agenciamentos e resistências
    — Victória Vedovato

GT 117 - Violências contra dissidências sexuais e de gênero: interseccionalidades, resistências e disputas

Coordenação
Moisés Lopes (UFMT)
Leandro de Oliveira (UFMG)

Este GT propõe refletir sobre as múltiplas formas de violência que atingem pessoas LGBTI+ no Brasil, considerando os entrelaçamentos entre sexualidade, gênero, raça, classe e território. A partir de uma perspectiva antirracista e comprometida com a pluridiversidade, buscamos acolher trabalhos que abordem experiências de violências e resistências vividas por sujeitos dissidentes das normas de gênero e sexualidade, bem como as formas de mobilização política, produção de saberes e disputas por reconhecimento. Interessa-nos, também, compreender como essas violências são nomeadas, denunciadas e enfrentadas por coletivos sociais, instituições estatais e agentes do sistema de justiça, especialmente após a equiparação da homotransfobia ao crime de racismo pelo STF. Convidamos etnografias e análises que explorem as tessituras cotidianas dessas experiências, os embates políticos e morais em torno das categorias de homofobia, transfobia e outras violências, e as formas de produção de políticas públicas e de narrativas jurídicas. O GT se insere no compromisso de uma Antropologia atenta às assimetrias de poder e orientada pelo desejo de reparação e pelo bem viver.

Títulos e Resumos

  • Um baby-doll rosa, identidade e gênero: por uma outra educação
    — Cleomar Felipe Cabral Job de Andrade
  • Atravessamentos da violência de gênero e suas repercussões nos corpos de mulheres trans com experiência de consumo de drogas
    — Dayane da Rocha Pimentel, Keila Silene de Brito e Silva, Camila Pimentel
  • Gênero, Poder e Resistência em Azeroth: uma etnografia no mundo virtual de World of Warcraft
    — Denize da Silva Mesquita
  • Quando o lar deixa de ser um lugar seguro: reflexões sobre práticas homofóbicas no ambiente familiar
    — Gleisson Roger de Paula Coêlho
  • Experiências de jovens LGBT em pequenas cidades do Brasil: desafios da socialização e da cis-heteronormatividade
    — Guilherme Lamperti Thomazi, Nathália Pacífico de Carvalho, Hevelyn Rosa
  • Ofensivas anti-gênero e extrema-direita: a fabricação fantasmática das dissidências de gênero
    — Hailey Kaas Alves Pedro da Silva, Marina Menezes Segatti
  • Gênero e Educação reflexões de corredores, saberes e dissabor: um estudo de caso da Escola Estadual Fernando Leite de Campos
    — Ivone Rodrigues dos Santos
  • "Ainda creio": religiosidade e dissidência em uma Pastoral da Diversidade evangélica.
    — Luciano Rodrigues da Costa
  • Ofensivas anti-gênero e extrema-direita: a fabricação fantasmática das dissidências de gênero
    — Marina Menezes Segatti, Hailey Kaas Alves Pedro da Silva
  • A nomeação da violência como forma de resistência
    — Noah Gabriel da Silva Santos, Paula Esteves Pinto
  • Projetos nas Margens do Poder: agências e (r)existências LGBTQIAPN+ na escola
    — Ro Rother Gil
  • Corpos que (re) existem: uma etnografia das experiências de LGBTQIA+ em situação de rua na Baixada Cuiabana
    — Rodrigo da Silva Martins, Moisés Alessandro de Souza Lopes
  • Conservadorismo, cisnormatividade e a produção estatal do pânico moral contra a linguagem não binária
    — Ursula Boreal Lopes Brevilheri

GT 118 - Violências, gênero e raça: diferentes linguagens e abordagens metodológicas

Coordenação
Ana Laura Lobato (UNOPS)
Maria Aparecida Webber (UNILA)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Karla Adriana Martins Bessa (UNICAMP)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Flavia Melo (UFAM)

No Brasil contemporâneo, para apreender mais detidamente as novas configurações das violências que ocorrem na esfera pública da violação de corpos de mulheres cis/trans à morte de crianças e jovens negros/as periféricos e/ou de pessoas ativistas nas diversas frentes de luta por direitos e justiça social tem sido necessário certa inovação teórica, metodológica ou mesmo o uso combinado de diferentes fontes, métodos, linguagens. Análises documentais de arquivos históricos ou administrativos, assim como as análises de conteúdo e/ou discursos audiovisuais, o uso cada vez mais expressivo de imagens e textos das redes sociais desafiam o saber etnográfico a se religar a outros saberes e campos disciplinares. Buscamos criar um espaço para discutir as diferentes estratégias no fazer antropológico em diálogo com outras humanidades e as artes, entre pesquisas que refletem sobre as complexas redes de sentido/significações e poder que perpassam as produções e reproduções de violências de gênero, interseccionadas pelos processos de racialização, bem como de exclusão e vulnerabilidades sociais de pessoas que vivem às margens do bem estar de direitos sociais. Nos interessa etnografias e estudos de caso que analisam situações específicas vividas no Brasil e América Latina; bem como análises das convenções e modos de representação que incitam violências de gênero, disseminando um repertório imagético racista e lgbtia+ fóbico.

Títulos e Resumos

  • Sob o nome do outro: a figura da "mulher de bandido" e os desafios da pesquisa em contextos de criminalização
    — Beatriz de Melo Araujo
  • Por uma antropologia de gênero sobre a atenção primária das delegacias e rede de enfrentamento no combate à violência contra mulheres em Boa Vista – RR.
    — Laysa Pâmella Neves dos Santos, Madiana Valéria de Almeida Rodrigues
  • Pânico moral, gênero e poder: reflexões sobre a agenda conservadora no cenário político atual
    — Lorena Silva Martins
  • Entre o acolhimento e o registro: gênero e interseccionalidades na escuta e vivências de uma universidade pública latino-americana
    — Maria Aparecida Webber
  • Não binariedade: categoria em (trans)formação
    — Marina Manini Cypriano

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