35ª Reunião Brasileira de Antropologia — Campus Samambaia, UFG, Goiânia — 13 a 17 julho 2026

Minicursos — 35ª RBA

MC 01 - Cinema, Antropologia e Arquivos: os Filmes Etnográficos de Zora Neale Hurston

Coordenação
Cornelia Eckert (UFRGS)

Este minicurso propõe a socialização e a discussão de achados arquivísticos recentes sobre a obra de Zora Neale Hurston (1891-1960), antropóloga afro-estadunidense associada à escola culturalista fundada por Franz Boas. Fundamentado em conceitos como imaginação arquivística (Hochberg, 2021) e reanimação dos arquivos (Azoulay, 2008, 2024), o minicurso analisa duas fases distintas da produção audiovisual de Hurston, conectadas a uma etnografia dos arquivos realizada em cinco cidades norte-americanas. O trabalho de campo, voltado para a localização dos filmes e materiais complementares, incluiu visitas a instituições arquivísticas, memoriais comunitários, um cemitério e universidades onde Hurston estudou, com o intuito de compreender melhor a atmosfera e o contexto de sua produção. O objetivo da proposta é refletir sobre as contribuições de Hurston para a constituição da antropologia visual, por meio de duas sessões temáticas que incluirão a exibição de filmes. Durante essas sessões, será promovido um diálogo crítico entre as imagens e as teorias que sustentam a tradição antropológica. Na primeira sessão, serão discutidas as condições de produção e os filmes realizados entre 1927 e 1929, nas comunidades rurais do sul dos Estados Unidos, durante o início da formação de Hurston em antropologia sob a orientação de Franz Boas. Na segunda sessão, será abordada a produção de 1940, encomendada por Margaret Mead, focada no estudo do transe religioso em uma igreja na Carolina do Sul.

Títulos e Resumos

  • Formação antropológica e filmes dos anos 1920
    — Débora Wobeto (UFRGS)

MC 02 - Entre grafias, brechas e partilhas: Imagens, agência, corpo e performance na Antropologia da Arte

Coordenação
Vi Grunvald (USP)

Este minicurso propõe explorar como, a partir de diferentes grafias, brechas e modos de partilha, a antropologia da arte tem ampliado suas fronteiras teóricas e metodológicas ao dialogar com expressões estéticas plurais. Desse modo, o minicurso está estruturado em duas sessões, na primeira sessão discutiremos a arte enquanto objeto central na construção do conhecimento antropológico, revisitando diferentes perspectivas teóricas e metodológicas e seguindo até abordagens mais contemporâneas sobre visualidade, circulação e os modos pelos quais artefatos visuais produzem efeitos sociais, políticos e sensíveis. Discutiremos a agência da imagem a partir do cinema amazônida, que ao criar novos modos de relação com a arte, a partir de diferentes maneiras de fazer cinema, engendram transformações nas relações, nas formas de participação e nos modos de agir coletivamente. A segunda sessão será dedicada às aproximações entre corpo, performance e gênero, enfatizando práticas performativas, gestos e corporificações que desafiam perspectivas hegemônicas sobre criação artística. Serão discutidos experimentos etnográficos, propostas artísticas contra-hegemônicas e debates que articulam arte, política e marcadores sociais da diferença. O minicurso busca, assim, oferecer um espaço de leitura, conversa e partilha sobre múltiplas antropologias da arte, destacando as potências analíticas das imagens, dos corpos e das performances como formas de conhecimento.

Títulos e Resumos

  • Alguns eixos temáticos na antropologia da arte: imagens, agência, corpo e performance
    — Gabriela Laroca Araujo (UFRGS)
  • Algumas perspectivas teóricas da antropologia da arte
    — Pâmela de Souza Costa (UFRGS)

MC 03 - Estratégias de produção e publicação em Antropologia: diários de campo, ensaios visuais e elaboração de artigos

Coordenação
Mariane da Silva Pisani (UFPI)
Vinicius Kauê Ferreira (UERJ)

O Minicurso proposto pela Revista Novos Debates (ABA) e apoiado pela CEPCA (ABA) apresenta um panorama das práticas de produção científica em revistas e periódicos das Ciências Sociais e da Antropologia. Ofertado desde a XIV RAM (2023), o minicurso atualiza a cada edição seus conteúdos e, neste ano, amplia o escopo para incluir também a elaboração de diários de campo e ensaios visuais, de modo a contemplar diferentes formas de escrita antropológica. Organizado em três sessões, o minicurso inicia com uma discussão sobre registros etnográficos, reflexividade e estilos de escrita de diários de campo, destacando seus potenciais usos em futuras publicações. A segunda sessão é dedicada ao ensaio visual, explorando linguagem, curadoria de imagens e modos de narrar visualmente em Antropologia. A terceira sessão aborda a escrita de artigos acadêmicos, com ênfase em estrutura, construção de argumentos e estratégias de publicação. O objetivo central é oferecer ferramentas para estudantes das Ciências Sociais e da Antropologia, apresentando diferentes gêneros de produção e aproximando os(as) do universo das revistas científicas, elemento fundamental na consolidação de trajetórias acadêmicas em todas as etapas da formação.

Títulos e Resumos

  • Ensaio visual em Antropologia
    — Ana Clara Sousa Damásio dos Santos (UNB)
  • Escrita e publicação de artigos acadêmicos
    — Matilde Quiroga Castellano (UFSC)
  • Diários de campo e escrita etnográfica
    — Virgínia Squizani Rodrigues (UFSC)

MC 04 - Ética em pesquisa

Coordenação
Carolina Parreiras (USP)

Este minicurso tem como objetivo refletir sobre ética em pesquisa,com ênfase na Antropologia.Como as peculiaridades desse campo e seus modos de produzir conhecimento impactam os dilemas em torno da ética em pesquisa?Nos últimos 15 anos, o Código de Ética da ABA passou por três revisões, evidenciando o quanto as discussões sobre ética se intensificaram, especialmente após a Resolução nº 510/2016 e a consolidação dos Comitês de Ética em Pesquisa.Esses movimentos respondem a diversas tensões que atravessam uma questão central: como realizar etnografias éticas do trabalho de campo até à escrita? O minicurso inicia com uma discussão sobre debates éticos recentes e os desafios que marcaram a disciplina,como as controvérsias em torno do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e seus limites frente a uma prática que, como ressalta Claudia Fonseca, opera por uma lógica relacional, processual e contingente.A segunda aula abordará os dilemas éticos no campo digital, considerando a escassez de diretrizes e questões relativas ao acesso responsável ao material de pesquisa, armazenamento e proteção de dados e o uso de IA generativa,reconhecendo a especificidades do digital.A terceira aula discutirá as implicações éticas da escrita etnográfica como forma de produção coletiva.Ao debater estratégias textuais sensíveis às demandas das parcerias estabelecidas em campo e da própria antropologia, o objetivo é refletir sobre as potencialidades e os tensionamentos raciais e sociais de coproduções.

Títulos e Resumos

  • Ética em pesquisas na Antropologia: tensões, regulações e relações
    — Ana Carolina Braga Azevedo (USP)
  • Ética e etnografia digital
    — Carolina Parreiras (USP)
  • Ética em metodologias de pesquisa engajada
    — Maíra Cavalcanti Vale (imuê)

MC 05 - Governança climática, questão racial e ambiental: a experiência do Programa Kala-Tukula

— Luciana de Oliveira Dias (UFG), Paula Balduino (UNB), Wdson Lyncon Correia de Oliveira (UNB), Fabiano Campelo Bechelany (Ministério da Igualdade Racial)
Este minicurso debaterá governança climática em interface com a questão racial e ambiental a partir da experiência do Programa Kala-Tukula de Desenvolvimento de Lideranças para a Governança Global, voltado para lideranças quilombolas, tradicionais de matriz africana, de povos de terreiros, povos ciganos e outras representações da comunidade negra. Tem por objetivo conectar a agenda de governança global com as ações comunitárias que oferecem respostas à crise climática e socioambiental. O nome "Kala-Tukula" é uma referência à cosmologia Bakongo. Kala representa o nascimento, o início e o tempo de aprendizado. Tukula, por sua vez, representa o ápice da força e da liderança, o tempo de amadurecimento coletivo. Trata-se de uma iniciativa inédita do Ministério da Igualdade Racial (MIR) do Brasil, instituída pela Portaria N° 215, de 28 de novembro de 2024. Na primeira edição, realizada em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG), o foco foi a 30ª Conferência das Partes (COP30) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, realizada em Belém, em novembro de 2025. O minicurso abordará racismo ambiental e justiça climática a partir das contribuições de um representante de cada segmento que participou da 1ª edição do programa. Espera-se promover o diálogo com o campo da antropologia, bem como acenar para continuidades do programa, especialmente na perspectiva de ampliação de incidências junto à diplomacia brasileira.

Títulos e Resumos

  • Ambiente, povos e comunidades tradicionais e políticas públicas no Brasil
    — Fabiano Campelo Bechelany (Ministério da Igualdade Racial)
  • Interfaces entre questão racial e ambiental: histórico e avanços na política externa
    — Paula Balduino (UNB)
  • Mundos em composição: uma abordagem antropológica sobre povos e territórios nos debates ambientais
    — Wdson Lyncon Correia de Olieira (UNB)

MC 06 - Promoção da Igualdade Racial (PROIR): direitos humanos e políticas públicas para quilombolas, povos e comunidades tradicionais de matriz africana, povos de terreiros e ciganos

Coordenação
Matheus França (UFU)
Ana Paula Purcina Baumann (UFG)

Este minicurso integra o esforço de fortalecimento da luta antirracista, com foco em segmentos societários historicamente discriminados, como comunidades quilombolas, povos e comunidades tradicionais de matriz africana, povos de terreiro e povos ciganos. Seu objetivo é dar continuidade à agenda do projeto “Promoção da Igualdade Racial (PROIR): direitos humanos e políticas públicas para quilombolas, povos e comunidades tradicionais de matriz africana, povos de terreiros e ciganos”, iniciativa do Ministério da Igualdade Racial (MIR), executada em parceria com a Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) e a Universidade Federal de Goiás (UFG). No âmbito do PROIR, foram realizados três cursos avançados, síncronos e remotos, voltados às políticas públicas para comunidades quilombolas, povos e comunidades tradicionais de matriz africana e povos ciganos. Tendo a igualdade racial como eixo estruturante, os cursos buscaram qualificar gestores/as e servidores/as públicos/as de todo o país como agentes multiplicadores da promoção da igualdade racial. O minicurso retoma e articula as principais temáticas desses cursos, promovendo debates sobre políticas públicas, combate ao racismo, garantia de direitos humanos, reconhecimento das diferenças, valorização da diversidade e promoção da equidade. A programação será organizada em três sessões, com a participação de cursistas e representantes dos povos e comunidades envolvidas.

Títulos e Resumos

  • Direitos humanos, liberdade religiosa e políticas públicas: povos e comunidades tradicionais de matriz africana e povos de terreiro
    — Anna Canavarro Benite (UFG)
  • Povos ciganos, políticas públicas e direitos humanos: reconhecimento, diversidade e enfrentamento do racismo institucional.
    — Jonathas Xavier Pereira (UFG)

MC 07 - Racismo, corpo e interseccionalidades: Contribuições e desafios teórico-metodológicos a partir de etnografias na saúde

Coordenação
Rosana Maria Nascimento Castro Silva (UNB)
Ana Claudia Rodrigues da Silva (UFPE)

Este minicurso parte da compreensão de que o racismo, em intersecção com outras dinâmicas sistêmicas de opressão como o sexismo, o classismo, a xenofobia, as desigualdades territoriais e outras, são constitutivas das condições de vida, adoecimento e morte em contextos sociais diversos. Considerando esse cenário, propomos pensar como a pesquisa antropológica pode ser articulada para a visibilização, o registro detalhado e a reflexão crítica das iniquidades em saúde. O minicurso tem como objetivo apresentar e debater contribuições teórico-metodológicas de pesquisas antropológicas realizadas em contextos de saúde para uma abordagem etnográfica do racismo e outras formas interseccionais de produção do sofrimento, do adoecimento e da morte. As seções abordarão possibilidades de reflexão teórica, bem como abordagens e experiências etnográficas, que registram as corporalidades, os processos de racialização e as dinâmicas cotidianas de articulação e atualização de iniquidades, violências, negligências e silenciamentos racialmente configurados. Este minicurso visa contribuir para pesquisas nas quais a etnografia e a reflexão antropológica possam ser articuladas em termos teóricos, metodológicos e éticos para o estudo, a análise crítica e a produção de conhecimento socialmente implicado no enfrentamento de iniquidades raciais.

Títulos e Resumos

  • Racismo, Saúde, Corpos e Interseccionalidades: Desafios e Contribuições Etnográficas
    — Durvalina Rodrigues Lima de Paula e Silva (GRUPESSC - PPGA/UFPB)
  • Etnografar com instituições: alianças, confidencialidade e manejo de dados sensíveis sobre racismo
    — Raquel Lustosa da Costa Alves (UFPE)
  • Rastreando objetos multifatoriais: aportes teórico-metodológicos sobre os entrelaçamentos entre raça, processos de racialização e saúde
    — William Paulino Rosa (UNICAMP)

MC 08 - Visualidades etnográficas: Corpo, fotografia e performance

Coordenação
Francirosy Campos Barbosa (USP)

Este minicurso oferece ferramentas teóricas e práticas para o uso da fotografia e performance como métodos de pesquisa e escrita etnográfica. Partindo de pesquisas em Antropologia da Performance, das Práticas Esportivas e Visual, combina aulas expositivas com atividades práticas envolvendo fotografia, corpo e performance como produtores de conhecimento. Destina-se a pesquisadores/as de Ciências Sociais e Antropologia interessados em ampliar repertórios teóricos e metodológicos e qualificar o uso de linguagens visuais e corporais. A primeira sessão enfatiza a centralidade do corpo, discutindo sua relevância na Antropologia e propondo um exercício baseado na dança contemporânea e estudos somáticos, destacando que o repertório de movimento é culturalmente demarcado e que a consciência corporal abre novas estratégias de pesquisa. Na segunda sessão, a reflexão desloca-se para a fotografia, abordando seus fundamentos como forma de conhecimento e sua trajetória na Antropologia, entendendo-a como escrita etnográfica que expande possibilidades interpretativas. A terceira sessão discute corpo, performance e política a partir de artistas indígenas, analisando performances de Olinda Tupinambá e Ziel Karapotó e as dimensões performáticas de suas imagenAção, explorando como evocam formas de vida relacionadas às cosmologias de seus povos e às corporalidades indígenas, articulando debates ambientais e suas cosmopolíticas de criação depois do fim.

Títulos e Resumos

  • Limites e possibilidades do corpo no fazer etnográfico: uma Antropologia sobre e com o corpo
    — Carolina Paes de Barros (Plano B Danca)
  • Imagem, memória e experiência: a fotografia na pesquisa etnográfica
    — Evandro Lima dos Santos (USP)
  • Políticas da criação: A performance de Olinda Tupinambá no ato de (RE) ativar outros mundos possíveis
    — Leandro Teixeira (USP)

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