35ª Reunião Brasileira de Antropologia — Campus Samambaia, UFG, Goiânia — 13 a 17 julho 2026

Mesas Redondas — 35ª RBA

MR 01 - 30 anos de Forumdoc.bh e a relevância dos festivais de filmes etnográficos para uma antropologia pública

Coordenação
Luis Felipe Kojima Hirano (UFG)

Debate
Carla Milani Damião (UFG)

Participantes
Luis Felipe Kojima Hirano (UFG), Júnia Torres (Associação Filmes de Quintal), Alessandro Campos (UFPA)

A mesa faz parte da programação do Prêmio Pierre Verger. Ela celebra os 30 anos do Forumdoc.bh – Festival do Filme Documentário e Etnográfico, referência fundamental na articulação entre cinema, antropologia e formação crítica de público no Brasil. Desde sua criação, o festival consolidou-se como um importante espaço de exibição, reflexão e pesquisa sobre o documentário e o filme etnográfico, promovendo debates, oficinas e mostras que descentralizam o acesso ao audiovisual e fortalecem práticas colaborativas entre realizadores, comunidades e instituições. A discussão se amplia com a presença de organizadores e pesquisadores de outros festivais de cinema etnográfico, como o Festival de Filmes Etnográficos do Pará, o Prêmio Pierre Verger e demais iniciativas voltadas à difusão do cinema feito por cineastas indígenas e quilombolas. O debate propõe refletir sobre a contribuição desses festivais para o desenvolvimento da antropologia visual no Brasil, seus impactos na formação de novos públicos e pesquisadores, e os desafios e perspectivas futuras para a consolidação de um campo audiovisual comprometido com a diversidade, a justiça epistêmica e a descolonização do olhar.

Títulos e Resumos

  • Uma Trajetória que Inspira Outras: FIFEP e o Legado dos 30 Anos do Fórum.Doc
    — Alessandro Ricardo Pinto Campos
  • Forumdoc.bh, 30 anos de uma aliança germinante entre antropologia e cinema
    — Júnia Torres
  • 30 anos do Prêmio Pierre Verger: institucionalização da antropologia visual no Brasil
    — Luis Felipe Kojima Hirano

MR 02 - 30 anos do Prêmio Pierre Verger

Coordenação
Fabiana Bruno (IFCH Unicamp)

Participantes
Cornelia Eckert (UFRGS), Lisabete Coradini (UFRN), Claudia Turra Magni (UFPEL)

Esta mesa marca a comemoração dos 30 anos do Prêmio Pierre Verger (PPV), com o propósito de refletir sobre sua trajetória, transformações e contribuições para o campo da antropologia visual no Brasil e na América Latina. O encontro propõe revisitar a história do PPV como um espaço de experimentação etnográfica, reflexão crítica e reconhecimento das múltiplas formas de expressão antropológica. A mesa reúne participantes que atuaram na consolidação e continuidade do Prêmio e contribuíram para o fortalecimento da antropologia visual no país. O propósito será debater a trajetória do PPV e valorizar suas contribuições para expandir o diálogo entre imagens, práticas curatoriais e experimentações etnográficas, articulando nesse encontro um espaço de memória e projeção horizontes em que passado e futuro estarão entrelaçados na construção de uma antropologia visual no Brasil.

Títulos e Resumos

  • Três décadas de PPV: conhecendo de dentro
    — Claudia Turra Magni
  • Prêmio Pierre Verger da RBA: um ponto de inflexão para a antropologia audiovisual no Brasil
    — Cornelia Eckert

MR 03 - A antropologia na Educação Profissional e Tecnológica de Nível Médio: temas e diálogos

Coordenação
Gekbede Dantas Targino (IFPB)

Debate
Breno Rodrigo de Oliveira Alencar (IFPA)

Participantes
Barbara de Souza Fontes (Colégio Pedro II), Lediane Fani Felzke (IFRO), Kirla Korina Anderson Ferreira (IFPA)

A mesa-redonda propõe-se a debater, através de comunicações temáticas situadas, os lugares da Antropologia na educação básica, especialmente nos Institutos Federais. Lançando olhares sobre objetos essenciais para a formação dos estudantes, as pesquisas a serem comunicadas revelam a importância do fazer antropológico, as dificuldades e o enfrentamento das assimetrias que historicamente invisibilizam saberes indígenas, bem como as perspectivas generificadas e afro-diaspóricas. Deste modo, partir-se-á de experiências concretas de docentes-pesquisadores, a fim de discutir o lugar da antropologia nos currículos da Educação Profissional e Tecnológica. Evidenciadas por intermédio de práticas etnográficas, de projetos de extensão, da produção de materiais didáticos e pela formação de professores, estas experiências têm o condão de proporcionar letramento racial, o qual pavimenta caminhos pedagógicos de caráter decolonial e orientados à justiça epistêmica, integrando saberes locais, tecnologias (letramento digital) e comunicação às rotinas de aula, validando a antropologia como ferramenta crítica para interpretar o mundo do trabalho, visando a transformação das realidades escolares.

Títulos e Resumos

  • Possibilidades da Antropologia na Educação Básica: os livros didáticos do PNLD 2026
    — Barbara de Souza Fontes
  • O ensino de gênero e sexualidade em tempos de misoginia nas redes sociais
    — Kirla Korina Anderson Ferreira
  • Contribuições teórico-metodológicas da Antropologia para a permanência e o êxito de estudantes indígenas nos Institutos Federais.
    — Lediane Fani Felzke

MR 04 - A arte de persistir: desafios epistêmicos e políticos para antropologias feministas no campo dos estudos de ciência e tecnologia

Coordenação
Daniela Tonelli Manica (UNICAMP)

Debate
Clarissa Reche Nunes da Costa (UNICAMP)

Participantes
Andrea Moraes Alves (UFRJ), Ana Manoela Primo dos Santos Soares (UFPA), Luciene de Oliveira Dias (UFG)

A ciência, a tecnologia e a sociedade, como braços do Estado, do colonialismo, do capitalismo e do patriarcado, são marcadas por dinâmicas que excluem, diminuem e desvalorizam trabalhos de cuidado, de afeto e de construção de conhecimento compartilhado e politicamente situado. A Rede Latinoamericana de Antropologia Feminista das Ciências e das Tecnologias, RAFeCT, vem colocando em diálogo uma série de pesquisadoras e suas perspectivas plurais e disruptivas de pesquisa dentro do campo acadêmico, sempre em interface com demandas vindas de movimentos sociais. Acolhendo a proposta do evento por pensar antirracismos e pluralidiversidades e trazer, radicalmente, para dentro da Antropologia, propostas de transformação epistêmica e política, nessa mesa apresentamos um mosaico de iniciativas e pesquisas que vêm sendo desenvolvidas em universidades de diferentes regiões do Brasil, buscando responder e enfrentar os inúmeros desafios para fazer antropologias feministas antirracistas. As palestrantes apresentarão alguns de seus resultados de pesquisa e ações de extensão, contribuindo para a consolidação e implementação de novas frentes de pesquisa e perspectivas analíticas e políticas criativas e politicamente referenciadas na Antropologia.

Títulos e Resumos

  • O espelho e o mutirão: Redes de intercâmbio de conhecimentos entre mulheres Karipuna e a antropologia feminista
    — Ana Manoela Primo dos Santos Soares
  • Extensão universitária e ensino da antropologia: aprendendo entre nós enquanto aprendemos com os outros
    — Andrea Moraes Alves
  • Antropologia-Mulheres: orientações epistêmicas insurgentes em Abya Yala
    — Luciene de Oliveira Dias

MR 05 - A discriminação racial no futebol

Coordenação
Carmen Silvia Rial (INCT Futebol)

Debate
Vânia Penha Lopes (Bloomfield College of Montclair State University)

Participantes
Antonio Jorge Gonçalves Soares (UFRJ), Leda Maria da Costa (UERJ), Daniel Machado da Conceição (Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis)

Esta Mesa Redonda reúne integrantes do INCT Futebol que analisam a integração de pessoas negras no futebol brasileiro e o racismo que acompanha esse processo. Examinamos a história da exclusão inicial de atletas negros, as formas de resistência desenvolvidas por jogadores negros. Abordamos também, após a liberação da prática do futebol para mulheres, a invisibilização da lesbianidade de futebolistas. Examinamos também, associada ao racismo, a xenofobia contra futebolistas sul-americanos com circulação no exterior. O racismo no futebol vai além das agressões explícitas em campo: expressa uma lógica estrutural de desigualdade que atravessa o esporte. Manifesta-se na escassa presença de pessoas negras em cargos de comando e decisão, contrastando com sua forte presença nos gramados. Essa assimetria sustenta um modelo que celebra o negro como herói corporal, enquanto reserva aos brancos os espaços da estratégia, liderança e representação institucional. Noções de meritocracia e universalidade das regras O futebol, que em campo aparenta igualdade, reproduz desigualdades profundas que mantêm o negro como protagonista da performance corporal, mas ausente nas instâncias de decisão institucional. Superar essa clivagem racial exige reconhecer que o racismo, em suas diferentes formas de expressão, também se reflete institucionalmente no sistema futebolístico. Examinamos ainda a fascistização nos estádios, expressa em racismo, xenofobia, machismo e homofobia.

Títulos e Resumos

  • Racismo, Hierarquias e poder no futebol
    — Antonio Jorge Gonçalves Saores
  • Mídia, raça e gênero. Das areias de Copacabana para os gramados dos subúrbios do Rio de Janeiro
    — Leda Maria da Costa

MR 06 - A EDUCAÇÃO COMO CULTURA: antirracismos e pluridiversidade.

Coordenação
Sandra Pereira Tosta (UFF)

Debate
Gilmar Rocha (UFF)

Participantes
Raimundo Nonato Ferreira do Nascimento (UFPI), Sílvia Michele Lopes Macedo (UFRB), Rodrigo Rosistolato (UFRJ)

Compreender a educação como cultura, ou seja, como processo social que ocorre em meio às dinâmicas históricas e culturais na contemporaneidade, parte do pressuposto de que ensino e aprendizagem vão além daqueles desenvolvidos pelas instituições educacionais formais, pois ocorrem em meio aos modos de viver, interpretar e transformar o mundo. Nesse sentido, educar não se reduz à mera transmissão de conteúdos, mas na arte-atividade contínua de socialização e sociabilidades enraizadas nas interações, nos símbolos, nas práticas e na linguagem. Desde estas perspectivas, afirmamos que aprender é participar de um modo de existir compartilhado, no qual cada gesto, cada palavra e até mesmo o silêncio compõem um horizonte de sentidos. Inspirados em autores como Carlos Brandão e Tim Ingold, reportamos a educação da atenção como fundamento dos aprendizados nos diversos contextos culturais, o que exige o olhar, a escuta sensível e a disponibilidade para perceber o outro em sua particularidade e universalidade. A educação como cultura implica a abertura para o encontro aprendente e formativo podendo tornar-se essencial no combate ao racismo e ao epistemicídio, os quais operam pela recusa de ver, ouvir e reconhecer o outro; e se nutrem de estratégias de dominação que colonizam identidades, histórias e saberes, tornando-os invisíveis. Assim, ao defender e educação como cultura orientada pela atenção acredita-se numa travessia para a construção de relações mais éticas, fraternas e iguais.

Títulos e Resumos

  • Educação intercultural e formação docente: reflexões sobre a contribuição do curso de Pedagogia Intercultural Indígena para o autorreconhecimento e valorização da identidade étnica dos cursistas.
    — Raimundo Nonato Ferreira do Nascimento
  • Estigmas, rótulos, racismo e antirracismo na educação básica
    — Rodrigo Rosistolato
  • Compreensões sobre aprendizagem, formação e educação como cultura
    — Sílvia Michele Lopes Macedo

MR 07 - A espreita da antropologia nas cidades: entre insurgências e diferenças

Coordenação
Ramon Pereira dos Reis (UEPA)

Debate
Roberto Marques (URCA)

Participantes
Guilherme Rodrigues Passamani (UFMS), Sil Nascimento (USP), Bruno Puccinelli (SEAS/RO)

A mesa propõe um debate sobre as dinâmicas urbanas entendidas como arenas de produção, contestação e negociação das dissidências de gênero e sexualidade. Parte-se da compreensão de que as cidades são espaços de poder e de invenção, onde diferentes corpos e subjetividades disputam visibilidade, reconhecimento e direito de existência. O debate centra-se na análise crítica de como as cidades, especialmente aquelas consideradas “não-autorreferentes” podem ser atravessadas, para além das esperadas exclusões e violências, por experiências de resistência, solidariedade e criação política. A proposta é discutir a insurgência de corpos e identidades marginalizadas (LGBTQIA+, mulheres, pessoas negras, indígenas, migrantes e outras) que, ao ocuparem o espaço urbano, reivindicam pertencimento e transformam o cotidiano das cidades. A discussão será guiada pela perspectiva interseccional, explorando como marcadores sociais da diferença — gênero, raça, classe, sexualidade, geração e território — articulam as formas de habitar e de subverter a norma no espaço urbano. Ao reunir pesquisadoras e pesquisadores de diferentes contextos, o objetivo é repensar as cidades como espaços plurais, insurgentes e permeados por lutas emancipatórias. Busca-se contribuir para os estudos urbanos e de gênero/sexualidade, abrindo caminhos para compreender a potência política das experiências dissidentes na produção de novos imaginários urbanos.

Títulos e Resumos

  • Na penumbra do sexo pago, brilha o raio da cocaína: economia moral, trabalho sexual e cidades não autorreferentes
    — Guilherme Rodrigues Passamani

MR 08 - A religião que não cabe no Censo: problematizações a partir do digital

Coordenação
Carly Barboza Machado (UFRRJ)

Participantes
Mariana Côrtes (UFU), Leandro de Paula (UFBA), Carly Barboza Machado (UFRRJ)

No ano de 2025 foram divulgados os dados de religião do Censo Demográfico do IBGE, realizado em 2022. Essas informações suscitaram debates sobre o crescimento do campo evangélico no Brasil, especialmente uma certa surpresa diante do decréscimo no ritmo desse crescimento, e do quanto os números correspondiam ou não às expectativas iniciais. Reflexões sobre dimensões do religioso que escapam ao Censo se atualizam ao longo das décadas: dificuldades de classificação e indicação de pertencimentos; engajamentos plurirreligiosos; sentidos da categoria "sem religião", entre outras questões. Considerando que os números do Censo respondem a expectativas do mercado eleitoral e das pesquisas de opinião, nossa ideia é olhar mais para práticas religiosas do que para identidades políticas criadas em torno delas, o que pode ajudar a compreender mudanças nas sensibilidades e modos de associação. Com esse objetivo, propomos uma reflexão sobre as relações entre o religioso e o digital, uma vez que, nas fronteiras do digital, evidenciam-se configurações de novas institucionalidades, coletividades, práticas rituais e formas de autoridade religiosas. A proposta desta mesa integra as atividades que celebram cinco décadas de pesquisas sobre religião reunidas em mais de 45 volumes da Revista Religião & Sociedade. Ela destaca a contribuição desses estudos para compreender as continuidades e transformações do cenário religioso brasileiro.

Títulos e Resumos

  • O que significa "pertencer" a uma religião? Questões sobre o digital e a classificação do religioso
    — Carly Barboza Machado
  • Arquiteturas da devoção: liderança e pertencimento religiosos em ambientes digitais
    — Leandro de Paula
  • Os dados do Censo à luz da plataformização do capitalismo e as novas formas de pertencimento religioso
    — Mariana Côrtes

MR 09 - A revista Tipití e suas recentes contribuições para o conhecimento sobre as Terras Baixas da América do Sul

Coordenação
João Roberto Bort Júnior (PPGA/UFPE)

Participantes
Antonio Guerreiro (UNICAMP), Cecilia McCallum (UFBA), Tatiane Maíra Klein (Instituto Socioambiental (ISA))

A Antropologia deve boa parte de seu desenvolvimento epistêmico às pesquisas realizadas no Brasil. Um exemplo indubitável são os estudos etnológicos conduzidos por antropólogos(as) brasileiros(as) e estrangeiros(as) junto aos povos indígenas de diferentes regiões do território nacional. Seus rendimentos etnográficos encontram-se dispersos em inúmeros livros, anais de eventos acadêmicos e periódicos científicos - entre os quais se destaca a Tipití, revista da Sociedade de Antropologia das Terras Baixas da América do Sul (TBAS). Desde seu primeiro volume, publicado em junho de 2003, a revista tem divulgado, com frequência bastante irregular, diversos manuscritos redigidos em inglês. A eleição de uma equipe editorial, em 2022, formada por antropólogas(os) lusófonas(os) e pesquisadores(as) vinculados(as) a instituições brasileiras transformou significativamente o cenário da revista. Uma mudança notável é o aumento expressivo de trabalhos publicados em língua portuguesa e espanhola, especialmente daqueles escritos por autores indígenas. Nesta Mesa-Redonda, pretendemos avaliar as contribuições que pesquisadores(as) indígenas e não indígenas do Brasil e/ou de Portugal trouxeram para a produção e a divulgação do conhecimento etnológico sobre as TBAS a partir da revista, bem como apresentar os objetivos da mais nova equipe editorial, também composta por brasileiros(as). Consideramos ser um momento oportuno para refletir sobre os rumos que a Tipití tem apontado para esse campo do saber.

Títulos e Resumos

  • Entre Tradições e Transformações: 20 da Revista Tipití e os Desafios da Publicação Científica em Etnologia Indígena
    — Antonio Guerreiro
  • Novos trançados para a Tipití: experiências junto à edição colaborativa
    — Tatiane Maíra Klein

MR 10 - Além da culpa cristã: explorando a vida moral e afetiva em contextos religiosos urbanos

Coordenação
Raphael Bispo dos Santos (UFJF)

Participantes
Janine Targino da Silva (UCAM / UERJ), Réia Sílvia Gonçalves Pereira (UENF), Cesar Pinheiro Teixeira (UFF)

“Culpa cristã” é uma expressão comumente usada para destacar ingerências religiosas na vida individual, evidenciando como dogmas e normas influenciam – muitas vezes de forma limitadora – a formação das subjetividades no cristianismo. O propósito desta mesa redonda é deslocar este foco analítico tradicional, discutindo como moralidades e sentimentos se articulam nos estudos socioantropológicos da religião contemporâneos. Propomos analisar como fiéis lidam com instabilidades éticas diante das exigências simultaneamente mundanas e sagradas, destacando as ambiguidades que atravessam a experiência da fé. Em vez de reduzi-la à obediência a regras, entendemos o cotidiano ético religioso como dinâmico, no qual valores e afetos só ganham sentido no curso das ações que tornam a vida habitável. A partir de experiências etnográficas produzidas em diferentes contextos urbanos do Brasil, pretende-se examinar moralidades e sentimentos religiosos como práticas sociais situadas, enfatizando o incerto e o polivalente que atravessam as experiências da fé. Essas reflexões serão desenvolvidas a partir dos seguintes casos etnográficos: 1) análise da cosmopolítica e da ética do ordinário em uma favela, cuja única possibilidade de expressão religiosa é a pentecostal; 2) estudo de comunidades terapêuticas com perfil religioso que acolhem mulheres grávidas e/ou acompanhadas de seus filhos; 3) análise da atuação de evangélicos em instituições de controle social (polícia e prisões).

Títulos e Resumos

  • Cristianismos e controle social no Rio de Janeiro: práticas e discursos religiosos entre policiais
    — Cesar Pinheiro Teixeira
  • Maternidade em Comunidades Terapêuticas Religiosas: análise do acolhimento de mulheres usuárias de substâncias e seus filhos
    — Janine Targino da Silva
  • Quem manda na favela? Moralidades religiosas e a vida como acordo frágil em contextos de violência
    — Réia Sílvia Gonçalves Pereira

MR 11 - ALÉM DA SUPERFÍCIE: desafios teórico-metodológicos da antropologia visual na sociedade das imagens

Coordenação
Alexandre Fernandes Correa (UFRJ)

Participantes
Adalberto Luiz Rizzo de Oliveira (UFMA), Juliana Loureiro Silva (ABAETÉ SOCIOAMBIENTAL), Jean Souza dos Anjos (UECE)

Esta proposta de MR consolida a participação em eventos promovidos pelo NEI desde a VI REA, I/II Encontro de Antropologia e Imagem (2016/22) e 34ª RBA, abordando acervos fotográficos, fílmicos e iconográficos. Habitamos uma sociedade das imagens, densa floresta de signos visuais, como confirmam Gruzinsky e Rancière. No fazer antropológico ecoa a provocação de J. S. Martins: “Sociólogos e antropólogos precisam de muito mais do que uma foto para compreender o que uma foto contém”. Reunimos pesquisadores para refletir sobre os caminhos da semiologia e da agência das imagens: 1) Os modelos interpretativos canônicos dão conta da contemporaneidade marcada pela superabundância de imagens? 2) Quais recursos para além da imagem usados para decifrá-las? Contextos de produção, trajetórias sociais, memórias, sons, textos? 3) Como as novas tecnologias estão transformando os códigos visuais e dialogando com os territórios socioculturais e étnicos? Compartilharemos conquistas e impasses no trabalho de campo com imagens, no relato etnográfico dos percursos interpretativos. A (in)suficiência dos métodos clássicos, desdobra-se: 1. Questionar cânones. 2. Focar o excedente de significado. 3. Perscrutar novas tecnologias (IA’s) e novos códigos culturais. A MR questiona os limites do conhecimento antropológico ao indagar o que nossas ferramentas atuais não capturam, apurando e amplificando a análise dos complexos objetos visuais e os fundamentos do olhar antropológico.

Títulos e Resumos

  • ACERVOS FOTOGRÁFICOS E PESQUISA ETNOLÓGICA: Representações imagéticas em Curt Nimuendajú e Harald Shultz sobre povos indígenas
    — Adalberto Luiz Rizzo de Oliveira
  • "Limpar a cultura": uma conversa sobre antropologia visual, tradição e contemporaneidade
    — Jean Souza dos Anjos

MR 12 - Antropólogas e suas antropologias: redes, temas e produtos no mundo

Coordenação
Rosamaria Giatti Carneiro (UNB)

Debate
Natânia Lopes (UERJ)

Participantes
Lucia Eilbaum (UFF), Alexandra Eliza Vieira Alencar (UFSC), Fabiene Gama (UFRGS)

Por que pesquisamos determinados temas e assuntos? Quais os caminhos escolhemos e como temos feito antropologia? Como nossos resultados têm sido postos no mundo e com que objetivos? As feministas já questionaram os modos canônicos de produção científica, pautaram a parcialidade e a ausência de neutralidade. O conhecimento já foi considerado situado e localizado e a vida pessoal tornou-se política e pesquisa. Na antropologia, sobretudo a partir dos anos 80, vivemos uma dobra sobre como escrevemos e pesquisamos, acerca da relação entre antropologia, ficção e literatura; de afetar-se em campo; de sua reversibilidade e inventividade. Mais recentemente estamos às voltas com o pensamento decolonial, com a interseccionalidade e a autoetnografia. Podemos dizer que tais movimentos devem muito às práticas, pesquisas e escritas de mulheres em campo. Disso decorre o desejo de nesta mesa refletirmos sobre a atualidade do debate ao redor de por que e como as mulheres têm feito antropologia na contemporaneidade, tomando experiências de pesquisa com intensa relação com a política e com a arte, uma antropologia atravessada pelo fazer implicado e por uma dimensão de experimentação estética, audiovisual.

Títulos e Resumos

  • Por uma antropologia das miudezas
    — Alexandra Eliza Vieira Alencar
  • Agindo com cuidado e afeto em uma emergência: reflexões sobre o resgate de fotos nas enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul
    — Fabiene Gama
  • Redes, acolhimentos e ativismos: desafios e potencialidades na construção de formas de fazer antropologia
    — Lucia Eilbaum

MR 13 - Antropologia do trabalho: entre técnica, ecologia e economia

Coordenação
Viviane Vedana (UFSC)

Debate
Jaime Santos Júnior (UFPR)

Participantes
Viviane Vedana (UFSC), Eduardo Di Deus (UNB), Lautaro Clemenceau (Centro de Estudios e Investigaciones Laborales (CEIL-CONICET))

Em anos recentes algumas obras têm se dedicado a discutir se é possível afirmar a existência de um campo da antropologia do trabalho, no Brasil, na América Latina e na Europa. Em comum, discute-se que o trabalho é um tema clássico de estudos antropológicos, em uma interface entre economia, política e estudos do mundo rural. No cenário contemporâneo de flexibilização de vínculos contratuais, reestruturação da legislação trabalhista e ascensão da pedagogia neoliberal do “empreendedorismo de si”, discutir o trabalho a partir da antropologia nos parece de pertinência evidente. Com a acentuação das mudanças climáticas e de novas fronteiras nas transformações técnicas, cumpre pensar de que maneira as abordagens etnográficas podem se posicionar diante dos mundos do trabalho em transformação. Consideramos que as abordagens antropológicas podem oferecer inspirações importantes sobre as definições do que é o trabalho, não apenas como efeito de relações estruturais entre trabalhadores e donos dos meios de produção, mas também como possibilidade de iluminar práticas produtivas singulares e complexas, além de informar sobre as formas de constituição mútua entre o trabalhador e os meios que utiliza em sua atividade laboral. Esta mesa pretende reunir pesquisas nas quais as abordagens clássicas relacionadas ao trabalho na antropologia dialoguem com perspectivas ecológicas e tecnológicas, buscando refletir sobre a constituição deste campo de pesquisa e suas potencialidades analíticas.

Títulos e Resumos

  • A mão de obra são as mãos em obra: pensar o trabalho a partir do engajamento nas atividades laborais
    — Eduardo Di Deus
  • A Andinização Temporal Mineira. Uma forma de organização da produção e do trabalho mineiro no século XXI em uma ecologia complexa.
    — Lautaro Clemenceau
  • Trabalho, força de trabalho, gesto técnico: um ensaio sobre as relações entre antropologia do trabalho e antropologia da técnica
    — Viviane Vedana

MR 14 - Antropologia e Demografia em Diálogo: censos colaborativos e auto-censos indígenas e quilombolas

Coordenação
Rodrigo Oliveira Braga Reis (UFAM)

Debate
José Maurício Paiva Andion Arruti (UNICAMP)

Participantes
João Pacheco de Oliveira Filho (UFRJ), Daiane Ciriáco (IBGE), Rosa Sebastiana Colman (UFGD)

Esta MR discutirá experiências concretas de cruzamento entre métodos e contextos etnográficos e instrumentos demográficos na produção de dados sobre povos indígenas e comunidades quilombolas. Serão examinadas experiências de censos colaborativos e de autocensos como estudos de caso sobre temas como autodeclaração, autorrepresentação, “comunidade” como unidade estatística, limites das categorias oficiais e implicações políticas da produção de dados. A mesa também analisará tensões entre escalas — local, regional e nacional — e entre racionalidades técnicas, jurídicas e cosmopolíticas. Ao enfatizar dimensões éticas, epistemológicas e operacionais dos processos censitários, busca-se mostrar como práticas colaborativas ampliam a qualidade, legitimidade e usos comunitários das informações, contribuindo para políticas públicas, demandas territoriais e formas próprias de governo e de conhecimento.

Títulos e Resumos

  • Categorias em disputa e participação social na produção de estatísticas oficiais: a experiência do Censo Quilombola 2022 e seus desdobramentos
    — Daiane de Paula Ciriáco
  • ¿Como se consolida uma identidade étnica ¿ Articulação política, estrutura clânica, religião e cidadania
    — João Pacheco de Oliveira

MR 15 - Antropologia e Extremismos Políticos

Coordenação
Ronaldo Rômulo Machado de Almeida (UNICAMP)

Participantes
Ronaldo Rômulo Machado de Almeida (UNICAMP), Isabela Kalil (UNESP), Bruno Mafra Ney Reinhardt (UFSC)

Há cerca de duas décadas, estão em curso transformações em várias democracias ocidentais que resultaram da ascensão de extremismos políticos à direita. Apesar dos discursos pretensamente chamados de “anti-globalistas” e do ressurgimento de nacionalismos, os extremismos se encontram em sintonia transnacional devido à ressonância das agendas, às formas de atuação, às alianças “glocais” e à produção de inimigos internos às nações. A complexidade deste momento histórico tem exigido investigações multidisciplinares, embora alguns conceitos e teorias consolidados na filosofia política, na história e na ciência politica (como fascismo, autoritarismo, direita, populismo, neoliberalismo, entre outros) tenham sido os mais mobilizados para compreender a conjuntura de radicalização à direita. Esta Mesa Redonda tem dois objetivos complementares. Primeiro: apresentar análises empíricas de extremismos à direita, sobretudo no contexto brasileiro marcado pelo bolsonarismo. Segundo: discutir e explicitar as implicações conceituais e metodológicas das perspectivas antropológicas sobre a conjuntura política-cultural contemporânea, considerando o Brasil nestas redes locais e transnacionais.

Títulos e Resumos

  • Futuros ANCAP: liberdade, tempo e políticas pré-figurativas no anarcocapitalismo brasileiro
    — Bruno Reinhardt
  • Nova Direita, Extrema Direita e Bolsonarismo: Uma Proposta de Distinção Conceitual
    — Isabela Kalil
  • Cristianismo cultural e nacionalismo cristão: bolsonarismo e trumpismo
    — Ronaldo Romulo Machado de Almeida

MR 16 - Antropologia e os modos de etno-bio-foto-filmo-carto grafar com as águas e com suas companhias

Coordenação
Fernando Monteiro Camargo (Labjor)

Debate
Ana Rocha (UFRGS)

Participantes
Pedro Paulo de Miranda Araújo Soares (UFAM), Gabriel Teixeira Ramos (UFMG), Maíra Cavalcanti Vale (imuê)

Como seguir as águas, suas companhias e suas formas de presença?Rios, lagos, nuvens, chuvas, manguezais, estuários, igarapés e aquíferos não são apenas recursos: são agentes relacionais, inscritos em histórias, afetos, práticas e disputas. Em tempos marcados por colapsos socioecológicos, desastres climáticos e intensificação da expropriação de territórios, as águas tornaram-se também lugar de conflito entre saberes, mundos, formas de narrar e governar o presente e futuros possíveis. Esta Mesa propõe a partilha de investigações que tomam as águas como ponto de escuta e de composição. Os (as) pesquisadores (as) convidados (as) apresentarão experiências que se deixam atravessar por suas materialidades e temporalidades, por seus ritmos, presenças e resistências. Entre elas uma etnografia de bicicleta, desenhos, uma cartografia sensível, que exemplificam modos de pesquisa que caminham, pedalam e derivam junto às águas. Interessa-nos explorar metodologias sensíveis e abordagens criativas e contra-hegemônicas que reinventam a construção de conhecimentos e expandam os modos de sentir, pensar, imaginar e fazer, dialogando com perspectivas que incorporam dimensões sensoriais, visuais, cartográficas, performativas, em uma multiplicidade ontoepistemológica. Pretende-se assim, abrir espaço para trocas interdisciplinares sobre modos de pesquisar e coexistir com as águas propondo uma escuta situada e comprometida com a transformação ética, política e epistemológica das práticas de pesquisa.

Títulos e Resumos

  • Transbordar águas, transver mundos: exercícios de cartografia e cinema em meio às enchentes urbanas
    — Gabriel Teixeira Ramos
  • Reflexões etnográficas sobre fazer e desfazer vida com as águas dos rios Tocantins e Paraguassú
    — Maíra Cavalcanti Vale
  • Circular com a água, transbordar a cidade: itinerários por ente os igarapés narrados - e desenhados - em Manaus (AM)
    — Pedro Paulo de Miranda Araújo Soares

MR 17 - Antropologia, povos indígenas e mudança do clima: diálogos intercientíficos

Coordenação
Thiago Mota Cardoso (UFAM)

Debate
Aline Radaelli (INPA)

Participantes
Nicole Soares (UFES), Alessandro Roberto de Oliveira (UNB), Justino Tuyuka (UFAM)

A partir da experiência do projeto multidisciplinar “Impacto das mudanças climáticas no ciclo hidrológico na Amazônia: reduzindo incertezas visando mitigação e adaptação” (CNPq Pró-Amazônia), que visa avaliar o efeito do eCO2 sobre o ciclo hidrológico e seus impactos sociais, esta mesa propõe discutir as relações entre antropologia, povos indígenas e mudança do clima no âmbito de diálogos intercientíficos. Atualmente, observam-se zonas de incertezas em relação às projeções futuras dos modelos climáticos para a floresta amazônica. Nesse sentido, aponta-se a necessidade de evidências experimentais, como sublinhado por parte da literatura pertinente, sobre as respostas ao eCO2 em escala de ecossistema. A redução de incertezas nessa área é parte do diálogo científico-político na construção de políticas ambientais para a região. Neste sentido, o projeto abarca também um componente socioambiental que pretende avaliar como essas alterações ecológicas estão afetando o modo de vida de povos tradicionais e mobilizando seus conhecimentos e estratégias adaptativas, criativas, regenerativas e políticas para enfrentar as transformações em seus territórios. Por meio de pesquisas etnográficas em curso em três cenários indígenas amazônicos - terras indígenas do Alto Rio Negro, no Amazonas, do Rio Guaporé, em Rondônia e Aningal e Anzol, em Roraima - os participantes desta mesa abordam os desafios da pesquisa antropológica na interface com as ciências indígenas e as ciências ecológicas.

Títulos e Resumos

  • Gente-solo-plantas-atmosfera: notas sobre a sistematização de modelos climáticos indígenas em Roraima
    — Alessandro Roberto de Oliveira
  • “Diálogos intercientíficos e Mudanças Climáticas: Perspectivas Indígenas no Alto Rio Negro (AM)”
    — Justino Tuyuka
  • Um problema de escalas?
    — Nicole Soares Pinto

MR 18 - Antropologias contra a violência de Estado

Coordenação
Roberto Efrem Filho (UFPE)

Debate
Evandro Cruz Silva (UNICAMP)

Participantes
Natália Lago (UNIRIO), Vanessa Sander (UFMG), Rachel Barros (Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP))

A mesa redonda reúne pessoas cujos trabalhos, em seus desdobramentos teóricos, metodológicos e políticos, propõem-se a mapear, descrever, catalogar e intervir em formas de gestão estatal compreendidas como “violência de Estado”. A proposta da mesa é parte das ações construídas no âmbito do Comitê “Cidadania, Violência e Gestão Estatal” da Associação Brasileira de Antropologia. Longe de querer circunscrever uma única noção de “violência de Estado”, propomos um debate para compreender formas pelas quais tal categoria se materializa em práticas estatais, em corpos, em discursos e estratégias de mobilização e ativismo de sujeitos e de coletivos políticos. Nesse sentido, contaremos com colaborações que buscam: i) situar práticas de violência policial em meio a processos de racialização e domínio de territórios, considerando especialmente as dinâmicas de chacinas e massacres no Rio de Janeiro e suas correlações íntimas com altas instâncias governamentais; ii) divisar práticas de gestão prisional de populações racializadas e generificadas, tomando a prisão como uma teia alargada que conforma territórios e sujeitos; e iii) considerar com centralidade diferentes mobilizações sociais por direitos que se contrapõem à violência, em estreita articulação com setores de Estado e da academia.

Títulos e Resumos

  • Por que elas continuam? "Submissão" e "insistência" de mulheres nos arredores da prisão
    — Natália Bouças do Lago
  • "Uma onda de suicídios no pavilhão LGBT": gênero, sexualidade e gestão da vida e da morte no sistema prisional
    — Vanessa Sander Serra e Meira

MR 19 - Antropologias transdutivas: linhagens e reativações

Coordenação
Guilherme Moura Fagundes (USP)

Participantes
Carlos Sautchuk (UNB), Renato Sztutman (USP), Letícia Maria Costa da Nóbrega Cesarino (UFSC)

Esta mesa propõe uma releitura da teoria antropológica moderna diante das limitações dos paradigmas indutivo e dedutivo nas ciências sociais. Inspirando-se na filosofia da individuação de Gilbert Simondon, toma-se a “transdução” como um regime de conhecimento capaz de apreender a ontogênese em ato, constituindo-a e sendo por ela constituída. Em vez de buscar apenas manifestações explícitas da transdução no debate antropológico contemporâneo, a proposta retorna a três linhagens intelectuais cujos legados prefiguraram operações transdutivas no campo: aquelas abertas por André Leroi-Gourhan (1911–1986), Claude Lévi-Strauss (1908–2009) e Gregory Bateson (1904–1980). Trata-se também de explorar suas reativações contemporâneas, que tomam o gesto, o pensamento e os padrões como unidades analíticas. Nosso objetivo é examinar como essas tradições consolidaram paradigmas que tensionam, cada uma à sua maneira, os limites das abordagens indutivas e dedutivas. Reunindo Guilherme Fagundes (USP), Letícia Cesarino (UFSC), Carlos Sautchuk (UnB) e Renato Sztutman (USP) em torno da proposição transdutiva, a mesa visa ainda problematizar as antinomias entre forma/matéria, natureza/cultura e mente/mundo como obstáculos epistemológicos à emergência de modos transdutivos de fazer antropologia. Com isso, busca-se refletir sobre as possibilidades de individuação de antropologias transdutivas, nas quais o próprio conhecimento produzido se torne análogo aos processos que investiga.

Títulos e Resumos

  • Técnica e diversidade: transdução, humanismo difícil e antropologia
    — Carlos Sautchuk
  • Ecologias de crise: uma exploração transdutiva da "toca de coelho" da radicalização online através da ecologia da mente
    — Letícia Maria Costa da Nóbrega Cesarino
  • Por um conhecimento analógico
    — Renato Sztutman

MR 20 - Artes, estéticas, fabulações especulativas e poéticas mundificantes

Coordenação
Sonia Regina Lourenço (UFMT)

Debate
Deise Lucy Montardo (UFAM)

Participantes
Maria Eugenia Dominguez (UFSC), João Rivelino Rezende Barreto (UFSC), Ryanddre Ferreira Sampaio de Souza (UFMT)

Esta proposta reúne pesquisadores do Projeto Arte e Etnomusicologia do INCT Brasil Plural, e se propõe a pensar as relações e as criações sonoras, os ritmos, as imagens, os grafismos, as danças e as canções de inúmeras práticas artísticas de coletivos indígenas, coletivos negros(es) e de mulheres do contemporâneo, que têm transformado mundos e criados outros a partir de alteridades significativas, assembleias polifônicas e outras mundializações, cosmopolíticas que irrompem e desestabilizam espaços, saberes e práticas modernas. Pretende-se pensar de que forma as criações artísticas e estéticas relacionam-se com a partilha do sensível, quais regimes de visibilidades são criados e se desestabilizam as estruturas normativas sobre o que é arte, corpo, raça, gênero, pessoa, natureza e mundo. As tensões teóricas, os distintos campos etnográficos e experiências artísticas nos incitam a pensar a renovação e ampliação das reflexões antropológicas sobre as artes das últimas décadas. Visa, sobretudo, pensar a partir de diferentes campos etnográficos, o que nós chamamos de estética, criações de mundos e o que podemos responder acerca de mundos emaranhados em práticas poéticas e simpoiéticas, que transbordam afecções de corpos-terra, corpos-florestas, corpos-cósmicos e devires-com para outros mundos e sensibilidades antirracistas de mundos da América Latina e Caribe, África e Ásia.

Títulos e Resumos

  • A dança dos peixes: alteridade, identidade e ecossistema indígena no noroeste amazônico
    — João Rivelino Rezende Barreto, João Rivelino Rezende Barreto
  • Redes de Conhecimento em Etnomusicologia e Antropologia da Arte: A Experiência do INCT Brasil Plural (2010-2025)
    — Maria Eugenia Dominguez
  • Quimeras de madeira: fabulações ecovisionárias e política Ainu na obra de Bikky Sunazawa
    — Ryanddre Ferreira Sampaio de Souza

MR 21 - Articulando cuidado, gênero, saúde e meio ambiente, a partir de políticas, práticas e saberes latino americanas

Coordenação
Marcia Reis Longhi (UFPB)

Debate
Chirley Mendes (UFNT)

Participantes
Ana Claudia Rodrigues da Silva (UFPE), Uliana Gomes da Silva (UFPB), Maria Sol Anigstein (chile)

No escopo deste debate, aportaremos uma discussão que articula saúde, gênero e cuidado, por meio de saberes, práticas e políticas, no Chile e no Brasil, atravessados por lógicas de vulneração de direitos. No centro do debate estará a generificação e racialização destes temas. Luriana Barros apresentará uma leitura analítica da lei que institui a Política Nacional de Cuidados no Brasil, e do decreto que a regulamenta, investigando os caminhos que antecederam sua promulgação e observando seus ecos em redes nacionais e internacionais, com ênfase nos impactos à saúde e incentivo do trabalho decente para as trabalhadoras domésticas remuneradas. Sol Anigstein aportará, a partir de sua atuação no Chile, no marco do cuidado socioecológico, sobre o boom do cuidado a propósito da degradação ambiental e climática, tanto pela intensificação dos trabalhos de cuidado que estes ocasionam, como pelas possibilidades que as perspectivas ecofeministas, pós humanistas e decoloniais dos cuidados proporcionam para pensar a mitigação e reparação em prol de uma saúde planetária. Uliana Silva refletirá sobre o campo de saber e atuação da Saúde da População Negra, no Brasil, por meio de experiências de adoecimento de homens e mulheres pela Anemia Falciforme, fortemente atravessadas pelo racismo, do que resulta a precariedade dos cuidados de que são alvo. Por fim, essa mesa contribui para reflexões críticas de saúde e cuidado, e seu imbricamento na organização social contemporânea na América Latina.

Títulos e Resumos

  • Tramas de cuidados más que humanos como forma de aproximación al eje cuerpo territorio en contextos de degradación ambiental y crisis climática
    — Maria Sol Anigstein
  • Saúde, racismo e silenciamentos :Reflexões Antropológicas sobre a população negra com Doença Falciforme no Estado da Paraíba
    — Uliana Gomes da Silva

MR 22 - As águas no semiárido brasileiro: presenças, ausências e lutas

Coordenação
Marcela Rabello de Castro Centelhas (Colégio Pedro II)

Debate
Marcela Rabello de Castro Centelhas (Colégio Pedro II)

Participantes
Daniele Costa (UVA), Taisa Lewitzki (UFPR), Sandra Helena Silva de Aquino (UECE)

As águas avançam como objeto de estudo das ciências sociais, levando a repensar fronteiras disciplinares e hierarquias entre os saberes “especialistas” e aqueles ditos “tradicionais” ou “locais”. Longe de ser um objeto inerte, as águas têm se mostrado um bem múltiplo e relacional, produto e produtor de complexas operações sociais de nomeação e, portanto, disputa. Os usos e o acesso às águas conectam e movimentam legislações, políticas públicas, infraestruturas, modelos de desenvolvimento, moralidades, sentimentos e agenciamentos coletivos, revelando não só desigualdades estruturais, mas composições com o ambiente e projetos políticos diversos e, muitas vezes, antagônicos. As pesquisas que compõe esta Mesa Redonda pensam as águas a partir de um local cujo debate público sobre o tema é bem antigo: o semiárido brasileiro. Recusando-se a tomar a “falta” como elemento autoexplicativo, propõe-se pensar os mecanismos e dinâmicas que engendram as presenças e ausências das águas nessa região. Ao colocar em diálogo abordagens sobre diferentes contextos hidrossociais, o objetivo desta mesa é também debater o modo como as noções de necessidade, seca, escassez, insuficiência e essencialidade atuam nos discursos, conflitos e mobilizações que envolvem Estado, agentes privados e lutas territoriais.

Títulos e Resumos

  • "Toda essa água" quando falta, quando seca, quando agencia
    — Daniele Costa da Silva
  • A produção social dos usos das águas: escassez, disputas e negociações nos semiáridos cearenses
    — Sandra Helena Silva de Aquino
  • Expropriação das águas e exploração dos ventos no território indígena Mendonça Potiguara (RN)
    — Taisa Lewitzki

MR 23 - As medidas legislativas para minar os direitos dos indígenas e povos tradicionais, as estratégias das organizações indígenas para defender seus direitos e o papel da antropologia

Coordenação
Stephen Grant Baines (UNB)

Debate
Voyner Ravena Cañete (UFPA)

Participantes
Aderval Costa Filho (UFMG), Almires Martins Machado (UFPA), Hélder Ferreira de Sousa (UFDPar)

A Mesa Redonda foca as medidas legislativas que partem de uma maioria dos parlamentares no Congresso Nacional para minar os direitos indígenas constitucionais e internacionais, as estratégias das organizações indígenas para defender esses direitos, e o papel da antropologia em situações em que os direitos indígenas estão sendo ameaçados. Além de medidas legislativas que ameaçam diretamente o meio ambiente e os direitos dos povos que são os seus guardiões. Apesar da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de julgar a figura do “marco temporal” como inconstitucional por ignorar as remoções forçadas e expulsões sofridas por indígenas ao longo de mais de 500 anos de colonização, afirmando que o direito dos povos indígenas às suas terras tradicionais é um Direito Fundamental reconhecido pela Constituição Federal de 1988 e imune a decisões de maiorias legislativas eventuais, o Congresso Nacional promulgou a Lei nº 14.701/2023 (Lei do Genocídio Indígena), que fixa o marco temporal como parâmetro para demarcação de terras, inviabilizando a garantia desses territórios. Esta Lei é contestada pelo STF, pela APIB, e por alguns partidos políticos, por ser inconstitucional. As tentativas de invalidar os direitos indígenas se aplicam também aos direitos dos quilombolas e outros povos tradicionais. A Mesa pretende discutir o papel da Antropologia na luta pela garantia desses direitos a partir de casos empíricos.

Títulos e Resumos

  • Movimentos controversos: medidas legislativas, derrogação e proteção de direitos dos povos indígenas, comunidades quilombolas e povos e comunidades tradicionais
    — Aderval Costa Filho
  • Antropologia para agir: reidentificações e ação antropológica no Piauí contemporâneo
    — Hélder Ferreira de Sousa

MR 24 - Ativismos no feminino: corpos, políticas e criação de mundos

Coordenação
Olivia von der Weid (UFF)

Participantes
Lauriene Seraguza Olegário e Souza (UFGD), Graziele Dainese (UFF), Dibe Salua Ayoub (UFF)

A mesa busca apresentar e debater as problemáticas desenvolvidas no projeto de pesquisa “Ativismos no feminino: corpos, políticas e criação de mundos”, realizado por pesquisadoras e interlocutoras de diversas instituições e coletivos. Nesta conversa, discutiremos as variações etnográficas do ativismo feminino, considerando as diferentes práticas de cuidado e modos de engajamento corporal presentes no fazer político de mulheres indígenas, campesinas, quilombolas e com deficiência visual. Nestes contextos, o protagonismo feminino traz à tona um conhecimento sobre os corpos que, ao entrelaçar as dimensões espiritual, histórica e política, se mostra essencial para a tessitura dos atos de resistência que marcam seu fazer político. Um dos temas a serem debatidos é uma metodologia de pesquisa engajada, entendida como um processo colaborativo, relacional e situado, em que a fronteira entre pesquisadoras e participantes se desloca para espaços de coautoria e copresença, valorizando o compromisso ético e político, os ritmos corporais e as trocas afetivas na produção compartilhada de conhecimento. O objetivo é refletir sobre como o corpo e as práticas de cuidado são centrais para as múltiplas modalidades de ativismo de mulheres, ampliando as formas coletivas de engajamento político e reafirmando o potencial transformador dessas práticas na criação de mundos possíveis.

Títulos e Resumos

  • Cosmopolíticas do cuidado – notas sobre a criação de uma tecnologia ativista no contexto das lutas camponesas
    — Graziele Dainese
  • Mulheres Kaiowa e Guarani e Lutas pela Terra em Mato Grosso do Sul
    — Lauriene Seraguza Olegário e Souza
  • Antropologia engajada e ativismos femininos a partir da experiência de construção do Podcast Nega Pataxó: Nosso luto é luta
    — Mônica Gomes Muniz, Olivia von der Weid

MR 25 - Bioética, Decolonialidade e Pluralismo: tecendo antropologias por demanda, comunitárias e insurgentes

Coordenação
Marianna Assunção Figueiredo Holanda (UNB)

Debate
Verenilde Santos Pereira (Companhia das Letras/SP)

Participantes
Rita Laura Segato (UNSAM), Gustavo Augusto Gomes de Moura (Instituto Rede Terra), Tarsila Flores (Fiocruz-RJ)

Esta mesa propõe ativar o conceito de Pluralismo Bioético para como eixo para as noções de felicidade, bem-viver, memória, ancestralidade e justiça propondo um diálogo ampliado em linguagens e sentidos com diferentes saberes e éticas disfuncionais ao projeto histórico colonial do capital e do patriarcado. Nosso objetivo é reunir pesquisas comparativas entre racionalidades, afetologias e éticas da vida diversas tecendo a interdisciplinariedade entre Bioética e Antropologia. Considerando o Pluralismo Bioético – a coexistência da multiplicidade de éticas da Vida e do viver - como um motor que estimula pessoas e coletivos a tecer seus próprios projetos históricos, econômicos, políticos trazemos pesquisas sobre as noções de corpo, pessoa e corporalidades dissidentes; Percepções sobre a noção de “vida” e a pluralidade da morte e do morrer; noções de humanidade inter e transespecíficas; etnografias e pesquisas sobre acesso à direitos, a formas comunitárias e consuetudinárias de resolução de conflitos; Experiências de projetos interculturais de enfrentamento criativo ao etnocentrismo, racismo, machismo e lgbtttransfobia. Pautamos, assim, uma disputa pelos sentidos da Bioética desde o Sul global por meio do diálogo estruturante com a antropologia e com a perspectiva decolonial a partir de marcadores como raça, gênero, etnia, orientação sexual, corponormatividade e suas interseccionalidades ancoradas em distintas realidades latino-americanas.

Títulos e Resumos

  • O tarot etnográfico de Belo Monte: antropologia por demanda e pluralismo bioético no Xingu
    — Gustavo Moura
  • Antropologia por Demanda e Pluralismo Bioético a partir de uma Antropologia Decolonial
    — Rita Segato

MR 26 - Cidades do agronegócio: formação de sociedades, desigualdades e extremismos

Coordenação
Renata Barbosa Lacerda (UFRJ)

Participantes
Luciana Schleder Almeida (UNILAB), Rafael Assumpção de Abreu (IFBAIANO), Telma de Sousa Bemerguy (cebrap)

Esta mesa reflete sobre as condições, efeitos e significados do que se convencionou chamar de agronegócio a partir de etnografias realizadas no Mato Grosso e Pará, na região da rodovia BR-163. Colonizada durante a ditadura empresarial-militar, essa região lidera rankings de conflitos sociais, devastação ambiental e de produção de soja, milho, algodão e gado bovino no Brasil. O agronegócio tem sido analisado por pesquisadores da geografia, economia, história, sociologia e antropologia por suas relações com o capitalismo, o colonialismo, a modernização agrícola e a urbanização, marcada por: concentração fundiária; expropriação; segregação socioespacial; racismo; e devastação ambiental. Recentemente, antropólogos têm discutido a relação desse sistema social, político, econômico e ecológico com a noção de plantationoceno, de modo a destacar seu papel na atual crise socioecológica global, a centralidade da dimensão racial e o controle sobre territórios e corpos (humanos e não-humanos). Ademais, têm apontado como as configurações sociais resultantes das políticas de desenvolvimento que promoveram o mito do pioneirismo gaúcho geraram condições favoráveis ao avanço da extrema-direita na região. Assim, a mesa estabelece um diálogo entre distintas perspectivas etnográficas, para evidenciar as contribuições da antropologia para a compreensão do “agronegócio” e suas implicações nos desafios políticos contemporâneos quanto à consolidação da democracia e da justiça socioambiental.

Títulos e Resumos

  • A nova sociedade dos "gaúchos do Mato Grosso": a cidade como expressão da virtude civilizatória agrária
    — Luciana Schleder Almeida
  • Cidades do Agronegócio: Estado, Território e Identidade no Brasil
    — Rafael Assumpção de Abreu
  • O que nos diz a capital nacional do agro: o pioneirismo como valor da extrema-direita na Amazônia
    — Telma de Sousa Bemerguy

MR 27 - Ciganos/Romani em Goiás: perspectivas de diálogo entre Antropologia, Política e Direito

Coordenação
Felipe Berocan Veiga (UFF)

Participantes
Felipe Berocan Veiga (UFF), Francielle Felipe Faria de Miranda (PUC GOIÁS), Aline Miklos (instituto vladimir Herzog)

Os Ciganos/Romani dos subgrupos Calon e Rom fazem parte da história e do desenvolvimento do Planalto Central desde sua ocupação em tempos coloniais, participando ativamente do comércio, da criação de animais e do transporte em antigas tropas, integrando o circuito de festas religiosas tradicionais do Divino Pai Eterno, consolidando santuários e cidades e ainda aderindo ao sonho modernista em torno da construção de capitais como Goiânia e Brasília. Atualmente, o Estado de Goiás abriga uma comunidade cigana significativa, sendo oficialmente registradas 3 mil pessoas em mais de 113 municípios, segundo dados do CadÚnico/IMB (2022), sendo a metade de seus beneficiários vivendo em Trindade, Itumbiara e Caldas Novas. Embora jamais tenham sido recenseados no Brasil pelo IBGE, com a maioria do grupo não mais vivendo acampado ou arranchado, há registros de ciganos em 79 acampamentos distribuídas por 58 municípios do Estado, enfrentando cotidianamente situações de exclusão e preconceito, somadas às dificuldades de acesso a serviços e aos problemas sociais e econômicos os mais variados. Diante de recentes conquistas históricas dos ciganos e de novos marcos legais, abrem-se aqui novas possibilidades de ativismo e de lutas políticas por direito e reconhecimento dos ciganos em áreas como saúde, educação, justiça, cultura e memória, habitação e direitos territoriais, merecendo especial atenção de pesquisadores, ativistas e representantes do poder público e do judiciário.

Títulos e Resumos

  • A presença cigana na cidade-santuário de Trindade em Goiás: entre festa, economia e política
    — Felipe Berocan Veiga

MR 28 - Co-produção, Memória Social e Bioeconomia na Amazônia: dinâmicas Socioeconômicas e Territorialidades da Sociobiodiversidade

Coordenação
Jússia Carvalho da Silva Ventura (UFSCAR)

Debate
Jússia Carvalho da Silva Ventura (UFSCAR)

Participantes
Uriens Maximiliano Ravena Cañete (bolsista), Rodrigo Theophilo Folhes (UFMA), Raul da Silva Ventura Neto (UFPA)

Esta mesa redonda se propõe a discutir como práticas de co-produção de conhecimento, políticas públicas e memória social, em diálogo com iniciativas de bioeconomia, moldam dinâmicas socioeconômicas e territorialidades na Amazônia. Partindo de experiências de múltiplos contextos actoriais (povos e comunidades tradicionais, coletivos locais, pesquisadores e agentes estatais) se propõe a debater: i) manejo comunitário, cadeias curtas e arranjos produtivos da sociobiodiversidade na sua relação com o território e os agentes envolvidos; ii) processos de patrimonialização ambiental e instrumentos de política; iii) disputas em torno da “bioeconomia verde”, seus limites e alternativas ancoradas em economias territoriais. Nosso interesse recai, particularmente, sobre os mecanismos pelos quais memórias sociais, ontologias e práticas territoriais podem sustentar redes de cooperação e resistências frente a pressões econômicas e políticas reconfigurando modos de vida e governança. A mesa se organiza em três eixos: 1) co-produção e justiça epistêmica; 2) economias da sociobiodiversidade e políticas públicas; 3) territorialidades e conflitos socioambientais. Ao reunir reflexões antropológicas e interdisciplinares, esta proposta pretende contribuir para o debate sobre co-produção de conhecimento e justiça epistêmica, destacando a centralidade das experiências amazônicas para repensar modelos de desenvolvimento e fortalecer alternativas sociobioeconômicas enraizadas nos territórios.

Títulos e Resumos

  • Disputas em torno da Bioeconomia Verde: Limites e Alternativas Amazônicas
    — Raul da Silva Ventura Neto
  • Manejo comunitário e cadeias curtas na Amazônia costeira: governança territorial, co-produção de conhecimento e infraestruturas participativas
    — Uriens Maximiliano Ravena Cañete

MR 29 - Cosmo-epistemologias travestis entre a academia e movimento social: propostas de universalização e desafios do cânone

Coordenação
Vi Grunvald (USP)

Debate
Vi Grunvald (USP)

Participantes
Dediane Souza (UFRN), Hailey Kaas (USP), Helena Dantas Vieira (Ativista)

A mesa propõe discutir as cosmo-epistemologias travestis como modos de produção de conhecimento que não podem e não devem ser reduzidos a aportes que se somam ao cânone antropológico, tornando-o mais diverso. Partimos da ideia de que a proclamada diversidade de perspectivas não dá conta do fato de que inclusões tidas como suplementares a um cânone intelectual nunca estão situadas a partir das mesmas premissas de legitimidade do próprio cânone que as inclui ou, como sabemos, exclui, regulando um a grade de classificação de teorias que contam como fundacionais ou, diversamente, como acessórias. As reflexões travestis — elaboradas na universidade, nos territórios e nos movimentos sociais — não se restringem às biografias de suas autoras e tampouco exclusivamente à nossa coletividade, mas articulam proposições integrais de mundo, sociedade, história, cidadania e futuro. Nossos saberes não são residuais nem meramente “identitários”: são práticas epistêmico-políticas e corporificadas que intervêm diretamente na vida coletiva e reorientam nossos sentidos analíticos e ação. Ao deslocar a universalidade de um ponto de partida supostamente neutro para um efeito das disputas e alianças que se travam no próprio fazer científico, a mesa propõe que nossas contribuições operam como forças de reconstrução epistemológica da antropologia, abrindo o campo para horizontes ético-políticos mais amplos, indisciplinares e comprometidos com outras formas de presença, relação e imaginação social.

Títulos e Resumos

  • As travestis e as ruas: construção de memória, corpos, irmandade e ativismo
    — Dediane Souza
  • Por uma genealogia da cisgeneridade: Cisgeneridade enquanto categoria.
    — Hailey Kaas Alves Pedro da Silva

MR 30 - Cosmopolíticas das Criações no ato de adiar o fim

Coordenação
Ana Lúcia Ferraz (UFF)

Debate
Edgar Teodoro da Cunha (UNESP)

Participantes
Leandro Teixeira (USP), Olinda Muniz (FACIIP (Faculdades Integradas Ipitanga).), Tatiana Lotierzo (USP)

Essa proposta germina no encontro de trabalhos que estão preocupados em situar as diversas formas de criações afro-indígenas — a performance, o desenho, as imagens, fixas ou em movimento — em meio às catástrofes ambientais provocadas pelas infraestruturas da destruição, mas também na retomada de histórias e memórias coletivas e dissidentes. Segundo Leda Maria Martins, “o corpo porta a memória dos ancestrais”. A antropologia de Victor Turner, e na contemporaneidade os trabalhos de John Dawsey, Diana Taylor e Richard Schechner nos apontam a urgência de refletir sobre as formas de produzir conhecimento, de armazená-lo, mas indo além: como visualizar, neste corpo, um espaço de construção de mundos outros? Inspirados nas ideias de Ailton Krenak, cabe nos indagarmos como os povos indígenas têm nos motivado, com suas imagens, performances, desenhos e tantas outras grafias, a mergulhar profundamente na terra para, assim, recriar outros mundos possíveis. Nesse sentido, pensar nessas cosmopolíticas das criações implica a leitura de processos sociais em que mundos incomensuráveis estão em relação; o estudo antropológico de tais configurações exige o controle de equívocos inevitáveis.

Títulos e Resumos

  • Tornar visível o (In) visível: cartografia da performance em meio as alianças insurJentes no trabalho de Olinda Tupinambá.
    — Leandro Teixeira da Silva
  • Um corpo, um território: Imagens, lutas e experimentações coletivas pelo (s) mundo(s)
    — Olinda Muniz
  • Que os desenhos registram [e não só...]?
    — Tatiana Lotierzo

MR 31 - Cuidado e Desigualdades Raciais: Tensionando a Literatura e as Agendas Públicas

Coordenação
Ranna Mirthes Sousa Correa (MDS)

Debate
Thamires da Silva Ribeiro (UERJ)

Participantes
Camila Fernandes (ims), Ranna Mirthes Sousa Correa (MDS), Anna Bárbara Araujo (UFRN)

O cuidado emergiu nos últimos anos como um tema central na agenda pública, impulsionado pela crise pandêmica e pelo reconhecimento da centralidade do trabalho de cuidado na sustentação da vida social. No entanto, as reivindicações dos movimentos sociais e as produções acadêmicas sobre cuidado antecedem a esse movimento, construindo marcos fundamentais para a compreensão do tema. Esta mesa busca tensionar a literatura sobre cuidado a partir das desigualdades raciais, ampliando o debate sobre como a raça estrutura as relações de cuidado no Brasil. Partimos do pressuposto de que a distribuição do trabalho de cuidado, seja ele remunerado ou não, segue atravessada por relações de raça, classe e gênero que ecoam as bases escravocratas da América Latina. Trabalhadoras do cuidado, majoritariamente negras e periféricas, ocupam posições de vulnerabilidade, da assistência infantil ao cuidado com idosos e pessoas com deficiência. Ao mesmo tempo, a presença da população negra como beneficiária de políticas públicas de cuidado também levanta questões sobre acesso, direitos e a racialização da proteção social. Portanto, a discussão explora a interseção entre cuidado e raça em suas diversas dimensões: a organização do trabalho de cuidado, as desigualdades raciais na provisão e no acesso às políticas públicas de cuidado, as experiências de cuidadoras e de quem recebe cuidado, bem como os desafios para a construção de uma agenda de cuidados que reconheça a centralidade das relações raciais.

Títulos e Resumos

  • As interseccionalidades no trabalho de cuidado remunerado: desigualdades, ativismos e políticas públicas
    — Anna Bárbara Araujo
  • Cuidadores familiares e raça: quem sustenta o envelhecimento no Brasil?
    — Camila Fernandes
  • Justiça reprodutiva e os sentidos do cuidado nas articulações políticas e comunitárias de mulheres negras: um diálogo possível
    — Ranna Mirthes Sousa Correa

MR 32 - Diálogo sobre o diagnóstico de terras indígenas da APOINME

Coordenação
Kelly Emanuelly de Oliveira (UFPB)

Participantes
Felipe Tuxá (UFBA), Estêvão Palitot (UFPB), Kelly Emanuelly de Oliveira (UFPB)

Propomos debater o processo de pesquisa do Diagnóstico de Terras Indígenas da APOINME. A iniciativa reitera a ampliação da autonomia dos povos, tanto como demandantes como parte do corpo de pesquisadores antropologues. As pesquisas sobre terras indígenas no Brasil existem desde final de 1970, quando instituições indigenistas passaram a monitorar políticas fundiárias, realizando a crítica da (in)ação do poder estatal e contribuindo na consolidação de direitos étnicos. Essas pesquisas se consolidaram em termos metodológicos e procedimentais resultando em publicações periódicas em livros, atlas e artigos. A experiência que trazemos trata de um certo ineditismo nesse campo, pois é proposta diretamente por uma organização indígena, a APOINME - Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo, que captou recursos e recrutou pesquisadores antropologues, indígenas e não indígenas, na confecção do diagnóstico. A metodologia foi elaborada de modo participativo junto à diretoria da organização e lideranças indígenas, sendo aplicada, testada e remodelada ao longo do processo, utilizando de diferentes expedientes de levantamento e validação de dados. Assim, propomos reunir estes pesquisadores para dialogar sobre dimensões epistemológicas e práticas do Diagnóstico, refletindo o protagonismo indígena na condução da pesquisa e os resultados desta como prática que articula conhecimentos das chamadas metodologias indígenas em pesquisas antropológicas.

Títulos e Resumos

  • O processo de geolocalização das terras e demandas de terras indígenas na área de abrangência da Apoinme.
    — Estêvão Martins Palitot
  • O Diagnóstico de Terras da APOINME e o importante debate sobre soberania indígena na produção de dados
    — Felipe Sotto Maior Cruz

MR 33 - Direitos Humanos, deportações e respostas institucionais à criminalização das mobilidades internacionais

Coordenação
Julio D' Angelo Davies (UNIMONTES)

Participantes
Julio D' Angelo Davies (UNIMONTES), Sônia Cristina Hamid (MDHC), Ana Maria Gomes Raietparvar (MDHC)

Pesquisas sobre migrações vêm progressivamente analisando o funcionamento da máquina de deportações de países do norte global, especialmente da União Europeia e dos EUA. Desde 2019, durante a gestão Bolsonaro e o primeiro mandato de Trump, o Brasil voltou a aceitar voos fretados pelo governo dos EUA para Belo Horizonte, transportando brasileiros deportados. Com o início da segunda gestão Trump em 2025, houve uma intensificação operacional desta máquina de deportações, passando de voos quinzenais a semanais. Este cenário levou o Governo Federal brasileiro a criar mecanismos de gestão de repatriações, culminando no lançamento do Programa Aqui é Brasil em agosto de 2025, liderado pelo Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania. Passado um ano desde a criação do Programa, qual balanço pode ser feito? Partindo de dados quantitativos e qualitativos produzidos e analisados pelos três participantes da MR, propõe-se uma reflexão sobre os mecanismos governamentais acionados para gerir as deportações de brasileiros dos EUA, diante do crescimento contínuo das desigualdades globais.

Títulos e Resumos

  • Perfil de migrantes brasileiros deportados dos Estados a partir do acolhimento do programa Aqui é Brasil
    — Ana Maria Gomes Raietparvar, Ana Maria Gomes Raietparvar
  • As deportações de brasileiros dos EUA: uma análise qualitativa das experiências deportacionais de brasileiros nos EUA entre 2025 e 2026
    — Julio D' Angelo Davies

MR 34 - Direitos sexuais e reprodutivos: família e valores religiosos frente ao ascenso conservador

Coordenação
Rozeli Maria Porto (UFRN)

Participantes
Naara Luna (UFRRJ), Jacqueline Moraes Teixeira (USP), Nina Rosas (UFMG)

Na América Latina e no Brasil, as disputas sobre os direitos sexuais e reprodutivos ocuparam o centro da esfera pública. As tensões entre os setores progressistas - a favor dos direitos das mulheres e da comunidade LGBTQI - e os conservadores - que defendem o modelo tradicional de família heteronormativa – se desdobram em manifestações, debates legislativos e estratégias judiciais. Atores religiosos conservadores destacam-se por seu ativismo que busca impor suas narrativas e parâmetros sobre gênero e sexualidade à sociedade como um todo. No entanto, há também mobilizações contrárias, não apenas de setores seculares, mas também dentro do próprio campo religioso, como as Católicas pelo Direito de Decidir, igrejas inclusivas e grupos pela diversidade. Esse cenário faz parte da disputa sobre o caráter ideológico dos direitos humanos, articulando redes em nível nacional e internacional. Um exemplo é a tese do direito à vida desde a concepção, tornado argumento chave no debate sobre a legalização do aborto. Os setores conservadores apelam para a liberdade religiosa e a liberdade de expressão para impedir os avanços nos direitos de gênero e diversidade, enquanto os setores progressistas os reivindicam como parte de uma cidadania ampliada. Esta mesa se propõe a analisar como o discurso dos direitos humanos se tornou um terreno disputado, atravessado por valores religiosos e pelas estratégias de atores estatais e sociais, com avanços e retrocessos no reconhecimento de direitos.

Títulos e Resumos

  • Muito além do pecado: disputas públicas pelo significado de violência sexual e de gênero no contexto das igrejas evangélicas no Brasil
    — Jacqueline Moraes Teixeira
  • Conservadorismo, valores religiosos e resistência: aborto e diversidade sexual no debate público sobre direitos humanos no Supremo e no Congresso Nacional
    — Naara Luna
  • Abusos no meio evangélico: mídia, família e a produção de categorias a partir de denúncias sobre violações contra crianças e adolescentes
    — Nina Gabriela Moreira Braga Rosas de Castro

MR 35 - Educação Intercultural na América Latina: entre os desafios comunitários e as políticas públicas

Coordenação
Maxim Repetto (Universidade Federal do Delta do Parnaíba)

Participantes
Rosani Kamury Kaingang (UFRGS), Erica Elena Gonzalez Apodaca (CIESAS), Elizabeth Castillo Guzmán (Universidad del Cauca Colômbia)

A presente proposta de Mesa Redonda busca promover uma reflexão atualizada sobre os avanços, retrocessos, conflitos e contradições do debate sobre educação intercultural na América Latina, convocando especialistas com experiências diversas sobre o tema. Buscamos explorar um diálogo entre experiências de pesquisa educativa e de formação de educadores, que sejam inovadoras e colaborativas e que, desde diferentes contextos históricos, sociais e comunitários, buscam construir alternativas de superação da exclusão, das desigualdades e do racismo nas sociedades contemporâneas, tanto junto de povos indígenas como afrodescendentes. Queremos resgatar um olhar crítico sobre os processos pedagógicos e culturais e as diferentes perspectivas em debate, tanto desde as comunidades como desde as políticas públicas, para compreender as conceitualizações, os desafios epistemológicos e políticos envolvidos, de forma a evidenciar os dilemas, os desafios e contradições nos atuais contextos em que se discute e implementam políticas de educação intercultural.

MR 36 - Encantados do Rio São Francisco

Coordenação
Lucas P. Álvares (UFRPE)

Debate
Izadora Pereira Acypreste (ICS/ULisboa)

Participantes
Arnaldo da Silva Vieira, Gleydson Vicente Mota (UFMG-Unimontes), Lucas P. Álvares (UFRPE)

Nas margens do médio São Francisco, onde terra, água e céu se encontram, a vida das comunidades de pescadores tradicionais se desenrola no território como paisagem viva e relacional, modos de vida ancorados na reciprocidade entre humanos e mais-que-humanos. Essa mesa redonda analisa as cosmovisões dos povos à margem deste rio - que compreendem o São Francisco como um ser dotado de agência e intencionalidade, habitado por entidades encantadas - investigando como relações multiespécies refletem formas alternativas de coabitar o mundo, diante das mudanças climáticas e da degradação ambiental, que ameaçam o rio e a continuidade das culturas ribeirinhas. Tal proposta reconhece a agência dos mais-que-humanos que integram regimes locais de conhecimento, bem como a importância das cosmologias tradicionais na reimaginação de futuros possíveis. A mesa contará com a coordenação de Lucas P. Álvares (UFRPE/UFPE), que desenvolve pesquisas no vale do São Francisco. Através de uma experiência simétrica instituída em campo, a mesa contará com uma conferência compartilhada por Gleydson Motta (PPGSAT - UFMG/UNIMONTES), que estuda formas de coabitar os rios e as matas no norte de Minas Gerais; e Sr. Arnaldo da Silva Vieira, liderança da Comunidade Quilombola e Vazanteira de Croatá, pertencente ao município de Januária, Minas Gerais. O debate será feito por Izadora Acypreste (UFSCar/ULisboa), que desde 2010 realiza pesquisas junto a pescadores artesanais e vazanteiros do Rio São Francisco.

Títulos e Resumos

  • Caboclo d'água, Bola de fogo, Espírito da mata, e outros seres encantados que habitam a vida ribeirinha à margem do São Francisco
    — Gleydson Vicente Mota
  • Os Encantados do Rio São Francisco: do Folclore à Antropologia
    — Lucas P. Álvares

MR 37 - Entre Ausências e Buscas: sofrimento, terror e a produção da vida cotidiana nas experiências de desaparecimento.

Coordenação
Nalayne Mendonça Pinto (UFRRJ)

Participantes
Dijaci David de Oliveira (UFG), Paula Marcela Ferreira França (UFNT), Simone Rodrigues Pinto (UNB)

A proposta desta mesa busca explorar as formas pelas quais os desaparecimentos de pessoas no Brasil produz sofrimento, incertezas e terror. E, em meio a tudo isso, também se explorar como estes atores refazem suas práticas cotidianas, articulam redes de mobilização, especialmente entre mães e familiares e que se tornam agentes centrais na busca por respostas. A mesa pretende discutir como a antropologia das ausências permite compreender o desaparecimento não apenas como um evento abrupto, mas como um processo que se infiltra na vida ordinária, transformando relações, temporalidades e percepções sobre o Estado e as violências. Ao acompanhar práticas de busca, vigilância e resistência, pretendemos analisar como certas vidas são consideradas passíveis — ou não — de serem procuradas, evidenciando hierarquias morais e políticas que estruturam quem merece ser encontrado (a), ou quem merece destaque público nas mídias e nas preocupações governamentais. A partir de pesquisas que dialogam com a descida ao ordinário e as vidas marcadas por diferentes formas de violências, propomos refletir sobre os modos de fazer viver e fazer sofrer e realizar o luto e as ambivalências que permeiam essas trajetórias. A mesa, assim, se coloca como espaço para pensar as fronteiras entre presença e ausência, memória e apagamento, evidenciando como o desaparecimento reconfigura mundos sociais e convoca novas formas de ação ética e política.

Títulos e Resumos

  • Desaparecimentos forçados e letalidade policial no Estado de Goiás
    — Dijaci David de Oliveira
  • Um balanço das possíveis mudanças relacionadas à objetivação social e às modulações sociais na denúncia do desaparecimento de pessoas
    — Paula Marcela Ferreira França

MR 38 - Epistemologias e Metodologias na Antropologia dos Esportes: Desafios Teóricos, Éticos e Políticos Contemporâneos

Coordenação
Mariane da Silva Pisani (UFPI)

Participantes
Roberto Souza Junior (UFSCAR), Barbara Gomes Pires (UFRJ), Luiz Fernando Rojo (UFF)

Esta mesa-redonda, que recebe apoio do INCT Estudos do Futebol Brasileiro, propõe um debate aprofundado sobre os fundamentos epistemológicos e metodológicos que estruturam o campo da Antropologia dos Esportes. Partindo do reconhecimento de que o esporte é hoje um objeto legítimo e consolidado nas Ciências Sociais, buscaremos discutir como diferentes tradições teóricas — dos estudos clássicos sobre ritual, sociabilidade e performance às abordagens feministas, queer, interseccionais, anticapacitistas e decoloniais contemporâneas — vêm reconfigurando modos de pesquisar, interpretar e representar práticas esportivas. A mesa reunirá pesquisadoras(es) que articulam perspectivas etnográficas, visuais, colaborativas, explorando desafios éticos, relações de campo, implicações da escrita antropológica e tensões entre categorias nativas e analíticas. Discutiremos a necessidade de voltar o olhar para instituições e agentes detentores de poder — como confederações, federações, comitês, dirigentes e gestores — e interrogando como seus discursos e decisões moldam corpos, políticas e experiências esportivas. O objetivo é tensionar as fronteiras do que entendemos por “esporte”, propor metodologias sensíveis à experiência, à corporeidade e às desigualdades, e refletir sobre os regimes de verdade que orientam a produção de conhecimento no campo. A mesa busca contribuir para uma agenda plural, crítica e teoricamente robusta para os estudos antropológicos dos esportes.

Títulos e Resumos

  • Entre papéis, corpos e regulações: etnografia documental e produção de verdade no esporte de alto rendimento
    — Barbara Gomes Pires
  • Como pesquisar o que não existe? Desafios metodológicos e políticos de uma pesquisa sobre políticas públicas esportivas para pessoas com deficiência em Niterói-RJ.
    — Luiz Fernando Rojo Mattos
  • Etnografia Multimodal: possibilidades interdisciplinares entre Antropologia, Audiovisual e Etnomusicologia
    — Roberto Souza Junior

MR 39 - Escurecendo os fatos:experiências e proposições de saberes antropológicos negros para o ensino de uma antropologia confluente

Coordenação
Gilson Rodrigues Jr (IFRN)

Participantes
Tatiane Vieira Barros (IFCE), Mauro Cordeiro de Oliveira Junior (Colégio Pedro II), Maíra Samara de Lima Freire (UFSC)

A mesa-redonda reúne antropólogas e antropólogos negres que atuam em diferentes contextos educacionais – universidades, Institutos Federais e espaços de gestão acadêmica – para discutir como um fazer antropológico negro vem redesenhando o ensino de antropologia no Brasil. A partir de suas experiências, as pessoas convidadas refletirão sobre a mobilização de bibliografias, conceitos e metodologias produzidos por intelectuais negros, bem como sobre sua atuação em coordenações de curso, núcleos e colegiados que decidem currículos e referências. Serão debatidas, ainda, trajetórias na formação de professores em Educação Escolar Quilombola e em Educação para as Relações Étnico-Raciais, em diálogo com as Leis nº 10.639/03, 11.645/08 e 12.711/2012. Tomando a antropologia negra como ponto de partida, a mesa propõe pensar a construção de uma perspectiva antropológica confluente, capaz de escurecer instituições, práticas pedagógicas e cânones, afirmando outros corpos, saberes e modos de produzir conhecimento antropológico.

Títulos e Resumos

  • Uma Antropologia que conflui: Educação, quilombos e práticas educacionais
    — Maíra Samara de Lima Freire
  • A experiência decolonial na Licenciatura em Ciências Sociais do Colégio Pedro II: entre o programa e a prática
    — Mauro Cordeiro de Oliveira Junior
  • Educando para transgredir: por uma antropologia antirracista no ensino médio
    — Tatiane Vieira Barros

MR 40 - Escutas, documentos, etnografias: letalidades e genocídios indígenas hoje

Coordenação
Elaine Moreira (UNB)

Debate
Braulina Aurora (UNB)

Participantes
Edilene Coffaci de Lima (UFPR), Rafael Pacheco (USP), Elaine Moreira (UNB)

O tema sobre genocídio indígena no Brasil não é novo, ganhou um marco no tempo com o processo de Haximu, povo Yanomami, onde os responsáveis foram condenados por genocídio. Contudo, o tema longe de estar no passado tem sido mencionado no presente, entre o povo Yanomami (2023). O caso das violências repetidas no caso do povo Guarani Kaiowa, nos levam a pensar que esta ameaça infelizmente esteve presente em contextos do passado mas ela é igualmente atual. Em muitas realidades onde a ameaça do genocídio se coloca. muitos de nossos colegas se esforçam para comentar, atuar como peritos, ou ainda se debruçam sobre o tema, gerando novos conceitos capazes de entender a violência, como o conceito de letalidade branca (Tuxa, Felipe. 2021). A mesa se propõe a atualizar este debate onde a antropologia é, mais uma vez, convocada a falar sobre violência contra os povos indígenas em pleno século XXI. A proposta é trazer perspectivas, interpretações e novas proposições sobre o tema desta letalidade e o conceito de genocídio em nossas pesquisas e reflexões na atualidade, a partir de diferentes povos, situados em regiões do país. Como nossas pesquisas documentais e de escutas dialogam com a luta por direitos indígenas no contexto atual de novos enfrentamentos de genocídio?

Títulos e Resumos

  • O genocídio dos Xetá em microescala: nos autos de um processo penal
    — Edilene Coffaci de Lima
  • A atualidade do genocídio e das lutas indígenas por reparação no Brasil
    — Rafael Pacheco

MR 41 - Etnografias da morte e do morrer; experiências pluriversas: Argentina, Brasil e Benim

Coordenação
Hippolyte Brice Sogbossi (UFS)

Participantes
César Iván Bondar (CONICET), Alexandre Magno de Aquino (UFRGS), Hippolyte Brice Sogbossi (UFS)

Em homenagem a Cauê Fraga Machado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, colega falecido em abril de 2025, e que teve uma contribuição decisiva na futura publicação dos trabalhos que se seguem, abrimos a presente mesa com o intuito de não só apresentar os resultados de etnografias já elaboradas sobre a temática da morte e do morrer; mas também de destacar a universalidade, pluridiversidade e riqueza de um assunto muitas vezes considerado tabu. Entre os estudos do Cauê, a antropologia da morte era uma preocupação teórico-metodológica importante para compreender seus estudos sobre o corpo, alimentação, a questão racial, notadamente, com quilombolas. Essa atenção ao tema levou ao pesquisador reunir, juntamente, com O Prof. Dr. Hippolyte Brice Sogbossi, diversos pesquisadores, o que permite que o dossiê Antropologia da Morte, a ser publicado na Revista Mana, adquira uma amplitude de investigação, especialmente com a riqueza das etnografias, que possibilita às novas gerações de antropólogos usufruírem do seu legado profundamente investigativo, contribuindo uma vez mais, e como sempre o fez, com o desenvolvimento da nossa disciplina. Serão apresentados e discutidos, sucessivamente, artigos de César Iván Bondar (Argentina), Alexandre Aquino (Brasil) e Hippolyte Brice Sogbossi (Benin).

Títulos e Resumos

  • As transformações históricas e o ritual do kiki: alteridades, xamanismo e as prestações rituais que orientam as relações entre as metades exogâmicas kaingang
    — Alexandre Magno de Aquino
  • Parentesco e rituais de morte entre os fon de Abomey, Benin: um estudo de hierarquia e distinção.
    — Hippolyte Brice Sogbossi

MR 42 - Expulsões, Tecnociências e Lutas Territoriais no Vale do Submédio São Francisco: análises antropológicas de uma frente de expansão econômica no Semiárido Brasileiro

Coordenação
Adalton Marques (UNIVASF)

Participantes
Natacha Simei Leal (UNB), Márcia Maria Nóbrega de Oliveira (escola de ativismo), Adalton Marques (UNIVASF)

Esta Mesa Redonda busca abordar múltiplas dimensões da constituição do Vale do São Francisco, entre o oeste de Pernambuco e o norte da Bahia, como importante fronteira econômica (do agrohidronegócio, mineração, energias renováveis, além de comercial e de serviços) após as construções das barragens de Sobradinho e Itaparica entre as décadas de 1970 e 1980. Se a região é considerada por governos estaduais e federal e por setores empresariais como um “modelo de desenvolvimento econômico sustentável”, no qual destacam-se a fruticultura, os grandes projetos de irrigação e a transposição do Rio São Francisco, diversas frentes disciplinares evidenciam a face violenta desses empreendimentos e o disparo de conflitos em territórios indígenas, quilombolas, de fundo de pasto e de pequenos agricultores. Esta Mesa Redonda, a partir de pesquisas antropológicas no Vale do São Francisco, pretende analisar formas de luta que emergiram a partir da década de 1970 e são protagonizadas por populações expulsas, realocadas forçadamente e atraídas por setores econômicos emergentes. Nesse enquadramento, ênfases analíticas em projetos desenvolvimentistas, expulsões territoriais, tecnociências, investimentos estatais e formações de mercados produzem novas conexões empíricas para a investigação de relações entre problemas concernentes às expropriações econômicas e à degradação ambiental, chamando a atenção para as frentes de resistência por direitos culturais e territoriais e a defesa do bioma Caatinga.

Títulos e Resumos

  • Os "monstros grandes" e as resistências com "alegria": lutas de comunidades tradicionais contra "grandes projetos de desenvolvimento" no Vale do Submédio São Francisco
    — Adalton Marques
  • Fruticulturas e Fruticultores no Vale da Irrigação: Notas sobre agronegócios, tecnologias e seus feitiços no polo Juazeiro/BA e Petrolina/PE
    — Natacha Simei Leal

MR 43 - Feminismos negro e indígena: diálogos em torno da produção do conhecimento

Coordenação
Jurema Machado de Andrade Souza (UFRB)

Debate
Maria Rosário Gonçalves de Carvalho (UFBA)

Participantes
Angela Figueiredo (UFRB), Elisa Urbano Ramos Pankararu (UFPE), Jurema Machado de Andrade Souza (UFRB)

Antropólogas negras e indígenas têm se organizado e mobilizado recursos intelectuais e políticos pela emancipação e reconhecimento de suas contribuições na produção de conhecimento voltado para a diminuição das violências e desigualdades raciais em busca do bem viver. Elas têm afirmado o feminismo como uma categoria importante para reflexão em torno do colonialismo e suas consequências na manutenção do racismo e do genocídio em nossa sociedade. Esse movimento é diverso e abrange a debate sobre a incorporação do feminismo como ferramenta de emancipação e reflexão em torno de subjetividades, mas também tensiona a teoria feminista para incorporar reflexões que promovam o reconhecimento das diferentes experiências das mulheres, substituindo certa perspectiva individualista por dimensões coletivas, que reflitam sobre a interseccionalidade das categorias de opressão e as distintas noções de identidade, territorialidade e experiência. Há uma demanda crescente para o reconhecimento da importância de incluir e amplificar as vozes das mulheres indígenas no feminismo, nas discussões de gênero e no diálogo sobre possíveis alianças. Nesse sentido, é inegável a contribuição do feminismo negro e do conceito de Intersseccionalidade tanto no que se refere a compreensão dos mecanismos de subalternização quanto na possibilidade de emancipação. O objetivo desta mesa é promover um diálogo entre a atuação política, intelectual e epistemológica de antropólogas feministas racializadas.

Títulos e Resumos

  • De nativos a antropólogos: Reflexões de uma antropóloga feminista negra
    — Angela Figueiredo
  • A Política de Resistência das Mulheres: autonomia e cuidado a partir de mulheres indígenas
    — Jurema Machado de Andrade Souza

MR 44 - Festas, danças, rituais e memórias da cultura popular em São Luís/MA, Araguaína/TO, e Recife/PE: entre batucadas de terreiros, bumba boi, e os sons modernos que ecoam das periferias

Coordenação
Marilande Martins Abreu (UFMA)

Debate
Sariza Oliveira Caetano Venâncio (Universidade Federal do Norte do Tocantins)

Participantes
Renato de Lyra Lemos (UFPE), Raul Brunno Pereira Sousa (UFMA), Marilande Martins Abreu (UFMA)

A mesa redonda Festas, danças, rituais e memórias da cultura popular em São Luís/MA, Araguaína/TO, e Recife/PE: entre batucadas de terreiros, bumba boi, e os sons modernos que ecoam das periferias, tem como objetivo discutir e analisar os movimentos artisticos e rituais que estão historicamente ligados as comunidades tradicionais de terreiros e suas batucadas, como movimentos de resistência artísticos e culturais decorrentes da diáspora africana. Nesse sentido, o carnaval como festa nacional tornar-se um símbolo da identidade nacional paradoxal, como mostra revisão bibliográfica, e os arquivos de jornais e revistas encontrados nos séculos XIX e XX. A manutenção e criação de movimentos artísticos e rituais e artísticos-culturais das periferias de cidades como São Luís/MA, Araguaína/TO, e Pernambuco/RE são formados por fazedores e mestres de cultuas, homens e mulheres, que muito frequentemente não aparecem como agentes culturais, e são frequentemente perseguidos pelas policias e outras forças de repressão tanto do estado como da indústria cultural, que ao construir a narrativa oficial de movimentos artísticos costuma invizibilzar a presença de mestres e fazedores de culturas. Palavras chaves: Festas. Rituais. Cultura Popular. Periferias.

Títulos e Resumos

  • Batucada de carnaval: o samba enquanto expressão da cultura popular maranhense.
    — Raul Brunno Pereira Sousa

MR 45 - Fronteiras em movimento, processos de territorialização e conflitos na Amazônia brasileira

Coordenação
Eliane Cantarino O'Dwyer (UFPA)

Participantes
Paloma Abreu Monteiro (UFF), Dilson Domente Ingarikó (secretaria de educação de roraima), Gabriel Calil Maia Tardelli (UFF)

Na perspectiva dos grupos étnicos e sociais, o reconhecimento das terras tradicionalmente ocupadas, atualmente sob responsabilidade do Incra, SPU e Funai, e constantemente alvo de ataques pelos grandes setores do capital, expressos principalmente nos projetos ditos de “desenvolvimento”, é sinalizada como estratégia política na luta pela reprodução dos modos de ser e viver, das condições de trabalho e manutenção das unidades familiares em contextos comunitários e intercomunitários em termos das suas práticas socioculturais. Reafirmando temáticas consagradas no campo antropológico, esta Mesa irá discutir a construção da etnicidade com a emergência de processos de reificação de elementos culturais como sinais diacríticos pelos atores sociais e na distribuição dos direitos territoriais constitucionalmente garantidos para povos tradicionais. Ao refletir sobre os processos sociais e políticos de ocupação territorial e de reconhecimento de tais direitos frente ao Estado, podemos observar diferentes dinâmicas de produção e manutenção de fronteiras sociais e identidades étnicas mediante a análise etnográfica. Dimensionar as diferenças contextualmente produzidas entre indígenas, quilombolas e outras categorias de trabalhadores e povos tradicionais não como essências culturais, mas constituídas por relações de poder herdadas, inclusive, do período colonial, e investigar a produção de novas formas de colonialidade do poder sob a perspectiva dos conflitos serão os objetivos desta Mesa.

Títulos e Resumos

  • SIIKË NONO - Tinono Mainanpa Inkarîkokya Eseru (TERRA DE SIIKË - A Forma Ingarikó de Cuidar da sua Terra)
    — Dilson Domente Ingaricó
  • Capitalismo extrativista na macrorregião das Guianas: fronteiras, violências e experiências de deslocamentos dos Warao, Taurepang e E'ñepa
    — Gabriel Calil Maia Tardelli
  • A desigualdade jurídica institucionalizada do Estado brasileiro e terras indígenas homologadas – o caso dos Ingarikó, os Kapon do Alto Cotingo
    — Paloma Abreu Monteiro

MR 46 - Governo da Terra

Coordenação
Nashieli Cecilia Rangel Loera (UNICAMP)

Debate
Igor Rolemberg (UFRRJ)

Participantes
Maiara Dourado (Oceana), Maite Yie (Universidad Javeriana), Lauro José Cardoso (UNICAMP)

Esta mesa propõe retomar os debates realizados no marco do dossiê “Governo da Terra”, que teve a fortuna de ser publicado em 2025 no Anuário Antropológico, ano em que este periódico, de referência na Antropologia brasileira, completou 50 anos. Por ‘modos de governo’ entendemos um modo de ação (estatal, privado, comunitário) que em cada agenciamento realizado com a ‘terra’, orienta uma maneira de defini-la, de acessá-la, de estabilizá-la e tornar possíveis ou não certos modos de vida nela. Nossa proposta coloca em foco os mecanismos (conceituais e políticos) que definem o que seja ‘terra’, fixando usos e finalidades para ela: por exemplo, a produção (agrícola, pecuária, minerária, energética); a preservação de florestas; a reprodução da vida material e simbólica das populações do campo e da floresta; a realização de justiça distributiva por reforma agrária, dentre outras. Os trabalhos apresentados provêm de pesquisas realizadas com populações rurais de diversos perfis, no Brasil, Colômbia e São Tomé e Príncipe. Eles refletem sobre os múltiplos regimes camponeses de uso e relação com a terra, e sobre o modo como se dá a intervenção estatal sobre seus territórios.

Títulos e Resumos

  • Da nacionalização à reforma agrária das roças de São Tomé e Príncipe
    — Lauro José Cardoso
  • A terra não pertencia: a relação de movimento com a terra no contexto de luta do povo de Trombas e Formoso (GO)
    — Maiara Dourado
  • Hacer aparecer la autoridad. Prácticas de soberanía detrás de la producción de territorios y gobiernos campesinos
    — Maite Yie Garzón

MR 47 - IBGE e o campo afro religioso: sobre o que os dados tratam e sobre o que silenciam

Coordenação
Leonardo Oliveira de Almeida (UFC)

Debate
Ana Paula Mendes de Miranda (UFF)

Participantes
Joana D´Arc do Valle Bahia (UERJ), Edgar Rodrigues Barbosa Neto (UFMG), Olavo de Souza Pinto filho (UFRJ)

A mesa-redonda propõe discutir criticamente a relação entre os dados sobre religião produzidos pelo IBGE e a presença das religiões afro-brasileiras no cenário nacional. Embora o Censo seja uma das principais fontes estatísticas sobre pertencimento religioso, estudos apontam que suas metodologias nem sempre captam a complexidade das práticas de matriz africana. Historicamente, análises gerais pouco destacavam essas religiões, que surgiam de modo secundário ou diluídas em categorias amplas, ganhando evidência apenas em estudos específicos. Contudo, números recentes têm levado pesquisadoras, pesquisadores e a mídia a dedicar maior atenção a essas tradições, revelando novas interpretações sobre seu lugar no campo religioso brasileiro. O debate proposto busca analisar o que esses dados mostram e ocultam, além de refletir sobre os impactos dessas lacunas na formulação de políticas públicas, no reconhecimento de direitos e na visibilidade social desses grupos. Reunindo antropólogas e antropólogos de diferentes instituições, a mesa pretende fomentar discussões que apontem caminhos para aprimorar a representação das religiões afro-brasileiras nas estatísticas oficiais, fortalecendo sua legitimidade e contribuindo para um entendimento mais plural da religiosidade brasileira.

Títulos e Resumos

  • As religiões afro-brasileiras e os números: o caso do Rio Grande do Sul
    — Edgar Rodrigues Barbosa Neto
  • Impressões no mundo digital: crescimento nas mídias e modos de ser representar afro.
    — Joana D´Arc do Valle Bahia

MR 48 - Infâncias migrantes, Interseccionalidades e Linguagens artísticas: metodologias etnográficas participativas no combate à xenofobia e na criação de políticas públicas

Coordenação
Luciana Hartmann (UNB)

Debate
Maria Catarina Chitolina Zanini (UFSM)

Participantes
Zakia Ismail Hachem (UNB), Diana Patricia Bolaños Erazo (UFSM), Marina Di Napoli Pastore (UFPB)

Esta mesa propõe um debate sobre as interseccionalidades que envolvem os processos migratórios, com foco em pesquisas sobre experiências e trajetórias das infâncias migrantes, refugiadas e apátridas. Partindo da articulação entre metodologias etnográficas participativas, linguagens artísticas e o conceito de interseccionalidade, buscamos explorar novas formas inclusão social, ampliando a compreensão sobre pertencimento, construções de agências e resistência. Propomos refletir sobre os impactos da xenofobia nas trajetórias de crianças e jovens e, consequentemente, sobre a necessidade de viabilizar a participação desses sujeitos na formulação das políticas públicas que lhes concernem. Objetivos: 1. Refletir sobre as interseccionalidades que atravessam as experiências das infâncias migrantes em contextos diversos, quais sejam: raça, gênero, classe, religião, deficiência, faixa etária, dentre outros; 2. Discutir o papel das linguagens artísticas (música, dança, teatro, artes visuais, literatura, etc.) como estratégia de resistência, afirmação de identidade e transformação social; 3. Evidenciar o protagonismo de crianças e adolescentes migrantes em ações concretas de enfrentamento à xenofobia e na construção de práticas cotidianas de acolhimento entre pares nos espaços educativos; 4. Aprofundar as discussões sobre os usos e desafios de metodologias etnográficas participativas envolvendo crianças e adolescentes em todas as etapas da pesquisa.

Títulos e Resumos

  • Semear, brincar e colher: as infâncias refugiadas e migrantes como produtoras de saberes
    — Diana Patricia Bolaños Erazo
  • Corpos em deslocamento, vozes em criação: metodologias participativas e linguagens artísticas com crianças migrantes em Cabo Delgado, Moçambique
    — Marina Di Napoli Pastore
  • A importância da abordagem interseccional na compreensão da trajetória escolar dos imigrantes na educação básica brasileira
    — Zakia Ismail Hachem

MR 49 - Interseções entre antropologia da saúde, gênero e justiça reprodutiva

Coordenação
Débora Allebrandt (UFAL)

Debate
Raquel Lustosa da Costa Alves (UFPE)

Participantes
Elaine Reis Brandão (UFRJ), Stephania Gonçalves Klujsza (UFF), Thiago da Silva Santana (UFSC)

Justiça reprodutiva é uma ferramenta e um conceito cada vez mais acionado por pesquisadoras para compreender e tensionar os dilemas da garantia de direitos sexuais e reprodutivos em contextos de profunda desigualdade social. O termo está ancorado às discussões sobre iniquidades de gênero, raça, etnia, classe, território e idade, desenvolvidas especialmente no âmbito do feminismo negro. A antropologia da saúde se fortalece com essa perspectiva interseccional e evidencia como as desigualdades sociais são coproduzidas nas experiências reprodutivas. As pesquisas reunidas na mesa destacam o como a saúde reprodutiva de mulheres, meninas e pessoas com útero, especialmente no contexto de contracepção, aborto, parto e exercício da maternidade estão perpassadas por muitas dimensões que envolvem desde a formação de profissionais de saúde até cerceamentos, estereótipos de gênero e julgamentos morais que levam a situações extremas, como o caso recente e emblemático de Paloma Alves Moura, uma mulher negra que sofria de endometriose, de 46 anos que teve seu estado de saúde negligenciado por uma suspeita de aborto provocado e morreu sem assistência em Pernambuco. Como ela, muitas mulheres vivenciam a negação de direitos que as impede de exercer a maternidade de forma livre, autônoma e segura. São vidas marcadas pelo impacto direto do racismo, sendo punidas até a morte pela contínua violação de seus direitos reprodutivos.

Títulos e Resumos

  • Tecnologias de governo e cuidado em saúde. A oferta dos implantes hormonais contraceptivos para adolescentes e jovens no Sistema Único de Saúde do Brasil na perspectiva da justiça reprodutiva
    — Elaine Reis Brandão
  • Formação médica em obstetrícia e violência obstétrica: dilemas, limites e disputas na atenção ao parto
    — Stephania Gonçalves Klujsza
  • Maternidades Destituídas: Judicialização, Racismo Institucional e a Monocultura do Núcleo Familiar em Santa Catarina
    — Thiago da Silva Santana

MR 50 - Mães: pensando comparativamente as maternidades atravessadas pelos marcadores de gênero, raça e status de cidadania

Coordenação
Andréa de Souza Lobo (UNB)

Debate
André Filipe Justino de Morais (UFMT)

Participantes
Paula Balduino (UNB), Vinícius Venancio de Sousa (Universität Leipzig), Fernanda Cruz Rifiotis (UFPEL)

Tendo como ponto de partida a concepção de que as maternidades são construídas socialmente – sendo, portanto, vivenciadas de formas diversas e sem fixidez no tempo e no espaço –, a presente proposta se dedica a investigar, de maneira sistemática e comparativa, as dinâmicas familiares que constituem e são constituídas pelas múltiplas vivências em torno da maternidade. São três as frentes de investigação que se entrelaçam nesta proposta: 1. O cruzamento crítico entre uma visão “externa” e normativa que institui um valor moral de “mãe ideal” e as perspectivas de mulheres-mães que experienciam a maternidade no cotidiano; 2. O mapeamento de redes de cuidado que envolvem o que tem sido denominado de “geografias das maternidades” e que conectam mulheres entre si e mulheres e seus filhos em redes nacionais e/ou transnacionais de afeto; 3. as interfaces entre maternidades e conjugalidades que nos permitam refletir sobre o terceiro elemento desta relação, o homem-pai. A partir de uma perspectiva comparativa esta MR pretende reunir pesquisadoras que, refletem sobre as dinâmicas de parentalidades e de maternidade. O debate tem ancoragem em pesquisas em diferentes continentes, África, América do Sul e Europa – ambos contextos unidos pela diáspora negra do passado e por fluxos migratórios contemporâneos. Interessa-nos estudar tais percursos geográficos de ontem e de hoje entendendo-os como um campo social contínuo no qual podemos ancorar nossas pesquisas e reflexões.

Títulos e Resumos

  • A parentalidade como forma da governança reprodutiva no acompanhamento das mães cujos filhos foram encaminhados para adoção na França
    — Fernanda Cruz Rifiotis
  • Matronagem e Matripotência: construções matricêntricas de mundo
    — Paula Balduino
  • Migração, substantivo feminino: maternidades migrantes em luta por cidadania em Cabo Verde
    — Vinícius Venancio de Sousa

MR 51 - Mesa: Frutos das Ações Afirmativas no PPGAS/UFG

Coordenação
Suely Aldir Messeder (universidade do estado da bahia)

Debate
Ivone Muocha (Centro de Investigação e Transferência de Tecn)

Participantes
Suely Aldir Messeder (universidade do estado da bahia), Sandra Cristina Félix Manuel (Universidade Eduardo Mondlane), Katya Chavel (Centro de Investigacao e Transferencia e Tecnologias)

Frutos das Ações Afirmativas, livro recentemente lançado pelo CEGRAF-UFG, conta com o Selo ABA Publicações e resulta de um processo iniciado em 2013, quando o PPGAS/UFG apresentou a reivindicação de efetiva implementação de políticas de ações afirmativas. Decorrente deste processo, em 2015 a UFG se tornou a primeira Universidade Federal a implementar um sistema de cotas em todos os seus programas de pós-graduação, garantindo assim o acesso à pós-graduação de indivíduos pertencentes a povos e populações historicamente excluídas. O livro apresenta os resultados das pesquisas de estudantes indígenas e quilombolas que realizaram o mestrado no PPGAS/UFG. A mesa reúne as autorias, coordenação do livro, orientadoras e orientadores e a secretária de inclusão da UFG. O objetivo da mesa é apresentar o livro, ampliando o debate sobre as políticas de ações afirmativas e seu impacto nas universidades.

Títulos e Resumos

  • Atualizando, juntando e esticando a universidade: considerações sobre a possibilidade de uma pluriversidade.
    — Alexandre Herbetta
  • Ações Afirmativas, uma experiência quilombola.
    — Marta Quintiliano

MR 52 - Metodologias antropológicas em debate e disputa: antirracismo e pluridiversidade

Coordenação
Beatriz Martins Moura (Faculdade Latinoamericana de Ciências Sociais)

Debate
Beatriz Martins Moura (Faculdade Latinoamericana de Ciências Sociais)

Participantes
Luena Nascimento Nunes Pereira (UFRRJ), Lucas Coelho Pereira (UFPB), Miguel Antonio dos Santos Filho (Fiocruz)

A metodologia é um pilar do fazer antropológico. Desde os clássicos, como Malinowski, a experiência etnográfica definiu modos de pesquisa. A partir da crítica pós-moderna, esse revelou-se um campo de disputas, envolvendo condições históricas, coloniais e políticas. Nas últimas décadas, observamos uma inflexão no debate metodológico, impulsionada pela implementação das políticas de ações afirmativas e pelo ingresso de pesquisadoras/es negras/os, indígenas e quilombolas nas universidades brasileiras. Essas trajetórias têm promovido redirecionamentos epistemológicos, tensionando, por exemplo, as fronteiras clássicas de "sujeito-objeto" e reconfigurando os fundamentos da disciplina. Em sintonia com Saidiya Hartman, a metodologia pode ser entendida também como um campo de fabulação. Esta mesa redonda propõe discutir as metodologias antropológicas que emergem dessas experiências e como elas reorientam a prática científica. Reuniremos pesquisadoras/es que têm experimentado modos de pesquisa colaborativos, corporificados e comprometidos com os sujeitos do campo. Serão explorados temas como a escrita compartilhada, o uso da memória e da oralidade como dispositivos de conhecimento, o papel da devolutiva e as formas de resistência epistêmica em contextos de assimetria. O debate buscará analisar as dimensões relacionais e políticas do trabalho de campo, afirmando a metodologia como um espaço de imaginação, disputa e responsabilidade para a reinvenção dos compromissos da Antropologia.

Títulos e Resumos

  • Como pensar metodologias com o corpo: movimentos e experimentação na pesquisa antropológica
    — Lucas Coelho Pereira
  • Onde está a "alteridade"? Reflexões sobre uma antropologia descentrada.
    — Luena Nascimento Nunes Pereira
  • Masculinidade e reflexividade: gênero, éticas e afetamentos no trabalho de campo em Casas Abrigo no Timor-Leste
    — Miguel Antonio dos Santos Filho

MR 53 - Modos de Temporalização e Práticas de Historicização entre Povos Camponeses e Tradicionais:

Coordenação
Camila Galan de Paula (UNIVASF)

Debate
Jorge Luan Rodrigues Teixeira (UVA)

Participantes
Yara de Cássia Alves (UEMG), Karina da Silva Coelho (Assessoria Técnica Independente), Janice Alves Trajano (UFPEL)

Diferentes trabalhos etnográficos realizados entre povos camponeses e tradicionais brasileiros apontam como tais grupos narram a sua história a partir do contraste entre um tempo de agora e “tempos” passados. Ao contar suas experiências de vida e a história das famílias, lugares e comunidades, as pessoas comumente se referem não a cronologias específicas ou a modos mais oficiais e consolidados de datação, mas sim a “tempos” nomeados - e.g. “tempo da maniçoba” - ou qualificados - e.g. “tempo das dificuldades”. Tais “tempos” aparecem nas narrações das histórias das comunidades circunscrevendo certas moralidades, coisas e relações sociais específicas a cada temporalidade. Esta Mesa Redonda objetiva fomentar a reflexão comparada sobre esses modos de temporalização, promovendo, a partir das pesquisas etnográficas das suas participantes, uma reflexão conjunta que indaga: quais relações de poder atravessam e constituem os “tempos” narrados? Como as pessoas contrastam o tempo presente da narrativa aos diferentes tempos pretéritos? Como se sobrepõem ou se diferenciam os tempos? Que marcos - ambientais, de políticas públicas, de estrutura fundiária - aparecem como indicadores de mudanças de tempos? Pode-se estabelecer contrastes ou sobreposições entre cronologias externas às formas narrativas etnografadas e os tempos narrados? O que esse modo de conhecimento ensina sobre as histórias e as práticas de historicização dessas comunidades?

Títulos e Resumos

  • Temporalidades em composição: tempos-movimentos, narrativas e modos de conhecer
    — Karina da Silva Coelho
  • "No tempo que a gente tinha nossa terra": A Comunidade Quilombola dos Jerônimos e suas narrativas sobre o passado de ocupação territorial
    — Yara de Cássia Alves

MR 54 - Mudanças Climáticas, Desenvolvimento Sustentável e Povos e Comunidades Tradicionais ou Etnicamente Diferenciados - práticas de poder, políticas governamentais, projetos, efeitos e conflitos

Coordenação
Natália Morais Gaspar (UFRJ)

Debate
Antonio Carlos de Souza Lima (UFRJ e UFF)

Participantes
Deborah Bronz (UFF), Luana Marques Figueira (UNB), Natália Morais Gaspar (UFRJ)

Desde o final dos anos 1980, parte das críticas aos efeitos socioambientais negativos de grandes projetos e políticas governamentais apoiados nas ideologias e práticas do desenvolvimento foi assimilada por meio da noção de “desenvolvimento sustentável”, que contribuiu para tornar possível a continuidade dessas intervenções, intensivas em consumo e contaminação de elementos da natureza, tratados como recursos naturais. Assim, tais efeitos negativos continuaram a se acumular e propagar, resultando em um processo de aquecimento do planeta Terra, que se desdobra em mudanças climáticas. Essas mudanças prejudicam principalmente os Povos e Comunidades Tradicionais (PCT), cujos modos de vida são reconhecidos como mais afinados aos ciclos naturais. Ao mesmo tempo, medidas para lidar com a mudança do clima frequentemente atribuem a essas coletividades grande parte da responsabilidade pela preservação dos “recursos naturais”. Nessa mesa redonda, busca-se refletir sobre a forma pela qual a questão das mudanças climáticas tem sido incorporada a grandes projetos e políticas governamentais, observando o tratamento conferido a coletividades etnicamente diferenciadas e PCT. O objetivo também é contribuir para a análise antropológica de agentes, instituições e práticas de poder, observando suas rotinas, ambiguidades e contradições, no âmbito de processos (constantes) de formação do Estado no Brasil, nos quais não são nítidos os limites entre o público e o privado, o nacional e o internacional.

Títulos e Resumos

  • "Incêndios Sociais" na COP30, Belém do Pará, 2025
    — Deborah Bronz
  • O espírito que tudo nega: uma contribuição etnográfica na crítica ao progresso faustiano
    — Luana Marques Figueira
  • Governo das águas e mudanças climáticas: tecnologia, adaptação, controle de riscos, governança e o papel de coletividades tradicionais ou etnicamente diferenciadas frente ao aquecimento global
    — Natália Morais Gaspar

MR 55 - Neoliberalismo e sofrimento psíquico no mundo do trabalho contemporâneo

Coordenação
Anaxsuell Fernando da Silva (UNILA)

Debate
Jainara Oliveira (UFGD)

Participantes
Fellipe Coelho Lima (UFRN), Tarsila Chiara Albino da Silva Santana (UFSC), Virgínia Squizani Rodrigues (UFSC)

Esta Mesa Redonda discutirá a relação entre neoliberalismo e sofrimento psíquico no mundo do trabalho contemporâneo. Para tanto, parte-se inicialmente de uma discussão sobre o ecossistema de startups brasileiras e a crescente mercantilização da saúde mental. Trata-se de evidenciar um novo mercado que converte o sofrimento psíquico em um dado mensurável e em um recurso econômico. No interior dos discursos neoliberais da prevenção e do cuidado, o autoconhecimento e o cuidado de si são transformados em formas de governo das subjetividades, conformando assim uma “economia do sofrimento” que, ao invés de destacar as causas estruturais da exaustão, as desloca para a autorresponsabilização individual. Em seguida, a discussão enfatizará a plataformização do trabalho e seus impactos no aprofundamento da precarização e do agravamento da saúde mental dos entregadores por aplicativo no Brasil, Argentina e EUA. Nesse sentido, trata-se de um contexto marcado pela valorização do trabalho em plataforma e, ao mesmo tempo, por ações coletivas de solidariedade e ajuda mútua. Por fim, discutir-se-á como o empreendedorismo popular tem sido apropriado pelos trabalhadores da cultura que constituem o Movimento Brega, em Recife (PE), e seus impactos sobre a saúde mental desses trabalhadores. Trata-se de contrastar as suas queixas em relação à flexibilidade das condições de trabalho com os seus discursos de superação da precariedade socioeconômica.

Títulos e Resumos

  • Movimento brega, empreendedorismo popular e saúde mental
    — Tarsila Chiara Albino da Silva Santana
  • Economias do sofrimento: neoliberalismo, subjetividade e o mercado da saúde mental na esfera laboral
    — Virgínia Squizani Rodrigues

MR 56 - O direito quilombola ao território: desafios para uma antropologia antirracista

Coordenação
Sandro José da Silva (UFES)

Participantes
Rosiene Francisco dos Santos (00), Raquel Mombelli (UFPR), Cintia Miller (UFBA)

Não é incomum para os antropólogos e as antropólogas presenciar a morte de quilombolas após muitas décadas de luta pelo direito à terra, sem que o seu direito seja restituído. São trajetórias violentadas por décadas pelos efeitos do racismo, omissão, descaso e abuso de poder, o que coloca em um futuro incerto as esperanças de reparação. Um pouco de nós também perece nesse caminho, pois transitamos entre os caminhos, os sonhos, as lutas e o desencanto daquela que se apresentava como uma política de reparação pelos séculos de escravização de africanos e seus descendentes. Há 37 anos da publicação do Artigo 68 da Constituição Federal do Brasil, e 22 anos do Decreto 4887/2003, a titulação ainda não chegou a uma centena, das muitas milhares que esperam. De outro lado, novas agendas, como as urgências climáticas e o Arcabouço Fiscal, impõem soluções locais precárias, retardam ainda mais a titulação dos territórios, revelando estratégias governamentais e empresariais contra as reparações dos quilombolas. Apesar do empenho da ABA no desenvolvimento e apoio à implementação de tais políticas, estas estão muito aquém do que se espera, o que deve nos levar a refletir sobre as nossas estratégias institucionais de engajamento. A presente Mesa Redonda se propõe a desenhar conexões, tendências e fluxos desse descompasso em relação às reparações dos direitos quilombolas ao território, para renovar os modos de atuação da Antropologia antirracista.

MR 57 - O Estado entre a contradição, a invenção e a magia em três perspectivas etnográficas

Coordenação
Piero de Camargo Leirner (UFSCAR)

Participantes
Piero de Camargo Leirner (UFSCAR), Ciméa Barbato Bevilaqua (UFPR), Marnio Teixeira-Pinto (UFSC)

Esta MR pretende discutir como o Estado, na sua própria afirmação de instituição indivisível, indissolúvel, permanente e transparente, produz constantemente erros, ilusões, contradições, apagamentos, esquecimentos e fórmulas mágicas que, ao contrário de se constituírem em bombas autodestrutivas, parecem ser parte necessária de sua própria sustentação. Isso será discutido com base em três casos etnográficos sobre agentes e setores estatais no Brasil. Primeiramente, considerando o direito de povos originários, a clareza das figuras legais é vista em contraste com a forma labiríntica, hermética e contraditória de como se dá a afirmação prática dos direitos garantidos, mesmo quando estes são considerados cláusulas pétreas. Em segundo lugar, trataremos da circulação e transformação de documentos estatais envolvendo grandes processos (como a Lava-Jato), em que vazamentos e segredos, mais e menos oficiais, acabam por constituir “invenções burocráticas” cujas variações permitem ocultar, revelar ou transformar práticas anteriores, assim como modular ações futuras, no âmbito estatal e para além dele. Finalmente, trataremos da relação que as Forças Armadas estabeleceram com a urna eletrônica, operando a contestação de seu mecanismo com Bolsonaro, mas, ao mesmo tempo, fazendo parte da construção de seu software e de seu hardware. Para que esses processos ocorram, mostraremos como omissões, lacunas, fetichismo e magia, intencionais ou não, integram a engrenagem antropológica do Estado.

Títulos e Resumos

  • Invenções burocráticas: segredos e vazamentos oficiais
    — Ciméa Barbato Bevilaqua
  • Estado, magia e fetiche: atos estatais, demandas políticas e eficácias mágicas nos direitos indígenas
    — Marnio Teixeira-Pinto
  • Militares e seus artefatos mágicos: o caso de Bolsonaro e as urnas eletrônicas.
    — Piero Leirner

MR 58 - O movimento do Encontro de Saberes e as políticas do Notório Saber: transformações nas universidades para a pluralização epistêmica e para o reconhecimento institucional dos saberes tradicionais

Coordenação
Bruno Goulart Machado Silva (UNILAB)

Debate
José Jorge de Carvalho (INCTI/UnB/CNPq)

Participantes
Cassia Cristina da Silva (Ass), Daniel Bitter (UFF), Luciana de Oliveira (UFMG)

Há quase duas décadas, temos visto nas universidades públicas brasileiras um processo de pluralização epistêmica que se articula e se institucionaliza a partir do movimento Encontro de Saberes – um conjunto de projetos que se articulam em uma rede de pesquisadoras(es), docentes, mestras(es). Em comum, as diversas ações propõem convidar para o espaço da universidade pessoas referenciais nas mais distintas tradições de saberes (nomeadas/os mestras/es), com ênfase nas matrizes indígenas, afro-brasileiras e populares, para atuarem como análogos a docentes acadêmicos nos âmbitos do ensino, pesquisa e extensão. Estas experiências têm levado a: a) novas práticas pedagógicas, temporais, espaciais e estético-políticas para se experimentar as universidades; b) a criação de formatos e mecanismos administrativos, tanto para abrigar estas ações, como para reconhecer institucionalmente regimes de conhecimentos ligados aos territórios de saberes tradicionais, práticos e populares – como é o caso da criação de programas, cátedras e resoluções de Notório Saber; c) um processo de “ocupação bibliográfica” por meio de publicações de autoria e/ou em coautoria com mestras(es); d) assim como um literatura teórica, conceitual, metodológica e interespistêmica sobre estas distintas experiências acumuladas ao longo dos anos . Diante desse contexto, esta mesa redonda se propõe a fazer uma discussão e balanço do movimento Encontro de Saberes.

Títulos e Resumos

  • Narrativas de vida, "oratura" e escrita: notas sobre os memoriais dos mestres e mestras de tradições para o reconhecimento de Notório Saber.
    — Daniel Bitter
  • Recriar nós e esperançar: aliança intermundos pela implantação da Formação Transversal em Saberes Tradicionais e do Notório Saber na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
    — Luciana de Oliveira, Pedrina de Lourdes Santos/Capitã Pedrina

MR 59 - O orientalismo e outros dispositivos do racismo: examinando as políticas públicas e atuação dos organismos humanitários na vida dos imigrantes e refugiados

Coordenação
Helena de Morais Manfrinato Othman (CEBRAP)

Debate
Alexandre Branco-Pereira (UNB)

Participantes
Bárbara Caramuru Teles (UFPR), Denise Fagundes Jardim (UFRGS), Helena de Morais Manfrinato Othman (CEBRAP)

Nesta mesa redonda, iremos tratar criticamente as categorias que enquadram a diversidade migrante no seio das sociedades de acolhida, que, ao mesmo tempo, fazem parte de um sistema de representação orientalista racializante e racista, que torna as vidas migrantes descartáveis. Pensar a diversidade criticamente, em concordância com a proposta desta RBA, a partir de etnografias em contextos diaspóricos, é o nosso objetivo. A construção do migrante como “outro” nas sociedades de acolhida é uma prática discursiva recorrente, e se dá através do sistema de classificação estatal que estabelece critérios de elegibilidade baseado em normatividades excludentes, racializadas, generificadas, que determinam quem é desejável e quem não é na composição da nação. Revisitamos essas modelagens que repercutem em espaços sociais, como mídia, instituições e terceiro setor e reiteram hierarquias internas em diversos jogos classificatórios e administrativos, mas externas, definindo os países de origem como lugares de violência atávica, pobreza ou, então, de civilidade. Apesar de mobilizarem gramáticas universais de direitos humanos e inclusão da diversidade, operam com categorias que definem uma diversidade “ideal”, levando os sujeitos migrantes a modelarem suas próprias narrativas para caberem nos enquadramentos culturais e políticos do país de acolhida.

Títulos e Resumos

  • Pessoas de cor, corpos colonizados
    — Bárbara Caramuru Teles
  • A plasticidade do racismo e do orientalismo: as arenas educacionais e os dispositivos de rebaixamento nas dinâmicas do acolhimento de imigrantes e refugiados no Brasil
    — Denise Fagundes Jardim
  • A Caritas Arquidiocesana de São Paulo e seus protocolos de acolhimento da diversidade
    — Helena de Morais Manfrinato Othman

MR 60 - O que Antropologia tem a ver com inovação e difusão? Perspectivas Sul-Sul entre Moçambique e Bahia (Brasil)

Coordenação
Gabriel O. Alvarez (PPGAS/UFAL)

Debate
Luciana de Oliveira Dias (UFG)

Participantes
Marta Quintiliano (TJ), Alexandre Herbetta (PPGAS UFG), Leticia Krahô (Secretaria de Educação)

Frutos das Ações Afirmativas, livro recentemente lançado pelo CEGRAF-UFG, conta com o Selo ABA Publicações e resulta de um processo iniciado em 2013, quando o PPGAS/UFG apresentou a reivindicação de efetiva implementação de políticas de ações afirmativas. Decorrente deste processo, em 2015 a UFG se tornou a primeira Universidade Federal a implementar um sistema de cotas em todos os seus programas de pós-graduação, garantindo assim o acesso à pós-graduação de indivíduos pertencentes a povos e populações historicamente excluídas. O livro apresenta os resultados das pesquisas de estudantes indígenas e quilombolas que realizaram o mestrado no PPGAS/UFG. A mesa reúne as autorias, coordenação do livro, orientadoras e orientadores e a secretária de inclusão da UFG. O objetivo da mesa é apresentar o livro, ampliando o debate sobre as políticas de ações afirmativas e seu impacto nas universidades.

Títulos e Resumos

  • Inovações Territoriais em Diálogo Sul-Sul: Catálogos e Tecnologias Sociais
    — Katya Chavel
  • Para além dos públicos especializados: inovação e difusão do conhecimento antropológico em Moçambique
    — Sandra Manuel
  • Antropologia em Diálogo: Gestão do Conhecimento, Inovação, Pesquisada Encarnada e Justiça Cognitiva
    — Suely Aldir Messeder

MR 61 - Patrimônio e religião: da sacralização da cultura aos usos estratégicos por segmentos religiosos

Coordenação
Mariana Ramos de Morais (UFRJ)

Debate
Fátima Regina Gomes Tavares (UFBA)

Participantes
Renata de Castro Menezes (UFRJ), Stefania Capone (CNRS), Mariana Ramos de Morais (UFRJ)

Desde os primeiros estudos sobre patrimônio cultural, destaca-se o sentido sagrado concedido a certos objetos, lugares e bens culturais, para além da sua utilidade imediata, motivo que os elevaria à condição de um patrimônio relativo a uma dada coletividade ou reforçaria essa condição. Essa seria uma maneira de se pensar a relação entre patrimônio e religião. Nesta mesa-redonda, no entanto, embora consideremos esse enquadramento, estamos interessadas nas possibilidades que a associação dessas duas categorias nos abre para pensarmos sobre as formas de presença pública dos segmentos religiosos, em diferentes escalas – nacional, global, transnacional. Esse tema tem crescido na cena internacional. O próprio organismo que se ocupa da gestão do patrimônio mundial, a Unesco, tem se inserido nesse debate a partir do que denomina de “patrimônio de interesse religioso”, desenvolvendo programas e normativas específicas para esses bens culturais. Segundo a própria Unesco, cerca de 20% dos patrimônios mundiais têm alguma conexão religiosa ou espiritual. Na mesa proposta, serão privilegiados casos que evidenciam essa associação demonstrando como o patrimônio cultural tem sido mobilizado em um campo de religioso aquecido e em disputa.

Títulos e Resumos

  • Patrimônio religioso e as formas de mobilização afro e evangélica
    — Mariana Ramos de Morais
  • Patrimônios católicos: entre pedra e cal, imagens de devoção e performances festivas.
    — Renata de Castro Menezes
  • Patrimônios afro-diaspóricos: costruindo uma comunidade transnacional de iniciados na religião dos orishas
    — Stefania Capone

MR 62 - Patrimônios LGBTQIAPN+ na pesquisa antropológica: políticas de memórias e interseccionalidades

Coordenação
Thiago Barcelos Soliva (UFVJM)

Debate
Milton Ribeiro (UEPA)

Participantes
Clara Marques (Iphan), Caia Maria de Araújo Coelho (Centro de Pesquisa Transfeminista), Inácio dos Santos Saldanha (UNICAMP)

A literatura antropológica sobre patrimônios, museus e políticas de memória tem crescido em volume e diversidade temática nos últimos anos. A mobilização de coletivos de mulheres, negres, LGBTQIAPN+, indígenas e quilombolas em torno da agenda patrimonial têm gerado uma ampliação do “vocabulário do patrimônio”, além de proporcionar uma renovação teórico-metodológica produzida a partir da interação com outros campos de conhecimento e teorias críticas, como os estudos decoloniais, crítica feminista, teoria queer e o complexo campo das interseccionalidades. O interesse antropológico pela memória LGBTQIAPN+ reflete um conjunto de iniciativas de patrimonialização e musealização operadas por instituições relacionadas ao ativismo político e movimentos sociais nos últimos anos. A proposta da mesa redonda é discutir a emergência dessa agenda de pesquisas situada a partir das contribuições da antropologia. No debate focalizaremos as diferentes formas de agenciamento patrimonial operados por esses coletivos; os modos de apropriação do vocabulário patrimonial; as distintas narrativas delineadas a partir da ideia de bens culturais LGBTQIAPN+; e a maneira como esses coletivos se inserem nesse debate e são percebidos nessas situações específicas.

Títulos e Resumos

  • Museu Bissexual Brasileiro: reflexões sobre divulgação da memória e produção de conhecimento
    — Inácio Saldanha

MR 63 - Perspectivas e caminhos da antropologia digital no Brasil

Coordenação
David Nemer (University of Virginia)

Debate
Laura Graziela Gomes (UFF)

Participantes
Carolina Parreiras (USP), Nina da Hora (Unicamp), Patricia Pereira Pavesi (UFES)

Nos últimos anos, a antropologia digital ganhou renovado interesse, ainda que já se desenvolvesse no Brasil desde a década de 90. Fatores como a pandemia de Covid-19 e a aceleração sem precedentes do desenvolvimento tecnológico podem ser apontados como responsáveis pela popularidade do campo, o que tem se traduzido em uma multiplicação dos temas pesquisados e debatidos. Além disso, a internet e as tecnologias digitais ocupam lugar central e cotidiano em nossas vidas, o que faz com que seja imperativo debater sobre suas implicações, em questões como a plataformização, inteligência artificial, debates em torna de regulação, desigualdades e violências digitais, usos políticos das redes, dentre outros Com isto em mente, esta mesa redonda, busca discutir algumas das perspectivas e caminhos contemporâneos do campo da antropologia digital no Brasil, trazendo para o debate pesquisadoras de diferentes gerações e com aproximações diversas em relação ao que podemos chamar de etnografias para o digital. Além disso, propomos a intersecção com outros campos disciplinares, mostrando a rentabilidade de outras técnicas, metodologias e discussões teóricas para a antropologia e vice-versa.

Títulos e Resumos

  • Imagens que a Máquina Lê, Mundos que Ela Apaga:: Notas sobre Epistemicidio Computacional
    — Ana Carolina da Hora
  • Comunidades "fringe" no Telegram: navegando riscos, ética e violência na pesquisa etnográfica
    — Carolina Parreiras
  • A etnografia da Inteligência Artificial como desafio metodológico: perspectiva xenoantropológica e agentes não humanos
    — Patricia Pereira Pavesi

MR 64 - Políticas etnográficas no campo da vitimização: sofrimento, agência e crítica social

Coordenação
Theophilos Rifiotis (UFSC)

Debate
Marco Julián Martínez-Moreno (UFRGS)

Participantes
Cynthia Andersen Sarti (UNIFESP), Daniel Schroeter Simião (UNB), Katerina Hatzikidi (Universidade de Tuebingen)

A proposta tem como objetivo fomentar o debate acerca das configurações contemporâneas da vitimização, a partir de uma perspectiva crítica, articulando experiências etnográficas em diferentes contextos. Com o objetivo de elaborar uma teoria crítica da vitimização, as apresentações buscam problematizar a consolidação da categoria "vítima" como eixo analítico e na formulação de políticas públicas, discursos jurídicos, narrativas de sofrimento, estratégias de reconhecimento e práticas de pesquisa que reconfiguram modos de subjetivação e de governo da vida. A análise dos contornos e das implicações da vitimização será realizada por meio dos seguintes aspectos: 1) a vitimização como dispositivo ético-político que articula vulnerabilidade, reconhecimento e agência; 2) as disputas em torno da "vítima legítima"/"boa vítima"; 3) as tensões entre testemunho, trauma e empatia; 4) a produção institucional de vítimas e sobreviventes em políticas de gênero, memória e direitos humanos; e 5) o lugar da antropologia nos circuitos de legitimação e reconhecimento social do sofrimento. Em suma, busca-se problematizar a naturalização da vitimização como horizonte moral, ético, político e analítico, interrogando seus efeitos de desresponsabilização, judicialização e moralização da desigualdade. A proposta visa contribuir para o aprofundamento da reflexão acerca das políticas etnográficas no âmbito da vitimização, reavivando os desafios da entrada da política na pesquisa e da pesquisa na política.

Títulos e Resumos

  • Gênero e violência sexual na memória da ditadura militar brasileira (1964-1985): lendo o Relatório da Comissão Nacional da Verdade.
    — Cynthia Andersen Sarti
  • A dimensão moral na produção da violência: perspectivas etnográficas
    — Daniel Schroeter Simião
  • Quem pode ser vítima? Moralidade, legitimidade e sofrimento nos discursos conservadores
    — Katerina Hatzikidi

MR 65 - Povos e Comunidades Tradicionais diante de Grandes Empreendimentos: Impactos, Conflitos e a Emergência em um Estado de Exceção Ambiental

Coordenação
Vânia Rocha Fialho de Paiva e Souza (PPGCSPA/UEMA)

Debate
Raquel Oliveira Santos Teixeira (UFMG)

Participantes
Rômulo Soares Barbosa (UNIMONTES), Russell Parry Scott (UFPE), Jeíza das Chagas Saraiva (UFPE)

A expansão acelerada de grandes empreendimentos econômicos – como complexos eólicos, solares e térmicos, projetos agroindustriais, estradas, gasodutos, linhas de transmissão e outras infraestruturas – tem produzido transformações profundas nos territórios de povos e comunidades tradicionais em diversas regiões do país. Esses projetos, frequentemente legitimados pelo discurso da segurança nacional, da “transição energética” e do “interesse público”, vêm sendo acompanhados por processos de flexibilização da legislação ambiental, alterações no licenciamento, uso estratégico de decretos, portarias e instrumentos de exceção que reduzem controles sociais e fragilizam direitos. Nesse cenário, observa-se a conformação de um estado de exceção ambiental: situações em que normas se tornam maleáveis ou são temporariamente suspensas para viabilizar empreendimentos, levando a regimes de autorização especial, processos decisórios acelerados e intervenções militares ou securitárias em áreas de proteção ambiental e territórios tradicionais. Esta mesa pretende analisar tais processos, bem como problematizar: os impactos socioambientais desses empreendimentos; os deslocamentos compulsórios e reestruturações dos modos de vida; as disputas jurídicas e políticas; a atuação de empresas e do Estado em contextos de conflito; os modos de resistência, mediação e negociação construídos pelos povos e comunidades afetadas; os efeitos da produção legislativa e normativa que opera como forma de exceção.

Títulos e Resumos

  • Quando negociar não é escolher: convencimento coercitivo na apropriação de terras por empresas eólicas no Nordeste
    — Jeíza Saraiva
  • O Consenso da Transição e o Efeito de Expansão Energética: megausinas solares em Minas Gerais, Brasil.
    — Rômulo Soares Barbosa
  • Grandes Projetos, Impactos Longos e Repertórios de Conflitos Socioambientais no Nordeste
    — Russell Parry Scott

MR 66 - Precisamos falar sobre o diário de campo

Coordenação
Soraya Fleischer (UNB)

Debate
Claudia Fonseca (UFRGS)

Participantes
Alinne de Lima Bonetti (UFSC), Ana Clara Sousa Damásio dos Santos (UNB), Anne Line Dalsgård (Aarhus Universidade, Dinamarca)

Escrever sempre foi uma tarefa corriqueira no trabalho da Antropologia. Escrever diários de campo é uma destas tarefas. Encontramos menções, citações e, às vezes, até fac-símiles de diários em muitos textos clássicos e também contemporâneos da disciplina. Contudo, poucos são os diários publicados como tais, à revelia ou intencionalmente pelas suas autoras. Nem sempre, na etapa de formação, são incluídos e mencionados como uma técnica de pesquisa. Nem sempre, já nos textos publicados, há explicações de como os diários foram escritos, organizados, aproveitados. Então, parece que a utilidade e o uso dos diários são compreendidos por mimetismo ou interesse pessoal. Mais recentemente, temos notado que o silêncio sobre o diário de campo permanece e, quiçá, até se pronuncia diante da popularização das ferramentas digitais. Alega-se o risco de objetificar o outro ao (d)escrever sobre ele, a falta de tempo para registrar a saída de campo, a artificialidade de recorrer ao escrito diante do vivido e experienciado etc. Esta Mesa Redonda tem por objetivo retomar e aprofundar a importância do diário de campo para a produção de Antropologia. Mais do que isso, deseja reforçar sua centralidade epistemológica para a disciplina. Três etnógrafas de gerações, escolas e países diferentes irão contar como compreendem o diário de campo; como está presente nas suas etapas de pesquisa, escrita e publicação; e como tem sido incluído em suas salas de aula e relações de orientação acadêmica.

Títulos e Resumos

  • "Tudo que o sol toca é dado": ensinagens, (re)aprendizagens e desafios do saber-fazer antropológico
    — Alinne de Lima Bonetti
  • Inteligência Artificial não faz diário de campo: a artesanalidade no coração da etnografia
    — Ana Clara Sousa Damásio dos Santos
  • Mostre, não conte. Uma homenagem aos detalhes concretos
    — Anne Line Dalsgård

MR 67 - Processos Colaborativos em Projetos Antropológicos Sobre Coleções e Objetos Etnográficos em Museus

Coordenação
Renato Athias (UFPE)

Debate
Maximiliano Correa Menezes (Escola)

Participantes
Gliceria Tupinambá (UFRJ), Anna Bottesi (Università di Torino), Renata Curcio Valente (SEE/MN)

O avanço das tecnologias digitais tem promovido uma democratização sem precedentes no acesso remoto a acervos museológicos, permitindo que diferentes públicos, incluindo comunidades indígenas, pesquisadores, possam explorar e se reconectar com seus patrimônios culturais independentemente das barreiras geográficas. Esse processo colaborativo, ao integrar diferentes perspectivas e saberes, não apenas enriquece as interpretações sobre os acervos, mas também contribui para a rediscussão das dinâmicas de poder, a elaboração de protocolos éticos e o respeito às vontades e direitos dos povos originários dos objetos, ampliando assim o protagonismo indígena na construção de suas memórias. Esta mesa-redonda debate com representantes indígenas, pesquisadores, para analisar criticamente os processos colaborativos. Serão debatidos os desafios técnicos e epistemológicos da digitalização, bem como suas implicações políticas, com foco em perguntas centrais: De que maneira a digitalização de objetos etnográficos altera relações de poder na pesquisa colaborativa? Como garantir que essas ações respeitem os direitos e vontades dos povos originários / objetos? Que recusas e limites são estabelecidos tanto por comunidades quanto por pesquisadores? De que formas as mídias digitais podem ser empregadas de forma crítica para ampliar o protagonismo indígena na construção de narrativas sobre seu patrimônio? Quais são os principais desafios técnicos e metodológicos ao utilizar plataformas digitais?

Títulos e Resumos

  • Mapeando coleções etnográficas de povos indígenas do Brasil no mundo: no contrafluxo da dispersão
    — Renata Curcio Valente

MR 68 - Quilombolas e a antropologia: reflexões e inovações nas práticas de pesquisas a partir dos trabalhos das(os) antropólogas (os) quilombolas

Coordenação
Gardenia Mota Ayres (UEMA)

Participantes
Davi Pereira Junior (UEMA), Gardenia Mota Ayres (UEMA), Israel Oliveira (UFAL)

As inquietações em torno das garantias dos direitos territoriais das comunidades quilombolas consolidam, desde a década de 1970, um repertório de pesquisas antropológicas que vem problematizando os marcos jurídicos, administrativos e políticos inaugurados pelo Artigo 168 do ADCT e pelos artigos 215 e 216 (CRFB/1988). Ao longo desse tempo, a antropologia tem se posicionado e se especializado na produção de estudos e peças técnicas componentes dos procedimentos de titulação dos territórios quilombolas. O papel de antropólogas(os) junto aos direitos territoriais influenciou estudantes pertencentes às comunidades quilombolas a optar pelo campo da antropologia como área de formação e profissão. Assim, observamos nos últimos anos o crescente interesse de estudantes quilombolas pela disciplina, especialmente, nos programa de pós-graduação que passaram a ofertar vagas especificas para quilombolas através das políticas de ações afirmativas. Nesse sentido, estamos propondo esta Mesa Redonda com o intuito de provocar um debate reflexivo, sobre essa relação entre os(as) antropólogos (as) quilombolas e a antropologia, a ideia é juntarmos diferentes experiencias de antropólogos(as) quilombolas a partir de pesquisas para entendermos como estes/estas tem lidado com os instrumentos teóricos/metodológicos da disciplina em uma perspectiva de propor inovações nas práticas de pesquisas e contribuições críticas para a antropologia brasileira.

Títulos e Resumos

  • Quando o antropólogo é o instrumento: notas sobre o uso do conhecimento antropológicos, por antropólogos quilombolas em defesa de direitos de seus territórios.
    — Davi Pereira Junior
  • Os antropólogo(as) quilombolas e a reconfiguração das práticas etnográficas e presença acadêmica contemporâneas
    — Israel da Silva Oliveira

MR 69 - Racismo e antirracismo em saúde: perspectivas antropológicas

Coordenação
Ana Claudia Rodrigues da Silva (UFPE)

Debate
Hannah Lima Alcantara de Vasconcellos (UFRJ)

Participantes
Tiago Heliodoro Nascimento (USP), João Paulo Siqueira (IPEDF), Rafaele Queiroz (UFAM)

Raça e saúde e suas intersecções ganharam maior visibilidade na pesquisa antropológica no contexto das ações afirmativas na educação e na saúde, com significativas inflexões após a pandemia da Covid-19. Esta mesa enseja articular racismo e antirracismo como temas fundamentais para a compreensão dos processos sociais de saúde e de adoecimento no Brasil, por meio de etnografias que registram e analisam criticamente como as desigualdades raciais estruturam formas de viver e morrer. Tendo o racismo e o antirracismo como fios condutores etnográficos e críticos a mesa reúne etnografias de pesquisadores/as negros/as, nas quais questões como negligências na assistência médica às mulheres negras, currículos acadêmicos formativos de profissionais de saúde mental e crítica à branquitude na formação médica impulsionam reflexões sobre como as classificações raciais se configuram como produto histórico do racismo colonial, constantemente atualizado e confrontado nas relações e interações sociais. As exposições situam, ainda, como situações cotidianas e naturalizadas de configuração do racismo em contextos de saúde vêm sendo confrontadas, com a forte presença coletiva de sujeitos negros na identificação, comunicação e enfrentamento ao racismo. Deste modo, esta mesa propõe uma contribuição posicionada a partir da antropologia, reconhecendo e afirmando a importância do desmantelamento do racismo como estratégia fundamental à construção e à promoção da saúde como direito.

Títulos e Resumos

  • O que fizeram com o corpo desta mulher? Raça, saúde em escrevivências
    — Rafaele Cristina de Souza Queiroz

MR 70 - Restituição, patrimônio e cidadania

Coordenação
Manuel Ferreira Lima Filho (UFG)

Participantes
Edmundo Pereira (UFRJ), Nuno Porto (university of British Columbia), Nilce Naira Nascimento (Rede Nacional de Religiões Afro-brasileiras e Saúde (Renafro).)

As formas contemporâneas da restituição de bens culturais, remanescentes humanos e arquivos científico-humanistas articulam variadas demandas – do territorial ao patrimonial – e dialogam com distintos idiomas e organizações políticos e jurídicos, da memória e sonho com antepassados, à formação de encontros, fóruns e frentes parlamentares compostas por lideranças indígenas, religiosas e da sociedade civil. No Brasil, o número crescente de casos tem feito dos processos de restituição tema midiático e pauta de movimentos sociais e pesquisadores e pesquisadoras, em parte dialogando com casos notórios e paradigmáticos como os africanos e estadunidenses, em parte revelando questões e dilemas locais, de trocas diplomáticas de presentes no período colonial, à apreensão policial de objetos de culto em regimes de racismo religioso e a lavagem de práticas de colecionamento sujas através de noções com as de ‘arte’ ou ‘etnografia’. A mesa propõe um painel multifacetado da questão e o modo como se articula com demandas e dinâmicas locais de revisão histórica de violências e protagonismos, recuperação de bens patrimoniais, e estabelecimento de novas formas de musealização e exibição.

Títulos e Resumos

  • Restituição, repatriamento, retorno: notas sobre direito, cultura e reparação.
    — Edmundo Marcelo Mendes Pereira

MR 71 - Territorializações universitárias: política fundiária, plantation epistêmica e ocupação no ensino superior no Brasil

Coordenação
Martina Ahlert (UFMA)

Debate
Antonádia Monteiro Borges (UFRRJ)

Participantes
Joyce Gotlib (IFSULDEMINAS), Stella Zagatto Paterniani (UNICAMP), Gustavo Belisário d'Araújo Couto (UFPB)

Casarões coloniais, vastos jardins, às vezes grandes armações de concreto moldadas em traços modernistas. Os prédios onde realizamos aulas, encontros, bancas e rotinas administrativas se erguem sobre estruturas que raramente interrogamos de modo crítico. Para além das arquiteturas, a relação com esses lugares e com as terras que ocupam nos convoca a escutar e elaborar outras histórias — narrativas que escapem à linearidade desenvolvimentista estatal, na qual o campus surge apenas como mais uma benesse institucional. Quem ocupava o local onde ficam nossos campi? Que terras estamos ocupando atualmente? Para além do público estritamente acadêmico, quem mais tem no território universitário sua infraestrutura vital? Essas perguntas orientam o projeto “Territorialização da educação superior pública no Brasil”, financiado pelo CNPq, e dão o tom desta mesa. Pesquisadoras e pesquisadores de universidades públicas de diferentes regiões do país trarão histórias dessas territorializações, mostrando como em cada campus habitam muitos mundos em meio a disputas, expulsões, ocupações e alianças que abrem caminhos para pensar futuros possíveis da universidade pública.

Títulos e Resumos

  • A invasão do agronegócio nos Institutos Federais do meio norte mato-grossense
    — Joyce Gotlib
  • Das fazendas às kitnets (dos quilombos e ocupações): a persistência da (contra)plantation nos modos de morar nas terras de Barão Geraldo (Campinas, SP)
    — Stella Zagatto Paterniani

MR 72 - Territórios de Coexistência Histórica: Pactos, Alianças, Conflitos e as Intervenções de Atores Externos

Coordenação
Juliene Pereira dos Santos (UFOPA)

Participantes
Eriki Aleixo de Melo (CEFORR), Emmanuel de Almeida Farias Júnior (UEMA), Marcos Alan Costa Farias (PNCSA)

Esta mesa-redonda propõe discutir a complexidade das relações interétnicas e territoriais em contextos marcados pela convivência histórica entre quilombolas, indígenas, ribeirinhos, camponeses, povos de terreiro, entre outras coletividades. Esses grupos compartilham territórios há gerações, tecendo formas próprias de negociação, aliança e resistência, fundadas em cosmologias diversas, regimes de reciprocidade e vínculos político-afetivos. Tais coexistências não são isentas de conflitos, mas conformam pactos dinâmicos e historicamente situados. Nas últimas décadas, contudo, essas relações vêm sendo tensionadas pela atuação de atores externos — Estado, ONGs, empresas, igrejas, universidades, partidos políticos — cujas ações nem sempre reconhecem a densidade relacional e simbólica desses territórios (Oliveira, 2016). Frequentemente, essas intervenções operam com lógicas técnico-normativas ou desenvolvimentistas que desarticulam pactos intercomunitários, promovem disputas por reconhecimento e introduzem categorias étnicas rígidas, ignorando os modos locais de negociação da diferença. Em vez de fortalecer a convivência, tais ações acentuam fragmentações, deslocam marcos de pertencimento e geram reações de resistência, reorganização ou reinterpretação de alianças. A mesa busca refletir sobre os efeitos concretos dessas mediações nas territorialidades e identidades coletivas (Pereira Junior, 2012) e sobre as estratégias acionadas pelas coletividades diante desses desafios.

Títulos e Resumos

  • O ritual Aiué como forma de mobilização étnica no quilombo Jauari
    — Marcos Alan Costa Farias

MR 73 - Territórios e travessias no Gerais: agência, política e reparação

Coordenação
Joana Ramalho Ortigão Corrêa (Coletivo Florescer Cerrado)

Participantes
Ana Carneiro Cerqueira (UFESBA), Luzimar Paulo Pereira (UFJF), Damiana de Sousa Campos (Instituto Rosa e Sertão)

O Gerais se inscreveu no imaginário brasileiro a partir da obra Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa, contudo, antes de estar dentro de nós, o sertão mineiro é um território real, geográfico e político que atravessa disputas históricas pela terra. Do espinhaço às barrancas, do cerrado à mata seca, das várzeas aos vãos, estes territórios sofreram invasões e seguem em conflito por demarcações reparatórias. Indígenas, quilombolas, geraizeiros, caatigueiros, comunidades de fundo e fecho de pasto, vazanteiros, apanhadores de sempre-vivas, compreendidos como agências culturais coletivas produtoras de sociobiodiversidades, têm papéis fundamentais no cenário de contenção das mudanças climáticas. A antropologia, tanto pela atuação acadêmica quanto no campo da cultura e dos direitos sociais, têm sido uma aliada nos processos de mediação pela proteção de modos de vida de povos e comunidades tradicionais e a demarcação de territórios. Nesta mesa, a partir da interação entre práticas antropológicas, políticas de cultura, cartografias sociais e agências de povos e comunidades tradicionais, conversaremos sobre travessias que desenham futuros ancestrais na imensidão do Gerais. A mesa reunirá quatro mulheres cujos percursos de vida e trabalho estão inscritos de forma diversas neste território.

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