35ª Reunião Brasileira de Antropologia — Campus Samambaia, UFG, Goiânia — 13 a 17 julho 2026

Simpósios Especiais — 35ª RBA

SE 01 - 40 anos do Acordo de Cooperação Técnica ABA-MPF: Memória e perspectivas (1986-2026)

Coordenação
Sérgio Góes Telles Brissac (Ministério Público Federal)
Antonio Carlos de Souza Lima (UFRJ e UFF)

Sessão 1

Participante
Ela Wiecko Volkmer de Castilho (UNB)
João Pacheco de Oliveira Filho (UFRJ)
Antonio Carlos de Souza Lima (UFRJ e UFF)
Pessoa debatedora
Jorge Bruno Sales Souza (MPF)

Sessão 2

Participante
Henyo Barretto Filho (UNB)
Eliana Peres Torelly de Carvalho (Ministério Público Federal)
Pessoa debatedora
Leonardo Leocádio da Silva (MPF)

Sessão 3

Participante
Luciano Mariz Maia (Ministério Público Federal)
Givânia Maria Silva (Universidade de Brasília - UnB)
Thiago Halley Anacé (Funai)
Eliane Cantarino O'Dwyer (UFPA)
Sérgio Góes Telles Brissac (Ministério Público Federal)
Pessoa debatedora
Marcio Martins dos Santos (Ministério Público Federal)

O presente simpósio propõe uma reflexão crítica sobre o quadragésimo aniversário do Acordo de Cooperação Técnica entre a Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e o Ministério Público Federal (MPF). Gestado sob a efervescência da transição democrática, o convênio cristalizou-se no contexto da Assembleia Nacional Constituinte, momento em que a articulação entre movimentos sociais e o campo antropológico logrou consolidar o reconhecimento da alteridade e dos direitos de tutela coletiva no texto constitucional de 1988. Naquele cenário, o MPF emergiu com um novo perfil institucional, assumindo o papel de guardião da ordem jurídica e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. A demanda por uma atuação especializada e tecnicamente fundamentada junto ao Judiciário impulsionou a formalização da parceria com a ABA, estabelecendo a perícia antropológica como ferramenta essencial para a efetivação de direitos territoriais e identitários. Após quatro décadas, a conjuntura de defesa de direitos enfrenta mutações profundas. Novas dinâmicas sociais, retrocessos institucionais e a complexificação das lutas das minorias exigem uma reavaliação das práticas de antropólogas/os e procuradoras/es. Este simpósio busca não apenas resgatar a memória institucional dessa trajetória, mas projetar horizontes para a atuação conjunta frente aos desafios contemporâneos da justiça socioambiental e da defesa das minorias étnicas no Brasil.

Títulos e Resumos

  • Antropologia e Direito - uma interlocução necessária em processo
    — Antonio Carlos de Souza Lima
  • Foi assim: primeiro o Protocolo de Intenções, depois o Convênio e, finalmente, o Acordo de Cooperação Técnica
    — Ela Wiecko Volkmer de Castilho
  • A ABA, o MPF e as terras de quilombo: Direitos culturais e territoriais em construção
    — Eliane Cantarino O'Dwyer
  • Transformando direitos coletivos em práticas da administração pública
    — João Pacheco de Oliveira
  • Pela efetivação de direitos socioculturais: Perspectivas de expansão da cooperação entre a ABA e o MPF
    — Sérgio Góes Telles Brissac

SE 02 - A contribuição da antropologia para a atuação profissional em serviços de saúde

Coordenação
Rozeli Maria Porto (UFRN)
Cristina Dias da Silva (UFJF)

Sessão 1

Participante
Rosamaria Giatti Carneiro (UNB)
Marcia Reis Longhi (UFPB)
Francisco Cleiton Vieira Silva do Rego (UFRN)
Pessoa debatedora
Ximena Pamela Bermúdez (UNB)

Sessão 2

Participante
Ueslei Solaterrar da Silva Carneiro (UERJ)
Patrícia dos Santos Pinheiro (UNILA)
Raquel Dias-Scopel (Fiocruz)
Pessoa debatedora
Ana Claudia Rodrigues da Silva (UFPE)

Sessão 3

Participante
Veriano de Sousa Terto Junior (Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS)
Janaína Teresa Gentili Ferreira de Araújo (Pesquisadora)
Diogo Neves Pereira (UFVJM)
Pessoa debatedora
Rita de Cassia Maria Neves (UFRN)

A antropologia há tempos produz conhecimento sobre os serviços de saúde, contribuindo para compreender dinâmicas institucionais, decisórias e de participação social (Ferreira; Fleischer, 2014). Menos discutido é seu papel na qualificação da formação e da atuação em saúde, ao deslocar a centralidade do paradigma biomédico e ampliar as leituras sobre cuidado e adoecimento. Sob essa perspectiva, os serviços de saúde são entendidos como espaços sociais densos, atravessados por valores, moralidades e relações de poder que conformam práticas e interações cotidianas. A experiência recente da pandemia de covid-19 evidenciou a relevância dessas abordagens. Embora inicialmente marginalizadas nas respostas à crise sanitária, as ciências sociais, em especial a antropologia, produziram análises críticas sobre os efeitos sociais, políticos e morais das políticas de saúde em contextos de incerteza e desigualdade (Maluf, 2020). Esse debate se adensa diante da fragilização democrática e do enfraquecimento do financiamento público da saúde, com impactos diretos sobre o trabalho e o cuidado no SUS. Nesse cenário, a antropologia oferece instrumentos analíticos centrais para sustentar práticas e políticas comprometidas com a equidade e a participação social. Este simpósio visa reunir reflexões sobre a atuação de cientistas sociais em instituições e serviços de saúde, a partir de experiências de formação, extensão e atuação profissional.

Títulos e Resumos

  • Do currículo ao ofício: uma análise etnográfica da construção de habilidades e competências antropológicas para o exercício das profissões de saúde
    — Francisco Cleiton Vieira Silva do Rego
  • O papel político e afetivo das doulas negras: a escrevivência de um fato encarnado
    — Janaína Teresa Gentili Ferreira de Araújo
  • Graduandos de ciências sociais estagiando em um Hospital Universitário - como esta iniciativa pode contribuir com reflexões sobre a antropologia, para além do tripé: ensino, pesquisa e extensão?
    — Marcia Reis Longhi
  • Práticas sociais de cuidado, saúde e alimentação em comunidades quilombolas
    — Patrícia dos Santos Pinheiro
  • Por uma noção ampliada de saúde: a contribuição da etnografia para desnaturalização das condições de vulnerabilidade.
    — Raquel P. Dias-Scopel
  • O lugar da Antropologia na formação e prática da Saúde Coletiva: notas de uma docente-etnógrafa na graduação e na pós-graduação
    — Rosamaria Giatti Carneiro

SE 03 - Afroagrafias, fotolivros e arquivos como poéticas e artefatos do pensamento na antropologia visual

Coordenação
Aina Guimarães Azevedo (UFPB)
Lucas Coelho Pereira (UFPB)

Sessão 1

Participante
João Alipio de Oliveira Cunha (UNEB)
Tatiana Lotierzo (USP)
Gabriela Novaes Santos (UFRN)
Pessoa debatedora
Daniela Rodrigues (IDEAS-amU)

Sessão 2

Participante
Rogerio Duarte do Pateo (UFMG)
Daniele Borges Bezerra (UFPEL)
Fabiana Bruno (IFCH Unicamp)
Pessoa debatedora
Cornelia Eckert (UFRGS)

Sessão 3

Participante
João Alipio de Oliveira Cunha (UNEB)
Tatiana Lotierzo (USP)
Gabriela Novaes Santos (UFRN)
Rogerio Duarte do Pateo (UFMG)
Daniele Borges Bezerra (UFPEL)
Fabiana Bruno (IFCH Unicamp)

Este Simpósio Especial reúne debates sobre o desenho e a fotografia que apontam para questões e tendências atuais. O primeiro dia, dedicado ao desenho, visa pensar os potenciais antropológicos do desenho e das grafias como poéticas de pensamento, com especial atenção às antropografias. O simpósio convida à reflexão sobre modos de grafar, marcar, riscar, rastrear que ampliam a percepção do sensível nos processos de pesquisa e criação etnográfica, com atenção especial às afrografias e suas conexões com o corpo (Leda Martins, Frantz Fanon, Marlene Cunha) e a memória, nas quais o desenho e a escrita se entrelaçam como modos de pensar, sentir e partilhar o mundo. No segundo dia, dedicado à fotografia, a ênfase recai sobre os potenciais do fotolivro e do arquivo fotográfico como artefatos de pensamento, cujas materialidades, sequências e narrativas revelam dinâmicas de conhecimento no campo da antropologia visual. De que maneira o fotolivro e o trabalho com arquivos, ao transcender a mera compilação de imagens, pode constituir uma produção antropológica e um lugar epistemológico? O simpósio propõe abordar tais artefatos como dispositivos autorais, expressivos e sensíveis capazes de deslocar as fronteiras acadêmicas em um diálogo profícuo, entre antropologia e artes visuais, gerador de contranarrativas e agenciador das vozes silenciadas em colaboração com conhecimentos a partir das e com as comunidades. O terceiro dia será uma Roda de Conversa entre as pessoas participantes.

Títulos e Resumos

  • Quando a imagem insiste: arquivo e memória nas margens das águas
    — Daniele Borges Bezerra
  • Fotolivros e antropologias
    — Fabiana Bruno
  • A frente e o avesso das coisas etnográficas
    — Gabriela Novaes Santos
  • O Lado Escuro da Lua Documental: potencialidades artísticas e a fotografia antropológica
    — Rogerio Duarte do Pateo

SE 04 - Aldeia, quilombo e favela: confluências no/do fazer antropológico

Coordenação
Juliana Cintia Lima e Silva (Museu Nacional)
Gilson Rodrigues Jr (IFRN)

Sessão 1

Participante
Gardenia Mota Ayres (UEMA)
Davi Pereira Junior (UEMA)
Bartolomeu Cícero dos Santos (UFES)
Pessoa debatedora
Gilson Rodrigues Jr (IFRN)

Sessão 2

Participante
Israel Oliveira (UFAL)
Yérsia Souza de Assis (UFRB)
Pessoa debatedora
Juliana Cintia Lima e Silva (Museu Nacional)

Sessão 3

Participante
Gardenia Mota Ayres (UEMA)
Israel Oliveira (UFAL)
Davi Pereira Junior (UEMA)
Yérsia Souza de Assis (UFRB)
Pessoa debatedora
Antonia Gabriela (UFRJ)

Este simpósio especial propõe reunir antropólogas(os) negros, indígenas e quilombolas, bem como pesquisadoras e pesquisadores comprometidos com uma antropologia crítica, tendo o pensamento de Antônio Bispo dos Santos (Nego Bispo) como eixo teórico-político norteador. A proposta parte do entendimento de que aldeia, quilombo e favela não são espaços isolados, residuais ou hierarquizáveis, mas territórios históricos atravessados por processos comuns de violência colonial, expropriação e reinvenção da vida. Em diálogo com o conceito de corpo-território, o simpósio afirma que o corpo não é apenas suporte empírico da pesquisa, mas elemento ativo que incide diretamente sobre os modos de produzir conhecimento antropológico. Ao colocar esses territórios e corpos em confluência, a proposta tensiona os cânones da antropologia brasileira e desloca o olhar da centralidade euro-moderna para epistemologias negras, indígenas e quilombolas, reconhecendo como produtoras e produtores de teoria, método e crítica social pessoas diversas em suas expressões de gênero e sexualidade, incluindo mulheres, homens, pessoas não binárias e outras experiências dissidentes da norma cis-heterocolonial. Assim, o simpósio pretende constituir um espaço de elaboração coletiva que afirme a confluência como princípio político-epistêmico e a contracolonialidade como horizonte, fortalecendo uma antropologia negra brasileira comprometida com a desnaturalização das hierarquias que estruturam o campo acadêmico.

Títulos e Resumos

  • Para navegar no meu mundo, quem escolhe o barco sou eu! Desafios das escolhas teóricas e metodológicas no fazer antropologico
    — Davi Pereira Junior
  • De vários outros pontos de partida e retornos: Reflexividade e disputas epistêmicas no interior das universidades contemporâneas
    — Israel da Silva Oliveira

SE 05 - Censo do IBGE: produção de dados e visibilidade social das religiões no Brasil

Coordenação
Fátima Regina Gomes Tavares (UFBA)

Sessão 1

Participante
Leonardo Oliveira de Almeida (UFC)
Clayton da Silva Guerreiro (UNESPAR)
Renata de Castro Menezes (UFRJ)
Pessoa debatedora
Hippolyte Brice Sogbossi (UFS)

Sessão 2

Participante
Izaías Torquato (Seminario Anglicano de Estudos Teológicos SAET)
Erika Pereira dos Santos (ONG)
Tatiane dos Santos Duarte (UNB)
Pessoa debatedora
Mariana Ramos de Morais (UFRJ)

Desde o Censo de 1991, observam-se importantes tendências no campo religioso brasileiro, intensificadas a partir do Censo de 2000, como a redução do contingente de católicos, o crescimento dos segmentos evangélicos e das pessoas que se declaram “sem religião”. Contudo, os problemas que envolveram a realização dos censos mais recentes, somados aos atrasos e à divulgação fragmentada dos dados, têm produzido um cenário insatisfatório para a análise sistemática das macrotendências religiosas no país. Nesse contexto, este simpósio propõe refletir criticamente sobre a produção e a circulação dos dados quantitativos, considerando seus limites, lacunas e parcialidades. Articulada a esse debate, haverá uma roda de conversa com lideranças religiosas que busca constituir um espaço de escuta e diálogo sobre o reconhecimento social das diferentes religiões, os impactos do racismo religioso e da intolerância, as disputas por legitimidade no espaço público e os desafios à liberdade religiosa, à laicidade do Estado e aos direitos humanos diante dos fundamentalismos e conservadorismos religiosos e políticos.

Títulos e Resumos

  • Os evangélicos no Censo 2022: transformações e desaceleração
    — Clayton da Silva Guerreiro
  • Mapeamento dos Terreiros em Goiás: produção de dados populares, construção de políticas públicas e estratégias de enfrentamento ao racismo religioso.
    — Erika Pereira dos Santos
  • Religiões afro-brasileiras no Censo 2022: entre o que os dados mostram e ocultam
    — Leonardo Oliveira de Almeida
  • O censo do IBGE e os desafios de produção dos dados sobre religião
    — Renata de Castro Menezes
  • Antropologias implicadas: produção de conhecimento, ação pública e defesa de direitos
    — Tatiane dos Santos Duarte

SE 06 - Consulta Prévia em Disputa: protocolos comunitários, práticas antropológicas e tribunais populares

Coordenação
Felisa Cançado Anaya (UNIMONTES)
Rumi Regina Kubo (UFRGS)

Sessão 1

Participante
Liana Amin Lima da Silva (UFGD)
Rafaela Santos (OAB SP)
Mônica Nogueira (UNB)
Pessoa debatedora
Deborah Bronz (UFF)

Sessão 2

Participante
Wilson Rocha Fernandes Assis (MPF)
Rosa Acevedo Marín (UFPA)
Mauricio Terena (Escritorio dos Direitos indigenas e das florestas)
Pessoa debatedora
Eliane Cantarino O'Dwyer (UFPA)

Sessão 3

Participante
Maria Cristina Vidotte Blanco Tarrega (UFG)
Hallana Miranda (tribunal)
Jéferson da Silva Pereira (UNEB)
Aléssia Tuxá (Defensoria Pública do Estado da Bahia)
João Vitor Martins Lemes (UFT)
Danilo Serejo (UEMA)

O Comitê Povos Tradicionais, Meio Ambiente e Grandes Projetos da Associação Brasileira de Antropologia, em parceria com o Observatório de Protocolos Autônomos, propõe este simpósio como espaço de reflexão crítica e político-metodológica sobre o direito à Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI), especialmente em contextos de grandes empreendimentos, conflitos territoriais e violações sistemáticas de direitos de povos e comunidades tradicionais. O simpósio é organizado em três sessões articuladas. A primeira dedica-se à análise dos processos de regulamentação da CPLI na América Latina, abordando disputas normativas, decisões judiciais que reconheceram violações à Convenção nº 169 da OIT e o papel da antropologia na elaboração de protocolos de consulta, com ênfase nos dilemas éticos, políticos e epistemológicos dessa atuação. A segunda seção examina experiências de tribunais populares como estratégias de enfrentamento às violações de direitos, reunindo advogadas/os indígenas, representantes do Ministério Público e antropólogas/os para refletir sobre gramáticas alternativas de justiça mobilizadas pelos povos afetados. A terceira seção assume caráter público e performativo, por meio da realização de um tribunal ou júri simbólico sobre a violação da CPLI, concebido como dispositivo político de resistência e de visibilização de conflitos e violências frequentemente desconsiderados pelo sistema judicial oficial.

SE 07 - Desafios Éticos Para a Prática Antropológica

Coordenação
Patrícia Birman (UERJ)
Andréa Zhouri (GESTA-UFMG)

Sessão 1

Participante
Luana Kumaruara (UFOPA)
Aderval Costa Filho (UFMG)
Davi Pereira Junior (UEMA)
Pessoa debatedora
Regina C. Reyes Novaes (Instituto de Estudos da Religião)

Sessão 2

Participante
Carolina Parreiras (USP)
Maria Elvira Díaz Benítez (PPGAS/MN/UFRJ)
Jacqueline Moraes Teixeira (USP)
Pessoa debatedora
Maria Filomena Gregori (UNICAMP)

Sessão 3

Participante
Natália Corazza Padovani (UNICAMP)
José Carlos Batista Magalhães (SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DA BAHIA)
Sheila dos Santos Brasileiro (MPU)
Sérgio Carrara (Instituto de Medicina Social da UERJ)
Pessoa debatedora
Marco Antonio Delfino de Almeida (Procuradoria da República/MS)

O Simpósio visa conversar sobre desafios éticos que temas sensíveis têm colocado para a prática antropológica. São duas as dimensões que propomos a discutir: A primeira diz respeito a situações em trabalho de campo que envolvem contextos muito difíceis de participar e, sobretudo, de tomar decisões no curso do próprio trabalho por força de conflitos abertos, assimetrias de poder, violências, políticas de alianças, diferenças entre perspectivas e desigualdade de posições dentro e fora do grupo estudado. A segunda dimensão diz respeito à configuração atual do campo antropológico. Chama atenção a crescente diversidade da nossa própria associação, em que perspectivas teórico-metodológicas diferenciadas convivem e, eventualmente, conflitam em diferentes momentos. Visto que não há uma única ética em jogo, bem como não há uma única forma de exercer o trabalho antropológico, conversar sobre ética, na nossa proposta, é colocar em pauta alguns desafios que se apresentaram também como uma escolha e/ou um dilema diante do qual a antropóloga/o foi “obrigada/o” a se posicionar. Abordá-las pode contribuir para entendermos o que, em diferentes momentos, significou viver a ética como um desafio tanto individual quanto coletivo. São três os temas escolhidos: territórios e meio-ambiente; gênero e violência; relações com o Estado.

Títulos e Resumos

  • Etnografia digital e tensionamentos éticos
    — Carolina Parreiras
  • O "Fazer Antropológico em Casa": desafios éticos e potencialidades politicas
    — Davi Pereira Junior
  • Sobre o estado da Antropologia do Estado: demandas institucionais; diagnósticos e as relações/construções nas suas margens
    — Natália Corazza Padovani
  • Antropologia em campo minado: reconhecimento, conflito e ética na TI Comexatibá
    — Sheila dos Santos Brasileiro

SE 08 - Diálogos transdisciplinares e interculturais: Justiça social, climática e regimes de conhecimento em territórios sociobiodiversos na Amazônia

Coordenação
Lucybeth Camargo de Arruda (UFOPA)

Sessão 1

Participante
Duvan Ricardo Murillo Escobar (UNICAMP)
Diego Amoedo Martinez (UFOPA)
Mauro William Barbosa de Almeida (UNICAMP)
Pessoa debatedora
Artionka Capiberibe (UNICAMP)

Sessão 2

Participante
Josefa de Oliveira Camara da Silva (UFPA)
Benedito Souza Filho (UFMA)
Lilian Rebellato (UFOPA)
Pessoa debatedora
Emília Pietrafesa de Godoi (UNICAMP)

Sessão 3

Participante
Miqueias Antonio Felicio
Lenise Felicio Batista (UNIFAP)
Geovania Machado Aires (UEMA)
Sileuza Barreto Nascimento (Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Mojuí dos Campos)
Rita Cavalcante da Silva (UFPA)
Josiel Jacinto Pereira Juruna
Pessoa debatedora
Sonia Maria Simões Barbosa Magalhães Santos (UFPA)

Este simpósio reúne integrantes de três projetos da Iniciativa Amazônia+10, que atuam no baixo Oiapoque, no baixo Amazonas, no interflúvio Xingu/Tapajós, e no Maranhão e Pará. A parceria entre eles vem se dando ao longo de sua execução, especialmente no que tange aos temas de justiça climática, energia limpa, interpretações e metodologias em contexto de regimes de conhecimento diversos. Esta proposta, reunindo pesquisadoras/es indígenas, quilombolas e agricultoras agroecológicas, acadêmicas/os e não acadêmicas/os, pretende ser um espaço de discussão dos temas acima referidos a partir de epistemologias diversas. Serão apresentados estudos em andamento sobre modos de viver, modelos agrícolas na floresta, produção de cultura material e imaterial, continuidade da transmissão de conhecimentos tradicionais, acesso à terra, bem como os efeitos de desastres ambientais decorrentes da implantação de grandes obras de infraestrutura, do agronegócio e da mineração. O objetivo é demonstrar que a produção de pesquisas científicas, o desenvolvimento de economias regionais e a transição energética na Amazônia devem estar associadas à participação ativa de pesquisadoras/es que operam a partir de regimes de conhecimento diversos, à proteção dos territórios, à valorização cultural e aos sistemas de produção locais, colocando os povos indígenas e tradicionais como protagonistas no enfrentamento das mudanças climáticas.

Títulos e Resumos

  • As múltiplas faces da palmeira: saber tradicional, patrimônio integrado e sustentabilidade ambiental
    — Benedito Souza Filho
  • Terras-Territórios Sociobiodiversos no Oeste do Pará e os impactos da soja: organização coletiva e estratégias (re)produtivas
    — Diego Amoedo Martinez
  • Bricolando o sol: A arte do reparo e a gestão sociotécnica da energia entre os Palikur-Arukwayene
    — Duvan Escobar, Miqueias Antonio Felicio
  • O processo de desterritorialização das famílias beiradeiras no reservatório da UHE Belo Monte: impactos nas práticas e nos conhecimentos tradicionais dos beiradeiros
    — Josefa de Oliveira Camara da Silva
  • O processo de desterritorialização das famílias beiradeiras no reservatório da UHE Belo Monte: impactos nas práticas e nos conhecimentos tradicionais dos beiradeiros
    — Josefa de Oliveira Camara da Silva
  • Pesquisa, Povos e conhecimentos tradicionais e Território
    — Josiel Jacinto Pereira Juruna
  • Pesquisa, Povos e conhecimentos tradicionais e Território
    — Josiel Jacinto Pereira Juruna
  • A materialidade do arquivo: notas sobre reconhecimento presencial, repatriação digital e contradições museais
    — Lilian Rebellato, Lenise Felicio Batista
  • Conselhos e Planos de Uso Tradicionais: modelos de soluções de conflitos com justiça e sabedoria ambiental
    — Mauro William Barbosa de Almeida
  • Viver, Sentir e Cuidar do Beiradão após Belo Monte
    — Rita Cavalcante da Silva
  • Viver, Sentir e Cuidar do Beiradão após Belo Monte
    — Rita Cavalcante da Silva
  • Semeando Resiliência: Agricultura Familiar e Sustentabilidade Climática
    — Sileuza Barreto Nascimento

SE 09 - Entre pluralidade de saberes, descolonização e algoritmos: desafios contemporâneos no ensino da Antropologia

Coordenação
Antonella Maria Imperatriz Tassinari (UFSC)

Sessão 1

Participante
Elisete Schwade (UFRN)
Rodrigo Oliveira Braga Reis (UFAM)
Luan Gomes dos Santos de Oliveira (UERN)
Pessoa debatedora
Antonella Maria Imperatriz Tassinari (UFSC)

Sessão 2

Participante
Letícia Maria Costa da Nóbrega Cesarino (UFSC)
Claudia Turra Magni (UFPEL)
Juliane Cristina Helanski Cardoso (UNICAMP)

Sessão 3

Participante
Vera Regina Rodrigues da Silva (UNILAB)
Alexandra Eliza Vieira Alencar (UFSC)
Yérsia Souza de Assis (UFRB)
José Glebson Vieira (UFRN)
Eliane Boroponepa Monzilar (SEDUC-FAINDI/UNEMAT)
Pessoa debatedora
Waldemir Rosa (UNILA)

Embora a reflexão sobre o ensino da Antropologia não seja nova em nosso campo, transformações recentes têm reconfigurado de modo significativo a sala de aula e colocado novos desafios para a prática docente. A ampliação de políticas de ações afirmativas e de inclusão tem produzido mudanças no perfil de estudantes e docentes, exigindo processos de descolonização de currículos, bibliografias e práticas pedagógicas. Paralelamente, a crescente democratização dos recursos de inteligência artificial vem abrindo possibilidades inéditas para pesquisa, tradução e produção de recursos didáticos, ao mesmo tempo em que suscita preocupações éticas e pedagógicas sobre seus usos no ensino da Antropologia. Este simpósio especial propõe refletir sobre esses desafios contemporâneos a partir de duas sessões temáticas e uma roda de conversa. A primeira sessão será dedicada a pensar a contribuição da Antropologia para formação de professores, a partir de experiências em diversas Licenciaturas ou outras iniciativas. A segunda sessão abordará os impactos e dilemas da inteligência artificial no ensino da Antropologia, discutindo tanto seus potenciais quanto seus limites. Por fim, a roda de conversa reunirá experiências concretas de descolonização de cursos, currículos e disciplinas de Antropologia, promovendo o diálogo entre diferentes contextos institucionais.

Títulos e Resumos

  • Ebó Epistêmico: cruzos entre antropologia, educação e antirracismo
    — Alexandra Eliza Vieira Alencar
  • IA, Libras e Interfaces Sensoriais: Pluralidades no Ensino Antropológico
    — Claudia Turra Magni, Daniele Borges Bezerra
  • Roda de Diálogo: Relatos de experiências interculturais na formação de indígenas professores do curso de Licenciatura- Ciências Sociais
    — Eliane Boroponepa Monzilar, Eliane Boroponepa Monzilar
  • Ensino de antropologia nas licenciaturas: experiências na formação em ciências sociais
    — Elisete Schwade
  • Universidade em disputa: pluralidade de saberes e epistemologias indígenas na Licenciatura em Educação Intercultural Indígena (LICEII) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
    — José Glebson Vieira
  • Composição com inteligência artificial na antropologia
    — Juliane Cristina Helanski Cardoso
  • Inteligências Artificiais na (des)educação
    — Letícia Maria Costa da Nóbrega Cesarino
  • Educação e/como antropologia: experiências de ensino com camponeses e quilombolas no Centro de Desenvolvimento Sustentatável do Semiárido - CDSA-UFCG
    — Luan Gomes dos Santos de Oliveira
  • Antropologia Periférica? A Formação de Antropólogos no Interior do Amazonas
    — Rodrigo Oliveira Braga Reis
  • Desafios da interiorização e internacionalização no ensino de antropologia na UNILAB- Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira.
    — Vera Regina Rodrigues da Silva
  • O projeto "Kizomba dos Saberes": Cultura afrosergipana como mobilizadora da educação
    — Yérsia Souza de Assis

SE 10 - Estudos Africanos no Brasil: um balanço sobre internacionalização e editoria

Coordenação
Denise Ferreira da Costa Cruz (UNILAB)
Francisco Miguel (UNICAMP)

Sessão 1 - Editorias africanistas lusófonas

Participante
Marcelo Moura Mello (UFBA)
Ivaldo Marciano de França Lima (UNEB)
Edimilson Rodrigues de Souza (FAMES)
Pessoa debatedora
Francisco Miguel (UNICAMP)

Sessão 2 - Internacionalização da antropologia brasileira a partir de África (1/2)

Participante
Zacarias Milisse Chambe (USP)
Luena Nascimento Nunes Pereira (UFRRJ)
Laura Moutinho (USP)
Pessoa debatedora
Francisco Miguel (UNICAMP)

Sessão 3 - Internacionalização da antropologia brasileira a partir de África (2/2)

Participante
Hippolyte Brice Sogbossi (UFS)
Andréa de Souza Lobo (UNB)
Omar Ribeiro Thomaz (Unicamp)
Lorenzo Macagno (UFPR)
Pessoa debatedora
Francisco Miguel (UNICAMP)

A Associação Brasileira de Antropologia já completou 70 anos, mas os estudos antropológicos propriamente africanistas no país são mais recentes, tendo se consolidado há cerca de quatro décadas. Embora ainda minoritário no interior da antropologia nacional, o campo africanista, beneficiado por incentivos como a Lei 10.639/03, o crescimento do número de pesquisadores, a ampliação das instituições envolvidas e o apoio de financiamentos específicos, já produziu uma massa crítica significativa. Alguns balanços analisaram a formação desse campo, bem como a diversidade e a qualidade das pesquisas que o compõem. Neste Simpósio Especial, organizado pela atual coordenação do Comitê de Estudos Africanos da ABA, propomos deslocar o foco para dois aspectos específicos: (1) a contribuição dos estudos africanistas para a internacionalização da antropologia brasileira; e (2) as formas de publicação do conhecimento produzido sobre a África no Brasil, bem como seus impactos acadêmicos dentro e fora do país. O simpósio reúne antropólogos e pesquisadores de áreas afins com ampla trajetória no campo, destacando o caráter multidisciplinar dos estudos africanos e oferecendo um panorama atualizado da produção africanista no Brasil.

Títulos e Resumos

  • Entre campos e encontros: rotas de internacionalização da antropologia brasileira pelos estudos africanos
    — Andréa Lobo
  • Livros de estudos antropológicos em contextos africanos no acervo da ABA-Publicações
    — Edimilson Rodrigues de Souza
  • Experiências acadêmicas Brasil-África: notas para uma antropologia transnacional
    — Hippolyte Brice Sogbossi
  • Encontro com Moçambique: um relato sobre a "conexão" carioca
    — Lorenzo Macagno
  • Internacionalização e a publicação de estudos sobre África no Brasil
    — Marcelo Moura Mello
  • O nome "bem-amado de África": estudos africanos no Brasil, entre ressentimentos e paixões na produção de conhecimento
    — Zacarias Milisse Chambe

SE 11 - Fazer e comunicar antropologia em tempos de plataformas e digitalização

Coordenação
Matheus França (UFU)

Sessão 1

Participante
Mayane Batista Lima (UFAM)
Maria Elisa Maximo (UDESC)
Ricardo Limongi França Coelho (UFG)
Pessoa debatedora
Lorena Mochel (UFRRJ)

Sessão 2

Participante
David Nemer (University of Virginia)
Larissa Pelúcio (UNESP)
Laura Graziela Gomes (UFF)
Pessoa debatedora
Patricia Pereira Pavesi (UFES)

Sessão 3

Participante
Ana Clara Sousa Damásio dos Santos (UNB)
Irene do Planalto Chemin (UNICAMP)
Ramon Pereira dos Reis (UEPA)
Daniela Tonelli Manica (UNICAMP)
Thais Farias Lassali (GEICT)

A relação entre ciência, tecnologia e artesania/difusão do conhecimento tem ganhado destaque nas Ciências Sociais, e em particular na Antropologia. Vimos crescer, especialmente pós-pandemia de Covid-19, um conjunto de análises que ora sinalizam a influência dos processos de plataformização do fazer cientista, ora organizam modos vigilantes de ser/estar no mundo, tendo em vista o contexto negacionista e extremista que vivenciamos no período. Organizamos este Simpósio Especial com o objetivo de adensar as reflexões sobre o lugar do digital na atuação profissional de cientistas sociais, especificamente antropólogos, problematizando os desafios relacionados à comunicação pública, ao uso indiscriminado da inteligência artificial e à segurança digital. Os três eixos nos ajudam a dimensionar alguns pontos de inflexão que remetem ao domínio da comunicação pública/divulgação na constituição das Ciências Sociais: o processo de institucionalização da comunicação, o desafio de ensinar/comunicar em suportes midiáticos diversos, o manejo de aplicativos e softwares educacionais, a criação de perfis acadêmicos em espaços digitais e a integridade físico-digital como garantia da continuidade das ações de cientistas sociais em suas atividades públicas. Nossa intenção é promover diálogos sobre a complexidade do fazer cientista, com base no incentivo às práticas comunicativas de caráter público sem perder de vista a ética e a integridade, pilares da formação nas Ciências Sociais.

Títulos e Resumos

  • Que Antropologia é essa que (se) fala? Do reposicionamento de saberes e da função social no fazer ciência
    — Ramon Pereira dos Reis
  • Antropologia, ciência e comunicação em tempos de plataformização: relatos de uma experiência como jornalista de ciência
    — Thais Farias Lassali

SE 12 - Futebol, interseccionalidades e produção de desigualdades

Coordenação
Mariane da Silva Pisani (UFPI)
Carmen Silvia Rial (INCT Futebol)

Sessão 1

Participante
Caroline Soares de Almeida (UFPE)
Wagner Xavier de Camargo (UFSCAR)
Thaís Rodrigues de Almeida (UDESC)
Pessoa debatedora
Carmen Silvia Rial (INCT Futebol)

Sessão 2

Participante
Daniel Machado da Conceição (Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis)
Maurício Rodrigues Pinto (USP)
Yordanna Lara Rego (UFG)
Pessoa debatedora
Leda Maria da Costa (UERJ)

O Simpósio Especial propõe reunir pesquisas antropológicas que tomam o futebol como um campo privilegiado para analisar os marcadores sociais da diferença — gênero, sexualidade, raça e etnia — e suas articulações na produção de desigualdades, hierarquias e pertencimentos. Mais do que uma prática esportiva, o futebol constitui uma arena central de disputas simbólicas, políticas e morais, onde se constroem e se contestam normas de masculinidade, feminilidade, heteronormatividade, branquitude e nacionalidade. As duas sessões do SE acolherão trabalhos etnográficos e análises que examinem trajetórias de mulheres, pessoas LGBTQIA+ e sujeitos racializados no futebol; regimes de visibilidade, controle e exclusão; e formas de resistência, negociação e invenção política em clubes, torcidas, federações e outros espaços do campo esportivo. O objetivo é fomentar um diálogo crítico entre diferentes abordagens antropológicas sobre como o futebol participa ativamente da produção social das diferenças. A Roda de Conversa, articulada às sessões, promoverá o encontro entre pesquisadoras/es e representantes de coletivos, ativismos e movimentos sociais que atuam no futebol e nas lutas por igualdade de gênero, justiça racial e diversidade sexual, criando um espaço de escuta, troca e coprodução de conhecimento.

SE 13 - Gênero e sexualidade: produção científica, ações afirmativas e impacto de investidas neoconservadoras

Coordenação
Vi Grunvald (USP)
Regina Facchini (UNICAMP)

Sessão 1

Participante
Brume Dezembro Iazzetti (Cornell University)
Roberto Marques (URCA)
Roberto Efrem Filho (UFPE)
Pessoa debatedora
Renan Quinalha (UNIFESP)

Sessão 2

Participante
Ana Paula da Silva (UFF)
Marilise Luiza Martins dos Reis Sayão (UFSC)
Regina Facchini (UNICAMP)
Pessoa debatedora
Dediane Souza (UFRN)

Sessão 3

Participante
Hailey Kaas (USP)
Caia Maria de Araújo Coelho (Centro de Pesquisa Transfeminista)
Sol Alves de Lima (UFRN)
Jinx Vilhas (UNICAMP)
Helena Dantas Vieira (Ativista)
Nina Acacio (UFRGS)
Pessoa debatedora
Vi Grunvald (USP)

Nas últimas décadas, gênero e sexualidade têm se consolidado como campos centrais de disputa política, moral e institucional, articulando debates sobre democracia, direitos e formas contemporâneas de regulação da vida. A intensificação de ofensivas neoconservadoras, frequentemente combinadas a agendas ultraliberais e à mobilização de pânicos morais, tem reposicionado controvérsias públicas, afetando diretamente a produção de conhecimento na universidade, as políticas da diversidade e a própria atuação política. Este SE propõe tratar gênero e sexualidade como chaves analíticas transversais para a investigação de processos políticos e institucionais contemporâneos, evidenciando sua centralidade em dinâmicas democráticas, estatais e na produção de direitos e conhecimento. As duas mesas reúnem análises sobre os impactos de ofensivas neoconservadoras na pesquisa, no ensino, nas políticas institucionais e de mercado, bem como reflexões situadas sobre os processos de conquista e implementação de ações afirmativas, em especial das cotas para pessoas trans e travestis. A Roda de Conversa, por sua vez, promove o diálogo entre produção acadêmica e ativismos, reunindo pesquisadoras/es/ies e representantes de movimentos sociais para discutir travestilidades, transgeneridades e intersexualidades em um contexto marcado por disputas em torno da cidadania, da participação política e dos direitos fundamentais.

Títulos e Resumos

  • Estudos de gênero e sexualidade em meio ao avanço conservador
    — Roberto Efrem Filho, Regina Facchini

SE 14 - Leituras da pandemia: reparação, sentidos do luto e a vida possível.

Coordenação
Taniele Cristina Rui (UNICAMP)
Carolina Branco de Castro Ferreira (UNICAMP)

Sessão 1

Participante
Paula Lacerda (UERJ)
Manuela Cordeiro (UFRR)
Taniele Cristina Rui (UNICAMP)
Pessoa debatedora
Sônia Weidner Maluf (UFSC)

Sessão 2

Participante
Flávia Ferreira Pires (UFPB)
Laura Marques Lopes (UNICAMP)
Vanessa Ponte (UNB)
Pessoa debatedora
Emilene Sousa (UFMA)

RESUMO: Esta proposta de Simpósio Especial, organizada em 2 sessões, aborda reflexões antropológicas tecidas a partir do acompanhamento sistematizado de famílias enlutadas e do debate público em torno da reparação de direitos às vítimas da COVID-19. O objetivo da primeira sessão é debater a produção de significados e sentidos para o luto que ainda deixa brechas no cotidiano no âmbito social e na gramática das emoções, revisando maneiras de lidar com o mesmo seja por sonhos, reinvenção do presente (i.e. construção de novas unidades domésticas), (re)elaboração do futuro e diferentes formas de exigir direitos, justiça, reparação e memória. Já na segunda sessão o debate antropológico sobre orfandade pela Covid-19 será mobilizado a partir das formas pelas quais crianças e adolescentes participam ativamente da (re)organização da vida cotidiana após a morte de mães e pais, concentrando-se nas práticas ordinárias que tornam a continuidade da vida possível. Evidenciamos que crianças e adolescentes não apenas recebem cuidado, mas também cuidam das cuidadoras, participam do compartilhamento da dor, regulam afetos, sustentam vínculos e assumem tarefas domésticas e relacionais, mesmo em contextos marcados por assimetrias e ainda que com margens restritas de escolha. Em conjunto, ambas as perspectivas em andamento nos fazem complexificar os efeitos duradouros da pandemia de Covid-19, notadamente sua descida ao cotidiano de famílias vulnerabilizadas no Brasil.

Títulos e Resumos

  • Orfandade pela Covid-19: luto infantil e adolescente em meio às mudanças no cotidiano familiar
    — Flávia Ferreira Pires
  • O que as crianças e adolescentes fazem para tornar a vida possível após a morte?
    — Laura Marques Lopes
  • (Re) elaborar o luto: a casa, os sonhos e o eventual
    — Manuela Souza Siqueira Cordeiro

SE 15 - Mulheres negras e a antropologia em perspectiva transatlântica e interseccional territórios e releituras

Coordenação
Maíra Samara de Lima Freire (UFSC)

Sessão 1

Participante
Fabiana Leonel de Castro (UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA)
Beatriz Martins Moura (Faculdade Latinoamericana de Ciências Sociais)
Maíra Samara de Lima Freire (UFSC)

Sessão 2

Participante
Alex Ratts (UFG)
Christen Smith (Yale)
Joanice Santos Conceição (UNILAB)

Este simpósio propõe reunir refexões acerca e junto ao pensamento de mulheres negras para pensar território e produção de conhecimento antropológico em uma chave transatlântica e interseccional. Território não apenas como espaço geográfico, mas como construção simbólica, política e epistêmica, atravessada por marcadores de raça, gênero, classe e colonialidade. O simpósio organiza-se em duas sessões: 1- Mulheres negras e territórios, reúne trabalhos que analisam experiências, trajetórias e narrativas de mulheres negras em contextos territoriais distintos, enfatizando processos de pertencimento, circulação, memória e construção de saberes e sentidos. A sessão 2- Mulheres negras e leituras do território acadêmico, volta-se à problematização da antropologiia enquanto campo de disputas epistêmicas, interrogando seus cânones, hierarquias e silenciamentos. Ao articular territórios vividos e territórios do saber, o simpósio pretende contribuir para o fortalecimento de debates sobre mulheres negras na antropologia contemporânea.

Títulos e Resumos

  • Raça, gênero e espaço em Lélia Gonzalez: As mulheres, os homens e os lugares negros
    — Alex Ratts
  • Cartografias da Reparação e do Bem Viver: uma etnografia da II Marcha das Mulheres Negras como território de conhecimentos e resistência
    — Beatriz Moura
  • Uma epistemologia antropológica e negra: As contribuições das mulheres negras
    — Christen Smith
  • Autonomia sexual como prática: periguetagem e a produção de sentidos entre mulheres negras no Pagode Baiano
    — Fabiana Leonel de Castro
  • Autonomia sexual como prática: periguetagem e a produção de sentidos entre mulheres negras no Pagode Baiano
    — Fabiana Leonel de Castro
  • Visibilidades positivas tradicionais: Mulheres negras, produção de conhecimentos antropológicos em espaços acadêmicos
    — Joanice Santos Conceição, Joanice Santos Conceição
  • Ma Nduse de las Palenkeras: feminilidades, comercio e mobilidade
    — Maíra Samara de Lima Freire

SE 16 - Percursos, trajetos e deslocamentos: patrimônios, memórias e turismo em perspectiva

Coordenação
Renata de Sá Gonçalves (UFF)
Izabela Maria Tamaso (UFG)

Sessão 1

Participante
Marilande Martins Abreu (UFMA)
Thaís Brito (UFRB)
José Maria Baessa de Pina (Noz Storia)
Pessoa debatedora
Patricia Silva Osorio (UFMT)

Sessão 2

Participante
Juliana Braz Dias (UNB)
Monica Beatriz Lacarrieu (Instituto de Ciencias Antropologicas (UBA-CONICET))
Fillipe Alexandre Oliveira Alves (UFF)
Pessoa debatedora
Renata de Sá Gonçalves (UFF)

Sessão 3

Participante
Flávia Carolina da Costa (UFMT)
Sinara Carvalho de Sá (UNB)
Rosinalda Corrêa da Silva Simoni (PUC GOIÁS)
Ádria Borges Figueira Cerqueira (IFG)
Patricia Silva Osorio (UFMT)
Pessoa debatedora
Izabela Maria Tamaso (UFG)

Este Simpósio propõe reunir pesquisas antropológicas que analisem patrimônio, memória e turismo a partir dos percursos, trajetos e deslocamentos que produzem sentidos, territorialidades e disputas simbólicas. Interessa-nos discutir como práticas de circulação como caminhadas, rotas turísticas, deslocamentos cotidianos, migrações, romarias, festivais, itinerários culturais e circuitos patrimoniais constituem formas situadas de relação com o tempo, o espaço e a identidade. A proposta dialoga com perspectivas decoloniais ao problematizar narrativas hegemônicas de patrimônio e turismo, frequentemente marcadas por processos de mercantilização, espetacularização e apagamento de experiências subalternizadas. Ao privilegiar trajetos vividos, memórias encarnadas e saberes locais, este Simpósio busca evidenciar outras formas de atuação social, nas quais o movimento, o corpo e a experiência ocupam lugar central. Serão apresentados trabalhos etnográficos que abordem patrimônios, turismo comunitário, festivais, museus, paisagens culturais, rotas de memórias, territórios indígenas, afrodescendentes, ribeirinhos, urbanos e rurais, enfatizando as tensões entre políticas públicas, mercados turísticos e práticas locais. Interessa-nos, especialmente, refletir sobre como os percursos produzem reterritorializações, disputas de sentido e reconfigurações da memória, contribuindo para a construção de abordagens críticas e decoloniais no campo da antropologia do patrimônio e do turismo.

Títulos e Resumos

  • Mtubuluko: Performances culturais e Turismo- experiências entre Brasil e Moçambique
    — Ádria Borges Figueira Cerqueira
  • A expansão do afroturismo na Pequena África carioca e a produção turística da ancestralidade
    — Fillipe Alexandre Oliveira Alves
  • Quando o álbum de imagens faz o bairro: memórias e lugares no passeio afetivo Noz Storia
    — Izabela Maria Tamaso
  • Turistas, emigrantes e a atribuição de valor à morna cabo-verdiana
    — Juliana Braz Dias
  • Afro turismo no Maranhão: a encantaria do tambor de mina na grande ilha de São Luís/MA
    — Marilande Martins Abreu, Marilande Martins Abreu
  • Entre o patrimônio colonial e o território negro: memória, patrimonialização e resistência no Quilombo Alto Santana - Goiás, GO
    — Sinara Carvalho de Sá

SE 17 - Prática antropológica em perspectiva: análise e reflexões sobre a regulamentação profissional

Coordenação
Renata Curcio Valente (SEE/MN)
Breno Trindade da Silva (IEPHA-MG)

Sessão 1

Participante
Verónica Lucia López Tessore (ALA)
Luciana de Oliveira Dias (UFG)
Guillermo Vega Sanabria (UFBA)
Pessoa debatedora
Renata Curcio Valente (SEE/MN)

Sessão 2

Participante
Julia Dalla Costa (MDA)
Eleandra Raquel da Silva Koch (Incra)
Luís Guilherme Resende de Assis (UnDF)
Pessoa debatedora
Mariana Balen Fernandes (UFRB)

O Comitê de Inserção Profissional da Associação Brasileira de Antropologia vem atuando, ao longo dos últimos dez anos, na ampliação e no aprofundamento do debate sobre a prática profissional da antropologia no Brasil, com especial atenção às possibilidades e aos limites da regulamentação do exercício profissional. Como estratégia de ampliação e qualificação da discussão, realizamos um webinário sobre o tema, com consulta pública pelos associados da ABA. O presente Simpósio Especial tem como objetivo contribuir para a construção de estratégias coletivas em defesa do fazer antropológico, de sua ética e de sua relevância pública em diferentes campos de atuação, buscando articular interlocuções com diferentes coletivos de antropólogas e antropólogos que atuam em múltiplos campos profissionais. Na Sessão I, propõe-se fomentar o debate sobre os diferentes processos de regulamentação no Brasil e na América Latina, dando continuidade ao diálogo em âmbito regional, já iniciado em reuniões de antropologia anteriores. Na Sessão II, pretende-se apresentar e discutir experiências desenvolvidas no contexto nacional que analisam criticamente os desafios contemporâneos da atuação profissional frente às transformações sociais, ambientais e econômicas em curso. A sessão reunirá pesquisadoras/es, profissionais e coletivos atuantes em órgãos do Estado, organizações não governamentais, consultorias, no exercício profissional autônomo e na academia.

Títulos e Resumos

  • Por que a formação importa na regulamentação profissional da antropologia?
    — Guillermo Vega Sanabria
  • Desafios profissionais no contexto da CPI da Funai e do Incra
    — Julia Marques Dalla Costa
  • Defender Direitos, Fazer Antropologia: algumas reflexões sobre a prática antropológica e a regulamentação profissional hoje
    — Luciana de Oliveira Dias
  • Engenharia social e tática de guerra: exercício etnográfico sobre a redação legislativa do 'PL Antropologia'
    — Luís Guilherme Resende de Assis, Luís Guilherme Resende de Assis
  • ¿En qué trabajan les antropologues en América Latina y el Caribe? Articulación entre profesión y formación a la luz de los debates sobre las Leyes de Ejercicio Profesional
    — Verónica Lucia López Tessore

SE 18 - Presenças indisciplinadas: corpos def nas universidades e nas artes

Coordenação
Anahí Guedes de Mello (Anis)
Olivia von der Weid (UFF)

Sessão 1

Participante
Pedro Lopes (USP)
Valéria Aydos Rosário (UNIPAMPA)
Julian Simões Cruz de Oliveira (UFPR)
Pessoa debatedora
Anna Paula Vencato (UFMG)

Sessão 2

Participante
Carlos Eduardo Oliveira do Carmo (UFBA)
Glauber Gonçalves de Abreu (Funarte)
Anahí Guedes de Mello (Anis)
Pessoa debatedora
Marco Antônio Gaverio (Fiocruz)

Sessão 3

Participante
Maria Estela Galvão Lapponi (CZ)
Aline Zeymer (ministério da Cultura)
Gislana Maria do Socorro Monte do Vale (UFF)
Olivia von der Weid (UFF)

Como tem sido construída a presença da deficiência na produção de conhecimentos produzidos nas universidades e nas artes no Brasil? De que modo políticas, práticas, narrativas e formas de registro produzem visibilidade, apagamentos e condições de participação para pessoas com deficiência nesses espaços? O simpósio propõe uma abordagem crítica sobre acessibilidade, cultura do acesso e cultura DEF, compreendendo o acesso como prática política, ética e relacional, constitutiva dos processos institucionais, pedagógicos e culturais. Parte-se, portanto, da noção de cultura do acesso como princípio anticapacitista. A primeira reflexão será dedicada aos processos de avaliação e classificação da deficiência no Ensino Superior, bem como as políticas de acesso, permanência, participação e êxito. Serão debatidos aspectos como as perícias, as políticas de acessibilidade e de ação afirmativa, bem como as formas de agência e resistência mobilizadas por estudantes com deficiência no cotidiano universitário. A segunda reflexão terá como foco as artes, os museus e os espaços culturais, discutindo experiências de produção de dados, registros e narrativas com e por pessoas com deficiência, articuladas a processos criativos em Arte DEF e iniciativas autônomas de memória. Serão analisados projetos artísticos e curatoriais que desafiam a corponormatividade e os regimes hegemônicos de visibilidade, e afirmando autoria, pertencimento e permanência da deficiência nos campos artísticos e culturais.

Títulos e Resumos

  • Da acessibilidade cultural à cultura do acesso: uma perspectiva anticapacitista e criativa para as artes
    — Olivia von der Weid, Anahí Guedes de Mello

SE 19 - Produção de evidências antropológicas na defesa dos direitos humanos

Coordenação
Flavia Medeiros Santos (UFSC)
Diógenes Egidio Cariaga (UEMS)

Sessão 1

Participante
Carolina Santana (cravo e santana advocacia)
Vitor Simonis Richter (Fiocruz)
Evandro Cruz Silva (UNICAMP)
Pessoa debatedora
Liliana Sanjurjo (UERJ)

A Antropologia tem, na pesquisa documental e na produção destes artefatos, um campo canônico: se antes os documentos eram vistos como fontes, dados e informações primárias, hoje, por meio das etnografias de/em documentos e arquivos, entende-se que é possível pensar antropologicamente com e através deles. O presente Simpósio Especial (SE), proposto pela Comissão de Direitos Humanos da ABA, visa reunir antropólogos, militantes e ativistas que atuam a partir de e por meio de documentos, na produção de evidências e na análise e discussão de processos de produção de verdade de perspectiva antropológica, considerando a atuação de antropólogos no campo dos direitos humanos. Desde a atuação como peritos em casos de reconhecimento de direitos, até etnografias que se dediquem à análise de documentos estatais, em particular, laudos periciais produzidos por peritos oficiais em processos judiciais criminais. O objetivo é aproximar perspectivas e estabelecer diálogos que reflitam sobre o estatuto científico e ontológico na produção de evidências antropológicas em processos de disputa e construção de verdades, considerando as particularidades e as implicações da perspectiva antropológica nos processos de reconhecimento de direitos, de responsabilização por crimes e de fazer justiça. Esperamos produzir um espaço de encontro que reúna perspectivas de diferentes contextos, no qual seja possível refletir sobre a relação entre a produção de evidências antropológicas e a garantia de direitos.

SE 20 - Proposta de criação da Universidade Indígena no Brasil: percursos e temáticas fundamentais

Coordenação
Felipe Tuxá (UFBA)

Sessão 1

Participante
Gersem Baniwa (UNB)
Rita Gomes do Nascimento (Faculdade Latino americana de ciencias ciencias sociais)
Ana Maria R. Gomes (UFMG)
Pessoa debatedora
Antonio Hilario Aguilera Urquiza (UFMS)

A proposta de criação de uma Universidade Indígena no Brasil vem sendo discutida desde 2015, quando houve a instalação de um GT na Secadi, sob coordenação de Rita Potyguara. Em dezembro/2022, essa proposição foi encaminhada pelo FNEEI à equipe de transição do novo governo. No segundo semestre de 2024, sob coordenação de Rosilene Tuxá na Secadi, em parceria com o FNEEI, foram realizados 20 seminários de consulta em todas as regiões do país, sobre a criação da Universidade Indígena. Finalmente em 2025, com a condução da SESU e da Secadi, foi formulada a proposta de PL para a criação da Universidade Indígena, apresentada publicamente em cerimônia oficial em Brasília em novembro/2025. O objetivo da MR é trazer a público informações sobre os percursos que levaram à proposta hoje em implementação, assim como apresentar temáticas fundamentais que se articulam em torno da institucionalização de uma Universidade Indígena no Brasil.

SE 21 - Repercussões da atual geopolitica global nas políticas migratórias no Brasil e na América Latina: Imperialismo, nacionalismos e (I)Mobilidades

Coordenação
Igor José de Renó Machado (UFSCAR)
Handerson Joseph (UFRGS)

Sessão 1

Participante
Bela Feldman-Bianco (UNICAMP)
João Freitas de Castro Chaves (Def)
Handerson Joseph (UFRGS)

Sessão 2

Participante
Isadora Lins França (UNICAMP)
Leonardo Cavalcanti (UNB)
Igor José de Renó Machado (UFSCAR)
Pessoa debatedora
Alexandre Branco-Pereira (UNB)

Sessão 3

Participante
Jobana Moya Rodrigues (wa)
Marifer Vargas (crai)
Maria Botero (LGBT+Movimento)
Constance Salawe (Ud)
Fedo Bacourt (USIH: União social dos Imigrantes Haitianos)

Num mundo cada vez mais avesso às migrações, num cenário global de políticas restritivas à presença de imigrantes, independentemente da situação legal em que se encontram, num contexto de avanço de práticas de deportação, de polícias dedicadas à opressão de estrangeiros, nos interessa discutir se e como esses processos multifacetados afetam as políticas migratórias brasileiras e latino-americanas. Em que medida as reverberações de políticas globais de cerceamento radical à movimentação de pessoas exercem influências nas políticas regionais na América Latina e especialmente no Brasil, tanto ao nível nacional quanto da localidade? Em quais situações as repercussões dessas políticas acabam por afetar a experiência de vida de migrantes nestes contextos? Quais são as relações entre essas políticas globais, regionais e nacionais? Na presente conjuntura marcada pela emergência de um imperialismo baseado no uso da força, na negação dos direitos humanos, no unilateralismo e no avanço da extrema direita, que exerce ameaças de todas ordens a um mundo multipolar e produz efeitos dramáticos, como pensar as políticas migratórias no sul global? Políticas neoimperiais juntamente com o avanço de políticas de deportação, produzem reverberações na América Latina. Esse fórum organizado pela Comitê de Migrações e Deslocamentos pretende refletir sobre esses processos a partir de diferentes experiências, tanto por meio de pesquisas acadêmicas como por meio de experiências imigrantes.

Títulos e Resumos

  • O Brasil frente ao Regime Global de Controle das Migrações: Paradoxos e Retrocessos
    — Bela Feldman-Bianco
  • As politicas de migrações no Brasil desde 2017.
    — Constance Salawe Kenko, Constance Salawe Kenko
  • Detenção, "ilegalidade" e deportabilidade
    — Handerson Joseph
  • Da direita para esquerda e vice-versa: políticas migratórias no governo Lula 3.
    — Igor José de Renó Machado
  • (I)mobilidades e diversidade sexual e de gênero no cenário contemporâneo brasileiro
    — Isadora Lins França
  • Aeroportos como fronteira: a política de contenção da migração extracontinental no Brasil acolhedor
    — João Freitas de Castro Chaves
  • A produção territorial da política migratória: Estado, escalas e governança municipal no Brasil
    — Leonardo Cavalcanti
  • Pessoas migrantes e refugiadas LGBTQI+: organização política e produção de conhecimento
    — Maria Paula Botero

SE 22 - Simpósio Especial do Comitê de Ética em Pesquisa nas Ciências Humanas: perspectivas históricas e desafios futuros

Coordenação
Rui Massato Harayama (UFOPA)
Hully Guedes Falcão (UFPI)

Sessão 1

Participante
Martinho Braga Batista e Silva (UERJ)
Luís Roberto Cardoso de Oliveira (Universidade de Brasília)
Érica Quinaglia Silva (UNB)
Pessoa debatedora
Fernando José Ciello (UFRR)

Sessão 2

Participante
Juliene Pereira dos Santos (UFOPA)
Eliene dos Santos Rodrigues (Ministério da Saúde)
Hully Guedes Falcão (UFPI)
Pessoa debatedora
Rui Massato Harayama (UFOPA)

O Comitê de Ética em Pesquisa nas Ciências Humanas, ativo há mais de uma década, tem se dedicado à construção de uma governança científica democrática e igualitária para a ética na pesquisa antropológica, além de promover a ampliação desse debate. Nesse SE propomos apresentar três tópicos de importância contemporânea. Na Sessão 1 "40 anos do Código de Ética da Associação Brasileira de Antropologia e 10 anos da Resolução CNS 510/2016" propomos revisitar dois momentos importantes da antropologia brasileira a saber a promulgação do Código de Ética do Antropólogo, em 198, e a publicação da Resolução CNS 510/2016 fruto da atuação de gestões passadas deste comitê. Na Sessão 2 "Da CONEP à INAEP: o que mudou na regulação da ética de pesquisas envolvendo seres humanos?" propomos discutir o atual cenário da avaliação da ética em pesquisa a partir da promulgação da Lei 14.874/2024 e criação da Instância Nacional de Ética em Pesquisa, gerando críticas e dúvidas em relação à proteção de grupos vulnerabilizados e tradicionais e no papel das pesquisas antropológicas nesse sistema.

Títulos e Resumos

  • Entre a lei e a regulamentação: as Ciências Humanas e Sociais diante da Lei 14.874/2024 e do Decreto 12.651/2025
    — Hully Guedes Falcão
  • A Tensão Entre Código de Ética e Revisão Ética de Pesquisa na Antropologia
    — Luís Roberto Cardoso de Oliveira

SE 23 - Takinahaky: trilhas e brechas entre a interculturalidade crítica, a educação escolar indígena e as universidades

Coordenação
Alexandre Herbetta (PPGAS UFG)
Rosani Moreira Leitão (UFG)

Sessão 1

Participante
José Jorge de Carvalho (INCTI/UnB/CNPq)
Gilson Ipaxi'awyga Tapirapé (UFG)

Sessão 2

Participante
Monica Veloso Borges (UFG)
Ana Paula Purcina Baumann (UFG)
Eunice Pirkodi Caetano Moraes Tapuia (UFG)

Sessão 3

Participante
Sinvaldo Oliveira Saraiva (SEDS)
Joana Aparecida Fernandes Silva (UFG)
Evelin cristina Araújo tupinambá (UFG)
Libio Palechor Arévalo (UAIIN)
Eduardo Camayo (UAIIN)
Ana Paula Parikokurereudo Apo (Escola Estadual Indígena Piebaga)

Este simpósio especial tem como objetivo discutir a trajetória do Instituto Takinahaky, destacando seus principais eixos estruturantes, entre os quais o enfrentamento ao racismo epistêmico, a afirmação da pluriepistemologia, a relação com as políticas públicas brasileiras e a construção de possibilidades concretas de uma pluriversidade no âmbito da universidade brasileira. A proposta parte do reconhecimento de que as experiências interculturais protagonizadas por povos indígenas tensionam de forma profunda os modelos hegemônicos de produção do conhecimento e as próprias instituições acadêmicas. Nesse sentido, o simpósio busca refletir criticamente sobre a proposta do Instituto Takinahaky, evidenciando diálogos, deslocamentos e enfrentamentos às heranças coloniais ainda presentes na universidade. As mesas abordarão o epistemicídio e o racismo epistêmico, analisando processos históricos de exclusão política e intelectual derivados do colonialismo, bem como estratégias contemporâneas de resistência a essas estruturas. Além de se dedicarem à trajetória concreta do Instituto Takinahaky, destacando avanços políticos, epistemológicos e limites institucionais. Será realizada, ainda, uma homenagem à Profa. Socorro, em reconhecimento à sua contribuição para a educação intercultural. A roda de conversa promoverá um debate sobre as relações entre territórios indígenas e universidade, bem como seus impactos, limites e articulações transnacionais, especialmente no contexto latino-americano

SE 24 - Territórios, etnocídio e criminalização indígena: O agravamento da ofensiva contra a vida, as terras ancestrais e o patrimônio dos povos indígenas

Coordenação
Edviges Marta Ioris (UFSC)
Elaine Moreira (UNB)

Sessão 1

Participante
Rute Anacé (mpi)
Sérgio Góes Telles Brissac (Ministério Público Federal)
Andrey Cordeiro Ferreira (UFRRJ)
Pessoa debatedora
Estêvão Palitot (UFPB)

Sessão 2

Participante
Dinamam Tuxá (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil)
Deborah Duprat (MPF)
Fabio Mura (UFPB)
Pessoa debatedora
João Pacheco de Oliveira Filho (UFRJ)

Sessão 3

Participante
Jozileia Kaingang (UFSC)
Antonio Hilario Aguilera Urquiza (UFMS)
Carlos Frederico Marés de Souza Filho (PUCPR)
Paulo Machado Guimarães (adv)

Este SE dá continuidade às discussões promovidas pela CAI e o Comitê Laudos Antropológicos, visando abordar o agravamento das ofensivas contra a vida e os territórios dos povos indígenas. Apesar de a Constituição Federal de 1988 ter representado grande avanço para os povos indígenas, a aplicação dos seus ditames constitucionais não tem sido algo simples e linear, sendo-lhe continuamente impostos obstáculos por setores contrários a estes princípios, promovidos sob as mais diversas formas, desde invasões aos territórios indígenas, criminalizações, até ações no Congresso Nacional ou Executivo, como foi no governo ultraconservador anterior, quando chegaram a se tornar políticas de Estado. A tentativa de barrar as demarcações de terras indígenas através de um marco temporal, os impactos dos projetos de desenvolvimento econômico, assim como a invasão de seus territórios, os ataques armados por milícias, o incurso das mais diversas atividades ilegais (como garimpo, arrendamento, loteamento, tráfico), com uma destruição sistemática de ecossistemas, impactam e vulnerabilizam enormemente os princípios vitais dos povos indígenas. Este grave cenário de violência contra os povos indígenas e seus territórios, cuja sistemática e perdurabilidade caracterizam formas contemporâneas de genocídio e ecocídio, é tema que o presente Simpósio pretende debater, levando em consideração os modos de resistências dos povos indígenas e o papel e o compromisso da Antropologia em seu enfrentamento.

Títulos e Resumos

  • Contrarreforma constitucional e direitos indígenas: o marco temporal como política de retrocesso colonial
    — Andrey Cordeiro Ferreira
  • A resistência indígena no Brasil contemporâneo e o papel de profissionais de Antropologia no apoio às iniciativas dos povos originários
    — Sérgio Góes Telles Brissac

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