35ª Reunião Brasileira de Antropologia — Campus Samambaia, UFG, Goiânia — 13 a 17 julho 2026

GT 112 - Teorias Etnográficas e Antropológicas

Coordenação
Lucas P. Álvares (UFRPE)
Sara Morais (UNB)

Pessoa debatedora
Zacarias Milisse Chambe (USP)
Tiago Guidi (UNB)
João De Regina (UNICAMP)

Como pensar “teoria” na antropologia sem reduzi-la a um cognitivismo nem a tratar como espelhamento das categorias mobilizadas pelas pessoas que participam da situação etnográfica? A atenção às formas de classificação e às práticas em que os agentes sociais se engajam, o que Lévi-Strauss chamou de “ciência social do observado”, se diferencia da teoria antropológica voltada para a parcela da “cultura que não é dita”, uma elaboração discursiva de dimensões tácitas da vida social. Essa aparente dualidade tem se dissolvido quando publicações como Ethnography e HAU enfatizam modos de articular descrição etnográfica e elaboração conceitual, ou quando Marilyn Strathern se refere aos relatos etnográficos ou antropológicos como um “gênero misto”. A dificuldade consiste em formular uma noção de “teoria” que se desloque entre essas ênfases sem perder seus ganhos. Quais as maneiras possíveis de articular as múltiplas representações da vida social, explorando como o pesquisador, em diálogo e colaboração com os agentes de sua experiência de campo, elabora pensamentos que tornam visíveis dissonâncias entre campo e escrita? O GT propõe-se a receber trabalhos que dialoguem com: 1) contribuições à teoria etnográfica; 2) historiografia de debates teóricos e metodológicos no campo da antropologia; 3) reflexões sobre a produção de ideias entre pesquisadores e interlocutores de campo; e 4) desafios de traduzir em texto situações particulares vivenciadas no fazer etnográfico.

Títulos e Resumos

  • Para além da monarquia ontológica: agência e reconhecimento em diálogo com o Perspectivismo Ameríndio
    — Andressa Lidicy Morais Lima Freitas
  • A Reflexão da imagem: o desenho como etnografia
    — Apollo Guerra
  • Colonoficialidade nos PALOP: crioulos e línguas pré-coloniais em diáspora brasileira - pretuguês como ponte unidistante
    — Jhon Alfredo Pazmiño Huapaya
  • CULTIVAR É TRANSFORMAR: caminhando por algumas ramificações teóricas
    — Joallysson Desterro Bayma, Cleiane Pereira Souza dos Santos
  • História, cultura e poder na cultura oprimida de Jean Casimir
    — Pablo Quintero
  • What goes without saying: o limite do conceito em certo contextos etnográficos
    — Tiago Guidi
  • A noção da falta de noção: desrespeito, filosofia liberal e a descrição etnográfica do insulto
    — Vinicius de Aguiar Furuie

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