35ª Reunião Brasileira de Antropologia — Campus Samambaia, UFG, Goiânia — 13 a 17 julho 2026

GT 048 - Contornos e desdobramentos da Governança Reprodutiva contemporânea

Coordenação
Fernanda Cruz Rifiotis (UFPEL)
Andréa de Souza Lobo (UNB)

Sessão 1

Pessoa debatedora
Claudia Fonseca (UFRGS)

Sessão 2

Pessoa debatedora
Alessandra Rinaldi (UFRRJ)

Sessão 3

Pessoa debatedora
Fernanda Bittencourt Ribeiro (PUCRS)

O GT objetiva discutir os contornos e os desdobramentos da governança reprodutiva na contemporaneidade, particularmente no Brasil e na América Latina, contextos fortemente marcados por desigualdades de classe, raça e gênero. Nesses cenários, a governança reprodutiva tem operado simultaneamente como mecanismo de controle estatal e arena de resistência, onde estratégias femininas de solidariedade e redes intergeracionais de cuidado emergem diante da ausência histórica de um Estado de bem-estar social consolidado. Nessas condições, a reprodução humana, longe de se mostrar restrita a uma esfera “doméstica” delimitada, revela-se como um processo inevitavelmente entrelaçado com valores morais, interesses institucionais e forças políticas que perpassam o tecido social. Nos últimos anos, a problematização da governança reprodutiva tem ganho novas dimensões através das noções tais como justiça reprodutiva e parentalidades, as quais têm iluminado “zonas de sombra” nesse campo. Assim, tal perspectiva tem revelado como as dimensões reprodutivas atravessam e estruturam não apenas as relações familiares e de parentesco, mas também as diversas configurações do poder público, do panorama econômico e das políticas sociais. Dessa forma, nesse GT, buscamos reunir trabalhos que pensem nas articulações possíveis da governança reprodutiva com parentalidades, economias morais, emoções, regulações estatais e éticas do cuidado, relações intergeracionais, mobilidades, catástrofes climáticas, etc.

Títulos e Resumos

  • Parentalização da vida social e as políticas voltadas para a primeira infância
    — Aline Marques da Costa, Alessandra de Andrade Rinaldi, Maria Cristina Corrêa dos Reis, Luma Fortunato Laurindo, Bianca Brito dos Santos
  • Colocar a cara para bater: a mobilização de mulheres vítimas do Essure por justiça reprodutiva no Distrito Federal
    — Ana Carolina Lessa Dantas
  • Adoção inter-racial e reconfiguração de moralidades na África do Sul pós-apartheid: considerações sobre o trabalho de campo com famílias multirraciais
    — Ana Luísa Della Coletta, Laura Moutinho
  • Moralidades maternas em processos de restituição de identidade na Argentina pós ditadura: a gestação como gatilho da pergunta pela própria origem
    — Jimena Maria Massa
  • Governança reprodutiva em contextos emergências sanitárias: experimentações teórico-etnográficas
    — Jonatan Jackson Sacramento
  • Governança reprodutiva, parentalidades e economias morais do cuidado nas políticas de primeira infância
    — Kálita Taques de Brito
  • Redes de cuidado e resistência frente as maternidades destituídas: a luta pelo exercício de maternidades dignas a partir de uma etnografia entre a Coletiva em apoio às Mães Órfãs
    — Laura Machado Tameirão
  • Governança reprodutiva e judicialização do cuidado: disputas e controvérsias a partir da Lei da Alienação Parental
    — Raquel Vieira de Castro Braga
  • Negociando o âmbito doméstico: casa como política reprodutiva em um caso de retirada compulsória na Cidade de Deus
    — Tássia Áquila Vieira
  • "Por mim não tinha nem esses" governança reprodutiva sob as mulheres Warao: um estudo no cenário de Natal-RN
    — Waleska Maria Lopes Farias

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