35ª Reunião Brasileira de Antropologia — Campus Samambaia, UFG, Goiânia — 13 a 17 julho 2026

Oficinas — 35ª RBA

OF 01 - Antropoéticas e narrativas híbridas: um fazer (po)ético

Coordenação
Patrícia dos Santos Pinheiro (UNILA)
Daniele Borges Bezerra (UFPEL)

A oficina tem como objetivo discorrer sobre múltiplas grafias em sua relevância metodológica e epistemológica para as pesquisas antropológicas, não apenas como uma forma de compreender e dar a ver os universos de pesquisa, mas, sobretudo, como um modo de agir que põe em relação o fazer antropológico e as questões políticas contemporâneas como princípios para a composição de um fazer ético e comprometido. A oficina abordará reflexões sobre o que e como narrar, associadas a processos criativos diversos, como projetos de audiovisual e técnicas mistas em artes visuais, nas confluências entre diferentes vozes e práticas. Procura-se contemplar a valorização de outros imaginários que não os hegemônicos e observar as implicações da relação entre pesquisas etnográficas e o desenvolvimento de projetos a partir de grafias múltiplas enquanto modos de agir e produzir sentidos que convocam a investir em narrativas para além da escrita verbal. Nas sessões da Oficina, teceremos diferentes formas de inscrição tematizando acerca das possibilidades das grafias (po)éticas de criar uma sobreposição de camadas de significados que emergem na relação dialógica entre as pessoas em interlocução, evidenciando um espaço reflexivo que permite pensar e questionar as (e com as) imagens e a nossa posição como antropólogas. Buscamos enfim experimentar percepções engajadas com o mundo, incluindo silêncios, emoções, pensamentos em processo, e outros elementos traduzíveis por uma narrativa híbrida.

Títulos e Resumos

  • Fabulação especulativa como metodologia da esperança
    — Daniele Borges Bezerra (UFPEL)
  • Projetos audiovisuais e o fazer antropoético
    — Patrícia dos Santos Pinheiro (UNILA)
  • Etnografia como prática de presença: experimentações em antropologia, meditação e arte
    — Valéria de Paula Martins (UFU)

OF 02 - Antropologia na sala de aula: desafios e demandas contemporâneas para a formação docente

Coordenação
Antonella Maria Imperatriz Tassinari (UFSC)
Elisete Schwade (UFRN)

No marco dos 30 anos da LDB da Educação Nacional (1996), esta oficina propõe discutir o lugar contemporâneo de antropólogos/as/es na sala de aula. Trata-se de um tema que atravessa diferentes momentos do fazer antropológico no Brasil, presente tanto em atividades regulares da Associação Brasileira de Antropologia desde os anos 1990 quanto em eventos específicos, como o encontro realizado em Ponta das Canas, Florianópolis, em 2002 (Grossi, Tassinari & Rial, 2006), com ênfase no ensino na graduação e na pós-graduação. Esta oficina pretende dar ênfase à contribuição da Antropologia para a formação de docentes para atuarem na Educação Básica, à luz das demandas mais recentes presentes nas diretrizes para a formação de professores, como a Base Nacional Comum Curricular (2018), as Diretrizes Curriculares Nacionais para as Licenciaturas (Resolução CNE/CP Nº 4/2024) e contemplando também a Resolução CNE/CES nº 7/2018 que regulamenta a extensão curricular . Esses documentos demandam diferentes questões antropológicas, como a educação intercultural, a educação em direitos humanos, a educação para as relações raciais, a prática da extensão e diversos temas transversais. A oficina está dividida em três sessões que abordarão essas temáticas a partir de diferentes experiências. Utilizaremos uma metodologia participativa e dialógica, como forma de estimular o encontro e troca de experiências entre os/as/es participantes e refletir sobre o fazer antropológico como docente.

Títulos e Resumos

  • As boas práticas docentes em um contexto de ações afirmativas
    — Denise Fagundes Jardim (UFRGS)
  • O lugar da antropologia na formação de professores/as
    — Mylene Mizrahi (PUC-RIO)
  • A contribuição da Antropologia à educação para as relações étnico-raciais
    — Waldemir Rosa (UNILA)

OF 03 - Arte, cosmologia Apurinã e letramento étnico-racial: Pintura e grafismo em Ecobags

Coordenação
Kowawa Kapokaja Apurinã (Instituto Pupykari)

O minicurso propõe uma vivência artístico-antropológica que articula a pintura em ecobags com grafismos indígenas inspirados na cosmologia do povo Apurinã, e letramento étnico-racial. A atividade busca refletir sobre identidade, diversidade cultural e respeito às epistemologias indígenas. O minicurso pretende aproximar o(a)s participantes dos modos de pensar e criar Apurinã, valorizando os grafismos como expressão estética, política e espiritual. O processo será conduzido de forma dialógica, permitindo que cada participante elabore sua ecobag. A proposta situa-se na educação intercultural e contra colonial, contribuindo para o enfrentamento ao racismo estrutural e saberes indígenas. Objetivo geral: promover uma experiência artístico-educativa-antropológica de pintura em ecobags com grafismos, articulada ao letramento étnico-racial. Objetivos específicos: contextualizar a cosmologia e os grafismos do povo Apurinã; estimular reflexões críticas sobre identidade e etnicidade; incentivar a criatividade coletiva; valorizar práticas sustentáveis na produção artística. Metodologia:(1) apresentação sobre cosmologia, grafismos e letramento étnico-racial; (2) demonstração de técnicas de pintura; (3) produção coletiva e roda de conversa para socialização. Recursos didáticos: ecobags, tintas para tecido, pincéis, papel para rascunho, projetor e imagens de grafismos indígenas.

Títulos e Resumos

  • Arte, cosmologia Apurinã e letramento étnico-racial: Pintura e grafismo em Ecobags
    — Kowawa Kapokaja Apurinã (Instituto Pupykari)

OF 04 - Desromantizando a pesquisa antropológica: estratégias para um trabalho de campo possível em África e alhures

Coordenação
Denise Pimenta (Unifesp)

A antropologia é uma área do conhecimento que se estruturou como disciplina acadêmica durante a virada do Século XIX para o Século XX. Funcionando como um dos braços do colonialismo e imperialismo em África e em tantos outros territórios ao redor do mundo, por isso mesmo, carregada por mecanismos de exotizatição e romantização de seu próprio fazer etnográfico. A disciplina é marcada pela “autoridade etnográfica” do “estive lá”, reforçada por uma escrita que reforça a "aura do herói", no caso, o antropólogo homem branco europeu e estadunidense. A famosa frase em “Os Argonautas do Pacífico Ocidental” (1922) – “Imagine-se o leitor sozinho, rodeado apenas de seu equipamento, numa praia tropical, próxima a uma aldeia nativa, vendo a lancha ou o barco que o trouxe afastar-se no mar até desaparecer de vista” – foi inúmeras vezes repetida, como encanto ou anedota. Após o trabalho dos incômodos e necessários “pós-modernos”, isso tudo é sabido por pesquisadores e alunes. No entanto, nota-se, ainda hoje, uma romantização arraigada do trabalho de “campo distante”, aquilo que durante muito tempo se denominou de “alhures”. Quanto mais longe e “difícil” mais o campo confere “aura” à pesquisa e ao pesquisador. A partir de nossas pesquisas, posicionadas e interseccionais, no continente africano, mais precisamente na Serra Leoa e na África do Sul, intentamos desvelar esta aura. Promoveremos uma discussão sobre estratégias, passos e práticas necessárias para a organização do trabalho de campo.

Títulos e Resumos

  • Um trabalho de campo possível: desafios e estratégias coletivas
    — Thais Henriques Tiriba (USP)

OF 05 - Insubmissão epistêmica: escrevivências, saberes e insurgência na pesquisa

Coordenação
Ana Claudia Rodrigues da Silva (UFPE)

A oficina abre espaço para outras formas de produzir conhecimento, formas que partem do corpo, das memórias, dos afetos e das experiências que, muitas vezes, ficam à margem das epistemologias hegemônicas. Aqui, escrevivência não é apenas uma técnica de escrita: é um posicionamento político, uma recusa aos silenciamentos e uma reivindicação da legitimidade das nossas próprias histórias como fonte de saber. Ao longo da oficina, vamos trabalhar com práticas de escrita, exercícios de memória, pequenos disparadores criativos e momentos de conversa coletiva. Investigando: Como as vivências das pessoas participantes se tornam conhecimento? De que maneira emoções e experiências fazem parte do processo de pesquisa? Como escrever de forma situada, insurgente e sensível dentro da antropologia? Como romper com a ideia de neutralidade e afirmar uma produção de saber comprometida com ética, contexto e corpo? Essa diversidade de perspectivas, expressa em diferentes estilos, ritmos e formas de narrar, cria um espaço seguro e potente para pensar coletivamente sobre como a pesquisa pode ser atravessada pela vida sem perder rigor, densidade ou profundidade. A oficina é um convite para quem deseja transformar a escrita em ferramenta de presença, posicionamento e elaboração. Um espaço para afirmar que todas as pessoas são sujeitas de saber, e que suas escrevivências também são teoria.

Títulos e Resumos

  • Vozes do Corpo: contracolonização da escrita pela escrevivência
    — Christina Gladys de Mingareli Nogueira (UFPB)
  • Memória, afeto e pesquisa: escrever desde dentro
    — Jullia Alves de Almeida (UFPE)
  • Escrevivência como método: insurgência, ética e elaboração teórica
    — Thaynara Kelly dos Santos Pereira (UFPE)

OF 06 - Marcos da Contracolonização na Universidade: a experiência da Encontro de Saberes e o Notório Saber

Coordenação
Rumi Regina Kubo (UFRGS)
José Jorge de Carvalho (INCTI/UnB/CNPq)

Esta oficina propõe uma imersão nos processos de contracolonização acadêmica através de dois eixos estruturantes: a prática pedagógica da interdisciplina Encontro de Saberes (ES) e a implementação normativa do título de Notório Saber (NS) para mestras e mestres tradicionais. A partir do compartilhamento de experiências em curso nas Universidades brasileiras, busca-se um espaço para reflexões sobre a docência compartilhada entre professores(as) doutores(as) e mestres(as) tradicionais e polímatas como forma de romper com o racismo epistêmico, visando transformar a universidade em um espaço pluriepistêmico de justiça cognitiva. Tomando como base as resoluções para titulação de doutor por NS em diferentes instituições no Brasil e casos concretos de processos de titulação de mestras e mestres em diferentes Instituições de Ensino Superior (IES), analisaremos os desafios jurídicos e epistemológicos para o reconhecimento de saberes de matrizes indígenas, afro-brasileiras e quilombolas nas universidades e institutos; e os dilemas e avanços epistêmicos e acadêmicos das presenças dos mestres(a) doutores nessas instituições. A atividade visa uma análise retrospectiva, o compartilhamento de experiências e a instrumentalização dos participantes na construção de memoriais descritivos e outros trâmites visando o reconhecimento do Notório Saber, assim como os desafios relacionados.

Títulos e Resumos

  • As trajetórias dos/as mestres e as experiências com os processos de Notório Saber
    — Alice Villela (UNIFESP)
  • Do Reconhecimento Comunal à Titulação Acadêmica: A Construção de Memoriais e a Normativa do Notório Saber
    — Bruno Goulart Machado Silva (UNILAB)
  • A Sala de Aula Contracolonial e Pluriepistêmica: Docência Compartilhada e o Enfrentamento ao Racismo Epistêmico
    — Valéria Viana Labrea (UFRGS)

OF 07 - Oficina de imagens artesanais - Artesanias, imagens e imaginações: tecendo o tempo em cianopoéticas

Coordenação
Aina Guimarães Azevedo (UFPB)

Entre o gesto de desenhar numa folha em branco e o gesto de apertar o botão de um aparelho, para criar imagens instantaneamente, parece haver um abismo quase intransponível. Entre um e outro, entretanto, há movimentos corporais pelos quais as imagens aparecem, seja através da viagem e do deslocamento etnográficos, seja pelas posturas, as quais sustentam o gesto que se move para deixar marcas. Um destes gestos é aquele que, com um pincel, espalha um líquido, a emulsão, sobre um suporte rígido de papel, como base para diferentes camadas e experimentações imagéticas. A oficina de imagens artesanais tem como objetivo compartilhar saberes sobre o processo de criação de imagens por meio da cianotipia, compreendendo não apenas o ensino-aprendizagem da técnica analógica, mas uma reflexão antropológica acerca do fazer artesanal como processo imaginativo de produção de mundos. Brincar com fotogramas de negativos digitais, plantas, flores, objetos, tecidos, rendas e outros elementos é aqui um exercício de afirmar a imaginação e o direito ao olhar em sua gênese, sequestrada pelas engrenagens necropolíticas. Um tecido no tempo, sob a luz solar. Trata-se de oportunizar o aprendizado sobre um tema emergente e apreciado na arte contemporânea, como um modo de estimular as pessoas a pensarem antropologicamente suas próprias realidades temporais e movimentos de habitar o mundo.

Títulos e Resumos

  • Revelando imagens em cianopoéticas
    — Ester Paixão Corrêa (UFRN)
  • Manejo de imagens: magia, imaginação e montagem
    — João Mendonça (UFPB)

OF 08 - Tirando a página em branco para dançar: práticas guiadas de propriocepção para uma escrita antropológica situada

Coordenação
Cornelia Eckert (UFRGS)

Entendemos que, mesmo que a escrita parta do corpo, ainda é preciso aprender a escutá-lo. Inspirades por abordagens somáticas que rompem o dualismo corpo-mente, imbricando debates da antropologia visual e da dança, entendemos que pensar, pesquisar e escrever são práticas encarnadas, constituídas de micro-gestos cotidianos da vida. Aqui oferecemos uma mistura de dança e escrita através de uma pausa, não para excluir o entorno e o caos da vida de cada pessoa, mas para permitir que ele aflore diante da nossa atenção à ele - e, a partir disso, convidar o corpo a se dar conta do cotidiano, das micro-coreografias do saber e do trabalho intelectual: uma episteme do corpo. Nosso objetivo é trabalhar estratégias de atenção para o exercício de uma escrita encarnada. Por meio de práticas guiadas (de percepção, desenho e escrita) e exposição orgânica dos conceitos que nos guiam, as pessoas exercitarão a percepção de si, do seu contexto e de como aproximar suas micro-coreografias à sua produção. Destinada a quem tem interesse e curiosidade sobre escrita, práticas de expressão artísticas na antropologia e metodologias experimentais antropológicas, a oficina não exige experiência prévia em dança ou desenho. Pretende-se, como resultado, reunir as produções resultantes em um pequeno mosaico coletivo, afirmando a escrita como um gesto situado e inventivo que se fortalece nas características pessoais de cada pessoa.

Títulos e Resumos

  • Escuta do corpo e deslocamento da atenção: perceber o espaço da escrita encarnada dentro de si
    — Júlia Mistro Rodrigues (UFRGS)
  • Traçar o que se percebe: a prática do desenho em direção a uma escrita encarnada
    — Mareu Ferreira (UFRGS)

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