Coordenação
Patrícia dos Santos Pinheiro (UNILA)
Daniele Borges Bezerra (UFPEL)
A oficina tem como objetivo discorrer sobre múltiplas grafias em sua relevância metodológica e epistemológica para as pesquisas antropológicas, não apenas como uma forma de compreender e dar a ver os universos de pesquisa, mas, sobretudo, como um modo de agir que põe em relação o fazer antropológico e as questões políticas contemporâneas como princípios para a composição de um fazer ético e comprometido. A oficina abordará reflexões sobre o que e como narrar, associadas a processos criativos diversos, como projetos de audiovisual e técnicas mistas em artes visuais, nas confluências entre diferentes vozes e práticas. Procura-se contemplar a valorização de outros imaginários que não os hegemônicos e observar as implicações da relação entre pesquisas etnográficas e o desenvolvimento de projetos a partir de grafias múltiplas enquanto modos de agir e produzir sentidos que convocam a investir em narrativas para além da escrita verbal. Nas sessões da Oficina, teceremos diferentes formas de inscrição tematizando acerca das possibilidades das grafias (po)éticas de criar uma sobreposição de camadas de significados que emergem na relação dialógica entre as pessoas em interlocução, evidenciando um espaço reflexivo que permite pensar e questionar as (e com as) imagens e a nossa posição como antropólogas. Buscamos enfim experimentar percepções engajadas com o mundo, incluindo silêncios, emoções, pensamentos em processo, e outros elementos traduzíveis por uma narrativa híbrida.
Títulos e Resumos
-
Fabulação especulativa como metodologia da esperança
— Daniele Borges Bezerra (UFPEL)
— Daniele Borges Bezerra (UFPEL)
Esta segunda sessão da oficina propõe a fabulação especulativa (Haraway, 2023) como metodologia antropológica para refletir sobre as mutações climáticas planetárias a partir de uma perspectiva crítica, sensorial e inventiva. Em um contexto marcado por narrativas de colapso e paralisia, a proposta desloca o olhar para a imaginação como prática política e epistemológica, orientada por um desejo genuíno de reparação e pelo bem viver, entendido como horizonte ético relacional entre humanos, não humanos, territórios e tecnologias. Inspirada na metodologia da esperança, conforme formulada pelo antropólogo Hirokazu Miyazaki (2004) e também pelo verbo esperançar de Paulo Freire (1992), esta seção da oficina compreende a esperança não como expectativa passiva ou otimismo abstrato, mas como método: uma forma de agir, pensar e narrar em meio à incerteza. A fabulação especulativa é mobilizada como dispositivo para imaginar continuidades da vida, produzir sentidos compartilháveis e elaborar respostas situadas diante das transformações climáticas em curso. Nesta sessão da oficina, propomos articular práticas de antropologia sensorial, pesquisa-criação e produção multimodal, incluindo o uso crítico de narrativas textuais, imagens e de ferramentas de IA generativa como mediadoras sociotécnicas (Latour, 1994). A atividade convida os participantes a fabular narrativas e imagens que escapem aos regimes visuais hegemônicos do Antropoceno (Latour, 2020; Tsing, 2022; Haraway, 2023), frequentemente marcados pela catástrofe, e a experimentar regimes imagéticos comprometidos com a pluridiversidade de mundos, saberes e modos de existência. Ao final, a sessão busca criar um espaço de escuta, partilha e criação coletiva, no qual a fabulação opere como metodologia da esperança: uma prática que reconhece as ruínas, sem se fixar nelas, e que aposta na imaginação como forma de cuidado, reparação e produção de consciência acerca de nossas ações no planeta.
-
Projetos audiovisuais e o fazer antropoético
— Patrícia dos Santos Pinheiro (UNILA)
— Patrícia dos Santos Pinheiro (UNILA)
A oficina abordará o processo criativo de escrita de projetos de audiovisual nas confluências entre diferentes vozes e práticas, fortalecendo a conexão entre antropologia e cinema. Procura-se, desse modo, contemplar a valorização de outros imaginários que não os hegemônicos e observar as implicações e potencialidades da relação entre pesquisas etnográficas e o desenvolvimento de projetos de audiovisual. Serão realizados exercícios de desenvolvimento de projetos de audiovisual, considerando elementos básicos de planejamento e organização de uma obra de audiovisual, como sinopse curta (logline), criação de personagens e cenas.
-
Etnografia como prática de presença: experimentações em antropologia, meditação e arte
— Valéria de Paula Martins (UFU)
— Valéria de Paula Martins (UFU)
A oficina é voltada à percepção da pesquisa etnográfica como uma prática de presença, ou seja, que nos convoca os sentidos e a plena atenção no processo de aprendizagem que constitui a pesquisa de campo. Tendo em vista a especificidade da antropologia no sentido de nos conclamar, como pesquisadoras, a um engajamento em campo a partir das relações com nossas interlocutoras e interlocutores e tudo o mais que povoa seus mundos de experiência – sons, cores, gestos, imagens –, consideramos o campo etnográfico como um ambiente para a educação da atenção (Ingold 2010), ou seja, para a construção de habilidades associadas ao ouvir, sentir, olhar, perceber e agir, ao lidar-se com a alteridade e a diferença. Na oficina, realizaremos exercícios meditativos, de percepção etnográfica e de composição visual com técnica mista, de forma associada às pesquisas etnográficas ou temáticas de interesse das pessoas inscritas.
Coordenação
Antonella Maria Imperatriz Tassinari (UFSC)
Elisete Schwade (UFRN)
No marco dos 30 anos da LDB da Educação Nacional (1996), esta oficina propõe discutir o lugar contemporâneo de antropólogos/as/es na sala de aula. Trata-se de um tema que atravessa diferentes momentos do fazer antropológico no Brasil, presente tanto em atividades regulares da Associação Brasileira de Antropologia desde os anos 1990 quanto em eventos específicos, como o encontro realizado em Ponta das Canas, Florianópolis, em 2002 (Grossi, Tassinari & Rial, 2006), com ênfase no ensino na graduação e na pós-graduação. Esta oficina pretende dar ênfase à contribuição da Antropologia para a formação de docentes para atuarem na Educação Básica, à luz das demandas mais recentes presentes nas diretrizes para a formação de professores, como a Base Nacional Comum Curricular (2018), as Diretrizes Curriculares Nacionais para as Licenciaturas (Resolução CNE/CP Nº 4/2024) e contemplando também a Resolução CNE/CES nº 7/2018 que regulamenta a extensão curricular . Esses documentos demandam diferentes questões antropológicas, como a educação intercultural, a educação em direitos humanos, a educação para as relações raciais, a prática da extensão e diversos temas transversais. A oficina está dividida em três sessões que abordarão essas temáticas a partir de diferentes experiências. Utilizaremos uma metodologia participativa e dialógica, como forma de estimular o encontro e troca de experiências entre os/as/es participantes e refletir sobre o fazer antropológico como docente.
Títulos e Resumos
-
As boas práticas docentes em um contexto de ações afirmativas
— Denise Fagundes Jardim (UFRGS)
— Denise Fagundes Jardim (UFRGS)
A oficina é uma oportunidade para debater a condução de situações de assédios e silenciamentos produzidos em sala de aula, trazendo a experiência de diferentes universidades com grupos de apoio e comitês de enfrentamento a intolerâncias. A oficina pretende ser um espaço para debater as insuficiências e possibilidades da mediação docente em prol do entendimento e enfrentamento a preconceitos vividos nas práticas educacionais. Afinal, quais seriam as boas práticas no contexto das ações afirmativas?
-
O lugar da antropologia na formação de professores/as
— Mylene Mizrahi (PUC-RIO)
— Mylene Mizrahi (PUC-RIO)
Nesta sessão faremos um exame das diretrizes para a formação de professores/as, como a Base Nacional Comum Curricular (2018), as Diretrizes Curriculares Nacionais para as Licenciaturas (Resolução CNE/CP Nº 4/2024) contemplando a Resolução CNE/CES nº 7/2018 que regulamenta a extensão curricular. Em seguida, discutiremos as implicações envolvidas no ensino de Antropologia em outras licenciatura e cursos de formação de professores a partir de nossa experiência em sala de aula.
-
A contribuição da Antropologia à educação para as relações étnico-raciais
— Waldemir Rosa (UNILA)
— Waldemir Rosa (UNILA)
Um panorama da legislação educacional para as relações étnico-raciais, considerando a LDB (1996), a proposta da educação intercultural, as Leis Federais nº 10.639/03 e nº 11.645/08 (obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e do ensino da História e Cultura Indígena) e as Licenciaturas Indígenas e Quilombolas. A oficina propõe um espaço de reflexão sobre o potencial da Antropologia nessas áreas.
Coordenação
Kowawa Kapokaja Apurinã (Instituto Pupykari)
O minicurso propõe uma vivência artístico-antropológica que articula a pintura em ecobags com grafismos indígenas inspirados na cosmologia do povo Apurinã, e letramento étnico-racial. A atividade busca refletir sobre identidade, diversidade cultural e respeito às epistemologias indígenas. O minicurso pretende aproximar o(a)s participantes dos modos de pensar e criar Apurinã, valorizando os grafismos como expressão estética, política e espiritual. O processo será conduzido de forma dialógica, permitindo que cada participante elabore sua ecobag. A proposta situa-se na educação intercultural e contra colonial, contribuindo para o enfrentamento ao racismo estrutural e saberes indígenas. Objetivo geral: promover uma experiência artístico-educativa-antropológica de pintura em ecobags com grafismos, articulada ao letramento étnico-racial. Objetivos específicos: contextualizar a cosmologia e os grafismos do povo Apurinã; estimular reflexões críticas sobre identidade e etnicidade; incentivar a criatividade coletiva; valorizar práticas sustentáveis na produção artística. Metodologia:(1) apresentação sobre cosmologia, grafismos e letramento étnico-racial; (2) demonstração de técnicas de pintura; (3) produção coletiva e roda de conversa para socialização. Recursos didáticos: ecobags, tintas para tecido, pincéis, papel para rascunho, projetor e imagens de grafismos indígenas.
Títulos e Resumos
-
Arte, cosmologia Apurinã e letramento étnico-racial: Pintura e grafismo em Ecobags
— Kowawa Kapokaja Apurinã (Instituto Pupykari)
— Kowawa Kapokaja Apurinã (Instituto Pupykari)
PLANO DE AULA – OFICINA / MINICURSO Modalidade :Oficina / Minicurso presencial (vivência artístico-pedagógica) Público-alvo: Antropólogo(a)(e)s e pessoas interessadas em arte, educação intercultural e saberes indígenas. Carga horária:02 horas. Justificativa: A oficina propõe uma experiência artístico-educativa fundamentada na valorização das epistemologias indígenas, com foco no povo Apurinã, articulando arte, cosmologia e letramento étnico-racial. Em um contexto marcado pelo racismo estrutural e pela colonialidade do saber, a atividade contribui para práticas pedagógicas interculturais, críticas e contra-coloniais, em consonância com a Lei nº 11.645/2008. A pintura de ecobags com grafismos indígenas configura-se como prática estética, política, espiritual e sustentável, promovendo reflexões sobre identidade, território, ancestralidade e diversidade cultural. Objetivo Geral: Promover uma experiência artístico-educativa de pintura em ecobags com grafismos Apurinã, articulada ao letramento étnico-racial e à educação intercultural. Objetivos Específicos: Contextualizar a cosmologia e os grafismos do povo Apurinã; estimular reflexões críticas sobre identidade e etnicidade; incentivar a criatividade individual e coletiva; valorizar práticas sustentáveis; contribuir para o enfrentamento do racismo estrutural no campo educacional e cultural. Conteúdos: História e cosmologia Apurinã; grafismos indígenas e seus significados; arte indígena como expressão política, espiritual e estética; letramento étnico-racial; sustentabilidade na prática artística. Metodologia: A oficina será desenvolvida de forma dialógica e participativa, articulando teoria e prática por meio de: (1) exposição dialogada sobre cosmologia Apurinã, grafismos e letramento étnico-racial; (2) demonstração das técnicas de pintura em tecido; (3) produção individual das ecobags; (4) roda de conversa para socialização das experiências e reflexões. Recursos Didáticos:Ecobags de algodão cru, tintas para tecido, pincéis, papéis para rascunho, imagens de grafismos indígenas e espaço adequado para a atividade. Bibliografia APURINÃ, Kowawa Kapokaja. O canto da Terra e as palavras ancestrais: o Porancy e os Tupinambá do Sul da Bahia – Brasil. 2025. Tese (Doutorado em Antropologia) – UFF. BANIWA, Gersem. Educação escolar indígena no Brasil. Brasília: MEC, 2006. OLIVEIRA, João Pacheco de. O nascimento do Brasil e outros ensaios. Rio de Janeiro: ContraCapa, 2016. SILVA, Aracy Lopes da; GRUPIONI, Luís Donisete Benzi (orgs.). A temática indígena na escola. Brasília: MEC, 1995. VIDAL, Lux Boelitz. Iconografia e grafismos indígenas. São Paulo: Studio Nobel/USP/FAPESP, 1992.
Coordenação
Denise Pimenta (Unifesp)
A antropologia é uma área do conhecimento que se estruturou como disciplina acadêmica durante a virada do Século XIX para o Século XX. Funcionando como um dos braços do colonialismo e imperialismo em África e em tantos outros territórios ao redor do mundo, por isso mesmo, carregada por mecanismos de exotizatição e romantização de seu próprio fazer etnográfico. A disciplina é marcada pela “autoridade etnográfica” do “estive lá”, reforçada por uma escrita que reforça a "aura do herói", no caso, o antropólogo homem branco europeu e estadunidense. A famosa frase em “Os Argonautas do Pacífico Ocidental” (1922) – “Imagine-se o leitor sozinho, rodeado apenas de seu equipamento, numa praia tropical, próxima a uma aldeia nativa, vendo a lancha ou o barco que o trouxe afastar-se no mar até desaparecer de vista” – foi inúmeras vezes repetida, como encanto ou anedota. Após o trabalho dos incômodos e necessários “pós-modernos”, isso tudo é sabido por pesquisadores e alunes. No entanto, nota-se, ainda hoje, uma romantização arraigada do trabalho de “campo distante”, aquilo que durante muito tempo se denominou de “alhures”. Quanto mais longe e “difícil” mais o campo confere “aura” à pesquisa e ao pesquisador. A partir de nossas pesquisas, posicionadas e interseccionais, no continente africano, mais precisamente na Serra Leoa e na África do Sul, intentamos desvelar esta aura. Promoveremos uma discussão sobre estratégias, passos e práticas necessárias para a organização do trabalho de campo.
Títulos e Resumos
-
Um trabalho de campo possível: desafios e estratégias coletivas
— Thais Henriques Tiriba (USP)
— Thais Henriques Tiriba (USP)
Esta sessão propõe uma discussão coletiva sobre trabalho de campo “em África e alhures” a partir do modo como a posição do/a pesquisador/a, atravessada por marcadores sociais da diferença como gênero, raça, classe, nacionalidade, instituição, idade e repertórios linguísticos, incide sobre acesso, confiança, risco, circulação e formas de perguntar e escutar. Em vez de tomar o “campo distante” ou o Sul global como sinônimos de desafio ou autenticidade, a sessão busca desromantizar essas imagens e discutir como desigualdades e hierarquias atravessam, concretamente, a produção de conhecimento. Como fio de reflexão, mobilizamos a noção de “intimidades dissonantes” (Srila Roy, 2023) para pensar os limites de expectativas de simetria em pesquisas, colaborações e encontros Sul–Sul: proximidades desejadas podem coexistir com fricções, assimetrias materiais e simbólicas, e com diferentes riscos e vulnerabilidades para corpos situados de maneiras distintas. A atividade convida participantes a partilhar experiências de campo já vividas e também desafios que imaginam que virão a enfrentar, especialmente no que toca segurança e mobilidade; mediações e “economias de acesso” (redes, convites, intermediações); dilemas éticos e negociações de confiança; e escolhas de linguagem e categorias sensíveis em contextos marcados por desigualdade. A partir dessas trocas, buscaremos formular estratégias pragmáticas e coletivas para enfrentar tais questões, por exemplo, modos de antecipar riscos, negociar mediações e lidar com impasses éticos e linguísticos, entre outras situações. São bem-vindes participantes com pesquisas de campo em diferentes contextos nacionais e internacionais que tenham interesse em refletir, coletivamente, sobre posição, marcadores sociais da diferença e as condições práticas e relacionais que tornam um trabalho de campo possível.
Coordenação
Ana Claudia Rodrigues da Silva (UFPE)
A oficina abre espaço para outras formas de produzir conhecimento, formas que partem do corpo, das memórias, dos afetos e das experiências que, muitas vezes, ficam à margem das epistemologias hegemônicas. Aqui, escrevivência não é apenas uma técnica de escrita: é um posicionamento político, uma recusa aos silenciamentos e uma reivindicação da legitimidade das nossas próprias histórias como fonte de saber. Ao longo da oficina, vamos trabalhar com práticas de escrita, exercícios de memória, pequenos disparadores criativos e momentos de conversa coletiva. Investigando: Como as vivências das pessoas participantes se tornam conhecimento? De que maneira emoções e experiências fazem parte do processo de pesquisa? Como escrever de forma situada, insurgente e sensível dentro da antropologia? Como romper com a ideia de neutralidade e afirmar uma produção de saber comprometida com ética, contexto e corpo? Essa diversidade de perspectivas, expressa em diferentes estilos, ritmos e formas de narrar, cria um espaço seguro e potente para pensar coletivamente sobre como a pesquisa pode ser atravessada pela vida sem perder rigor, densidade ou profundidade. A oficina é um convite para quem deseja transformar a escrita em ferramenta de presença, posicionamento e elaboração. Um espaço para afirmar que todas as pessoas são sujeitas de saber, e que suas escrevivências também são teoria.
Títulos e Resumos
-
Vozes do Corpo: contracolonização da escrita pela escrevivência
— Christina Gladys de Mingareli Nogueira (UFPB)
— Christina Gladys de Mingareli Nogueira (UFPB)
O objetivo central desta sessão é tensionar os limites da escrita acadêmica tradicional ao posicionar o corpo como o epicentro da produção de conhecimento, transformando-o de objeto de estudo em sujeito que narra e teoriza. Através da perspectiva da escrevivência, a oficina busca investigar como as marcas, os ritmos e as memórias inscritas na pele podem fundamentar uma antropologia insurgente, que recusa a neutralidade desincorporada em favor de um saber situado e sensível. Ao cruzar afeto e rigor, a sessão pretende instrumentalizar a escrita como um gesto de presença física e política, onde a trajetória vivida pelas pessoas participantes não apenas atravessa a pesquisa, mas se consolida como uma forma legítima de insubmissão epistêmica e elaboração teórica.
-
Memória, afeto e pesquisa: escrever desde dentro
— Jullia Alves de Almeida (UFPE)
— Jullia Alves de Almeida (UFPE)
Esta sessão propõe aprofundar as relações entre memória, afeto e produção de conhecimento antropológico, tomando a experiência vivida como matéria analítica e política da pesquisa. A partir de exercícios de escrita, nos quais cada participante será convidada a elaborar uma memória atravessada por tensões de gênero, raça e classe, refletimos sobre como emoções, lembranças e trajetórias pessoais constituem o trabalho de campo, a análise e a escrita, ainda que frequentemente silenciadas pelas convenções acadêmicas. A sessão convida as pessoas participantes a reconhecerem seus lugares de enunciação e a problematizar as hierarquias que definem quais experiências são legitimadas no fazer científico. A memória é pensada não como elemento acessório ou meramente subjetivo, mas como um campo de elaboração teórica capaz de revelar as estruturas sociais que atravessam a pesquisa. A escrita, assim, emerge como prática situada que articula rigor analítico e implicação afetiva.
-
Escrevivência como método: insurgência, ética e elaboração teórica
— Thaynara Kelly dos Santos Pereira (UFPE)
— Thaynara Kelly dos Santos Pereira (UFPE)
A sessão final da oficina se dedica a pensar a escrevivência como método e como gesto ético-político dentro da antropologia. Partindo das experiências e reflexões construídas ao longo dos encontros anteriores, o objetivo é discutir como transformar vivências, afetos e narrativas pessoais em escrita densa, crítica e teoricamente comprometida, sem abrir mão da sensibilidade. Neste momento, a oficina propõe um exercício de síntese e elaboração coletiva, refletindo sobre os limites e as potências da escrita insurgente no contexto acadêmico. Questões como responsabilidade ética, exposição, autoria e comprometimento político atravessam a discussão, reforçando a ideia de que escrever desde o corpo e desde a experiência não fragiliza a pesquisa, mas a fortalece. A escrevivência aparece, assim, como uma prática de insubmissão epistêmica que afirma a vida como fonte legítima de teoria e a escrita como espaço de disputa, presença e transformação.
Coordenação
Rumi Regina Kubo (UFRGS)
José Jorge de Carvalho (INCTI/UnB/CNPq)
Esta oficina propõe uma imersão nos processos de contracolonização acadêmica através de dois eixos estruturantes: a prática pedagógica da interdisciplina Encontro de Saberes (ES) e a implementação normativa do título de Notório Saber (NS) para mestras e mestres tradicionais. A partir do compartilhamento de experiências em curso nas Universidades brasileiras, busca-se um espaço para reflexões sobre a docência compartilhada entre professores(as) doutores(as) e mestres(as) tradicionais e polímatas como forma de romper com o racismo epistêmico, visando transformar a universidade em um espaço pluriepistêmico de justiça cognitiva. Tomando como base as resoluções para titulação de doutor por NS em diferentes instituições no Brasil e casos concretos de processos de titulação de mestras e mestres em diferentes Instituições de Ensino Superior (IES), analisaremos os desafios jurídicos e epistemológicos para o reconhecimento de saberes de matrizes indígenas, afro-brasileiras e quilombolas nas universidades e institutos; e os dilemas e avanços epistêmicos e acadêmicos das presenças dos mestres(a) doutores nessas instituições. A atividade visa uma análise retrospectiva, o compartilhamento de experiências e a instrumentalização dos participantes na construção de memoriais descritivos e outros trâmites visando o reconhecimento do Notório Saber, assim como os desafios relacionados.
Títulos e Resumos
-
As trajetórias dos/as mestres e as experiências com os processos de Notório Saber
— Alice Villela (UNIFESP)
— Alice Villela (UNIFESP)
Esta oficina aprofunda o debate sobre o "depois da titulação", analisando os impactos políticos e os desafios cotidianos da presença dos Mestres e Mestras doutores nas instituições. Não basta titular; é preciso garantir condições de exercício da docência. Discutiremos os entraves administrativos para a contratação e pagamento justo, equiparado aos doutores acadêmicos; como evitar a folclorização, garantindo sua participação em bancas, colegiados e orientações; a importância da criação de redes de acolhimento e bancadas de mestres para enfrentar a estrutura monocultural da universidade; e como a titulação impacta a luta territorial e política das comunidades de origem, evitando o extrativismo epistêmico. A sessão apresentará comparativos entre as experiências da UnB, UFMG, UFRGS e UECE, apontando caminhos para uma política de permanência efetiva.
-
Do Reconhecimento Comunal à Titulação Acadêmica: A Construção de Memoriais e a Normativa do Notório Saber
— Bruno Goulart Machado Silva (UNILAB)
— Bruno Goulart Machado Silva (UNILAB)
Esta oficina abordará os aspectos normativos e políticos do desenho institucional necessário para a implementação do título de Notório Saber (NS) nas universidades e institutos. Discutiremos a definição jurídica e acadêmica que equipara o saber tradicional ao título de Doutorado, permitindo que mestres atuem no ensino, pesquisa e extensão. O foco será, por um lado, conferido ao detalhamento dos critérios legais estabelecidos de elegibilidade: comprovação de 20 anos de atividade, reconhecimento comunal, senioridade, compromisso com a transmissão do saber e a comprovação de oralidade plena através de registros audiovisuais e testemunhais. Por outro lado, exploraremos como sistematizar trajetórias de vida marcadas pela oralidade em documentos acadêmicos válidos, considerando o conceito de "escrevivência", de Conceição Evaristo; a metodologia de escrita a "várias mãos" envolvendo os mestres e mestras, o coletivo docente, discentes e a comunidade; e a estrutura do memorial (relatos autobiográficos, comprovação de trajetória, portfólio de atividades e registros de impacto na comunidade). Serão debatidas as etapas do processo: a indicação por docente doutor, a tramitação nos conselhos de unidade e câmaras de pós-graduação, o papel fundamental dos grupos de apoio na superação das barreiras burocráticas e do racismo institucional, reforçando o NS como ferramenta de reparação e justiça cognitiva. A sessão visa capacitar os participantes a replicarem e adaptarem essas normativas em suas instituições, garantindo que mestres e mestras ocupem seu lugar de direito na pós-graduação.
-
A Sala de Aula Contracolonial e Pluriepistêmica: Docência Compartilhada e o Enfrentamento ao Racismo Epistêmico
— Valéria Viana Labrea (UFRGS)
— Valéria Viana Labrea (UFRGS)
A oficina discutirá a prática da docência, especificamente através da interdisciplina "Encontro de Saberes" (ES). Analisaremos o formato de docência compartilhada entre professores universitários e mestres/as tradicionais. O debate se centrará na metodologia de ensino que valoriza a oralidade, a presença do corpo, a espiritualidade e a territorialidade dentro da sala de aula. Serão apresentados resultados pedagógicos, como a transformação subjetiva de estudantes e o impacto na produção acadêmica que passam a citar os mestres como autores e teóricos, e não mais como informantes. Discutiremos o papel da ES no combate ao racismo epistêmico, promovendo uma universidade contracolonial e pluriversa, que acolhe cosmovisões indígenas, afro-brasileiras e populares. A sessão debaterá como a presença remunerada e titulada desses mestres configura uma política de "cotas epistêmicas" necessária para combater o racismo e efetivar as leis 10.639/03 e 11.645/2008 no ensino superior.
Coordenação
Aina Guimarães Azevedo (UFPB)
Entre o gesto de desenhar numa folha em branco e o gesto de apertar o botão de um aparelho, para criar imagens instantaneamente, parece haver um abismo quase intransponível. Entre um e outro, entretanto, há movimentos corporais pelos quais as imagens aparecem, seja através da viagem e do deslocamento etnográficos, seja pelas posturas, as quais sustentam o gesto que se move para deixar marcas. Um destes gestos é aquele que, com um pincel, espalha um líquido, a emulsão, sobre um suporte rígido de papel, como base para diferentes camadas e experimentações imagéticas. A oficina de imagens artesanais tem como objetivo compartilhar saberes sobre o processo de criação de imagens por meio da cianotipia, compreendendo não apenas o ensino-aprendizagem da técnica analógica, mas uma reflexão antropológica acerca do fazer artesanal como processo imaginativo de produção de mundos. Brincar com fotogramas de negativos digitais, plantas, flores, objetos, tecidos, rendas e outros elementos é aqui um exercício de afirmar a imaginação e o direito ao olhar em sua gênese, sequestrada pelas engrenagens necropolíticas. Um tecido no tempo, sob a luz solar. Trata-se de oportunizar o aprendizado sobre um tema emergente e apreciado na arte contemporânea, como um modo de estimular as pessoas a pensarem antropologicamente suas próprias realidades temporais e movimentos de habitar o mundo.
Títulos e Resumos
-
Revelando imagens em cianopoéticas
— Ester Paixão Corrêa (UFRN)
— Ester Paixão Corrêa (UFRN)
A sessão tem como objetivo apresentar a prática da cianotipia como espaço de brincadeira e de criação de imagens. A partir do acervo da artista-antropóloga e do material reunido pelo/as participantes realizaremos experimentos trabalhando com papéis previamente preparados com emulsão fotossensível. A atividade começa com a organização desses papéis e a montagem das imagens que serão reveladas por cada participante. Os experimentos imaginativos objetivam a criação de fotogramas a partir da sobreposição de diferentes materiais, como negativos digitais, tecidos, rendas, plantas, flores e pequenos objetos. Os negativos fotográficos utilizados fazem parte do acervo da ministrante e serão colocados em diálogo com objetos, plantas e outros materiais trazidos pelos participantes. A proposta é brincar com essas sobreposições, observando como a luz, o tempo, os materiais e os gestos do corpo atuam diretamente na formação das imagens em distintas camadas. A exposição à luz UV é uma etapa que ensina sobre o tempo de exposição e seus efeitos, conduzindo a etapa seguinte na qual as imagens passam pelo processo de revelação em água corrente, momento em que os azuis aparecem, a imagem se fixa no papel e o sentido mágico da criação acontece. Essa etapa permite acompanhar as transformações do trabalho de criação e perceber o caráter experimental, artesanal e aberto da técnica da cianotipia. A vivência do processo de experimentação em todas as suas etapas, além do aprendizado da técnica, permite que a imaginação abra portas para outros mundos criativos e ative outras formas de produzir imagens. Ao final da prática, os resultados serão compartilhados em grupo, criando um espaço de conversa sobre o fazer artesanal como um processo imaginativo, que envolve paciência, atenção, experimentação e troca. A cianotipia é entendida como uma forma de desacelerar o olhar e refletir sobre nossas próprias maneiras de produzir imagens, de habitar o tempo e de produzir o mundo - bem como de lidar com a frustração. As imagens produzidas pretendem sobrepor camadas de subjetividades entre a artista-pesquisadora e as/os participantes. Para a realização da sessão, é necessário um espaço com acesso à luz solar direta ou luz UV e água corrente (banheiros e pias) nas proximidades do local da oficina.
-
Manejo de imagens: magia, imaginação e montagem
— João Mendonça (UFPB)
— João Mendonça (UFPB)
Como pensar o caráter artesanal da etnografia e das imagens, e o modo como pessoas, corpos e trajetórias diversas, podem desvelar a si mesmas sob o efeito da imaginação antropológica? Com Tim Ingold, a antropologia visual apareceu vinculada às tecnologias mecânicas, por oposição ao gesto mais livre do desenho; linhas abertas no caminho ao invés de enquadramento prévio. As antropólogas Amanda Ravetz e Anna Grimshaw escreveram um texto, em resposta a essa espécie de dicotomia: “desenhar com a câmera”. O desenho, em meio a esse e outros debates, têm sido mais uma expressão da potência das linguagens visuais no fazer antropológico. Michael Taussig escreveu um livro, que se inicia com um desenho, criado ao observar uma cena sob um viaduto. Em gestos aparentemente simples, de caneta sobre o caderno de campo que carregava consigo, fazia enlaçar a cena testemunhada em sua memória corporal (olhar). Já imagens formadas no interior de câmeras, dependem de gestos de observar, dirigir, enquadrar, experimentar ângulos, com o corpo inteiro envolvido. Mas será que essa movimentação não estaria submetida à lógica programada dos aparelhos (V. Flusser)? Ou mesmo ao fenômeno da necropolítica, pensado em termos do “direito ao olhar” (N. Mirzoeff), sequestrado desde a vigilância nas plantations até os atuais drones e câmeras militarizados (aparelhos gigantes administrativos)? O trabalho da artista-antropóloga Ester Corrêa provoca a reflexão sobre a primazia do artesanal no fazer das imagens e da própria antropologia visual. Sua proposta, ao alinhavar materiais saídos de aparelhos (memórias visuais em negativos fotográficos) com matérias trazidas do ambiente habitado por nossos corpos (orgânicos) ou criadas artesanalmente (macramê, etc.), reunidas em montagens e cianopoéticas, permitiria experimentar o caráter mágico das imagens? Brincar e experimentar um outro olhar? Gestos de fuga e resistência à necropolítica das “big-techs"? Ao embaralhar artesanalmente as dimensões mecânicas, luminosas e fotoquímicas, ela aponta para caminhos que levam de volta ao nosso próprio tempo, corpo, memória e ambiente. Trata-se, num primeiro momento, de refletir a natureza das imagens, pelos gestos de manejar, olhar e falar diante do que é visto e tocado. Trocar impressões sobre sua natureza viva, suas relações com a identidade, o corpo, a magia, o tempo, a morte, a luz, a água e outros tópicos. Pede-se aos participantes que tragam (não obrigatório) de uma a três imagens em suportes bidimensionais impressos, resultadas de quaisquer linguagens ou projetos visuais (desenhos, retratos pessoais, fotografias, panfletos publicitários, etc.), que possam circular entre as pessoas inscritas na oficina. Uma mesa grande poderá facilitar a dinâmica neste primeiro dia.
Coordenação
Cornelia Eckert (UFRGS)
Entendemos que, mesmo que a escrita parta do corpo, ainda é preciso aprender a escutá-lo. Inspirades por abordagens somáticas que rompem o dualismo corpo-mente, imbricando debates da antropologia visual e da dança, entendemos que pensar, pesquisar e escrever são práticas encarnadas, constituídas de micro-gestos cotidianos da vida. Aqui oferecemos uma mistura de dança e escrita através de uma pausa, não para excluir o entorno e o caos da vida de cada pessoa, mas para permitir que ele aflore diante da nossa atenção à ele - e, a partir disso, convidar o corpo a se dar conta do cotidiano, das micro-coreografias do saber e do trabalho intelectual: uma episteme do corpo. Nosso objetivo é trabalhar estratégias de atenção para o exercício de uma escrita encarnada. Por meio de práticas guiadas (de percepção, desenho e escrita) e exposição orgânica dos conceitos que nos guiam, as pessoas exercitarão a percepção de si, do seu contexto e de como aproximar suas micro-coreografias à sua produção. Destinada a quem tem interesse e curiosidade sobre escrita, práticas de expressão artísticas na antropologia e metodologias experimentais antropológicas, a oficina não exige experiência prévia em dança ou desenho. Pretende-se, como resultado, reunir as produções resultantes em um pequeno mosaico coletivo, afirmando a escrita como um gesto situado e inventivo que se fortalece nas características pessoais de cada pessoa.
Títulos e Resumos
-
Escuta do corpo e deslocamento da atenção: perceber o espaço da escrita encarnada dentro de si
— Júlia Mistro Rodrigues (UFRGS)
— Júlia Mistro Rodrigues (UFRGS)
Nesta sessão faremos o processo de ativação da atenção do corpo em situação de trabalho intelectual - e de escrita. Não é rara a dificuldade de encarar a página em branco - aqui, partimos do pressuposto de que essa dificuldade não é individual, mas, sim, sintomática de rotinas de trabalho intelectual e práticas acadêmicas contemporâneas. Presente nas práticas de dança, a ativação consiste em um aquecimento cujo principal objetivo é o de exercitar a percepção do próprio corpo através de exercícios práticos guiados de alongamento, auto-toque e respiração. Essa dinâmica se alinha ao nosso objetivo de aprender a escutar esse corpo e perceber a situacionalidade numa ação imersiva a partir de técnicas específicas advindas das práticas somáticas. Aqui, as artes presenciais, práticas que valorizam o corpo e a relação direta entre artista e o entorno, constituem o método de investigação e prática acadêmica. Se cada pessoa vive em determinado contexto, com seu corpo, e seu ritmo: como perceber os rastros dos nossos gestos na memória muscular de nosso corpo? O que nossas dores, nas costas, pescoço, punhos, dizem sobre como vivemos? Em que lugares estão concentradas nossas tensões? Como se dança o desconforto? O cansaço? Onde colocamos mais peso quando pisamos ou nos apoiamos quando escrevemos? De que maneira isso altera e influencia nossa escrita? Quais posturas, apoios e tensões tendem a se repetir quando escrevemos, e o que essa repetição revela sobre nossos modos de organizar o trabalho intelectual? O que acontece com a escrita quando deslocamos a atenção do conteúdo do texto para o gesto de escrever em si? Há possibilidades de aquecer e preparar esse corpo para escrita? O que o nosso próprio corpo conta sobre a nossa história e emerge no nosso texto - ou na nossa dificuldade de escrevê-lo? Neste sentido, nesta sessão não estamos corrigindo um erro histórico ou dando uma solução fácil a um problema complexo. Mas facilitando um exercício de atenção que pode ser praticado individualmente nos momentos que antecedem a escrita para, com isso, produzir um deslocamento que esteja orientado para a prática de uma escrita situada - pois ancorada na presença: encarnada.
-
Traçar o que se percebe: a prática do desenho em direção a uma escrita encarnada
— Mareu Ferreira (UFRGS)
— Mareu Ferreira (UFRGS)
Nesta sessão, utilizaremos o desenho como um modo de perceber a situacionalidade. Se num primeiro momento ativamos o corpo para percebê-lo, aqui faremos uso dessa propriocepção para dar atenção ao arranjo relacional onde corpo, ambiente e prática se constituem mutuamente. O desenho, entendido aqui enquanto um modo de investigação e produção de conhecimento, compreende uma prática que está na intersecção entre percepção e descrição, observação e imaginação, e imagem e texto. Ao desenharmos, não simplesmente impomos ou definimos uma forma à matéria, mas estabelecemos uma relação com os campos de força e fluxo de materialidades, interferindo nesse campo e sendo por ele influenciades. Estabelecemos vínculos com as texturas do mundo e, com nossos gestos, deixamos rastros. Voltamos nossa atenção para o lugar que sustenta esse corpo que foi percebido durante nossas imersões de produção textual: a cadeira. Convidamos es participantes a elaborar um desenho sobre este suporte agentivo, mesclando a observação e a imaginação, e um breve exercício de escrita para concluí-lo. De que forma ela me dá suporte? Qual a distância de meus braços que se apoia nela até meu pescoço que fica entre meus ombros? Onde meu corpo se equilibra? De que forma ela me deforma? O que isso diz sobre o tempo da atividade intelectual? Nosso objetivo com isso é buscar desbloquear a escrita através da escuta do corpo. A resposta está no corpo, é preciso dar ouvidos aos seus recados, pedidos, palavras e permitir que eles surjam em gesto. Ao sustentar uma prática em que ação e percepção se constroem conjuntamente, o desenho opera justamente no deslocamento em relação à escrita em que não temos uma ruptura entre corpo, ambiente e descrição. Na prática somática, a imaginação é estimulada como caminho para o aprendizado, para melhor percepção de si, do outro, do que se deseja (a)notar. Assim, se começamos no corpo, olhamos para o seu movimento através dos rastros deixados com o desenho, chegamos na escrita enquanto uma prática vinculada às texturas de cada mundo.
Nenhuma atividade encontrada.