35ª Reunião Brasileira de Antropologia — Campus Samambaia, UFG, Goiânia — 13 a 17 julho 2026

MR 49 - Interseções entre antropologia da saúde, gênero e justiça reprodutiva

Coordenação
Débora Allebrandt (UFAL)

Debate
Raquel Lustosa da Costa Alves (UFPE)

Participantes
Elaine Reis Brandão (UFRJ), Stephania Gonçalves Klujsza (UFF), Thiago da Silva Santana (UFSC)

Justiça reprodutiva é uma ferramenta e um conceito cada vez mais acionado por pesquisadoras para compreender e tensionar os dilemas da garantia de direitos sexuais e reprodutivos em contextos de profunda desigualdade social. O termo está ancorado às discussões sobre iniquidades de gênero, raça, etnia, classe, território e idade, desenvolvidas especialmente no âmbito do feminismo negro. A antropologia da saúde se fortalece com essa perspectiva interseccional e evidencia como as desigualdades sociais são coproduzidas nas experiências reprodutivas. As pesquisas reunidas na mesa destacam o como a saúde reprodutiva de mulheres, meninas e pessoas com útero, especialmente no contexto de contracepção, aborto, parto e exercício da maternidade estão perpassadas por muitas dimensões que envolvem desde a formação de profissionais de saúde até cerceamentos, estereótipos de gênero e julgamentos morais que levam a situações extremas, como o caso recente e emblemático de Paloma Alves Moura, uma mulher negra que sofria de endometriose, de 46 anos que teve seu estado de saúde negligenciado por uma suspeita de aborto provocado e morreu sem assistência em Pernambuco. Como ela, muitas mulheres vivenciam a negação de direitos que as impede de exercer a maternidade de forma livre, autônoma e segura. São vidas marcadas pelo impacto direto do racismo, sendo punidas até a morte pela contínua violação de seus direitos reprodutivos.

Títulos e Resumos

  • Tecnologias de governo e cuidado em saúde. A oferta dos implantes hormonais contraceptivos para adolescentes e jovens no Sistema Único de Saúde do Brasil na perspectiva da justiça reprodutiva
    — Elaine Reis Brandão
  • Formação médica em obstetrícia e violência obstétrica: dilemas, limites e disputas na atenção ao parto
    — Stephania Gonçalves Klujsza
  • Maternidades Destituídas: Judicialização, Racismo Institucional e a Monocultura do Núcleo Familiar em Santa Catarina
    — Thiago da Silva Santana

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