35ª Reunião Brasileira de Antropologia — Campus Samambaia, UFG, Goiânia — 13 a 17 julho 2026

MR 64 - Políticas etnográficas no campo da vitimização: sofrimento, agência e crítica social

Coordenação
Theophilos Rifiotis (UFSC)

Debate
Marco Julián Martínez-Moreno (UFRGS)

Participantes
Cynthia Andersen Sarti (UNIFESP), Daniel Schroeter Simião (UNB), Katerina Hatzikidi (Universidade de Tuebingen)

A proposta tem como objetivo fomentar o debate acerca das configurações contemporâneas da vitimização, a partir de uma perspectiva crítica, articulando experiências etnográficas em diferentes contextos. Com o objetivo de elaborar uma teoria crítica da vitimização, as apresentações buscam problematizar a consolidação da categoria "vítima" como eixo analítico e na formulação de políticas públicas, discursos jurídicos, narrativas de sofrimento, estratégias de reconhecimento e práticas de pesquisa que reconfiguram modos de subjetivação e de governo da vida. A análise dos contornos e das implicações da vitimização será realizada por meio dos seguintes aspectos: 1) a vitimização como dispositivo ético-político que articula vulnerabilidade, reconhecimento e agência; 2) as disputas em torno da "vítima legítima"/"boa vítima"; 3) as tensões entre testemunho, trauma e empatia; 4) a produção institucional de vítimas e sobreviventes em políticas de gênero, memória e direitos humanos; e 5) o lugar da antropologia nos circuitos de legitimação e reconhecimento social do sofrimento. Em suma, busca-se problematizar a naturalização da vitimização como horizonte moral, ético, político e analítico, interrogando seus efeitos de desresponsabilização, judicialização e moralização da desigualdade. A proposta visa contribuir para o aprofundamento da reflexão acerca das políticas etnográficas no âmbito da vitimização, reavivando os desafios da entrada da política na pesquisa e da pesquisa na política.

Títulos e Resumos

  • Gênero e violência sexual na memória da ditadura militar brasileira (1964-1985): lendo o Relatório da Comissão Nacional da Verdade.
    — Cynthia Andersen Sarti
  • A dimensão moral na produção da violência: perspectivas etnográficas
    — Daniel Schroeter Simião
  • Quem pode ser vítima? Moralidade, legitimidade e sofrimento nos discursos conservadores
    — Katerina Hatzikidi

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