MR 57 - O Estado entre a contradição, a invenção e a magia em três perspectivas etnográficas
Coordenação
Piero de Camargo Leirner (UFSCAR)
Participantes
Piero de Camargo Leirner (UFSCAR), Ciméa Barbato Bevilaqua (UFPR), Marnio Teixeira-Pinto (UFSC)
Esta MR pretende discutir como o Estado, na sua própria afirmação de instituição indivisível, indissolúvel, permanente e transparente, produz constantemente erros, ilusões, contradições, apagamentos, esquecimentos e fórmulas mágicas que, ao contrário de se constituírem em bombas autodestrutivas, parecem ser parte necessária de sua própria sustentação. Isso será discutido com base em três casos etnográficos sobre agentes e setores estatais no Brasil. Primeiramente, considerando o direito de povos originários, a clareza das figuras legais é vista em contraste com a forma labiríntica, hermética e contraditória de como se dá a afirmação prática dos direitos garantidos, mesmo quando estes são considerados cláusulas pétreas. Em segundo lugar, trataremos da circulação e transformação de documentos estatais envolvendo grandes processos (como a Lava-Jato), em que vazamentos e segredos, mais e menos oficiais, acabam por constituir invenções burocráticas cujas variações permitem ocultar, revelar ou transformar práticas anteriores, assim como modular ações futuras, no âmbito estatal e para além dele. Finalmente, trataremos da relação que as Forças Armadas estabeleceram com a urna eletrônica, operando a contestação de seu mecanismo com Bolsonaro, mas, ao mesmo tempo, fazendo parte da construção de seu software e de seu hardware. Para que esses processos ocorram, mostraremos como omissões, lacunas, fetichismo e magia, intencionais ou não, integram a engrenagem antropológica do Estado.
Títulos e Resumos
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Invenções burocráticas: segredos e vazamentos oficiais
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Estado, magia e fetiche: atos estatais, demandas políticas e eficácias mágicas nos direitos indígenas
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Militares e seus artefatos mágicos: o caso de Bolsonaro e as urnas eletrônicas.
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