OF 04 - Desromantizando a pesquisa antropológica: estratégias para um trabalho de campo possível em África e alhures
Coordenação
Denise Pimenta (Unifesp)
A antropologia é uma área do conhecimento que se estruturou como disciplina acadêmica durante a virada do Século XIX para o Século XX. Funcionando como um dos braços do colonialismo e imperialismo em África e em tantos outros territórios ao redor do mundo, por isso mesmo, carregada por mecanismos de exotizatição e romantização de seu próprio fazer etnográfico. A disciplina é marcada pela “autoridade etnográfica” do “estive lá”, reforçada por uma escrita que reforça a "aura do herói", no caso, o antropólogo homem branco europeu e estadunidense. A famosa frase em “Os Argonautas do Pacífico Ocidental” (1922) – “Imagine-se o leitor sozinho, rodeado apenas de seu equipamento, numa praia tropical, próxima a uma aldeia nativa, vendo a lancha ou o barco que o trouxe afastar-se no mar até desaparecer de vista” – foi inúmeras vezes repetida, como encanto ou anedota. Após o trabalho dos incômodos e necessários “pós-modernos”, isso tudo é sabido por pesquisadores e alunes. No entanto, nota-se, ainda hoje, uma romantização arraigada do trabalho de “campo distante”, aquilo que durante muito tempo se denominou de “alhures”. Quanto mais longe e “difícil” mais o campo confere “aura” à pesquisa e ao pesquisador. A partir de nossas pesquisas, posicionadas e interseccionais, no continente africano, mais precisamente na Serra Leoa e na África do Sul, intentamos desvelar esta aura. Promoveremos uma discussão sobre estratégias, passos e práticas necessárias para a organização do trabalho de campo.
Títulos e Resumos
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Um trabalho de campo possível: desafios e estratégias coletivas
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