GT16: Antropologia e Alimentação: diálogos sobre cultura, identidade e direitos
Apresentação Oral
ROSANE PATRICIA FERNANDES, DIONE DA ROCHA BANDEIRA, CLAUDIA PARELLADA, Mariluci Neis Carelli
As Louças em Barro de Guilherme Tiburtius, expressões materiais dos saberes e fazeres da alimentação de Comunidades Tradicionais e Históricas que viveram no entorno de Curitiba, Paraná
Os artefatos em cerâmica, desde os tempos arqueológicos, trazem memórias sociais, reverberando informações das relações sociais, territórios e tradições, além de mudanças e interações culturais. Assim, este trabalho traz aspectos referentes à gênese histórica-geográfica das cerâmicas como aporte para discutir as louças de barro, do primeiro planalto paranaense, reunidas pelo pesquisador e arqueólogo amador Guilherme Tiburtius, entre 1941 e 1942, no entorno de Curitiba. Tibutius coletou 12 mil objetos de valor arqueológico, etnográfico e histórico, enquanto viveu no Paraná e Santa Catarina. O estudo integra a pesquisa/ tese interdisciplinar vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Patrimônio Cultural e Sociedade, da Universidade da Região de Joinville, com revisões bibliográficas e documentais, e análises estilísticas, morfológicas e das técnicas do conjunto Araucária, coletado por Tiburtius, sob guarda do Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville. O objetivo é selecionar elementos que estabelecem conexões entre esse acervo e as cerâmicas locais e seus usos na alimentação e preparação de comidas tradicionais. Os artefatos cerâmicos são polissêmicos, com múltiplos significados e usos, e, ao longo do tempo, podem perder funções primárias, adquirindo novos valores simbólicos. Na coleção Tiburtius estão mais de 300 peças, como vasos, com e sem alças, potes de diversos tamanhos, tigelas, torradores, panelas, pratos, jarros, cuscuzeiros e objetos zoomorfos. As proveniências destes vasilhames sugerem que sejam produções domésticas em contextos locais/ regionais, elaboradas por comunidades históricas, com influxos europeus, indígenas e africanos, posteriores ao século XVI, conforme discussões prévias de diferentes pesquisadores. Apresentam elementos híbridos quando analisadas as técnicas de fabricação, os atributos morfológicos, os tratamentos de superfície, bem como aplicações de múltiplos elementos. As memórias e identidades estão materializadas nos objetos. Ademais, nos encontramos em um período que se almeja recuperar os sentidos sociais, as memórias e o patrimônio cultural das populações negligenciadas historicamente, buscando informações sobre suas práticas, seus alimentos, seus ritos e tradições e território. Assim, almeja-se falar dos objetos musealizados e da potência desses acervos para a pesquisa cientifica, bem como, discutir e quem sabe, compreender melhor os hábitos alimentares atuais, por meio da cozinha e dos utensílios domésticos daquelas comunidades tradicionais que teceram suas louças em barro.