GT38: Entre arte e política: articulações contemporâneas em pesquisas antropológicas
Apresentação Oral
Fernanda Marcon, Rebecca Ramos Dias
"Buona Sera Turin! Good evening Europe!": Performance e política no Eurovision Song Contest 2022.
Resumo: O evento “Eurovision Song Contest” é uma competição musical anual realizada em contexto europeu desde 1956. O projeto inicial do evento envolveu o discurso de união do continente europeu através da música dado o fim da 2ª Guerra Mundial. Atualmente, possui uma série de pré-seleções nacionais que culminam em duas semifinais e uma grande final, tendo como slogan revelar a “nova voz da Europa”. Além disso, o país que tem sua composição representante premiada recebe o valor do prêmio para sediar a edição seguinte do festival, configurando um revezamento de anfitriões entre os países do continente. A comunicação pretende refletir sobre as performances das canções concorrentes no evento, tendo em vista o horizonte político estabelecido pelo Eurovision desde sua primeira edição. Entende-se que os grandes festivais musicais competitivos mobilizam e constituem diferentes discursos identitários sobre os espaços sociais e geopolíticos em que se realizam ou de onde partem os participantes. No caso do Eurovision, há muito se articulam noções de “europeidade” que hierarquizam e organizam as relações entre os países que participam da competição. Portanto, pretende-se observar como as performances das canções que competem no Eurovision 2022 dialogam e constituem modos de “cantar” a Europa, mas também os conflitos e questões geopolíticas da contemporaneidade a partir da observação do evento de forma online e acompanhamento de suas páginas oficiais em redes sociais. A etnografia virtual se insere como metodologia importante nesse contexto, haja vista que a produção do festival é particularmente pensada a partir da mediação do espaço virtual em que se divulgam as composições concorrentes de cada país, a veiculação de vídeos de inscrição e a transmissão ao vivo das performances nas etapas eliminatórias. A partir dos estudos de performance, mas também de perspectivas teóricas que iluminam o diálogo da arte com a política no próprio fazer antropológico, o trabalho busca refletir sobre uma Europa pandêmica e que constrói uma vez mais um discurso sobre a ameaça de guerra, desta vez por seu Leste (guerra da Ucrânia). Um fronteira civilizacional móvel e constituída internamente, a partir da qual se acionam símbolos políticos, como a nação e o continente, e se desdobram os conflitos latentes através das performances musicais competitivas.