ISBN: 978-65-87289-23-6 | Redes sociais da ABA:
GT15: Antropologia dos Povos Tradicionais Costeiros: Práticas Sociais, Disputas Identitárias e Conflitos
Apresentação Oral
Verônica Gomes de Aquino
Trilhas da vida pesqueira e a rua da cruz: conversas entre pescadores e escolas.
No ano de 2020, optei por ampliar a pesquisa, "Quando a ficção atravessa vidas pesqueiras", desenvolvida na Escola Ver. João da Silva Bezerra, localizada na Barra de Maricá. Práticas desenvolvidas por alunos, professores, profissionais e as famílias pertencentes à Barra de Maricá. Após muitas conversas, dentro e fora da escola, fui tecendo novos fios metodológicos, que me levaram a descoberta da população tradicional deste litoral, ou seja, ao encontro das famílias que vivem da pesca por muitas décadas. Ao mesmo tempo que elaborava o mapeamento das famílias, conhecia os contextos de muitos saberes. Famílias, que durante muitos anos, lutam por seus direitos sociais. Pude ainda, saber através das narrativas dos diferentes sujeitos, a ficção produzida no ano de 1974, "Fogo sobre Terra", novela que produziu transformações sociais na comunidade. Objetivando estudar as comunidades pesqueiras dos bairros além, da Barra de Maricá, amplio para Zacarias e Guaratiba. Analisando fotografias que fiz nos anos de 2018 e 2019, capturei a ideia que intitulei como: "Quando a gente das areias conversa com o livro "Gente das areias". Apresentei este trabalho na 32ª RBA 2020. Dando continuidade as reflexões desenvolvidas em 2020, elaborei um novo artigo que foi aprovado para apresentação no CIHELA 2021, na Universidade de Lisboa/ Portugal. Buscando descrever as conversas das famílias de pescadores das comunidades tradicionais, dialogando com livro Gente das áreas, trabalhos de campo, documentos, vejo surgir em nossas conversas mediante a realidade pandêmica, outros temas e preocupações entre nossos interlocutores pescadores. Busco então, escutar os vivos e em suas falas capturar as lembranças dos mortos. Assim, as narrativas no ano de 2021 entre nós, trouxeram um novo elemento para a pesquisa. Quando perguntamos sobre o assunto, identificamos o lugar do suposto cemitério e as algumas histórias, como a de que chegavam de outros bairros mortos enrolados em lençóis e que eram enterrados em covas rasas. Lugar atualmente conhecido como a "rua da cruz" e que, Pedro pescador com seus completos 91 anos, afirmou em uma de suas últimas entrevistas quando registrou e documentou o conhecimento, antes de sua morte em 20 de fevereiro de 2022. O lugar entre os pescadores que parece guardar o segredo do litoral de Maricá no período da gripe espanhola, faz surgir entre os bairros da Barra de maricá e Guaratiba esse novo caminho etnográfico entre escolas, pescadores e comunidade.