GT43: Experiências e dinâmicas de participação indígena em processos eleitorais e em cargos nos poderes executivo e legislativo
Apresentação Oral
Cinthya Valéria Nunes Motta Kós
Candidaturas indígenas no extremo sul da Bahia
Neste trabalho iremos enfocar a aproximação, inserção e desenvolvimento de grupos indígenas com as instituições políticas do Estado, mais especificamente na participação em pleitos eleitorais para ocupação de cargos tanto do sistema proporcional como do majoritário. Subcampos científicos, como antropologia política, antropologia do Estado e etnologia indígena tem apresentado diversas interpretações sobre o fenômeno político entre os povos indígenas e tribais. No século XIX os evolucionistas social, acreditavam que estas sociedades eram "sem Estado" por não terem complexidade para organizar instituições em tais moldes. Pierre Clastres (1974) defendia que na verdade não havia interesse por parte dos indígenas, por organizações políticas desse tipo e que eram contra um poder centralizado. Nem incluídos, nem completamente alheios aos processos políticos estatais, os povos indígenas, tornaram-se dependentes do Estado para suplantar as desvantagens assimétricas em relação a outros grupos, é o que defende antropólogos interacionistas brasileiros. Neste contexto, o antagonismo, típico dos povos tribais, é substituído por estratégias de negociações com representantes, agentes e instituições do Estado para mitigar os efeitos de ações negativas (do Estado contra os povos indígenas) e possibilitar a reprodução social e persistência étnica. O objetivo deste trabalho é analisar a relação entre Estado e sociedades indígenas através da política eleitoral, expondo a trajetória de tais interação e seus desenlaces. Para operacionalizar tal estudo tomaremos como exemplo a participação do povo Pataxó em processos eleitorais em nível local e regional. Os municípios do extremo sul da Bahia apresentam um evidente descompasso, entre a porcentagem da população indígenas versus a representação parlamentar ou a ocupação no posto majoritário. Diante deste quadro pretende-se elucidar os obstáculos para a representação a nível local e as estratégias e mobilização para suplantar tais obstáculos. É de interesse ainda, saber como a etnicidade aparece nestes contextos e se a forma de fazer política do "branco" influencia na forma de fazer política no âmbito interno. Nos guiaremos por uma abordagem interacionista e mobilizacionista. Metodologicamente dispomos, como ponto de partida, de pesquisa bibliográfica; entrevistas semiestruturadas com candidatos e análise de material disponível na internet (matérias de jornais, lives, redes sociais, materiais de campanha e dados do TSE).