GT38: Entre arte e política: articulações contemporâneas em pesquisas antropológicas
Apresentação Oral
Tamiris Pereira Rizzo, Osmar Santos, Alexandre Brasil Fonseca
"Tudo que nós têm é nós": pesquisa ativista, metodologias informadas por arte, lugares da negritude e práticas político pedagógicas de coletivos negros na universidade
Como o movimento negro se torna um educador coletivo das relações étnico-raciais em uma universidade pública? Na pesquisa que deu origem a este trabalho, assumimos a orientação teórico-metodológica da pesquisa ativista de Hale et al. (2008) para o trabalho de campo e das metodologias informadas por arte de Knowles e Coles (2008) para organização e apresentação dos resultados. Após análise de diário de campo, entrevistas e materiais audiovisuais produzidos pelos próprios coletivos, o trabalho foi estruturado a partir da análise de um poema de uma estudante; da composição de uma galeria de imagens feitas na UFRJ e, da elaboração de três contos literários ilustrados. Buscamos por meio deles, acessar e captar, por meio de outras chaves e linguagens, a politicidade, a ética e a estética presentes nas práticas educativas, nas estratégias político-pedagógicas e nas produções de novos conhecimentos em ciências e saúde por parte desses coletivos. Segundo Knowles e Coles (2008), as pesquisas informadas por arte buscam redefinir as formas e a representação da pesquisa, de tal modo, a criar novos entendimentos sobre processo, espírito, propósito, subjetividade, emoção, responsividade e compromisso ético, de modo a romper o distanciamento entre o conhecimento acadêmico e a comunidade. Todos os contos literários foram apreciados, em primeira mão, pelos ativistas dos coletivos. Este processo foi fundamental na partilha dos achados da pesquisa e na finalização dos contos em si. Essas escolhas teórico-metodológicas propiciaram reduzirmos às distâncias entre o fazer político-cultural e artístico dos coletivos negros universitários e as formas convencionais de retratá-los nas pesquisas etnográficas. Assim, por meio da arte, enfatizamos a percepção desses coletivos negros como lugares da negritude, atuando enquanto uma matriz formadora, conferindo especificidade aos saberes identitários, políticos e estético corpóreos que subsidiam novos conhecimentos, práticas educativas e estratégias político-pedagógicas de discentes negras/os. Este trabalho foi desenvolvido a partir da pesquisa que deu origem à tese "Tudo que nós têm é nós: lugares da negritude e práticas político pedagógicas de coletivos negros na universidade", cujas ilustrações foram escolhidas para concorrer ao I Prêmio Pierre Verger de Desenho da ABA e para a qual foi desenvolvida pesquisa etnográfica em que refletimos sobre arte, política e a atuação de coletivos negros na Universidade Federal do Rio de Janeiro. HALE, C. Engaging contradictions: theory, politics, and methods of activist scholarship. Berkeley: University of California Press, 2008. KNOWLES, J. G; COLE, A, L. Handbook of the arts in qualitative research: perspectives, methodologies, examples, and issues. Los Angeles: Sage Publications, 2008.