ISBN nº 978-65-87289-08-3
Redes sociais da ABA:
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GT 19. As tramas da intolerância e dos racismos religiosos e as mobilizações políticas por direitos das religiões de matrizes afro-brasileiras
Pôster em GT
Evelyn Marcele Ribeiro Mota (UFS - Universidade Federal de Sergipe)
Contrastando culturas e sobrepondo razões: o movimento de direito e proteção animal e o racismo religioso
Diversas formas de ataque contra os povos de terreiro tornaram-se manchetes nos últimos anos, a partir dessa discussão e tendo em vista o momento atual do acirramento de disputas políticas, principalmente no campo do direito, assim como a abertura do campo para manifestações de ódio, buscamos elucidar a importância da sacralização dos animais para os povos de terreiro. Tendo o enfoque no candomblé, religião mais atacada quando se trata do assunto, procuramos demonstrar a importância dos processos de sacralização animal para a manutenção das práticas dos povos de terreiro e para a perpetuação da religião. O intuito do work realizado é demonstrar como o discurso do movimento de direito e proteção animal torna o racismo religioso discreto, visando a análise da linguagem verbal e não verbal, cujo objetivo é a ideia de evolução social-cultural, análogo ao movimento colonial-evolucionista, contrastam costumes e sobrepõem razões quando condenam e banalizam a prática da sacralização animal, destarte confrontam os princípios constitucionais da liberdade religiosa e de crença. Por assim dizer, percebe-se que o racismo religioso por trás dos discursos dialoga com ideias que mascaram determinados pré-conceitos, tais ideias embasam o discurso ambientalista de direito e proteção animal e vão de encontro à costumes, modos de pensar e agir das comunidades tradicionais de terreiro e das religiões de presenças africanas, atingindo diretamente o candomblé. Partimos da percepção que é necessário tratar a escravidão como conceito e não como simples fato histórico para elucidar o contexto por meio de outras perspectivas, dessa dinâmica provemos do pressuposto que a ética e a emoção são usadas para justificar o discurso e encobrem as justificativas acima. Os perigos desse discurso são semelhante ao movimento ecológico ademocrático, enquadrado na noção ecogovernamentabilidade, ou seja, conduzem o ideal de controle do meio-ambiente e do movimento ecológico acima de decisões e práticas tradicionais e democráticas, são conflitos semelhantes aos socioambientais mas com características pontuais, pois o discurso é elucidado e direcionado para a prática de uma comunidade tradicional específica.
Palavras-chave: racismo religioso; ecogovernamentabilidade; povos e comunidades de terreiro