GT 19. As tramas da intolerância e dos racismos religiosos e as mobilizações políticas por direitos das religiões de matrizes afro-brasileiras
Apresentação Oral
Leonardo Vieira Silva (UFF - Universidade Federal Fluminense)
“Quanto mais fazem algo contra nós, mais lutamos”: As estratégias das comunidades tradicionais de terreiro no enfrentamento ao racismo religioso na cidade de Laranjeiras – SE
O presente work analisa as estratégias de três comunidades tradicionais de terreiro no enfrentamento dos casos de racismo religioso na cidade de Laranjeiras, considerando a constituição do espaço público como o lugar da busca por reconhecimento de direitos como cidadãos. Os dados que compõe este work é parte da etnografia realizada junto ao terreiro Filhos de Obá,durante o segundo semestre de 2019. Embora o foco do work de campo fosse o referido terreiro, no que tange aos casos de racismo religioso, ele não está isolado nesse contexto. Dessa forma, a partir do diálogo estabelecido com os interlocutores,foi possível ter contato com outros casos de racismo religioso que aconteceram na cidade. Entender essas ocorrências significou perceber a própria configuração do contexto que o terreiro Filhos de Obá está inserido. Assim, a partir desse diálogo, pude ter contato com os casos de racismo religioso vivenciados pelas seguintes comunidades tradicionais de terreiro: Filhos de Obá, Ilê Axé Igui Orixá e Ilê Axé Iansã do Balé. Cabe salientar que ao longo de mais de um século a categoria que abarcava o ato de agressão contra os terreiros sofreu mudanças de acordo com o seu contexto histórico.Uma vez que o terreiro Filhos de Obá possui mais de cem anos de fundação, sua trajetória nos possibilita refletir que ele vivenciou as mudanças da categoria que explicava este fenômeno de agressões às religiões de matrizes africanas no Estado de Sergipe. os pertencentes a esta casa lidaram com a“perseguição” aos seus antepassados, assim como a “intolerância religiosa” e hoje explicitam que sofrem com o racismo religioso. A partir da etnografia foi possível entender que esses casos continuam acontecendo na cidade de Laranjeiras e dependerá dos agredidos dar visibilidade aos seus casos de racismo religioso, e assim, reivindicar o reconhecimento dos seus direitos. Paratal, os adeptos das religiões de matrizes africanas estabelecem diálogos com alguns setores dos órgãos municipais, como o órgão de Promoção de Igualdade Racial(PIR) e com a policia civil, para que possam exercer o direito de livre expressão da sua fé.Além disso, foi possível entender que a Educação da comunidade é uma das principais ferramentas no enfrentamento contra as mais diversas formas de racismos vivenciados pelos afro-religiosos da cidade.Ao final desse work foi possível compreender como os pertencentes às religiões de matrizes africanas da cidade de Laranjeiras elaboram e reelaboram suas estratégias de enfrentamento dos casos de racismo religioso.Neste contexto o espaço público emerge como parte da estratégia desses religiosos, pois é pensado como o lugar da visibilidade das suas atividades de conscientização das questões voltadas para o entendimento das relações étnico-raciais.
Palavras-chave: Racismo religioso; Estratégias; Enfrentamento