GT 19. As tramas da intolerância e dos racismos religiosos e as mobilizações políticas por direitos das religiões de matrizes afro-brasileiras
Apresentação Oral
Amanda Patrícia Santos Lorena de Menezes (UNCISAL - Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas)
O Quebra de Xangô de 1912 em Alagoas: desdobramentos contemporâneos.
Estudos sobre religiões de matrizes africanas enquadram-se como um dos temas considerados clássicos ao se pensar o desenvolvimento e a consolidação da antropologia no Brasil. Ao mesmo tempo, esta temática continua cada vez mais relevante no cenário contemporâneo, tendo em vista tanto o aumento da visibilidade e protagonismo dos grupos religiosos afro-brasileiros no espaço público quanto o acirramento dos episódios de racismo e intolerância religiosa ao longo das últimas décadas. Partindo dessas considerações, meu projeto de pesquisa em desenvolvimento junto ao Programa de Pós-graduação em Antropologia Social pela Universidade Federal de Alagoas, pretende abordar os desdobramentos contemporâneos de um acontecimento que ficou conhecido como o Quebra de Xangô de 1912. Tal ato, encabeçado por uma milícia paramilitar em resposta à situações políticas da época, culminou em invasão e depredação de diversas casas de culto de religiões afro-brasileiras em Maceió e cidades próximas, sendo marcado como um dos atos mais violentos e de consequências mais significativas nesse sentido. Episódio esse que, apesar de parecer temporalmente distante, repercute até os presentes dias na história dos grupos religiosos de matrizes africanas e, também, na história afro-alagoana. Embora o Quebra de Xangô tenha acontecido há mais de cem anos, somente em meados de 2000 é que houve uma “redescoberta” do evento, que se faz presente na produção acadêmica local, nos movimentos culturais e nos discursos das lideranças religiosas e do povo de santo de Maceió de modo mais geral. Esta pesquisa pretende discutir essas questões com base em uma etnografia conduzida em uma casa de santo específica, a Casa de Iemanjá /Axé Pratagy, dirigida pelo babalorixá Célio Rodrigues e, partindo daí, traçar conexões com outras casas e movimentos culturais ligados às tais religiões em Maceió. Considerando, porém, a situação de quarentena ocasionada pela pandemia do novo coronavírus (covid-19), adaptações em relação à pesquisa de campo são necessárias, adequando-as, quando possível, para o âmbito virtual.
Palavras-chave: intolerância religiosa; Quebra de Xangô; religiões de matriz africanas