GT 19. As tramas da intolerância e dos racismos religiosos e as mobilizações políticas por direitos das religiões de matrizes afro-brasileiras
Apresentação Oral
Raoni Neri da Silva (UFPE - Universidade Federal de Pernambuco)
O Povo de Terreiro as Margens da Esfera Pública? Dimensões do agir coletivo em busca de direitos e no combate a intolerância e o racismo religioso.
O work em tela tem como objetivo refletir sobre as formas pelas quais as religiões de matriz afro-brasileiras e afro-indígenas se lançam na esfera pública com fins a reivindicar seus direitos e lutar contra a intolerância religiosa e o racismo. Para tanto recorro a literatura socioantropológica especializada que trata da referida questão e de dados da observação da realidade empírica sobre a atuação do povo de terreiro na esfera pública, tendo como ponto de partida o circuito religioso afro-indo-pernambucano. Destaco que na literatura especializada sobre esta temática, acabou sendo produzido um certo ceticismo em relação à capacidade dessas religiões em conseguir (re)produzir um habitus ajustado às exigências de uma cultura pública, sendo assim questionada suas capacidades de articulação política e a eficácia de suas presenças na esfera pública. Não obstantes a essas interpretações, quero argumentar que os terreiros de tradição afro-brasileira e afro-indígena possuem uma grande capacidade criativa em relação as suas formas de presença pública, as elaborando ao sabor de suas demandas a partir de redes sociais engendradas pelos seus membros, sendo assim capazes de articular, simultaneamente ou não, diferentes formas de presença pública. Nesse sentido, ainda destaco a – ou tentativa de – consolidação de um marco de ação coletiva cada vez mais voltado a reivindicar os direitos civis, sendo marcado por uma preocupação com aspecto legal e o acionamento das instituições de justiça.
Palavras-chave: Religiões afro-brasileiras; Esfera Pública; Agir Coletivo