ISBN nº 978-65-87289-08-3
Redes sociais da ABA:
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GT 19. As tramas da intolerância e dos racismos religiosos e as mobilizações políticas por direitos das religiões de matrizes afro-brasileiras
Apresentação Oral
Rosiane Rodrigues de Almeida (INEAC)
Mãe Gilda, 20 anos depois: racismo religioso, branquitude e supremacia racial
Este work é parte da tese de doutorado que analisou as narrativas e estratégias dos membros do Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana (FONSANPOTMA) diante da constatação do aumento da violência étnico-religiosa contra o conjunto de adeptos das tradições de matrizes africana em nível nacional. A realização da pesquisa junto ao FONSANPOTMA possibilitou destacar a participação dos afrorreligiosos na formulação de políticas públicas nacionais voltadas aos adeptos de tradições de matrizes africana, o que resultou em processos distintos de incorporação de repertórios legais, inspirados em legislação internacional, que possibilita a produção de narrativas sobre o direito à autodeterminação como povo tradicional e não apenas por seu pertencimento religioso. A reivindicação de direitos de proteção aos seus “modos de vida” tem como consequência o abandono de narrativas em torno das ideias de liberdade de crença e culto, ainda presente em outros grupos, o que representa uma alteração da agenda política e do campo de disputas entre afrorreligiosos e neopentecostais no país. Neste poster, que tem como marco histórico a morte de Mãe Gilda, que completa 20 anos este ano, demonstro como se estabeleceram as disputas entre os afrorreligiosos e os ativistas do movimento social negro em nível nacional, a partir da entrada dos neopentecostais neste cenário. Ao analisar a entrada dos neopentecostais nos setoriais de negros nos partidos e a formação das Frentes Parlamentares em Defesa dos Povos Tradicionais de Matriz Africana, no Congresso Nacional, nas assembleias legislativas dos estados e nas câmaras de vereadores dos municípios, percebo que o maior desafio os membros do FONSANPOTMA está em disputar os sentidos da branquitude por dentro do movimento negro. Nesta parte, tentei elaborar a ideia do racismo como efeito de uma ontologia supremacista a partir dos quadros sócio-teóricos (Campos, 2017) dos modelos estadunidense e alemão com o intuito de compará-los ao pensamento brasileiro circunscrito ao ideal de embranquecimento (Schwarcz, 1993; Munanga, 2008) e formas de controle racial estabelecidas pelo Estado.
Palavras-chave: racismo religioso; branquitude; supremacia racial