GT 19. As tramas da intolerância e dos racismos religiosos e as mobilizações políticas por direitos das religiões de matrizes afro-brasileiras
Apresentação Oral
Zuleica Dantas Pereira Campos (UNICAP - Universidade Católica de Pernambuco)
INTOLERÂNCIA E POLÍTICAS DE DIREITOS HUMANOS:como as religiões afro-brasileiras estão conseguindo dialogar no cenário político contemporâneo?
O contexto político atual brasileiro aponta para um cenário em que religião, política, moralidade, família, entre outras questões nevrálgicas se misturam e se interpenetram em discussões acirradas e, muitas vezes, violentas. Pretendo aqui discutir intolerância e políticas de direitos humanos na perspectiva do meu lugar de fala, ou seja, como antropóloga que estuda o fenômeno religioso sob o olhar etnográfico da Antropologia. Especificamente me deterei nas religiões afro-brasileiras em Pernambuco, do ponto de vista interdisciplinar das Ciências da Religião. Na contemporaneidade, o contexto religioso mundial, configura-se a partir de conflitos espalhados de forma global. A demarcação mais importante divulgada pelas ciências humanas, acerca do projeto da modernidade, foi a separação entre a política e a religião. A partir daí, os Estados Modernos com o lema francês de “liberdade, igualdade e fraternidade” alardearam que todos devemos ser iguais diante das leis, sem influência de nossas opções individuais, sexuais, de diferenças étnicas, religiosas, entre muitas outras. É a partir dessa crença que aqui procuro apontar caminhos de respostas para as seguintes questões: como respeitar o ritmo, a originalidade das culturas e das religiões afros tradicionais num mundo intolerante em que a jurisprudência muitas vezes não é “neutra”? Como promover uma convivência justa em nossas cidades extremamente pluralistas?
Palavras-chave: Religiões afro-brasileiras; Direitos humanos; Diálogo