ISBN nº 978-65-87289-08-3
Redes sociais da ABA:
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GT 19. As tramas da intolerância e dos racismos religiosos e as mobilizações políticas por direitos das religiões de matrizes afro-brasileiras
Apresentação Oral
Lana Lage da Gama Lima (UFF - Universidade Federal Fluminense)
As articulações entre feminismo, defesa da liberdade religiosa e crítica ao racismo no Movimento das Mulheres de Axé
Nos anos de 1970, o Movimento Feminista se organiza no Brasil sob influência de movimentos norte americanos e europeus, reunindo mulheres predominantemente brancas e de classe média. No final dessa década se configura o feminismo das mulheres negras, que articulou as lutas feministas com o enfrentamento ao racismo, levando para dentro do Movimento Negro as questões específicas das mulheres. Atualmente, no contexto do acirramento da perseguição às religiões afro-brasileiras, que acompanhou o crescimento do neopentecostalismo no Brasil, surge, sobretudo entre as adeptas do candomblé, um movimento autodenominado Mulheres de Axé, que articula pautas feministas, como o enfrentamento à violência de gênero, à defesa da liberdade religiosa e à crítica ao racismo. Pretendemos realizar uma reflexão sobre as formas como são construídas essas articulações, com ênfase no diálogo estabelecido com o Feminismo Negro, apesar de suas lideranças reivindicarem uma identidade própria, que tem como elemento fundamental a referência à ancestralidade, com destaque para a trajetória e os ensinamentos das grandes matriarcas do candomblé, falecidas ou vivas. Nesse sentido, preservam uma visão particular sobre o papel da mulher na sociedade, nascida da experiência religiosa vivida nos terreiros, que nem sempre coincide com aquela construída pelo feminismo, embora reconheçam sua importância para a ampliação da participação das mulheres nos espaços públicos e no controle social de políticas públicas que garantam os seus direitos. Assim, a experiência feminista acumulada no Brasil desde os anos de 1970 traz para dentro dos terreiros novos instrumentos de luta, como a formação de redes e a atuação política no combate ao machismo, ao racismo e à discriminação religiosa. Essas novas práticas vêm se somar à tradição de resistência e luta das grandes matriarcas do candomblé.
Palavras-chave: Mulheres de Axé; Feminismo Negro; discriminação racial e religiosa