ISBN nº 978-65-87289-08-3
Redes sociais da ABA:
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GT 19. As tramas da intolerância e dos racismos religiosos e as mobilizações políticas por direitos das religiões de matrizes afro-brasileiras
Apresentação Oral
Mariana Ramos de Morais (CéSor, EHESS)
A luta do movimento afro-religioso por seus direitos (1988-2018)
Busco, neste work, traçar um panorama da luta do movimento afro-religioso pela garantia do direito à prática religiosa de seus representados, no período compreendido entre os anos de 1988 e 2018. Em sua luta, os afro-religiosos afirmam sua prática como cultura e/ou como religião. A promulgação da última Constituição Federal é um marco por ser ela o principal amparo legal desse movimento social em sua luta por direitos. Nesse percurso, o movimento afro-religioso tem um importante aliado: o movimento negro. Juntos, eles constroem a ideia de que o preconceito racial contra os negros é transposto para os praticantes das religiões afro-brasileiras. Um entendimento que é base para a elaboração de uma agenda conjunta centrada no combate à intolerância religiosa e na luta pela igualdade racial. Trata-se de uma aliança também questionada por integrantes dos dois movimentos, especialmente, quando postos lado a lado na construção de políticas públicas que lidam com a questão racial. A Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial, criada em 2003, ganha, dessa forma, destaque na análise proposta. Intenta-se, aqui, não apenas descrever uma trajetória das ações do movimento afro-religioso na tentativa de implementar sua agenda nos primeiros 30 anos da Constituição de 1988, mas, sobretudo, colocar em questão as noções de religião e cultura, a partir dos discursos desse movimento social. Para tanto, faço uma breve digressão apontando como se deu a conformação do movimento afro-religioso e como foi construída a aliança com o movimento negro. Na sequência, abordo as reações do movimento afro-religioso ao crescimento dos ataques advindos de grupos evangélicos. Finalizo este texto com apontamentos sobre o novo cenário que se delineia após o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, em 2016, com o avanço de correntes conservadoras, contrárias à ideia de uma nação plural como se tentou erigir – ao menos na letra – a partir da Constituição de 1988. O avanço dessas correntes já tem reflexo no cotidiano dos praticantes das religiões afro-brasileiras, que têm sido alvo de novos ataques por parte de grupos evangélicos. E, dada a violência dessas recentes investidas, religiosos afro-brasileiros passaram a nomeá-las “terrorismo religioso”.
Palavras-chave: movimento afro-religioso; intolerância religiosa; cultura