ISBN nº 978-65-87289-08-3
Redes sociais da ABA:
Banner_32RBA
GT 78. Saberes, ciências e tecnologias insubmissas: o conhecimento que se produz nas margens
Apresentação Oral
Isabel Santana de Rose (UFAL - Universidade Federal de Alagoas)
Saberes e fazeres do povo de axé na universidade
Minha proposta nesta apresentação é abordar a experiência do programa de Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG partindo especificamente de uma das disciplinas oferecida no âmbito deste programa: “Catar folhas, saberes e fazeres do povo de axé”. Esta disciplina contou com duas edições, em 2016 e 2017, e foi ministrada por três e mestras e um mestre, todos negros, ligados a diferentes vertentes de religiões afrobrasileiras no estado de Minas Gerais: Mametu Muiandê ou Mãe Efigênia Maria da Conceição, do quilombo Manzo Ngunzo Kaiango (Belo Horizonte); Pedrina Lourdes dos Santos, capitã da Guarda de Massambique de Nossa Senhora das Mercês (Oliveira); Iyanifá Ifadara ou Nylsia Lourdes dos Santos, do ilê Asé Asegún Itèsiwajú Aterosún (São José da Lapa); e Pai Ricardo de Moura, da Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente (Belo Horizonte). A disciplina foi aberta para alunos e alunas de todos os cursos de graduação da UFMG; em sua segunda edição também foi aberta para alunos(as) de pós-graduação e para professores(as) da rede pública de Belo Horizonte, por meio de um convênio com a Secretaria de Educação. Procuro abordar aspectos como os espaços onde as aulas acontecem e seus desdobramentos; as relações e tensões entre os mestres dos saberes tradicionais e as burocracias acadêmicas; como presença de mestres(as) negros em sala de aula evidencia o caráter excludente, branco e eurocêntrico da universidade, ao mesmo tempo que aponta para possíveis linhas de fuga; a questão dos atores não humanos e seu papel central nas cosmovisões afro-brasileiras; e algumas reflexões preliminares sobre as relações entre antropologias e negritudes. Em um contexto de ataques à educação e à universidade pública, a apresentação pretende refletir sobre a importância das políticas de ações afirmativas; da presença dos mestres e mestras dos saberes tradicionais; e dos conhecimentos e epistemologias afro e indígenas nas universidades brasileiras.
Palavras-chave: encontro de saberes; religiões afrobrasileiras; saberes tradicionais.