ISBN nº 978-65-87289-08-3
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GT 78. Saberes, ciências e tecnologias insubmissas: o conhecimento que se produz nas margens
Apresentação Oral
Thais Regina Mantovanelli da Silva (UFSCAR - Universidade Federal de São Carlos)
Quanto vale a vida? O barramento do rio Xingu: as narrativas de impacto e as práticas insurgentes dos povos Juruna Yudjá e Mẽbengokre-Xikrin na Amazônia Paraense.
Sete minutos. Esse foi o tempo de duração do leilão para concessão e comercialização de energia da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Sete minutos cuja duração devastadora impõe-se perversamente aos povos indígenas da região da cidade de Altamira, na amazônica paraense brasileira, local do empreendimento. Quando vale a vida? Sete minutos que foram capazes de inaugurar, mais uma vez, o fim do mundo para os povos Juruna Yudjá da Volta Grande do Xingu e Mẽbengôkre-Xikrin da Terra Indígena Trincheira-Bacajá. A quem cabe o conceito de vida? Sete minutos que trouxe a consolidação pragmática e ontológica do que se pode nominar “a era dos impactos”. Negligenciadas pelos relatórios técnicos apresentados pela empresa concessionária Norte Energia, maior acionista do empreendimento, as práticas narrativas dos impactos sofridos por esses povos e suas ações de resistência são o que pretendo evidenciar nessa composição etnográfica. Os Mẽbengôkre-Xikrin e os Juruna Yudjá insistem em afirmar suas assustadoras teorias de impactos decorrentes do barramento do Xingu e da drástica diminuição de seus regimes de cheia. Esses povos questionam com veemência os dados do monitoramento oficial apresentado pelo órgão empreendedor e por técnicos especialistas contratados pela concessionária Norte Energia. Ao expressarem seus questionamentos que contradizem os dados oficiais, ambos povos defendem a validade das teorias e das narrativas de impacto condizentes com suas formulações. Além disso, ambos os povos estão engajados em ações de resistência como monitoramentos independentes participativos, roteiros de turismo ativista, processamento e venda de produtos, sejam da biodiversidade amazônica ou de artefatos produzidos. O posicionamento crítico desses povos e seu engajamento em ações de resistência inspiram-me a buscar possibilidades descritivas que potencialize suas relações de conectividade territorial, cultural, social, ecológica com a Volta Grande do Xingu como ações de defesa da vida, de modo a que elas impactem também as reflexões antropológicas da escrita etnográfica enquanto ofício da disciplina.
Palavras-chave: Juruna Yudjá; Mebengokre-Xikrin; Volta Grande do Xingu