ISBN nº 978-65-87289-08-3
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GT 78. Saberes, ciências e tecnologias insubmissas: o conhecimento que se produz nas margens
Apresentação Oral
Marcus Antonio Schifino Wittmann (UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro)
Amarras burocráticas, paradigmas científicos e territórios tradicionais Mbya Guarani: a disputa entre empreendimento, patrimônio arqueológico e retomada de terra na Ponta do Arado, Porto Alegre, RS
A ciência arqueológica praticada atualmente no Brasil tem um vínculo muito forte com os processos de licenciamento ambiental. Mais de 90% dos processos protocolados no IPHAN para pesquisas arqueológicas são referentes a projetos ligado a empreendimentos. Nesse panorama, ciência, burocracia e estado se interligam, influenciando e constrangendo a prática arqueológica efetuada em campo e em laboratório. A definição de “patrimônio” e “sítio arqueológico” é disputada entre concepções científicas e burocráticas em alguns processos de licenciamento, todavia, quando se inserem demandas por territórios tradicionais indígenas, novas camadas surgem nesse embate entre ciência, estado e povos tradicionais. A proposta deste work é seguir o trajeto do processo de licenciamento arqueológico de um empreendimento na Ponta do Arado (Porto Alegre, RS), desde suas disputas para a definição de um sítio arqueológico Guarani na área, até a retomada do local por um grupo de famílias Mbya Guarani e o embate surgido dai entre essa comunidade, o empreendimento, o IPHAN e os arqueólogos. Nesse contexto, a arqueologia - enquanto ciência hegemônica, capaz de construir uma grande narrativa sobre o passado, identidade étnica e território - ao atuar dentro do estado entra em embate com outros saberes e cosmovisões, as quais botam em cheque essa hegemonia. Traçando essas redes desde o processo de licenciamento arqueológico da área de estudo, nota-se como lógicas diferentes sobre terra, território, propriedade, materialidade entram em disputa entre os diferentes atores envolvidos.
Palavras-chave: Ciência; estado; territórios tradicionais