ISBN nº 978-65-87289-08-3
Redes sociais da ABA:
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GT 81. Dimensões políticas da Antropologia do Esporte: legados dos estudos de Simoni Lahud Guedes
Apresentação Oral
Felipe Carlos Damasceno e Silva (Sem filiação)
Os limites e os riscos de um desvio curricular: Relato de experiência de um pesquisador e torcedor sobre moralidades e masculinidades no futebol.
Este work aborda sobre uma experiência de uso indevido de imagem e perseguição ideológica ocorrida comigo dentro de um estádio de futebol, atravessando consequências fora dele, enquanto pesquisador e torcedor que costuma ir aos jogos do Clube do Remo, da cidade de Belém do Pará, desde criança, há 23 anos. De início, parto da categoria de currículo de masculinidades no futebol - inaugurada por Bandeira (2010) no campo da educação - para mostrar como a minha formação como torcedor foi construída ao longo de toda a minha trajetória de vida através de práticas educativas fomentadas por pessoas mais velhas – em destaque para o meu pai – pautadas em parâmetros de masculinidades tidas como hegemônicas (Connell, Messerschmidt. 2013). Ao longo desses anos, visando tornar-me um ‘’ verdadeiro torcedor’’, aliei-me a grupos de torcedores e, diversas vezes, performatizei práticas sexistas, racistas, capacitistas, ageístas, xenófobas e LGBTQI+fóbicas, sem me preocupar com as consequências de tais atos, visto que eles são, historicamente, naturalizados nos ambientes futebolísticos como sendo ‘’parte do espetáculo’’. No ano de 2016, após as tensões que desembocaram no golpe parlamentar que destituiu do poder a primeira presidenta do Brasil, passei a sensibilizar-me sobre a incoerência das práticas citadas, e no ano de 2017 ingressei em um grupo de pesquisa na Universidade Federal do Pará de caráter antirrascista e antissexista. O aprendizado adquirido neste grupo me proporcionou certa sensibilidade quanto à importância de se combater as opressões nos ambientes futebolísticos e na sociedade de modo geral. Essas pequenas mudanças de postura associadas às tensões oriundas da polarização ideológica cada vez mais evidentes no Brasil fez com que eu me afastasse de alguns grupos de torcedores do meu Clube e mantivesse relações cada vez mais instáveis com outros. Até que no primeiro semestre do ano de 2019 o fato ocorrido no início deste resumo sacudiu a minha vida, em destaque para novas alianças estratégicas feitas no âmbito das sociabilidades nos estádios de futebol e mudanças no meu objeto de estudo como pesquisador do campo da antropologia. Após detalhar esses fatos em diálogo como alguns estudos antropológicos sobre gênero e masculinidades, objeto mostrar como os meus privilégios de gênero e racial possibilitaram que o meu desvio curricular me mantivesse íntegro fisicamente até o momento. Por fim, chamo atenção para a urgência de novas pesquisas antropológicas que possam subsidiar políticas públicas de combate às opressões nos ambientes futebolísticos.
Palavras-chave: Currículo; Masculinidades; Moralidades.