ISBN nº 978-65-87289-08-3
Redes sociais da ABA:
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GT 81. Dimensões políticas da Antropologia do Esporte: legados dos estudos de Simoni Lahud Guedes
Apresentação Oral
Leda Maria da Costa (UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
Futebol de mulheres no Rio de Janeiro. Corpo e mídia (1970 a 1986)
Nos anos de 1970 e 1980, é notável um movimento de apoio ao futebol feminino, o que se relaciona diretamente a diversas outras reivindicações por maior igualdade de tratamento entre homens e mulheres. É possível levantarmos a hipótese de que a atenção dada ao futebol feminino possui relação com as reivindicações de maior liberdade para a mulher decidir sobre o que fazer com o próprio corpo. Liberdade que muitas vezes mostrava um caráter ambíguo, pois que calcadas ainda em padrões normativos de performance de gênero da mulher no qual sexualidade e corporeidade precisavam estar em perfeita harmonia. No Brasil, na metade dos anos de 1970 e início dos de 1980 é destaque na produção jornalística e da propaganda o incentivo aos exercícios físicos combinado com o discurso que criticava os males provocados pela vida urbana. No Brasil, a publicidade e a ciência fundamentaram a relação direta entre autoestima da mulher e a responsabilidade dos cuidados sobre o próprio corpo. A “imprensa conselheira” apregoava a importância de se frequentar academias, assim como andar bicicletas ao ar livre, frequentar as praias e outros espaços de lazer em que o corpo pudesse ser colocado em movimento. Sem deixar de lado as ambiguidades, nas páginas de importantes jornais, delineia-se e defende-se a ideia de que o futebol estava deixando de ser um jogo exclusivamente dos homens. Esses jornais fizeram do futebol das mulheres tema da moda, estímulo para debates e polêmicas que também precisam ser vistos sob a ótica do uso de recursos que dramatizam a notícia visando a captação de público leitor. É importante lembrar que, especialmente nos anos de 1980, o futebol de areia e clubes como o Radar, do Rio de Janeiro, vinculavam-se às ideias de beleza, juventude que, por sua vez, atraiam famosas marcas que ofereciam patrocínio e ajudavam a organizar campeonatos. Os jornais fizeram desse fenômeno notícia para ser vendida. A circulação de notícias a respeito do futebol praticado por mulheres dentro e fora do Brasil foi importante para a popularização e legalização da modalidade, fenômenos que tiveram o Rio de Janeiro como cenário importante, especialmente, as areias e o bairro de Copacabana e sua imagem esportiva, multicultural e libertária.
Palavras-chave: Futebol de mulheres; Mídia; Corpo