ISBN nº 978-65-87289-08-3
Redes sociais da ABA:
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GT 02. Amazônia e Nordeste indígenas: por uma etnologia transversa
Apresentação Oral
Antonio Augusto Oliveira Gonçalves (UFG - Universidade Federal de Goiás)
Ter raízes e histórias: encontros pataxó com Hamãy
Em Açucena (MG), os Pataxó vindos da Fazenda Guarani, em Carmésia (MG), e do território ancestral de Barra Velha, em Porto Seguro (BA), se reuniram e construíram uma nova aldeia dentro do então Parque Estadual do Rio Corrente, no Leste de Minas Gerais e, desde 2010, lutam para demarcar o novo território de Gerú Tucunã. Nessa caminhada à Tucunã, empreenderam movimento de fortalecimento espiritual, através do contato com os caboclos da mata e da água, índios do tronco velho, guerreiros ancestrais. A espiritualidade pataxó se relaciona, em grande medida, com as roças e o cultivo de árvores, sem as matas o contato dos Pataxó com determinados seres não se realiza. Em Tucunã se diz que em "terra boa, tudo que planta dá”, ao mesmo tempo que “botar roça” é uma forma de criar raízes e resistir no novo território. A condição da pessoa pataxó, txihi xohã – “índio guerreiro” em Patxôhã – se concebe na confluência entre o preparo de cultivares e a memória das caminhadas dos guerreiros (ancestrais e no presente). Nelas, os txihi se caracterizam pela falta de discrição e precaução, algo que aparece de maneira transposta – negativa e positiva – nas histórias que os/as anciãos/ãs contam aos/às mais jovens. Nesta comunicação, pretende-se descrever os encontros dos caçadores com Hamãy e as transformações que eles acarretam.
Palavras-chave: Pataxó de Gerú Tucunã; Espiritualidade; Agência e Territorialidade.