ISBN nº 978-65-87289-08-3
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GT 02. Amazônia e Nordeste indígenas: por uma etnologia transversa
Apresentação Oral
Vanessa Coelho Moraes (UFBA - Universidade Federal da Bahia)
Reflexões acerca das línguas indígenas do Nordeste e sua invisibilização
A maioria das línguas indígenas estudadas no Brasil, concentram-se nas regiões Norte e Centro-Oeste, devido a quantidade de línguas que são faladas constantemente, o que não foi observado no Nordeste, região que acabou sendo conhecida como tendo sua única língua viva o yaathe dos Funi-ô. Infelizmente, alguns cientistas acreditam que se uma língua não tem falantes necessariamente está morta, classificando assim as outras línguas que existem no Nordeste. Contrapondo-se a isso, algumas etnias vêm reivindicando o fato de que possuem uma língua, ainda que não falem cotidianamente. Em diálogo com alguns Kiriri eles têm afirmado que não faz sentido dizer que sua língua está morta. Apesar da maioria não saber se comunicar na sua língua muitos deles conhecem um conjunto de palavras e expressões, embora isso não permite eles conversarem entre si, permite uma maior comunicação com suas entidades sagradas, as quais lhes ensinam a língua no toré e seus usos para se comunicar com seres que habitam as matas e efetivas processos de cura. Eles também aprendem com os mais velhos e em suas escolas com a disciplina língua indígena. Tudo isso revela a vitalidade dessa língua Através da tese de Leandro Durazzo sobre os Tuxá e de Francisco Costa sobre os Tupinambá, podemos perceber que essas etnias se encontram em situação semelhante à dos Kiriri. Através dos works de Anari Bomfim, percebemos que os pataxós, não conheciam integralmente sua língua, mas hoje já estruturam a gramática do patxohã. Em diálogo com Bartolomeu Pankararu, ele narrou a importância do seu idioma para promoção dos seus ritos. No acampamento dos povos indígenas da Bahia de 2019, pude ver lideranças Tumbalalá solicitando que houvessem pessoas para auxiliá-los em seu processo linguístico. Assim, como é possível dizer que essas línguas estão mortas diante de etnias que revelam sua vitalidade. Novamente aspectos da identidade dos povos indígenas do Nordeste estão sendo invisibilizados. Antigamente, cientistas afirmavam que não existiam índios no Nordeste. Hoje, vemos movimento semelhante acontecer com suas línguas que devido aos processos de glotocídio são diferentes de outras línguas indígenas, o que não invalida sua existência. É preciso aprender com os estudos de língua indígena já existentes em outras regiões do país, para lidar e auxiliar as etnias do Nordeste com os desafios linguísticos de ampliar o léxico do seu idioma e estruturar uma gramática. Assim, essa apresentação, busca mostrar através do caso Kiriri e de um quadro comparativo com outras etnias, a existência das línguas indígenas do Nordeste e a necessidade de estarmos tão atentos aos seus processos linguísticos quanto dos índios de outras regiões.
Palavras-chave: língua indígena; índios do nordeste; etnologia indígena