GT 005. Agências materiais e espirituais no cotidiano: experiências e narrativas de coexistência
Apresentação Oral em GT
Marcia Maria Nóbrega de Oliveira
Para onde corre a corrente dos caboclos? O caso da (pouca) correnteza do rio São Francisco na Ilha do Massangano.
Com o advento da Barragem de Sobradinho, construída na década de 1970 a cerca de 40km a montante da Ilha do Massangano, que está situada no sertão do São Francisco entre as cidades de Petrolina –PE e Juazeiro – BA, não apenas regulou-se o sistema de vazantes (sentido vertical alto/baixo), alterando definitivamente o sistema de plantio e as condições de navegabilidade naquele trecho de rio, mas também freou a forças de suas águas (sentido horizontal cima/baixo), a tal ponto de hoje o rio estar, no dizer, “parado”, “raso” e sem correnteza, isto é, “morto”. Nesse sentido, me interessa pensar em que medida a Ilha do Massangano, mesmo estando a jusante da Barragem de Sobradinho, foi também afetada por ela, para isso considerarei não apenas os afetos dos vivos, mas também de outros entes que convivem naquela terra: as almas e os caboclos. Para essa apresentação, mais especificamente, procuro pensar como se dá a correlação de forças entre a correnteza do rio e a “corrente de caboclos”, já que é sabido na Ilha que a última é alimentada pela primeira. Sem correnteza, há correntes? Onde estão estes caboclos desterrados?