Redes sociais da ABA:
GT 005. Agências materiais e espirituais no cotidiano: experiências e narrativas de coexistência
Pôster em GT
Alexandre Iung Dias
O caminho é o propósito: relações entre a vida cotidiana e a magia de Abralas
Em 2016, foi criado, pela atuação de alguns praticantes de magia, o que se denominou Abralas: uma “deidade contemporânea” ou, ainda, o “Deus dos Caminhos”. Sua criação remonta à Magia do Caos: um sistema de magia moderno que, herdando certos conceitos e práticas do ocultismo europeu, pretende manipular a realidade conforme a vontade do praticante. Isto inclui a criação de entidades denominadas “servidores” que teriam a capacidade de atuação na realidade. No caso em questão, isto consistiu na criação do servidor Abralas. Sua função está associada com a ideia de uma Chave Mestra: ele serviria, a princípio, para facilitar burocracias da vida cotidiana de forma genérica, seja facilitando o envio de documentos, seja desimpedindo o trânsito intenso que levaria alguém a se atrasar para um compromisso. No entanto, segundo aqueles que utilizam deste servidor, ele passou a atuar inesperadamente em casos mais abstratos de desobstrução de fluxos, isto é, facilitando oportunidades que estariam de acordo com a vontade da pessoa que o chamasse. Uma relativa popularização na internet o acompanhou e o levou para além dos praticantes de magia: mais de 4000 pessoas acompanham sua página no Facebook e pouco mais de 3500 pessoas participam do grupo de estudos dedicado a Abralas, nesta mesma plataforma. Lá, compartilham-se agradecimentos, convocações para ritos coletivos e ideias de rituais que teriam maior eficácia em fazê-lo atuar na esfera cotidiana. Este work visa realizar uma investigação no grupo virtual e na página sobre o servidor, analisando o discurso dos envolvidos. Isto envolve tanto os relatos da experiência quanto a atribuição da agência a Abralas e, ainda, a elaboração mais teórica sobre o que Abralas é e como se inter-relaciona com outras agências humanas e espirituais. Em especial, considerando o diálogo com um de seus criadores, visa-se entender de que forma se faz um primeiro contato com o servidor e de que forma se percebem os resultados de sua atuação nas experiências da vida cotidiana. Nos termos de Almeida (2013), há aqui uma relação onde o que se considera ser possível de existir, isto é, um pressuposto ontológico, é verificável a partir de encontros pragmáticos que reafirmam a existência do ente em questão. A relação entre a experiência cotidiana e a elaboração posterior a respeito destes encontros pragmáticos será utilizada como chave para a compreensão do lugar de Abralas na vida destas pessoas e como se percebe sua atuação.