GT 005. Agências materiais e espirituais no cotidiano: experiências e narrativas de coexistência
Apresentação Oral em GT
Gabriela Lages Gonçalves
Joana e o Escapulário : notas sobre vulnerabilidades na relação entre vigilantes, casarões e seres intangíveis
Este artigo parte do work de campo da minha dissertação de mestrado (em andamento) sobre experiências entre pessoas e seres intangíveis que habitam casarões do Centro Histórico de São Luís, capital do Maranhão. Visagens, assombrações, espíritos, entidades e fantasmas são expressos nesse conjunto arquitetônico, identificados por manifestações sonoras, visuais, pelo cheiro e pelo tato. O Centro Histórico é ocupado por diversos serviços, e uma categoria profissional presente constantemente nos casarões são os vigilantes. Durante a pesquisa, convivi com vigilantes de três prédios públicos, buscando analisar suas perspectivas acerca das manifestações dos seres intangíveis e suas leituras sobre as casas animadas, habitadas por agências diversas. Neste work proponho uma análise das perspectivas de proteção e desproteção dos vigilantes nos casarões – que remetem a sentimentos de vulnerabilidade. Entre vultos, cruzes, alhos e armas de fogo, reúno aqui noções de perigo e segurança a partir da adaptação dos vigilantes aos prédios nos quais trabalham. Parto da trajetória de Joana, expressa na sua relação com um escapulário - símbolo católico que a ajudou a ‘se acostumar’ com os seres presentes no casarão. Minha intenção é mostrar que aparentes riscos (como a insegurança das ruas à noite) são repensados e têm seu sentido transformado na interlocução entre pessoas, casarões e seres intangíveis no cotidiano de work.