Redes sociais da ABA:
GT 005. Agências materiais e espirituais no cotidiano: experiências e narrativas de coexistência
Apresentação Oral em GT
João Alipio de Oliveira Cunha
Conexões e agenciamentos: uma abordagem antropológica dos afroparaguaios Kamba kuá
Os estudos antropológicos sobre as comunidades afroparaguaios ainda permanecem tímidos nas universidades brasileiras. Nos anos de 2013 e 2014 fiz um work de campo com os grupos Kamba Kuá, que se encontra entre os limites de São Lorenzo e Fernando de La Mora à 20 minutos da capital Assunção e Emboscada, que têm o nome da cidade rural que fica próximo a fronteira com o Mato Grosso do Sul, Brasil. O encontro com eles contribuíram para a elaboração do work de conclusão de curso “Santos negros, memória e oralidade: diálogos entre o jongo/caxambu e o candombe paraguaio (festas para são Benedito e são Baltazar)”, onde tive a oportunidade de observar a festa religiosa para o santo negro Baltazar, considerado patrono da comunidade Kamba Kuá. Nas visitas foram realizadas mais de seis entrevistas, anotações, fontes escritas e vídeos que serão analisadas com mais detalhes e se somarão a novos works de campo durante o doutorado. Segundo as narrativas dos membros de Kamba Kuá, o grupo veio do Uruguai no ano de 1820 trazidos pelo general uruguaio José Artigas, que se exilou no Paraguai durante o período do governador Dr. Gaspar Francia fugindo de perseguições políticas. A chegada dos negros uruguaios em solo paraguaio no século XIX é resultado de um segundo processo forçado de desterritorialização que culminou com um processo altamente elaborado de reterritorialização, que pode ser visto por meio de agenciamentos, combinações e conexões com os elementos ameríndios e cristãos. A etnografia sobre os afroparaguaios pretende contribuir com análises referentes às experiências e narrativas de jovens e lideranças comunitárias sobre temáticas relacionadas ao campo da religião e cultura tão presentes em seus cotidianos.