GT 010: Antropologia Digital, Tecnologia e Cibercultura
Pôster em GT
Denise Ferreira da Costa Cruz
Encarapinhando a rede: debates sobre cabelos, texturas e preconceito capilar em Moçambique
Tenho acompanhado nos últimos dois anos grupos de discussão na rede de relacionamento da internet, Facebook, que congregam mulheres e homens negros em torno dos debates sobre os cabelos crespos. São vários os grupos que possuem esse tema. Acompanho mais de perto o grupo Carapinha do Indico de Moçambique. Todos promovem encontros e eventos para conversarem e trocarem conhecimento e ideias sobre cabelos.
Vejo que esses espaços virtuais e de encontros são espaços políticos, como o são os salões étnicos já estudados pela literatura sobre cabelos crespos, pois i) promovem um espaço de experimentação de novas possibilidades de cuidados com o corpo; ii) são espaços para debates sobre racismo e discriminação; iii) são espaços que possibilitam a troca e o reconhecimento mútuo de uma estética geralmente relegada ao lugar do feio; iv) são espaços onde conhecimentos sobre cuidados com o corpo e cabelo são compartilhados a despeito de haver representatividade nos grandes meios de comunicação e no mercado; v) são espaços que criam lugar para a representatividade de uma estética outra. Tanto em momentos virtuais como em momentos presenciais, os debates em torno do cabelo crespo “natural” revela duas sociedades (brasileira e moçambicana) realizadoras de um verdadeiro preconceito capilar. Sobre esse espaço que é ora on line, ora off line que se debruça o presente work.