Redes sociais da ABA:
Logo da 30ª Reunião Brasileira de Antropologia
3 a 6 de agosto de 2016
João Pessoa - PB
UFPB - Campus I
GT 010: Antropologia Digital, Tecnologia e Cibercultura
Pôster em GT
Carolyna Kyze silva Bezerra de Melo
CAIU NA REDE: Reflexões sobre pornografia de revanche no Brasil
CAIU NA REDE: REFLEXÕES SOBRE PORNOGRAFIA DE REVANCHE NO BRASIL O presente artigo tem como objetivo apresentar os passos de uma pesquisa que começou a ser realizada no ano de 2012 acerca da pornografia de revanche no Brasil, ou seja, a disseminação de conteúdo produzido no âmbito do privado de forma consensual, mas por razões de revanchismo com o fim do relacionamento amoroso é propagado por um dos parceiros em plataformas de relacionamento da web. A temática vem ganhando destaque nas mídias digitais e impressas, uma evidência disso é a consagrada expressão “caiu na rede”, que significa que um conteúdo viralizou entre os usuários do ciberespaço. Nessa rede de relações e múltiplas agências representadas entre pessoas, web, disseminação, comentários dentre outros, verificam-se redefinições nos papéis usualmente exercidos pelos diferentes agentes envolvidos, uma vez que indivíduos repassem imagens e vídeos recebidos de conteúdo íntimo-sexual e propagam sem a permissão das partes envolvidas. Pode-se dizer, por exemplo, que viola-se o privado confundindo-o com o público. Identificam-se as possibilidades ofertadas pela web para potencializar e horizontalizar a comunicação no ciberespaço, possibilitada por ferramentas que ficaram conhecidas como redes sociais. Tal esforço de mapear, identificar e analisar os casos de pornografia de revanche no Brasil, no viés metodológico, torna-a de cunho qualitativo, uma vez que a pesquisa qualitativa em Antropologia Social é instrumento central para o entendimento das diversas nuances que o fenômeno da pornografia de revanche suscita. Usando questões quantitativas como apoio – no caso do levantamento estatístico de casos denunciados como, por exemplo, os dados da Safernet, que apontam que só no ano de 2012 foram recebidas 48 denúncias de casos de pornografia de revanche. Em 2013 foram 101 casos, ou seja, um aumento de 110% em relação a 2012. E em 2014, foram 224 casos - percebe-se que os casos mais que quadruplicaram nesse período. A exploração inicial veio advinda de periódicos jornalísticos nacionais, e para o recorte dessa pesquisa foi usado apenas suas versões online. As notícias sobre pornografia de revanche divulgadas em jornais têm demonstrado que as publicações de fotos ou filmagens íntimas sem o consentimento de uma das partes muitas vezes acabam em casos de suicídios, isolamento social e estigma para quem teve sua intimidade exposta. Diante do exposto esta pesquisa realizou um estudo teórico sobre pornografia de revanche no Brasil, que para além dos números, faz-se necessário a reflexão sobre a reverberação desse fenômeno sobre os sujeitos envolvidos nesse contexto.