Redes sociais da ABA:
Logo da 30ª Reunião Brasileira de Antropologia
3 a 6 de agosto de 2016
João Pessoa - PB
UFPB - Campus I
GT 010: Antropologia Digital, Tecnologia e Cibercultura
Apresentação Oral em GT
Sheila Cavalcante dos Santos
“Meu Tinder tá bombando!” Geolocalização, sociabilidade e vivências da sexualidade
A massificação da internet e o advento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) vêm diversificando as possibilidades de conexão entre pessoas desconhecidas com a finalidade do encontro íntimo – seja paquera, sexo ou relacionamentos românticos –, tanto numa perspectiva de manutenção da virtualidade desse encontro como tendo a expectativa de um futuro contato presencial. Recentemente, os smartphones e tablets passaram a desempenhar um papel como meio de busca de parceiros/as em ambientes virtuais, a partir da criação de aplicativos (apps) de relacionamento por geolocalização. Estes tornam possível definir um perfil de parceiro/a, determinar a distância dos pretendentes com relação ao usuário e iniciar uma conversa imediata, caso ambos demostrem interesse. A partir desses apps o usuário pode buscar, flertar ou encontrar pretendentes em quaisquer hora e local, desde que conectado á internet. Os aplicativos de paquera proporcionam um ambiente de caráter lúdico e estrutura semelhante ao jogo, mediado por interesses comuns nos quais pessoas em aparente igualdade de posições traçam suas escolhas, sendo locus propício para o exercício da sociabilidade, conforme os critérios estabelecidos por Simmel (2006). Hoje o brasileiro é um dos principais consumidores mundiais desse tipo de aplicativo. O tema dos aplicativos de celular que proporcionam conexões entre pessoas via geolocalização está na cena dos debates sobre a influência das TICs na dinâmica das relações sociais contemporâneas. A cena é ampla e está em constante mutação; o debate, distante de se esgotar ou ser consensual. O olhar antropológico para esse cenário vem enriquecer e aprofundar as discussões. Dessa forma, propõe-se aqui trazer um panorama preliminar dos estudos feitos na área no país, focalizando a utilização do meio virtual para busca de encontros íntimos, em especial, a partir do uso de programas ou aplicativos específicos. O intento é o de que as ciências sociais ampliem o leque de análises sobre um tema que vem sendo já amplamente explorado por outras ciências, desde a comunicação social, marketing, tecnologias da informação até as ciências da saúde. A necessidade de contextualizar culturalmente os impactos do uso dessa tecnologia nas experiências dos usuários brasileiros é o aspecto motivador central desta proposta de análise, uma vez que grande parte dos estudos divulgados nesse sentido foi produzida fora do nosso contexto cultural.