GT 010: Antropologia Digital, Tecnologia e Cibercultura
Apresentação Oral em GT
Mario Felipe de Lima Carvalho
“Amanhã vai ser maior” (?): notas sobre os usos da internet nos (in)sucessos de duas manifestações de rua do ativismo de pessoas trans.
A partir da observação etnográfica da 18ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (04/05/2014) e do Ato pelo Dia da Visibilidade Trans do Rio de Janeiro (29/01/2015), busco tecer relações entre os usos da internet, as produções de alianças políticas, a luta por visibilidade social e as novas e velhas dramaturgias políticas acionadas por ativistas travestis e transexuais em ambos os contextos em função de diferentes marcadores como classe, geração e regionalidade. Nesta análise, tomo como ferramenta analítica a metáfora dramatúrgica de Goffman. Entre as diversas manifestações de rua etnografadas ao longo de meu work de campo de doutorado, optei por comparar estas duas manifestações por se tratarem de experiências antagônicas no que tange ao seu “sucesso político” do ponto de vista nativo (sendo a primeira considerada uma derrota frente ao sucesso da segunda), ao mesmo tempo em que acionam dramaturgias e repertórios semelhantes, a saber: (i) uso sincrônico e diacrônico das redes sociais da internet para além da divulgação e mobilização política; (ii) estabelecimento de alianças com diferentes agrupamentos e instituições políticas (partidos, coletivos feministas e LGBT, órgãos governamentais); e (iii) uso do “corpo-bandeira”. A 18ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo teve o seu tema alterado em virtude de uma mobilização on-line de ativistas trans que pleiteavam uma maior visibilidade de demandas e pautas políticas especificamente trans, que as/os mesmas/os consideravam negligenciadas pelo movimento LGBT hegemônico. A condução dessa disputa política pela APOGLBT (Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo) e por ativistas trans se deu justamento no continuum on-line off-line. O Ato pelo Dia da Visibilidade Trans do Rio de Janeiro de 2015, chamado “#Respeito, do morro ao asfalto, travestis e transexuais existem de fato!” convocado pelo grupo TransRevolução com apoio de outros coletivos (Pela Vidda-RJ, Marcha das Vadias e BeijATO) foi fortemente marcado por diversos usos da internet antes, durante e depois do ato. Por fim, busco elementos nos possíveis legados das chamadas “Jornadas de Junho” de 2013 no Brasil, tanto nas disputas representadas quanto nas diferentes avaliações nativas com relação aos (in)sucessos das manifestações, o que ganha colorido especial no cenário carioca.