GT 010: Antropologia Digital, Tecnologia e Cibercultura
Apresentação Oral em GT
Marcelo Castañeda de Araujo
Midiativismo: tecnologias, práticas e contextos nas lutas no Rio de Janeiro
O artigo trata do emergente campo do midiativismo a partir dos protestos que tomaram a esfera pública em junho de 2013 enfatizando as tecnologias associadas a práticas e contextos no Rio de Janeiro. Nele analiso o papel das tecnologias na configuração de práticas e contextos inerentes ao campo do midiativismo, entendendo como máquinas e aplicativos tecnológicos possibilitam uma ação sociotécnica que viabiliza conexões entre pessoas que perfazem um contra-poder.
Longe de um campo unificado, a multiplicidade das singularidades marca o panorama inicial traçado, constituindo uma variedade de possibilidades e dilemas que se mostram a partir do momento em que cessa o processo de mobilização a partir de outubro de 2013. Por isso, procurei destacar coletivos, partindo do que apresentou maior centralidade e tinha uma constituição prévia aos protestos de junho de 2013, a Mídia NINJA, até chegar a coletivos como a MIC e o Mariachi que se formaram à quente em meio às manifestações que eclodiam de forma multitudinária. Para não parecer que o campo se limita aos coletivos, que geralmente refletem uma certa preocupação com segurança, mapeamos algumas pessoas que se fizeram midiativistas de forma mais individualizada, ainda que colaborassem com coletivos, destacando um deles que também já tinha uma atuação como midiativista antes dos protestos de junho de 2013.
A metodologia envolveu work de campo, participação observante, entrevistas em profundidade e observações na plataforma Facebook. O artigo se volta para o capitalismo contemporâneo (Boltanski e Chiapello, 2009; Lazzarato e Negri, 2013; Hardt e Negri, 2004) e, muito influenciado pelas abordagens de Daniel Miller e Don Slater (2000), Bruno Latour (2005) e Manuel Castells (2009, para o uso das tecnologias em processos de mobilização, tendo como resultado mais evidente a caracterização das práticas de midiativistas a partir da descrição do aparato tecnológico e dos contextos com os quais indivíduos e coletivos tecem uma ação sociotécnica nas lutas que tomam forma no Rio de Janeiro.
Em suma, o midiativismo pode ser visto como uma prática que envolve tecnologias apropriadas por agentes em contextos específicos com uma dose de autonomia e liberdade para contestar as estruturas vigentes de exercício do poder. Como campo emergente e nascente está em constante mutação, tanto quanto as tecnologias mobilizadas e contextos de luta que se formam.