GT 010: Antropologia Digital, Tecnologia e Cibercultura
Apresentação Oral em GT
Elizabeth Christina de Andrade Lima
A Construção da Imagem Pública de Dilma Rousseff no Ciberespaço: Misoginia, estereótipos e relações de gênero
Passada a euforia da vitória pela segunda vez da Presidenta Dilma Rousseff, nas Eleições 2014, em uma campanha marcada por denúncias, desaforos e desrespeitos por parte dos candidatos, que protagonizaram uma das campanhas mais vorazes e negativas para a democracia brasileira, um fato nos chamou a atenção: a forte presença da mídia escrita, televisiva e do ciberespaço na tentativa de desconstrução da então eleita Presidenta.
Objetivamos aqui propor uma espécie de confluência entre três temas: gênero, política e mídia. Embora saibamos que existe toda uma tradição de works acadêmicos para cada um dos pares de temas (tais como: estudos sobre gênero e política, sobre política e mídia, sobre gênero e mídia), a interseção das três temáticas ainda é campo pouco estudado no Brasil, principalmente na Antropologia.
Propor tal interseção para avaliar a visibilidade ou invisibilidade midiática da Presidenta Dilma Rousseff é interessante na medida em que a visibilidade nos meios de comunicação de massa é um fator fundamental na produção de capital político nas sociedades contemporâneas. Em outras palavras, a mídia pode e deve ser pensada como uma esfera de representação. Como um espaço privilegiado de difusão de representações do mundo social e que, por isso mesmo, se estabelece como momento de uma representação especificamente política.
Nunca se viu e se leu tantas manifestações de desrespeito e de ódio a uma figura pública. Mal a presidenta assumiu o governo as manifestações não cessam de acontecer, em forma de palavras, altamente violentas, tais como: “Dilma vai tomar no cú”, “Dilma biscatona véia”, “Vai pra Cuba comunista de merda”, “Vaca”, “Vagabunda”, entre outros adjetivos, a Presidenta de vê isolada no poder e desprotegida por uma saraivada de críticas, acusações e expressões de ódio que a cada dia, ganham maior destaque e visibilidade midiática.
O objetivo desse artigo é o de apresentar algumas reflexões sobre os discursos de ódio e misoginia construídos nas redes sociais, facebook, sobre a Presidenta tentando entender como o discurso do ódio, aliado ao ressentimento, tem promovido uma leva de expressões e práticas altamente violentas a figura da mulher e da estadista. O nosso intento é construir a idéia de que Dilma tem sido exposta a toda sorte de práticas de ódio, de misoginia e de expressões de desrespeito pelo fato de ser mulher; o que se questiona nas frases de efeito propaladas por vozes ou escritas por mentes e mãos raivosas não é absolutamente o seu governo e as ações de seu governo, mas ela enquanto persona feminina, enquanto mulher que “ousa” ocupar um espaço que não é “legitimamente seu” é um espaço que ela usurpou, mesmo tendo sido, paradoxalmente, eleita pelo voto popular.