| Uma impressionante uniformidade marca as políticas oficiais sobre drogas em diferentes partes do mundo: elas estabelecem uma distinção entre “drogas” e “fármacos”, apresentam uma tendência à crescente ampliação da lista de substâncias consideradas de uso ilícito, e são políticas “antidrogas”. Estas políticas antidrogas emprestaram força de lei a um consenso moral que costuma se expressar nos seguintes termos: drogas causam dependência, fazem mal, quando não matam, pura e simplesmente; usá-las, portanto, é um absurdo; logo, “diga não às drogas”. Este trabalho procura problematizar tal consenso mediante uma dupla entrada, seja explorando o processo simultâneo de repressão e incitação ao consumo de drogas – ou seja, o dispositivo das drogas – , seja inquirindo a noção de controle e as modalidades de ação geralmente pressupostas pelos especialistas no assunto. |