| A escola de Chicago e, em uma menor medida, a escola de Manchester permanecem as referências incontornáveis de todas as pesquisas de antropologia urbana. Se é igualmente incontestável que um citadino africano é um citadino, justamente como sublinhou Anne Raulin (2001,) a antropologia urbana sempre tentou evitar as definições essencialistas da cidade opondo-se para tanto à visão oferecida por Louis Witth (1928). Dessa forma, mesmo se a cidade produza formas de relações sociais que são próprias a este tipo de meio, a situação contextual particular de cada país permite-nos perceber relevantes diferenças na organização sócio-espacial dos espaços urbanos. Essas diferenças levaram os antropólogos a tomar diferentes vias, a focalizar sua atenção nos objetos específicos a fim de construir a disciplina e impor a cidade como um campo específico e legítimo da antropologia. A comparação entre a situação no Brasil e na França nos permitirá esclarecer simultaneamente as singularidades da cidade e também da antropologia urbana em cada um desses países. Nessa abordagem comparativa, procuraremos mostrar os elos que se estabeleceram entre a antropologia urbana e as disciplinas vizinhas tais como a sociologia e a história, como também é nosso intuito destacar a seleção dos pesquisadores por determinados objetos e os procedimentos metodológicos empregados. |