| Uma das questões fundamentais da reflexão sobre a inserção do audiovisual nas pesquisas sociais diz respeito à produção das imagens - de quem as fabrica : o pesquisador ou o seu cameraman? As situações e possibilidades são inúmeras e dependem das condições da pesquisa, sobretudo, da relação que o antropólogo-cineasta estabelece com as pessoas filmadas, do tempo dedicado ao processo de elaboração da pesquisa e do financiamento disponível; tendo bem claro para quê e para quem produzimos essas imagens. Uma das premissas do documentário é que ele deve convencer pela autenticidade das suas filmagens, pela "veracidade" das realidades sociais que fixa em imagens. Para isso, é fundamental um conhecimento acuidado do contexto social filmado, pois uma preparação zelosa abre espaço, nas filmagens, à espontaneidade dos personagens e reduz as incertezas e ansiedades daquele que filma. Isto permite um vai e vem contínuo entre a concepção teórica do projeto e o seu desenvolvimento por meio de uma narrativa audiovisual. É neste confronto entre o conhecimento da pesquisa, a especificidade do campo e os embaraços da escritura cinematográfica que reside o aspecto criativo do filme na pesquisa antropológica. Discutirei algumas destas questões, tendo como base minhas experiências com o vídeo, pois acredito ser fundamental integrar etnografia e imagens no fazer antropológico para desenvolver abordagens menos dicotômicas, onde a articulação pesquisa-imagem possa ser pensada de forma integrada. |