| O trabalho apresenta algumas reflexões a respeito das contribuições da Arqueologia para a compreensão do papel dos engenhos e das aldeias indígenas na formação dos núcleos urbanos das antigas Vilas de Olinda e Igarassu, em Pernambuco. Tratadas pela historiografia como núcleos urbanos formados a partir da extinção de populações indígenas, onde a distância estabelecida pela coroa portuguesa para a instalação dos engenhos e freguesias, não deveria ser inferior a uma légua ou 6km, esses núcleos informam sobre o processo de colonização e o papel dos diferentes grupos sociais. Especialmente nos interessa a relação dos dispositivos legais da coroa portuguesa e aplicação efetiva na colônia brasileira. Recentes descobertas arqueológicas têm demonstrado que esta distância não foi respeitada e que muito provavelmente a participação de grupos indígenas, no processo de desenvolvimento da região, foi maior do que até então se pensava. Até bem pouco tempo, a noção de espaço pautou-se em referenciais econômicos e materiais, marcados por interesses de segmentos sociais que excluíam a participação dos indígenas enquanto sujeitos do processo histórico. No caso dos negros que sustentaram toda uma economia açucareira esta omissão tem sido paulatinamente revista. Nossos estudos vêm assim, corroborar recentes discussões a respeito da participação das minorias na formação urbana. |