Resumo Palestra

Porto Calvo foi um dos primeiros centros urbanos a se desenvolver no atual estado de Alagoas. A implantação de engenhos de açúcar desde o século XVI direcionou a configuração socioeconômica desta cidade, processo que continua até os dias atuais com o funcionamento de grandes usinas na região. Estudos arqueológicos recentes localizaram mais de vinte engenhos e engenhocas fundados desde o século XVII. Identificamos cinco locais que foram poupados da destruição recorrente à expansão dos canaviais em anos recentes, e que oferecem condições para estudos amplos e aprofundados. Os engenhos prometem avançar consideravelmente o nosso entendimento da história socioeconômica da cidade, bem como a vida quotidiana dos escravos. Mesmo assim, Porto Calvo se destaca na história não pelo desenvolvimento como centro açucareiro, mas sim pela ocupação holandesa durante a primeira metade do século XVII. Na sua tentativa de chamar atenção à cidade para fins turísticos e até para a sua própria identidade, o governo local e estabelecimentos comerciais têm adotado o Calabar, figura histórica polêmica que se aliou aos holandeses, como representante. Juntos com este símbolo histórico são os locais e vestígios, reais e imaginados, atribuídos à presença holandesa. O objetivo deste trabalho é instigar discussão sobre o papel da arqueologia em contextos onde há vozes silenciadas, neste caso escravos, e um passado considerado mais importante para a identidade local.