Resumo Palestra

Os navegantes e viajantes que se aproximavam por mar da cidade do Recife registraram que se podia ver uma colina ao norte, na qual se edificou a cidade de Olinda e , mais distante , ao sul, o cabo de Santo Agostino. Essas eram as principais referências desde o oceano. Antes do desembarque já era possível observar-se que a cidade era em grande parte insular. Isto se deve a sua localização, justo entre as desembocaduras dos rios Capibaribe e Beberibe e, assim, as freguesias de Recife, Santo Antônio e Boa Vista, estavam separadas pelas águas. Essa situação geográfica atribuiu a cada uma delas características espaciais, construtivas e usos diversos que, inclusive, se mantiveram durante grande parte do século XIX. Observando alguns mapas antigos (s. XVIII-XIX) percebe-se um dado que é de grande relevância para definir a cidade: essas três áreas eram praticamente ilhas. Recife surge em função do porto e, é nessa “ilha”, onde viveram e, principalmente, trabalharam a grande maioria dos que se dedicavam ao comércio, ou seja, se concentrava ali a atividade mercantil da Capitania e depois da Província. Do Recife se acedia a Santo Antônio através de duas pontes e ,desde ali, também através de pontes, podia-se chegar até a freguesia da Boa Vista, chamada por alguns, pomposamente, do “continente”, embora estivesse também praticamente rodeada d’água por um afluente do Beberibe e um braço do Capibaribe.