Resumo Palestra

Dos primeiros contatos etnográficos (realizados pela autora no meio da década de 1990), quando o uso pelos Mbya-Guarani (no RS) das fitas cassetes era intenso, especialmente para o intercâmbio de cantos rituais e mensagens entre as aldeias, passando pela proliferação dos celulares e chegando à atualidade com a incorporação dos cds e dvds, esta participação na mesa redonda pretende apresentar para discussão como esse interesse dos Mbya por instrumentos de comunicação ocidentais estão articulados com o crescente investimento pelo registro e divulgação de alguns aspectos de sua tradição sócio-cultural. Somando-se a isso e partindo desses mesmos elementos se pretende analisar as implicações dessa apropriação nas relações socio-políticas entre as aldeias. Dentre os elementos estão os aspectos estéticos e a constante disputa entre os kuéry (os grupos locais) sobre quem é mais capaz de melhor representar a cultura e preservar o patrimônio cultural da etnia. Assim a proposta de participação se baseia na apresentação da articulação do valor social da comunicação para esta etnia e como ela se desdobra na estética e nas relações sócio-políticas Mbyá, percebíveis em seu artesanato de cestaria, nas categorias de cacique e karai e no crescente interesse atual pelo registro e divulgação fílmicos de sua cultura.