| Este trabalho vem responder à questão colocada como fio condutor da mesa-redonda a partir de uma experiência particular de trabalho de campo em Cabo Verde. A busca pela especificidade do fazer etnográfico, por parte de profissionais brasileiros, nos PALOPs aponta para a necessidade de uma reflexão sobre as relações pré-existentes entre nosso país e aqueles que procuramos compreender. Se Cabo Verde parece, a princípio, um arquipélago distante da realidade brasileira, desembarcar naquelas ilhas e conviver cotidianamente com os cabo-verdianos obriga-nos a rever nossa posição, designados que somos por aquele povo como “um país irmão”. Indo mais adiante, descobrimos nossa posição também, no imaginário local, como “o irmão que deu certo” – título tão distante da auto-imagem que costumamos nutrir sobre a nação brasileira. Se fazer etnografia é “situar-nos”, isso significa igualmente conscientizar-nos a respeito do papel histórico e político que desempenhamos frente àqueles que pretendemos estudar. Somos, inevitavelmente, objeto do pensamento do “outro”. E as fronteiras externas e internas da comunidade lingüística que nos une, bem como suas bases hierárquicas, já estão traçadas antes de nosso encontro em campo. Diante disso, não podemos nos furtar à reflexão sobre a interferência dessas relações no processo de produção de conhecimento que realizamos. |