Resumo Palestra

Pretendemos discutir aqui os perigos que supõem a suposta especificidade de uma antropologia realizada por profissionais vinculados a instituições brasileiras em países que se convencionou reunir sob o guarda-chuva de uma mesma língua oficial. Argumentaremos que a questão encerra um conjunto de armadilhas que o antropólogo tem todo o interesse em evitar. De um lado a idéia de uma conexão pautada pelo uso de uma língua comum, de outro, supostos identitários que constituem uma ideologia restrita a determinados grupos de elite destes diferentes países. Defendemos que a língua portuguesa tem que ser assumida de forma pragmática – nos facilita o acesso a arquivos e documentos e a parte da produção intelectual produzida por e sobre estes países, bem como promove uma comunicação privilegiada com as respectivas comunidades de intelectuais – e problemática – o papel e o uso da língua oficial é muito diferente em cada um dos PALOPs e mesmo no interior dos diferentes territórios nacionais. A língua pode, enfim, criar uma ilusão identitária, ofuscando a singularidade de sua incorporação em distintas regiões \ contextos \ situações sob o manto opressor da idéia de língua comum.